{"id":72525,"date":"2022-02-13T09:00:12","date_gmt":"2022-02-13T12:00:12","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=72525"},"modified":"2022-02-11T15:04:42","modified_gmt":"2022-02-11T18:04:42","slug":"cartas-do-padre-jesus-priante-somos-chamados-por-deus-a-sermos-felizes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/cartas-do-padre-jesus-priante-somos-chamados-por-deus-a-sermos-felizes\/","title":{"rendered":"Cartas do Padre Jesus Priante &#8211; Somos Chamados Por Deus a Sermos Felizes"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Contra a tese de Freud: &#8220;A natureza humana n\u00e3o foi programada para ser feliz&#8221;, afirmamos que Deus n\u00e3o nos teria criado a n\u00e3o ser para sermos felizes. Da mesma maneira que nenhum pai ou m\u00e3e traria seus filhos ao mundo desejando sua desgra\u00e7a. Jesus confirma essa tese: &#8220;Se voc\u00eas, sendo maus, querem o bem dos seus filhos, quanto mais vosso Pai do C\u00e9u&#8221; (Lc.11). Todo esse bem que Deus quer para n\u00f3s \u00e9 Ele mesmo, o Esp\u00edrito Santo, a infinitude da vida feliz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A felicidade \u00e9 inata em todos n\u00f3s. Est\u00e1 gravada em nossa natureza humana, assim como em toda criatura. &#8220;Deus viu que tudo era bom&#8221; (Gn.1).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ser bom \u00e9 estar bem ou ser feliz. Um presente reservado para o fim dos tempos, quanto tudo ser\u00e1 em Deus, mas que nunca ser-nos-\u00e1 tirado. Por isso S\u00e3o Paulo diz que somos felizes na esperan\u00e7a. &#8220;J\u00e1 , mas ainda n\u00e3o&#8221;. Essa esperan\u00e7a feliz, segura e certa, \u00e9 que nos acorda toda manh\u00e3 contra todas as caducas esperan\u00e7as que morrem na tarde ou na noite de nossos desesperos. A felicidade \u00e9 nosso destino e a gl\u00f3ria de Deus. Ele n\u00e3o estar\u00e1 feliz, afirma o papa Jo\u00e3o Paulo II na sua maravilhosa enc\u00edclica sobre a Miseric\u00f3rdia (1980) at\u00e9 n\u00f3s todos estarmos felizes. &#8220;Somos diadema de Deus e pupila dos seus olhos&#8221; (Is.62).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O mesmo Esp\u00edrito Santo almeja dentro de n\u00f3s a vida feliz que teremos em Deus (Ap.22). Os sofrimentos da vida presente s\u00e3o provis\u00f3rios e cumprem a fun\u00e7\u00e3o pedag\u00f3gica de acrescentar o desejo e a esperan\u00e7a de felicidade eterna, assim como as alegrias passageiras s\u00e3o b\u00e1lsamo nas feridas de nossos sofrimentos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Reserva para o Fim dos Tempos<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deus nos concedeu a felicidade em forma de promessa ou &#8220;reserva escatol\u00f3gica&#8221;. O pr\u00f3prio Arist\u00f3teles (s\u00e9c.I V a.C.), desde uma perspetiva apenas da raz\u00e3o, afirma que s\u00f3 conheceremos a felicidade no fim. Por isso, experimentamos a vida de maneira infeliz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O vinho da alegria das Bodas de Can\u00e1 est\u00e1 aguado pelas l\u00e1grimas. Por isso na Eucaristia misturamos umas gotas de \u00e1gua no vinho a ser consagrado. Neste mundo, a felicidade n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o existe como nem pode existir. Se fosse poss\u00edvel na terra, nem existiria Deus, nem haveria C\u00e9u. De fato, felicidade, afirma Santo Agostinho, \u00e9 a posse de todo bem de maneira eterna. Nem o espa\u00e7o pode conter todo o bem real ou poss\u00edvel, nem o tempo torn\u00e1-lo capaz de o usufruirmos. O supremo e total bem \u00e9 s\u00f3 Deus e para pode-lo desfrutar temos de ser divinizados, termos dimens\u00f5es de infinito e de eternidade como Deus. Na presente condi\u00e7\u00e3o espa\u00e7o-temporal, a felicidade \u00e9 objeto apenas de nossa esperan\u00e7a e desejo inato de cada um de n\u00f3s e de toda Cria\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Spinoza (s\u00e9c.XVII) a percebia at\u00e9 nas pedras, como virtude de todo ente. Arist\u00f3teles, na \u201c\u00c9tica a Nic\u00f4maco\u201d, seu filho, considera a felicidade como a finalidade do nosso agir. \u00c9 o postulado da pr\u00f3pria vida que, sendo imposs\u00edvel de alcan\u00e7ar com nossos recursos e for\u00e7as, resta-nos esperar como dom de Deus e, para receb\u00ea-la, precisamos nascer de novo pela Ressurrei\u00e7\u00e3o. Neste sentido, Freud estaria certo na sua tese: na natureza humana, a felicidade n\u00e3o existe de fato. Homero (s\u00e9c.IX a.C.) dizia: &#8220;O homem \u00e9 um ser infeliz&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Arist\u00f3teles reservava a felicidade para o fim da vida. Plat\u00e3o (s\u00e9c. IV. a. C.) a transferia para seu fantasioso mundo das ideias ou reino das almas, fora deste mundo. Schopenhauer, o autor mais lido na Europa no s\u00e9culo XIX, contestando o id\u00edlico romantismo da \u00e9poca, disse: &#8220;a infelicidade est\u00e1 a\u00ed, a felicidade temos de busc\u00e1-la&#8221;. Sartre (s\u00e9c.XX) disse que s\u00f3 podemos viver a vida de maneira aut\u00eantica na ang\u00fastia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;As l\u00e1grimas s\u00e3o o meu p\u00e3o de cada dia&#8221; (Sl.42,3). &#8220;Se for apenas para este mundo que temos nascido, somos de todas as criaturas as mais infelizes&#8221; (1Cor, 15,19). Por isso, nosso otimismo, afirma o maravilhoso fil\u00f3sofo<br \/>\nfranc\u00eas Mounier (+1950) \u00e9 &#8220;tr\u00e1gico&#8221;. Temos consci\u00eancia da nossa dram\u00e1tica situa\u00e7\u00e3o existencial e, ao mesmo tempo, vivemos pela F\u00e9 em Cristo, em perspectiva positiva e otimista do futuro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ser\u00e1 o pr\u00f3prio Deus quem enxugar\u00e1 nossas l\u00e1grimas (Ap.7,14). Toda a Hist\u00f3ria da Salva\u00e7\u00e3o, narrada na B\u00edblia, \u00e9 uma crescente esperan\u00e7a de vida feliz (von Rad).&#8221;Todo o que foi escrito \u00e9 para nutrir a esperan\u00e7a&#8221; (Rm.15,4). Nem as alegrias, nem as tristezas, nem o candor das flores, nem o temor das feras, diz S\u00e3o Jo\u00e3o da Cruz, devem deter nossa caminhada para o Deus de nossa alegria e a Terra Prometida por n\u00f3s sempre sonhada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nada mais contr\u00e1rio \u00e0 felicidade do que dizer neste mundo: \u201cmelhor estraga&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No s\u00e9culo primeiro, um pensador romano chamado Diogneto, curioso por saber a raz\u00e3o da alegria que mostravam os crist\u00e3os, lhe fora respondido por um membro da comunidade crist\u00e3 em carta endere\u00e7ada ao seu nome, &#8220;Carta a Diogneto&#8221;. N\u00f3s, crist\u00e3os, cremos e esperamos a vida e uma vida feliz em Cristo. Em 1Pe. 3,15 lemos que est\u00e1s esperan\u00e7a \u00e9 nosso maior argumento para defender nossa F\u00e9 e nos concede, j\u00e1 neste mundo, sermos mais felizes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A raz\u00e3o de nosso &#8220;carpe diem&#8221; de Epicuro, como crist\u00e3os, nao \u00e9,&#8221;porque amanh\u00e3 morreremos&#8221;, mas porque podemos deixar em todo momento a mais bela festa em seu auge sem nenhuma saudades, certos de uma outra infinitamente mais feliz. &#8220;O C\u00e9u n\u00e3o pode esperar&#8221; porque ele espera por n\u00f3s e nos esperamos por ele em todo tempo e lugar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Que alegria quando me disseram: vamos \u00e0 casa do Senhor&#8221; (Sl 122). Essa alegria n\u00e3o s\u00f3 n\u00e3o nos priva de viver mais felizes neste mundo como nos estimula a sermos mais felizes em todas nossas alegrias terrenas. S\u00f3 um crist\u00e3o pode ser um verdadeiro materialista. Pode celebrar suas festas neste mundo sem temer a &#8220;espada de Damocles&#8221; que pende sobre a cabe\u00e7a de todo ser humano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De fato, \u00e9 imposs\u00edvel sermos felizes se inexoravelmente morremos. A morte frustra todas nossas alegrias e sonhos. Se estamos alegres \u00e9 porque esperamos viver eternamente com Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Cristo Sorridente<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o \u00e9 verdade o relato que Pl\u00ednio, o Mo\u00e7o (s\u00e9c. 1) escreve para o Imperador Trajano sobre Cristo. Ap\u00f3s notificar-lhe que \u00e9 lembrado por seus milagres, sua morte na cruz e Ressurrei\u00e7\u00e3o, segundo cren\u00e7a legada por seus disc\u00edpulos, lhe diz: &#8220;Contam que ningu\u00e9m lhe viu sorrir&#8221;. Os evangelhos desmentem essa sua tristeza ou desencanto neste mundo. Nos evangelhos, o vemos participando em numerosas festas, ao ponto de algum fariseu lhe qualificar de comil\u00e3o e beberr\u00e3o, sendo acusado de que seus disc\u00edpulos n\u00e3o jejuam. Um dos slogans dos primeiros crist\u00e3os era: &#8220;Um crist\u00e3o triste \u00e9 um triste crist\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diz-se que Nietzsche n\u00e3o foi atra\u00eddo pela f\u00e9, como ele confessou, porque os crist\u00e3os sa\u00edam tristes da Igreja. Um pouco quisermos corrigir essa inverdade na comunidade paroquial de Santa Rosa de Lima acompanhando frequentemente nossas celebra\u00e7\u00f5es com fraternos e alegres, nossos &#8220;\u00e1gapes&#8221;. Mas temos de ser realistas: nossa verdadeira alegria est\u00e1 no C\u00e9u, como Cristo nos disse: &#8220;N\u00e3o vos alegreis pelos vossos milagres (dir\u00edamos todo tipo de progresso material) mas porque vossos nomes<br \/>\nest\u00e3o inscritos no Reino dos C\u00e9us&#8221;. (Lc. 10,20) &#8220;\u00c9 atrav\u00e9s de muitos sofrimentos que entrareis no Reino dos C\u00e9us&#8221; (2Cor.2,4). A cruz \u00e9 o plano salv\u00edfico de Deus que escandaliza nossa raz\u00e3o e nossa cren\u00e7a religiosa. \u00c9 o parto doloroso de toda a Cria\u00e7\u00e3o (Rm.8).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na cruz n\u00e3o podemos ficar para celebrar a festa, apenas esperar por ela. A Paix\u00e3o (sofrimento) tem de ser vivida de maneira apaixonada, como uma &#8220;boa-aventura\u00e7a&#8221;. Algo imposs\u00edvel para quem carece da esperan\u00e7a da Salva\u00e7\u00e3o em Cristo, como sugere Dostoiewski atrav\u00e9s de um dos personagens, ateu, na sua novela &#8220;Os Irm\u00e3os Karamazov&#8221;: &#8220;Devolvo minha passagem para o c\u00e9u, enquanto chorar de dor uma crian\u00e7a na terra&#8221;. Precisamente, porque sempre a veremos, com maior esperan\u00e7a, aguardamos nossa felicidade em Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;FELIZ O HOMEM QUE P\u00d5E SUA CONFIAN\u00c7A NO SENHOR, E SUA ESPERAN\u00c7A \u00c9 DEUS&#8221; (Jer. 17,5-8)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Racional e religiosamente, poder\u00edamos escolher quatro caminhos ou tentativas \u00e0 procura da felicidade:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1. TR\u00c1GICO HUMANISMO<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O mito de S\u00edsifo e Prometeu revelam essa op\u00e7\u00e3o. S\u00edsifo pretende escalar a montanha da felicidade carregando a pesada pedra da sua propria exist\u00eancia, cada dia mais pesada e com for\u00e7as mais mermadas, esperando atingir o cume onde descansar e ser feliz. Todos alimentamos esse sonho, mas acabaremos reconhecendo com Sartre e Camus que nossa luta pela vida foi uma &#8220;paix\u00e3o in\u00fatil&#8221;, derrotados pela morte e nunca superando a dor. Prometeu apelou \u00e0 loucura de roubar o fogo sagrado dos deuses capaz de transformar tudo: as tristezas em alegria, os desertos em jardins. \u00c9 o sonho das ci\u00eancias e o progresso que invade nossas mentes, particularmente em nosso tempo. Fomos \u00e0 lua, Marte e sonharemos habitar outros planetas livres das l\u00e1grimas, da dor e da morte. Transformamos o universo pelo &#8220;metaverso&#8221; das novas tecnologias diluindo a mat\u00e9ria pesada da vida em uma &#8220;nuvem&#8221; m\u00e1gica. \u00c9 claro que ela acabar\u00e1 precipitando\/se, apagando o ilus\u00f3rio fogo divino que pensamos termos roubado aos deuses. Feuerbach (s\u00e9c. XIX),tido pai do ate\u00edsmo moderno, pensou ter usurpado esse fogo divino dizendo que tudo quanto atribuimos a Deus, poder e gl\u00f3ria, pertence ao ser humano. &#8220;O homem \u00e9 Deus para o homem&#8221;, talvez querendo corrigir o dito de Hobbes (s\u00e9c. XVII): &#8220;O homem \u00e9 lobo para o homem\u201d e considera o Estado que rege a manada de lobos da humanidade como a besta m\u00edtica do Leviat\u00e3 a devorar todos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outro Prometeu do tr\u00e1gico humanismo foi Francis Bacon (s\u00e9c. XVI), pai da ci\u00eancia moderna, dizendo: &#8220;saber \u00e9 poder\u201d. Augusto Comte (s\u00e9c. XIX) o consagraria at\u00e9 nossos dias. Inclusive ele instituiu a Igreja da Humanidade. No Rio ainda existe um templo a ela dedicado. Os santos desta nova religi\u00e3o ou igreja humanista s\u00e3o os grandes cientistas celebrados ao longo do ano. O profeta Jeremias, previu no s\u00e9culo VI a. C. essa idolatria humanista e disse: &#8220;Maldito e infeliz o homem que confia no homem, e se apoia num ser mortal; \u00e9 como espinheiro no deserto que nunca ver\u00e1 a felicidade chegar&#8221;. O Sl. 1 compara a folhas secas que o vento leva.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A morte de Deus, como o mesmo Nietzsche teve de reconhecer, \u00e9 a nossa pr\u00f3pria morte. Roger Garaudy, fan\u00e1tico comunista franc\u00eas, certo dia acordou da sua aliena\u00e7\u00e3o em que vivia esperando a &#8220;Grande Tarde&#8221; ou o para\u00edso terrestre que o comunismo prometia. Se morremos antes dessa meta feliz, disse Garaudy, de que me serve que meus filhos entrem se eu fico \u00e0s suas portas? Infelizmente, abandonou a mentira do comunismo, mas para<br \/>\nesperar o Nirvana do budismo, insens\u00edvel e amorfo, uma outra vers\u00e3o do ate\u00edsmo e do tr\u00e1gico humanismo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00f3focles,dramaturgo grego (s\u00e9c. V a.C.) o expressa dizendo: &#8220;N\u00e3o tenho sen\u00e3o desprezo pelos mortais que se nutrem de v\u00e3s esperan\u00e7as neste mundo&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2. NATURALISMO<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No s\u00e9culo IV a. C., na antiga Gr\u00e9cia, surgiram tr\u00eas escolas a propor a felicidade, seguindo os ensinamentos do seus respectivos fundadores: Epicuro, Di\u00f3genes e Zen\u00f3n. Epicuro dizia que a felicidade consiste em usufruir neste mundo do maior prazer. Seu slogan, que perdura at\u00e9 hoje, era: &#8220;Carpe diem&#8221;, desfruta o dia de hoje porque amanh\u00e3 morreremos. O que nos priva de esse sonho feliz, dizia, \u00e9 o temor aos deuses e o medo da morte, que de fato n\u00e3o existem. Se sofremos, Deus n\u00e3o pode existir, pois nem seria poderoso nem bom, portanto,<br \/>\nn\u00e3o seria Deus. A morte tamb\u00e9m n\u00e3o temos de temer, pois enquanto vivemos, ela n\u00e3o existe e, quando ela chegar, n\u00f3s n\u00e3o existiremos. Importa desfrutar cada dia e evitar a dor, enquanto poss\u00edvel, para sermos felizes. Nesta escola est\u00e1 matriculada, ainda hoje, a maior parte da humanidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diogenes ensinava a via oposta a Epicuro. A felicidade consiste no despojo total das coisas n\u00e3o buscando o prazer nelas. Melhor tomar o sol de gra\u00e7a do que possuir todos os reinos. Os moradores de rua, presentes em todos os povos, seguem este mestre que tinha por morada na pra\u00e7a de Atenas uma anfora de barro. Muitos ascetas, tamb\u00e9m crist\u00e3os, professaram essa essa escola. O Buda, antes de Di\u00f3genes, a fundou e persiste com milh\u00f5es de alunos, tendo como seu principal princ\u00edpio: &#8220;A vida \u00e9 dor. E sua causa da dor \u00e9 o desejo de ter e querer ser felizes com as coisas que temos&#8221;. O caminho da felicidade o encontraremos no total desapego at\u00e9 de n\u00f3s mesmos para sermos no Nada que, por n\u00e3o ser algo, \u00e9 tudo. Uma pequena dose dessa filosofia, em perspetiva mais sublime e positiva, a encontramos nas palavras de Jesus: &#8220;Felizes os pobres em<br \/>\nesp\u00edrito, porque deles \u00e9 o Reino dos C\u00e9us&#8221; (Mt. 5.). Sem um esp\u00edrito de desapego ou pobreza de esp\u00edrito, as coisas deste mundo causam t\u00e9dio e preocupa\u00e7\u00f5es que azedam nossas alegrias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Zen\u00f3n escolheu a terceira via. Reunia seus alunos na stoas (galerias) da pra\u00e7a de Atenas, da\u00ed o nome da sua escola: &#8220;estoicismo&#8221;, propondo a indiferen\u00e7a total ao bem e ao mal, alegrias e tristezas, pois tudo est\u00e1 determinado na pr\u00f3pria natureza das coisas na qual tamb\u00e9m n\u00f3s estamos inseridos. Nem alegrias podemos criar nem as tristezas evitar. Resta-nos aceitar a pr\u00f3pria realidade. N\u00e3o s\u00e3o poucos os que se conformam com sua sorte refugiando-se no grande princ\u00edpio est\u00f3ico: &#8220;tudo \u00e9 natural&#8221;, vida e morte, ou atribuem sua sorte \u00e0s estrelas ou ao deus \u201cFortuna\u201d. &#8220;Nada novo debaixo do sol&#8221;, diz o Eclesiastes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Conformados com tudo, resta-nos viver tempos de guerra e tempos de paz, de sa\u00fade e de doen\u00e7a, de alegrias e tristezas. O cristianimso tamb\u00e9m adota esta filosofia de vida que, Santo In\u00e1cio de Loyola chamou com Sao Paulo, &#8220;santa indiferen\u00e7a&#8221;, porque as alegrias deste mundo s\u00e3o passageiras. S\u00f3 seremos felizes num mundo &#8220;sobrenatural&#8221; , o Reino de Deus, nossa segunda natureza. A felicidade est\u00e1 al\u00e9m da Hist\u00f3ria. A \u00fanica escola da felicidade \u00e9 Cristo: &#8220;nossa feliz esperan\u00e7a de vida e Salva\u00e7\u00e3o&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3. TEOCENTRISMO<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Feliz o homem que p\u00f5e sua confian\u00e7a e esperan\u00e7a no Senhor&#8221;. Ele \u00e9 o supremo bem que todos buscamos e desejamos nesta aventura humana \u00e0 procura de uma vida feliz. N\u00f3s, latinos, costumamos nos despedir com a palavra &#8220;adeus&#8221;, que significa irmos a Deus. Toda outra meta ou destino \u00e9 a perdi\u00e7\u00e3o. A Ele remetemos nossas alegrias e tristezas, vida e morte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cada pessoa ou povo, \u00e0 sua maneira, encontra no Deus no qual acredita o \u00faltimo consolo neste vale universal das l\u00e1grimas e abismo da morte no qual temos nascido. Viemos de Deus e a Deus voltamos, \u00e9 a melhor leitura que podemos fazer de n\u00f3s e do mundo que habitamos. Alguns neurologistas at\u00e9 afirmam que temos um gem ou neur\u00f4nios divinos que nos impulsionam a Deus. Na F\u00edsica tamb\u00e9m se tem chamado recentemente de &#8220;part\u00edcula de Deus&#8221; (b\u00f3son ), no lugar de \u00e1tomo, ao hipot\u00e9tico primeiro tijolo da mat\u00e9ria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O m\u00edstico Eckhart (s\u00e9c. XIII) falava de &#8220;centelha divina&#8221; que todos temos e que nos leva a buscar e desejar a Deus de maneira natural e instintiva. Por isso, filosoficamente, \u00e9 negado todo ate\u00edsmo. Podemos negar um determinado Deus por n\u00f3s concebido ou estarmos contra Deus, &#8220;anti-te\u00edstas&#8221;, mas n\u00e3o podemos existir sem Deus. Se Ele fosse um sapo, dizia o novelista Bernanos, o poder\u00edamos matar, mas Ele n\u00e3o \u00e9 um sapo, sen\u00e3o a fonte de todo ser e da vida, sem o qual n\u00f3s nao existimos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deus n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a totalidade dos fatos e dos entes criados, mas tamb\u00e9m de todos os poss\u00edveis, em n\u00famero infinito, e de todas as potencialidades, por isso \u00e9 imposs\u00edvel de ser visualizado no espa\u00e7o e no tempo e de ser concebido pela raz\u00e3o, que s\u00f3 pode representar a realidade nas coordenadas do espa\u00e7o e do tempo. Ele \u00e9 eterno e infinito, al\u00e9m do espa\u00e7o e do tempo. No entanto, n\u00e3o podemos pensar o mundo e nossa vida sem Deus. \u00c9 a no\u00e7\u00e3o ou ideia que tivermos de Deus o que conforma a ideia que temos de n\u00f3s e do mundo em que habitamos. At\u00e9 do mundo das nossas ideias, Deus \u00e9 o Criador segundo Berkeley. Imaginar um \u201cbig-bang\u201d do mundo ou uma sucess\u00e3o de mundos ao infinito s\u00f3 cabe, como no salmo 14,1, numa mente insensata.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deus, afirma o profeta Jeremias, \u00e9 nossa \u00fanica esperan\u00e7a de vida feliz, a ser entendida n\u00e3o como mero repouso ou meta ao fim do caminho, mas como &#8220;fonte que jorra eternamente&#8221; (Jo. 4).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">K. Rahner, refutando a tradicional maneira de representar a vida eterna como contempla\u00e7\u00e3o ext\u00e1tica de Deus, diz:<br \/>\n&#8220;N\u00e3o nos consta que a vida eterna seja contemplativa, sen\u00e3o incessante dinamismo, como \u00e1gua sempre viva e nova&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A vida, de fato, \u00e9 movimento. Iremos ao C\u00e9u n\u00e3o para &#8220;descansar&#8221;, mas para viver intensamente em grau infinito,<br \/>\nna voragem ou &#8220;dan\u00e7a&#8221; divina que a teologia chama &#8220;perichoresis&#8221;. Nesse dia n\u00e3o mais precisaremos ir ao po\u00e7o de Jac\u00f3 como a Samaritana, porque nossa sede se converter\u00e1 em fonte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Kierkegaard interpretava a f\u00e9 como supremo ato de confian\u00e7a em Deus que nasce da nossa ang\u00fastia existencial e desespero. Se n\u00e3o tocamos o limite de nossa vida na terra, Deus n\u00e3o existe como nosso verdadeiro Deus. O teocentrismo vital que nos brinda a felicidade necessariamente nos remete \u00e0 eternidade, e \u00e9 praticado neste mundo em constante exorcismo, isto \u00e9, temos de declarar &#8220;an\u00e1tema&#8221; (afasta-te de mim) a tudo quanto pretende se colocar como centro de nossa vida no lugar de Deus. Jesus sugere esta pr\u00e1tica quando disse que, para seguir Ele, que \u00e9 o mesmo Deus, \u00e9 preciso &#8220;odiar pai e m\u00e3e&#8230; a pr\u00f3pria vida, e renunciar a todas as coisas.&#8221; (Mt.19) Temos de exorcizar fatos, coisas, pessoas, sonhos e ideais dizendo que tudo isso n\u00e3o s\u00e3o nosso Deus. Nenhuma abund\u00e2ncia, nem car\u00eancia, bem ou mal, vida ou morte podem perturbar nossa esperan\u00e7a feliz de Salva\u00e7\u00e3o que temos em s\u00f3 em Deus. Paradoxalmente, esta op\u00e7\u00e3o absoluta por Deus pela qual afastamos de n\u00f3s todos os \u00eddolos, nos proporciona, disse Jesus, cem vezes mais coisas, familiares e amigos, neste nosso mundo, e depois na Vida Eterna, do que tudo quanto renunciamos, esperando o Reino de Deus. Toda vez que rezamos o Pai-Nosso, fazemos um grande exorcismo ao dizer:&#8221;N\u00e3o nos deixeis cair em tenta\u00e7\u00e3o, mas livrai-nos do mal&#8221;, de p\u00f4r nossa esperan\u00e7a fora de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">CRISTOCENTRISMO<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A cren\u00e7a em Deus \u00e9 universal. De fato, o ser humano \u00e9 naturalmente religioso, embora possa reprimir esse seu instinto. Mas o Deus das religi\u00f5es em n\u00f3s \u00e9 concebido de v\u00e1rias maneiras, criando em n\u00f3s a d\u00favida a respeito a quem invocar como \u00fanico e verdadeiro. At\u00e9 Cristo, mesmo para Abra\u00e3o, pai da f\u00e9 no \u00fanico e verdadeiro Deus, Ele era uma ideia ou um ser que estava no c\u00e9u, inacess\u00edvel a n\u00f3s, embora percebido por sinais, fatos, coisas e sentimentos. O Deus realmente &#8220;concreto&#8221; e, portanto, fora da mera ideia ou sentimento humano, \u00e9 Jesus Cristo. Deus se fez carne ( eal e concreto) em Jesus de Nazar\u00e9, no espa\u00e7o e tempo, por isso s\u00f3 Ele pode ser representado em nossa mente. Ele nos disse: &#8220;Se voc\u00eas cr\u00eaem em Deus, creiam em mim. Eu e Deus Pai somos um e quem Me v\u00ea a Mim v\u00ea a Deus.&#8221; (Jo.14)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O cristocentrismo acrescenta ao teocentrismo o plus indiscut\u00edvel do verdadeiro Deus de quem esperamos com seguran\u00e7a e certeza uma vida eterna e feliz, pois nos incorporou \u00e0 Sua vida,<br \/>\nhumana e divina, \u00e0 maneira como os membros do corpo est\u00e3o unidos \u00e0 sua cabe\u00e7a, em Cristo, Deus deixa de ser uma ideia ou mera cren\u00e7a, assim como um Deus de temor, pr\u00f3prio das religi\u00f5es. Sua sorte \u00e9 nossa sorte e Sua vida \u00e9 tamb\u00e9m nossa. Com Ele e Nele sofremos e morremos e com Ele tamb\u00e9m ressuscitaremos para entrarmos no Reino da Vida Eterna e Feliz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O cristianismo, de fato, n\u00e3o \u00e9 uma religi\u00e3o que propriamente nos relaciona com Deus, mas nossa comunh\u00e3o concreta e real com o pr\u00f3prio Deus na pessoa de Cristo, do qual somos Seu Corpo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A disjuntiva de Spinoza, Deus ou natureza e o dualismo Deus e mundo, s\u00e3o dirimidos na comunh\u00e3o com Deus que temos em Cristo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;SE TEMOS A ESPERAN\u00c7A EM CRISTO APENAS PARA ESTA VIDA, SOMOS OS MAIS DIGNOS DE COMPAIX\u00c3O&#8221; (1Cor. 15,12-20)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este texto contesta o pensamento de alguns crist\u00e3os da comunidade de Corinto que projetavam sua vida feliz em Cristo apenas para este mundo. Muitos judeus, particularmente a seita dos saduceus, acreditavam<br \/>\ntamb\u00e9m no Deus de Abra\u00e3o, mas esperavam dele uma vida longa e feliz aqui na terra.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As Testemunhas de Jeov\u00e1 tamb\u00e9m anseiam por esse para\u00edso terrestre.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o s\u00e3o poucos os que invocam a Cristo com a finalidade de receber Dele sa\u00fade, \u00eaxitos, riquezas e bens materiais neste mundo. Professam o chamado &#8220;evangelho da prosperidade&#8221;. A Ressurrei\u00e7\u00e3o, o milagre dos milagres, que nos d\u00e1 acesso \u00e0 verdadeira vida feliz em Deus, \u00e9 preterida, e quanto mais tarde chegar melhor. S\u00e3o Paulo percebeu j\u00e1 em seu tempo esta mentalidade mundana da salva\u00e7\u00e3o e refuta dizendo: &#8220;Se for para este mundo que esperamos em Cristo, somos as mais infelizes de todas as criaturas&#8221;, pois as planta e os animais, como n\u00f3s, morrem, mas n\u00e3o tem consci\u00eancia da sua fatalidade terrena. Para n\u00f3s, que sabemos que morremos, a vida carece de todo sentido neste mundo sem a esperan\u00e7a da Ressurrei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cristo Ressuscitado \u00e9 a hora zero do amanh\u00e3 da nossa Salva\u00e7\u00e3o. Na Sua morte morreram as horas de todas as mortes e na Sua Ressurrei\u00e7\u00e3o nascemos, sem o tempo que conta o movimento da nossa vida para habitar definitivamente num mundo novo. Nele cumpre-se a profecia: &#8220;Eis que venho e fa\u00e7o novas todas as coisas, novos c\u00e9us e nova terra&#8221; (Ap. 21). Nada mais real e certo do que contar os anos em rela\u00e7\u00e3o a Cristo. Antes Dele o tempo envelhecia e morria. Depois Dele, o tempo \u00e9 parto que nos faz nascer para sempre. Sua propria pessoa \u00e9 nossa &#8220;feliz esperan\u00e7a&#8221;. N\u00e3o s\u00e3o coisas ou bens que esperamos, mas a pr\u00f3pria vida divina que em Cristo j\u00e1 temos, aguardando sua eclos\u00e3o no dia da nossa morte, que \u00e9 o acontecimento da gra\u00e7a plena que temos em Cristo. Ela nao apaga a vida, mas nos a comunica, eterna e feliz em Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;BEM AVENTURADOS (FELIZES) OS POBRES, OS QUE AGORA TENDES FOME, OS QUE CHORAIS, S\u00c3O ODIADOS E PERSEGUIDOS PORQUE VOSSO \u00c9 O REINO DE DEUS&#8221; (Lc. 6,17-26)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este relato evang\u00e9lico que, em Mt, 5 \u00e9 chamado Serm\u00e3o da Montanha, para significar o ideal e desejo de felicidade que Deus gravou em n\u00f3s, como meta e destino, \u00e9 chamado em Lucas &#8220;Serm\u00e3o da Plan\u00edcie&#8221;, pois n\u00e3o somos n\u00f3s aqueles que teremos de escalar a montanha inacessivel da vida feliz, mas o pr\u00f3prio Deus Quem desceu at\u00e9 n\u00f3s para atingi-la. N\u00e3o ser\u00e1 nossa santidade, sen\u00e3o porque Deus \u00e9 santo e misericordioso, todos entraremos na sonhada Terra Prometida. (Dt. 9) Este plano ou mist\u00e9rio da Salva\u00e7\u00e3o, nos diz S\u00e3o Paulo , at\u00e9 Cristo, estava escondido ao longo dos s\u00e9culos (Cl.1,26). Pela lei do dever e m\u00e9ritos ningu\u00e9m se salvaria. O pecado e a morte s\u00e3o mais fortes do que n\u00f3s. Infelizmente todos n\u00f3s fomos, mais do que evangelizados, doutrinados. Logo aprendemos no catecismo os Dez Mandamentos, omitindo o principal mandamento que fundamenta, n\u00e3o s\u00f3 nossa \u00e9tica, mas a finalidade da mesma que \u00e9 a felicidade, imposs\u00edvel de conquistar com nossas obras. O grande mandamento \u00e9: &#8220;Escuta, Israel, o Senhor \u00e9 teu Deus, o Senhor \u00e9 um.&#8221; (Shem\u00e0 Israel &#8211; Dt. 6,4) Ele \u00e9 Quem te tirou do Egito;(Ex. 2) Aquele que te salva, por isso, ama-o com todo teu cora\u00e7\u00e3o, mente, for\u00e7as e alma; mais do que mandamento, \u00e9 mera consequ\u00eancia da tua F\u00e9. S\u00e3o Jo\u00e3o confirma esta tese: &#8220;Este \u00e9 o mandamento: creiam que Jesus \u00e9 o Cristo, o Filho de Deus e, crendo, ter\u00e3o a Vida Eterna&#8221; (Jo. 20, 30; 1 Jo, 3, 23).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para o povo de Israel, a liberta\u00e7\u00e3o das escravid\u00e3o do Egito, \u00e9 a refer\u00eancia da sua esperan\u00e7a de salva\u00e7\u00e3o. Para n\u00f3s cristaos, \u00e9 a Ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo, que nos liberta do pecado e da morte e nos concede a vida eterna e feliz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se Cristo n\u00e3o ressuscitou, nossa f\u00e9, diz S\u00e3o Paulo, \u00e9 in\u00fatil e vazia. A Ressurrei\u00e7\u00e3o, em termos darwinianos, \u00e9 o grande &#8220;mutante&#8221; que nos faz &#8220;trans-humanos&#8221;, filhos de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enquanto estamos neste vale de l\u00e1grimas, aqui na terra, esse sonho de vida feliz, o vivemos na inquebrant\u00e1vel ponte da esperan\u00e7a que \u00e9 o pr\u00f3prio Cristo. A felicidade \u00e9 ainda Promessa que, por ser de Deus, \u00e9 irrevers\u00edvel, segura e certa, j\u00e1 cumprida em Cristo em favor de n\u00f3s. Agora, a \u00e1rdua e dolorosa aventura da vida, \u00e9 uma aventura feliz e boa. A n\u00f3s, que ainda somos pobres, carentes de paz, sa\u00fade, sofredores, injusti\u00e7ados, exclu\u00eddos, oprimidos, angustiados e ainda infelizes, Cristo nos promete: &#8220;Bem-aventurados v\u00f3s todos, porque vosso \u00e9 o Reino de Deus&#8221;. Bem outra \u00e9 a sorte dos que apostam por uma felicidade apenas terrena, da qual Deus n\u00e3o nos priva, mas lamenta e condena que seja esta vida nossa \u00fanica aspira\u00e7\u00e3o. &#8220;Ai de v\u00f3s os ricos, os saciados, os que agora rides, os que s\u00e3o aplaudidos por todos, porque conhecereis o luto e as l\u00e1grimas&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Par\u00e1bola do rico e o pobre L\u00e1zaro (Lc. 14,31) mostra essa verdade evang\u00e9lica. Toda prega\u00e7\u00e3o de Cristo, como promessa de Salva\u00e7\u00e3o, resume-se em &#8220;Procurai em primeiro lugar o Reino de Deus e tudo mais vos ser\u00e1 dado por acrescimo&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quem tem por certa sua estadia no C\u00e9u, pode ser infinitamente mais feliz na terra, com suas alegrias e tristezas, do que quem tem somente por moradia este mundo, ef\u00eamero e inseguro. Todos n\u00f3s gostar\u00edamos de conhecer com nossos pr\u00f3prios olhos a vida eterna que esperamos, gra\u00e7a que momentaneamente, de maneira obscura tiveram os tr\u00eas felizardos disc\u00edpulos: Pedro, Jo\u00e3o e Tiago nos dia da Transfigura\u00e7\u00e3o de Cristo. N\u00e3o mais queriam sair daquele glorioso lugar. Se experimentassemos uma r\u00e9stia do C\u00e9u, seria imposs\u00edvel viver na terra. O rico da par\u00e1bola acima citada, almejava tamb\u00e9m por esta vis\u00e3o transcendente, Celeste. Abra\u00e3o lhe disse: &#8221;<br \/>\nAinda que ressuscite algu\u00e9m de entre os mortos n\u00e3o acreditar\u00e3o&#8221;.<br \/>\nE acrescentou: &#8220;T\u00eam Mois\u00e9s e os profetas que nos d\u00e3o a conhec\u00ea-Lo&#8221;. At\u00e9 o fim dos tempos nossa esperan\u00e7a de Salva\u00e7\u00e3o e vida eterna s\u00f3 nos pode vir em forma de palavra ou promessa, pois dela s\u00f3 usufru\u00edmos ao deixarmos esta nossa morada terrena. &#8220;Em verdade vos digo: quem cr\u00ea em Mim e na Minha Palavra tem a vida eterna&#8221;, Jesus repetia constantemente. Pedro assimilou esta mensagem plenamente e descartou qualquer outra esperan\u00e7a de Salva\u00e7\u00e3o: &#8220;A quem iremos, Senhor, s\u00f3 Tu, tens palavras de vida eterna&#8221; (Jo.6). As Bem-Aventuran\u00e7as deveriam presidir nossos aposentos e caminhos tornando-nos conscientes que esta nossa perigosa, dif\u00edcil, insegura e penosa aventura da vida \u00e9 maravilhosa e boa. Por breve tempo ainda n\u00e3o somos felizes, mas por toda uma eternidade o seremos. conforme Deus nos prometeu em Cristo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Padre Jesus Priante<br \/>\nEspanha<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Edi\u00e7\u00e3o por Malcolm Forest. S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se alguma pessoa sua amiga<br \/>\ndesejar receber as Cartas do Padre Jesus Priante, informe o nome, n\u00famero de WhatsApp e e-mail.<br \/>\nEnvie para: sucessomdk@gmail.com<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Copyright 2021 Padre Jesus Priante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Direitos Reservados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Compartilhe mencionando o nome do autor.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Contra a tese de Freud: &#8220;A natureza humana n\u00e3o foi programada para ser feliz&#8221;, afirmamos que Deus n\u00e3o nos teria criado a n\u00e3o ser para sermos felizes. Da mesma maneira que nenhum pai ou m\u00e3e traria seus filhos ao mundo desejando sua desgra\u00e7a. Jesus confirma essa tese: &#8220;Se voc\u00eas, sendo maus, querem o bem dos [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":72526,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4,13],"tags":[],"class_list":["post-72525","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cotidiano","category-featured"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/72525","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=72525"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/72525\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":72527,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/72525\/revisions\/72527"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/media\/72526"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=72525"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=72525"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=72525"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}