{"id":72988,"date":"2022-03-14T10:44:03","date_gmt":"2022-03-14T13:44:03","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=72988"},"modified":"2022-03-15T17:45:20","modified_gmt":"2022-03-15T20:45:20","slug":"educacao-e-ou-robotizacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/educacao-e-ou-robotizacao\/","title":{"rendered":"EDUCA\u00c7\u00c3O E OU ROBOTIZA\u00c7\u00c3O"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong>H\u00e1 uma tend\u00eancia generalizada em fazer de nossos programas educacionais e de muitas de nossas escolas uma f\u00e1brica de c\u00e9rebros pr\u00e9-programados. A educa\u00e7\u00e3o voltada para as necessidades de mercado e n\u00e3o para as qualidades vocacionais do indiv\u00edduo. N\u00e3o mais se escuta a voz do cora\u00e7\u00e3o do estudante. \u201cEscutar o outro, como Jesus ao demonstrar em toda sua pedagogia, \u00e9 o ponto de partida para acolher, compreender, problematizar e transformar a realidade\u201d (TBCF 27).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00c9 verdade, h\u00e1 louv\u00e1veis exce\u00e7\u00f5es. O sucesso da educa\u00e7\u00e3o vai da separa\u00e7\u00e3o dos interesses coletivos das necessidades individuais. O contr\u00e1rio seria uma tarefa de laborat\u00f3rios cibern\u00e9ticos, onde a m\u00e1quina robotizada recebe volumes infindos de informa\u00e7\u00f5es, apreende, mas nada aprende com elas. Est\u00e1 programado para ouvir uma voz, um \u201center\u201d de comando, nunca a voz do cora\u00e7\u00e3o, da raz\u00e3o. (Quase mudo o t\u00edtulo para Cora\u00e7\u00e3o de Estudante, mas deixemos assim&#8230;). O texto base da CF 2022 continua insistindo na quest\u00e3o da escuta, pois \u201cpara escutar o \u201ctodo\u201d \u00e9 necess\u00e1rio n\u00e3o se perder diante do \u201ctudo\u201d Frase filos\u00f3fica por excel\u00eancia, mas bem explicada em seguida: \u201cO excesso de informa\u00e7\u00f5es de not\u00edcias verdadeiras e falsas, de certezas sobre opini\u00f5es, constitui um desafio para o bem escutar, ou seja, para escutar o conte\u00fado essencial de um presente ruidoso\u201d (31).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Essa \u00e9 a nova realidade do mundo globalizado, onde as informa\u00e7\u00f5es nos chegam \u00e0 velocidade da luz. Mas sem luzes que clareiem a mente confusa dos nossos jovens. \u201cAprendemos com mais facilidade sobre as coisas, mas n\u00e3o temos o mesmo desempenho para aprender sobre n\u00f3s mesmos\u201d (36). H\u00e1 um isolamento mais corrosivo do que aquele que nos for\u00e7ou a pandemia, como tamb\u00e9m aqueles que nos obrigam \u00e0 guerra em seus bastidores democr\u00e1ticos. \u201c\u00c9 necess\u00e1rio educar para reverter essa tend\u00eancia de esvaziamento do coletivo e da crise do compromisso comunit\u00e1rio\u201d (39). Sair do cada um pra si, sem Deus pra todos. \u201cAs inven\u00e7\u00f5es surgidas a partir das grandes guerras e pandemias indicam que nossa capacidade de responder rapidamente costuma acontecer quando o objeto da aprendizagem est\u00e1 fora de n\u00f3s\u201d (42). O instinto fala mais do que a raz\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Por isso h\u00e1 que se pesar as informa\u00e7\u00f5es que nos chegam. Dizem que uma crian\u00e7a moderna recebe centenas de milhares de vezes mais informa\u00e7\u00f5es do que um fara\u00f3 do Egito ou um rei da Mesopot\u00e2mia. Essas informa\u00e7\u00f5es geram conhecimento e sabedoria e nos aproximam da realidade, mas igualmente afugentam e amedrontam muitos de n\u00f3s. \u201cViver, em qualquer tempo hist\u00f3rico, \u00e9 tamb\u00e9m conviver com o imprevis\u00edvel e com as ambiguidades da vida\u201d (51), tais como pandemia e guerra. No entanto, o papel da educa\u00e7\u00e3o deve sempre visar a forma\u00e7\u00e3o humana, que leva o indiv\u00edduo a participar do seu momento hist\u00f3rico \u201cde modo integral e solid\u00e1rio\u201d (54), nunca omitindo-se. As crises da pandemia e da guerra despertam \u201cinteresses para perspectivas humanistas da educa\u00e7\u00e3o. \u00c9 preciso educar para viver em comunh\u00e3o. Educar para conceber a democracia como um estado de participa\u00e7\u00e3o\u201d (57).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 N\u00e3o h\u00e1 como fugir dessa nova realidade: o mundo conflituoso e doentio que marcar\u00e1 toda uma nova gera\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as e adolescentes. Os mestres dessa gera\u00e7\u00e3o, mais do que nunca, devem \u201cfalar com sabedoria e ouvir com amor\u201d. Com a voz da experi\u00eancia, mas os ouvidos sens\u00edveis aos apelos do cora\u00e7\u00e3o sedento. E, como o profeta atento \u00e0 vontade de Deus, n\u00e3o \u00e0 ignor\u00e2ncia dos homens, dizer sempre: \u201cFala, Senhor, que teu servo escuta!\u201d (1Sam 3,9).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 H\u00e1 uma tend\u00eancia generalizada em fazer de nossos programas educacionais e de muitas de nossas escolas uma f\u00e1brica de c\u00e9rebros pr\u00e9-programados. A educa\u00e7\u00e3o voltada para as necessidades de mercado e n\u00e3o para as qualidades vocacionais do indiv\u00edduo. 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