{"id":72740,"date":"2022-02-21T09:52:59","date_gmt":"2022-02-21T12:52:59","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=72740"},"modified":"2022-02-24T15:53:51","modified_gmt":"2022-02-24T18:53:51","slug":"cidade-imperial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/cidade-imperial\/","title":{"rendered":"CIDADE IMPERIAL"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Muitos dos contos e lendas orientais nos falavam de cidades especialmente constru\u00eddas para abrigar pr\u00edncipes, reis e seus familiares. As descri\u00e7\u00f5es pormenorizadas e fantasiosas nos apresentavam pal\u00e1cios ricamente adornados, ruas e avenidas pavimentadas com granitos e m\u00e1rmores, bosques primorosos e bem ajardinados, sal\u00f5es amplos adornados com riqu\u00edssimas obras de arte, candelabros preciosos, est\u00e1tuas e ouro, muito ouro&#8230; Fausto e luxo para abrigar nobres e poderosos do reino!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Assim se concebeu Petr\u00f3polis, nossa cidade imperial. D. Pedro I a imaginou em sonho, maravilhado que ficou com o clima ameno daquela serra no portal do Caminho de Ouro. Mas sua abdica\u00e7\u00e3o ao trono impediu a concretiza\u00e7\u00e3o de um sonho. Anos mais tarde seu sucessor, Pedro II, retomou o projeto e construiu ali o maior dos pal\u00e1cios desse imp\u00e9rio tupiniquim, local de ref\u00fagio pessoal, para receber seus convidados e ou embaixadores doutros reinos&#8230; Al\u00e9m da beleza do local, o clima ameno n\u00e3o assustava tanto. A cidade de Pedro tornou-se a p\u00e9rola preciosa da nossa coroa!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Desde sua funda\u00e7\u00e3o (1843) a segunda cidade planejada do Brasil era considerada a mais segura, a Versalles brasileira, que ocupava a serra da Estrela com o brilho de seus pal\u00e1cios, a riqueza de seus moradores ilustres e a ostenta\u00e7\u00e3o de suas belezas naturais. Chegou o dil\u00favio&#8230; 15 de fevereiro de 2022. Em seis horas, 232 mm de \u00e1guas ca\u00edram sobre a cidade como bomba de efeito devastador. A destrui\u00e7\u00e3o avassaladora assustou, mas a destrui\u00e7\u00e3o de vidas pode atingir tr\u00eas centenas de indiv\u00edduos (cento e cinquenta j\u00e1 confirmados), al\u00e9m da imensa leva de desabrigados que perambulam pelos escombros de uma terra arrasada. Tudo isso os jornais nos mostram, mexem com nossos sentimentos, provocam verdadeira como\u00e7\u00e3o nacional, despertam no povo a solidariedade adormecida. Mas, e agora?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Uma hecatombe social \u00e9 sempre oportunidade de confrontar nossa fragilidade neste mundo. Por maiores que sejam nossas conquistas, realiza\u00e7\u00f5es de sonhos, exibi\u00e7\u00e3o de poderes, ostenta\u00e7\u00e3o de riquezas, afirma\u00e7\u00e3o das capacidades ou solidifica\u00e7\u00e3o dos imp\u00e9rios pessoais que pensamos possuir, dominar, adquirir, um dia a vida reclama, o vento assopra, a \u00e1gua leva. O tempo nos cobra. Os pal\u00e1cios que aqui constru\u00edmos s\u00e3o de vidro. Nosso imp\u00e9rio \u00e9 passageiro. Nossos dom\u00ednios, inst\u00e1veis. Nosso clima, incerto. Hoje ameno, amanh\u00e3 chuvoso. Ver\u00e3o. Inverno. Sol e chuva.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Assim a vida, assim nossa hist\u00f3ria. De toda essa trag\u00e9dia humana nos sobra a maior das riquezas, o grande sentimento que ora nos afeta, mas nos une como ra\u00e7a, como povo: a solidariedade. Essa, sim, desce a serra da nossa prepot\u00eancia e lava nossa alma! Essa \u00e9 a mais bela das li\u00e7\u00f5es que uma aparente trag\u00e9dia hoje nos ministra: \u201cfazei o bem e emprestai sem esperar coisa alguma em troca\u201d (Lc 6, 35).\u00a0 O que vemos no sobe e desce daqueles morros sinistrados, no vai e vem de muitos socorristas, no af\u00e3 radical daqueles que se arriscam ao menor sinal de vida sob escombros, \u00e9 muito mais do que poder\u00edamos suportar no comodismo diante do sofrimento alheio. A solidariedade n\u00e3o mede consequ\u00eancias. Nem esfor\u00e7os. Nem ren\u00fancias e sacrif\u00edcios. N\u00e3o possui r\u00f3tulos religiosos, pol\u00edticos ou sociais. \u00c9 neutra. \u00c9 espont\u00e2nea, natural. \u00c9 humana. Nada espera em troca. Mas h\u00e1 uma palavra que justifica tudo: a miseric\u00f3rdia do Pai. Ele que tudo sabe, observa, avalia e pesa, diz-nos claramente: \u201cUma boa medida, calcada, sacudida, transbordante, ser\u00e1 colocada no vosso colo\u201d (Lc 6, 38). A recompensa vir\u00e1! \u00a0Enquanto isso, como diria Santo Agostinho, prefiro a Cidade de Deus \u00e0 cidade dos homens&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Muitos dos contos e lendas orientais nos falavam de cidades especialmente constru\u00eddas para abrigar pr\u00edncipes, reis e seus familiares. As descri\u00e7\u00f5es pormenorizadas e fantasiosas nos apresentavam pal\u00e1cios ricamente adornados, ruas e avenidas pavimentadas com granitos e m\u00e1rmores, bosques primorosos e bem ajardinados, sal\u00f5es amplos adornados com riqu\u00edssimas obras de arte, candelabros preciosos, est\u00e1tuas e [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":17,"featured_media":55826,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-72740","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/72740","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/users\/17"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=72740"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/72740\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":72741,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/72740\/revisions\/72741"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/media\/55826"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=72740"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=72740"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=72740"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}