{"id":72871,"date":"2022-03-07T13:45:54","date_gmt":"2022-03-07T16:45:54","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=72871"},"modified":"2022-03-07T13:45:54","modified_gmt":"2022-03-07T16:45:54","slug":"falar-e-ensinar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/falar-e-ensinar\/","title":{"rendered":"FALAR E ENSINAR"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Pela terceira vez em 68 anos de Campanha da Fraternidade, a Igreja Cat\u00f3lica vai refletir sobre a quest\u00e3o educacional. Desta feita em plena pandemia. Desta feita confrontando uma realidade de ensino totalmente inimagin\u00e1vel em tempos passados. Usa uma tradu\u00e7\u00e3o ecum\u00eanica da B\u00edblia que, no livro de Prov\u00e9rbios (31,26) nos diz textualmente: \u201cCom sabedoria, abre sua boca e sua l\u00edngua ensina amavelmente\u201d. Esse \u00e9 o lema proposto: falar e ensinar com sabedoria e amor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Aqui come\u00e7a nosso desafio. Para falar e ensinar h\u00e1 que se ter um p\u00fablico. Para reunir um p\u00fablico razo\u00e1vel \u00e9 preciso motiva\u00e7\u00e3o. Para se ter essa motiva\u00e7\u00e3o \u00e9 preciso ouvintes que respeitem e ou admirem seus mestres. Foi mais ou menos isso que aconteceu a Jesus quando ocupou a tribuna do Templo de Jerusal\u00e9m para falar aos mestres e doutores de sua \u00e9poca. Como chegou at\u00e9 eles? Foi preciso motiva\u00e7\u00e3o, respeito, admira\u00e7\u00e3o. E isso se deu diante de uma necessidade: julgar o procedimento ad\u00faltero de uma pobre mulher. A sociedade exigia um veredicto sobre a quest\u00e3o, mas escondia a verdade, a motiva\u00e7\u00e3o da falta cometida, o outro lado daquela hist\u00f3ria de infidelidade. Faltava o corruptor, aquele que induziu a mulher ao pecado. Nesse processo canhoto, onde uma das partes n\u00e3o se submetia ao julgamento do mestre, n\u00e3o poderia haver ensino algum, nem julgamento perfeito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Assim os donos da verdade, os \u201cdoutores da lei\u201d, conscientes da imperfei\u00e7\u00e3o de seus ensinamentos, fugiram, se omitiram, ocultaram-se por detr\u00e1s de suas imperfei\u00e7\u00f5es. \u201cOnde est\u00e3o eles? Ningu\u00e9m te condenou?\u201d (Jo 8,10). Essa \u00e9 a maior falha educacional dos nossos dias: a falta de clareza no ensino da verdade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Nosso texto-base nos diz que \u201cos que se arrogam o poder de julgar porque sabem ler o que est\u00e1 escrito\u201d s\u00e3o os fariseus e escribas dos tempos atuais. Da\u00ed os desvios da verdade no ensino moderno, as tendenciosas manipula\u00e7\u00f5es pol\u00edtico-partid\u00e1rias, as distor\u00e7\u00f5es ideol\u00f3gicas nas quest\u00f5es de g\u00eanero, os direcionamentos vocacionais voltados \u00fanica e exclusivamente para as necessidades de mercado, os interesses profissionais e sociais, o banimento das virtudes religiosas, os direcionamentos de credo conforme a predomin\u00e2ncia e o controle estatal, a ditadura dos guetos fundamentalistas, etc. \u201cNa hist\u00f3ria da mulher ad\u00faltera (a sociedade, poder-se-ia dizer) op\u00f5em-se duas pedagogias, duas formas de educar, a daqueles que se restringem ao que est\u00e1 escrito, sem levar em conta a pessoa e suas circunst\u00e2ncias, e daqueles que olham para a pessoa com sabedoria e amor, como fez Jesus\u201d (TB 18).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ao confrontar essa nova realidade educacional, onde, al\u00e9m do desn\u00edvel de oportunidades que a pandemia bem evidenciou e o selecionismo elitista que se criou, a Igreja p\u00f5e a m\u00e3o numa ferida social a ser pensada com urg\u00eancia. Pensada nos dois sentidos, curativo e refletivo. Grita a quem tem ouvidos: \u201cEduca\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 condicionamento ou adestramento\u201d (22). Diz \u00e0s fam\u00edlias que \u201ca disciplina n\u00e3o pode ser confundida com um regulamento r\u00edgido, an\u00f4nimo e uniforme\u201d (23), pois \u201ca obedi\u00eancia, saber ouvir, deve ser naturalmente acompanhada de respeito e amor\u201d. Simplesmente porque \u201cn\u00e3o se pode reduzir a educa\u00e7\u00e3o apenas \u00e0 transmiss\u00e3o de conhecimentos\u201d (24). Isso tudo e muito mais veremos nas pr\u00f3ximas semanas, durante esse tempo quaresmal que nos coloca mais presentes na escola de Cristo, o Mestre dos Mestres que por primeiro dignificava a pessoa, para s\u00f3 ent\u00e3o corrigi-la e lhe apontar o caminho a seguir. Com sabedoria e amor.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Pela terceira vez em 68 anos de Campanha da Fraternidade, a Igreja Cat\u00f3lica vai refletir sobre a quest\u00e3o educacional. Desta feita em plena pandemia. Desta feita confrontando uma realidade de ensino totalmente inimagin\u00e1vel em tempos passados. 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