{"id":72945,"date":"2022-03-15T09:28:12","date_gmt":"2022-03-15T12:28:12","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=72945"},"modified":"2022-03-15T12:48:28","modified_gmt":"2022-03-15T15:48:28","slug":"zenari-apos-11-anos-de-guerra-na-siria-caimos-no-esquecimento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/zenari-apos-11-anos-de-guerra-na-siria-caimos-no-esquecimento\/","title":{"rendered":"Zenari: ap\u00f3s 11 anos de guerra na S\u00edria, ca\u00edmos no esquecimento"},"content":{"rendered":"<figure class=\"article__image\"><span class=\"didascalia_img\">S\u00edria, Aleppo\u00a0<\/span><\/figure>\n<div class=\"article__meta audioInside\" data-mediatype=\"\">\n<div class=\"article__subTitle\" style=\"text-align: justify;\">O dia 15 de mar\u00e7o de 2011 marca o in\u00edcio da guerra na S\u00edria. Um conflito que j\u00e1 causou meio milh\u00e3o de mortes. &#8220;N\u00e3o deixem morrer a esperan\u00e7a&#8221;, continua a repetir o n\u00fancio em Damasco, cardeal Mario Zenari, que denuncia viol\u00eancias, pobreza e abandona.<\/div>\n<div class=\"title__separator\" style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div class=\"article__text \">\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Massimiliano Menichetti<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Casas destru\u00eddas, falta de alimentos, \u00e1gua e medicamentos, viol\u00eancia, saques, pessoas em fuga. Na S\u00edria, ap\u00f3s 11 anos, o conflito n\u00e3o terminou, mas sobre esta guerra fala-se muito pouco, como tamb\u00e9m de muitas outras. Este pa\u00eds, onde muitas cidades continuam sendo c\u00famulos de escombros, chora meio milh\u00e3o de mortes e v\u00ea mais de 11 milh\u00f5es e meio de pessoas deslocadas dentro e fora do pa\u00eds. Hoje, no anivers\u00e1rio do in\u00edcio do conflito, tem in\u00edcio em Damasco a confer\u00eancia &#8220;Igreja, Casa da Caridade &#8211; Sinodalidade e Coordena\u00e7\u00e3o&#8221;, organizada pela Congrega\u00e7\u00e3o para as Igrejas Orientais. No centro dos trabalhos est\u00e3o a escuta, o di\u00e1logo, o futuro das comunidades crist\u00e3s, mas tamb\u00e9m as necessidades urgentes desta atormentada na\u00e7\u00e3o. &#8220;N\u00e3o deixem a esperan\u00e7a morrer&#8221; \u00e9 a invoca\u00e7\u00e3o cont\u00ednua do n\u00fancio em Damasco, cardeal Mario Zenari, enquanto o pa\u00eds est\u00e1 &#8220;fora do radar da m\u00eddia&#8221; e entrando numa esp\u00e9cie de &#8220;esquecimento&#8221;.<\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"article__embed article__embed--unwrap article__embed--dark\">\n<div class=\"article__innerTitle\">Ou\u00e7a e compartilhe<\/div>\n<div>\n<!--[if lt IE 9]><script>document.createElement('audio');<\/script><![endif]-->\n<audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-72945-1\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/mpeg\" src=\"https:\/\/media.vaticannews.va\/media\/audio\/s1\/2022\/03\/15\/14\/136474369_F136474369.mp3?_=1\" \/><a href=\"https:\/\/media.vaticannews.va\/media\/audio\/s1\/2022\/03\/15\/14\/136474369_F136474369.mp3\">https:\/\/media.vaticannews.va\/media\/audio\/s1\/2022\/03\/15\/14\/136474369_F136474369.mp3<\/a><\/audio>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Emin\u00eancia, h\u00e1 11 anos se combate na S\u00edria. O que este dram\u00e1tico anivers\u00e1rio significa para o senhor?<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><i>\u00c9 um anivers\u00e1rio triste, primeiro porque a guerra ainda n\u00e3o terminou e tamb\u00e9m porque h\u00e1 alguns anos a S\u00edria parece ter desaparecido do radar da m\u00eddia. Tomou lugar a crise libanesa, depois a Covid-19, e agora a guerra na Ucr\u00e2nia.<\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Os mortos desta guerra s\u00e3o cerca de meio milh\u00e3o, os refugiados que fugiram cerca de 5,5 milh\u00f5es, mais outros 6 milh\u00f5es de pessoas deslocadas internamente. O senhor continua repetindo enfaticamente: &#8220;N\u00e3o deixem a esperan\u00e7a morrer&#8221;. O que \u00e9 necess\u00e1rio para evitar que isso aconte\u00e7a?<br \/>\n<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><i>Infelizmente, a esperan\u00e7a foi embora do cora\u00e7\u00e3o de tantas pessoas e, em particular, do cora\u00e7\u00e3o dos jovens, que n\u00e3o veem futuro em seu pa\u00eds e procuram emigrar. E uma na\u00e7\u00e3o sem jovens, e sem jovens qualificados, \u00e9 uma na\u00e7\u00e3o sem futuro. Algumas fam\u00edlias, depois de terem pago grandes somas de dinheiro, ainda est\u00e3o presas em Belarus, esperando para cruzar a fronteira polonesa. A cat\u00e1strofe s\u00edria ainda \u00e9 o desastre humanit\u00e1rio mais grave causado pelo homem desde o final da Segunda Guerra Mundial. Ainda n\u00e3o h\u00e1 sinais de reconstru\u00e7\u00e3o ou de recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica. Al\u00e9m disso, as san\u00e7\u00f5es est\u00e3o pesando muito sobre tudo isso. O processo de paz, como previsto na Resolu\u00e7\u00e3o 2254 da ONU, est\u00e1 paralisado. Somente a pobreza avan\u00e7a a passos largos. As pessoas est\u00e3o agora falando sobre a guerra econ\u00f4mica.<\/i><\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"article__embed article__embed--unwrap article__embed--photo\">\n<figure><picture><img decoding=\"async\" class=\"loaded\" src=\"https:\/\/www.vaticannews.va\/content\/dam\/vaticannews\/agenzie\/images\/afp\/2022\/03\/11\/02\/1646960588423.jpg\/_jcr_content\/renditions\/cq5dam.thumbnail.cropped.750.422.jpeg\" alt=\"Aleppo\" data-original=\"\/content\/dam\/vaticannews\/agenzie\/images\/afp\/2022\/03\/11\/02\/1646960588423.jpg\/_jcr_content\/renditions\/cq5dam.thumbnail.cropped.750.422.jpeg\" data-was-processed=\"true\" \/><\/picture><\/figure>\n<div class=\"photo_embed--Title\">Aleppo<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Mais de 60% da popula\u00e7\u00e3o \u00e9 afetada pela inseguran\u00e7a alimentar. Como ajudar?<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><i>H\u00e1 escassez de p\u00e3o e agora, com a guerra na Ucr\u00e2nia, tamb\u00e9m de farinha, bem como outras necessidades b\u00e1sicas. De 15 a 17 de mar\u00e7o, se realiza em Damasco uma confer\u00eancia convocada pela Igreja Cat\u00f3lica com o tema: &#8220;A Igreja, Lar da Caridade&#8221;. Sinodalidade e coordena\u00e7\u00e3o&#8221;. Os participantes s\u00e3o cerca de 250, entre s\u00edrios e pessoas de fora da S\u00edria, representantes de institui\u00e7\u00f5es cat\u00f3licas e ag\u00eancias humanit\u00e1rias. O cardeal Leonardo Sandri, prefeito da Congrega\u00e7\u00e3o para as Igrejas Orientais, alguns membros dos Dicast\u00e9rios Romanos e Roaco tamb\u00e9m estar\u00e3o presentes. Ser\u00e3o feitos planos para compartilhar fraternalmente os 5 p\u00e3es e 2 peixes.<br \/>\n<\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Neste contexto, a fuga dos crist\u00e3os continua&#8230;<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><i>Nesses anos de guerra, mais da metade, e talvez dois ter\u00e7os, dos crist\u00e3os deixaram a S\u00edria. Nesses conflitos, os grupos minorit\u00e1rios s\u00e3o o elo mais fraco da corrente. Esta \u00e9 uma ferida irrepar\u00e1vel para estas Igrejas Orientais sui iuris, mas \u00e9 tamb\u00e9m um s\u00e9rio dano para a pr\u00f3pria sociedade s\u00edria. Os crist\u00e3os, presentes no Oriente M\u00e9dio h\u00e1 dois mil anos, deram uma contribui\u00e7\u00e3o significativa para o desenvolvimento de seu pa\u00eds, especialmente nos campos da educa\u00e7\u00e3o e da sa\u00fade, com escolas e hospitais muito eficientes e respeitados. A presen\u00e7a de crist\u00e3os poderia ser comparada, para a pr\u00f3pria sociedade s\u00edria, a uma janela aberta para o mundo. Os crist\u00e3os t\u00eam, geralmente, uma mente aberta e tolerante. Com cada fam\u00edlia crist\u00e3 que emigra, a janela se fecha gradualmente.<br \/>\n<\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Segundo o senhor \u00e9 preciso mais coragem em n\u00edvel da diplomacia, da pol\u00edtica internacional?<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><i>O enviado especial da ONU para a S\u00edria, Geir Pedersen, retorna continuamente sobre a necessidade de um maior envolvimento da diplomacia internacional. Infelizmente, o perdurar do conflito, a pandemia a Covida-19 e outros conflitos, em particular a guerra na Ucr\u00e2nia, dirigiram a aten\u00e7\u00e3o da comunidade internacional para outros lugares.<\/i><\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"article__embed article__embed--unwrap article__embed--photo\">\n<figure><picture><img decoding=\"async\" class=\"loaded\" src=\"https:\/\/www.vaticannews.va\/content\/dam\/vaticannews\/agenzie\/images\/afp\/2022\/01\/19\/10\/1642586292577.jpg\/_jcr_content\/renditions\/cq5dam.thumbnail.cropped.750.422.jpeg\" alt=\"Refugiados s\u00edrios\" data-original=\"\/content\/dam\/vaticannews\/agenzie\/images\/afp\/2022\/01\/19\/10\/1642586292577.jpg\/_jcr_content\/renditions\/cq5dam.thumbnail.cropped.750.422.jpeg\" data-was-processed=\"true\" \/><\/picture><\/figure>\n<div class=\"photo_embed--Title\">Refugiados s\u00edrios<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Quanto \u00e9 importante que os meios de comunica\u00e7\u00e3o do mundo continuem a manter o foco sobre a S\u00edria?<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><i>At\u00e9 alguns anos atr\u00e1s, eu costumava receber telefonemas de v\u00e1rias partes do mundo para entrevistas e informa\u00e7\u00f5es sobre o conflito s\u00edrio. Agora o telefone n\u00e3o toca mais. Esta \u00e9 outra grande desgra\u00e7a que aconteceu com a S\u00edria. O de cair no esquecimento. Este esquecimento machuca muito as pessoas.<\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Alguns s\u00edrios, contratados pelos russos, teriam partido para lutar na Ucr\u00e2nia. Est\u00e1 se explorando a pobreza do pa\u00eds, que est\u00e1 passando por uma guerra, para combater outra guerra&#8230;<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><i>Eu tamb\u00e9m li essas not\u00edcias. Algo semelhante aconteceu na L\u00edbia h\u00e1 alguns anos: mercen\u00e1rios s\u00edrios se viram lutando em lados opostos. Esta \u00e9 mais uma doen\u00e7a causada pela guerra, que \u00e9 uma f\u00e1brica que produz todo tipo de males: v\u00edtimas, destrui\u00e7\u00e3o de bairros e vilarejos, refugiados, danos ao tecido social, desintegra\u00e7\u00e3o familiar, viol\u00eancia, pobreza, falta de trabalho, drogas e muitos outros males. Muitos jovens se encontram sem emprego, aprenderam a manusear armas e se alistaram por algumas centenas de d\u00f3lares.<br \/>\n<\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Como \u00e9 vista na S\u00edria a guerra na Ucr\u00e2nia?<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><i>As pessoas geralmente n\u00e3o se atrevem a falar. Uno-me \u00e0 admoesta\u00e7\u00e3o repetida e forte do Papa Francisco para silenciar as armas e deter o massacre. Parece-me que a atormentada S\u00edria tamb\u00e9m compreende bem, por experi\u00eancia, este apelo urgente. Se posso usar a par\u00e1bola evang\u00e9lica do pobre L\u00e1zaro e do rico opulento, certamente a S\u00edria, mutatis mutandis, quer advertir severamente os outros para n\u00e3o ca\u00edrem no mesmo lugar de tormento em que ela mesma caiu (Lc 16,27-28). \u00c9 triste ver repetidas na Ucr\u00e2nia as mesmas imagens angustiantes de dor vistas na S\u00edria: bairros destru\u00eddos, mortes, milh\u00f5es de refugiados, o uso de armas n\u00e3o convencionais como bombas de fragmenta\u00e7\u00e3o, o bombardeio de hospitais e escolas. Ver exatamente a mesma descida ao inferno que se viu na S\u00edria.<\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Estamos no caminho quaresmal, um tempo de ora\u00e7\u00e3o e jejum. Como os senhores vivem este per\u00edodo?<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><i>Pode-se dizer que as pessoas, qualquer que seja a denomina\u00e7\u00e3o religiosa a que perten\u00e7am, t\u00eam vivido uma Quaresma ininterrupta e um jejum h\u00e1 11 anos. \u00c9 importante, acima de tudo, permanecer pr\u00f3ximo e ser solid\u00e1rio.<\/i><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>S\u00edria, Aleppo\u00a0 O dia 15 de mar\u00e7o de 2011 marca o in\u00edcio da guerra na S\u00edria. Um conflito que j\u00e1 causou meio milh\u00e3o de mortes. &#8220;N\u00e3o deixem morrer a esperan\u00e7a&#8221;, continua a repetir o n\u00fancio em Damasco, cardeal Mario Zenari, que denuncia viol\u00eancias, pobreza e abandona. 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