{"id":72384,"date":"2022-01-27T09:52:58","date_gmt":"2022-01-27T12:52:58","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=72384"},"modified":"2022-02-02T15:55:08","modified_gmt":"2022-02-02T18:55:08","slug":"admirando-as-palavras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/admirando-as-palavras\/","title":{"rendered":"Admirando as Palavras"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">O ser humano quando se comunica com outro, preferencialmente, usa palavras, atrav\u00e9s das quais, se d\u00e1 a conhecer e expressa o que deseja. Esta tamb\u00e9m foi a forma que Jesus usou para se dar a conhecer e expressar o que desejava dos ouvintes. Segundo os evangelistas, Jesus passava a maior parte do seu tempo pregando, anunciando, falando. Ensinava sempre e em todas as oportunidades.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O evangelista Lucas registra que Jesus, no come\u00e7o da sua vida p\u00fablica, foi \u00e0 Sinagoga de Nazar\u00e9 onde leu as Escrituras. Registra tamb\u00e9m a primeira rea\u00e7\u00e3o dos ouvintes: \u201cTodos os que estavam na sinagoga, tinham os olhos fixos nele\u201d. \u201cTodos davam testemunho a seu respeito, admirados com as palavras cheias de encanto que sa\u00edam de sua boca\u201d (Lc 4,20.22) S\u00e3o Mateus faz o mesmo registro: \u201cDepois que Jesus concluiu essas palavras, as multid\u00f5es ficaram maravilhadas com seu ensinamento. Com efeito, ele ensinava como quem tem autoridade\u201d (Mt 7,28-29). Tamb\u00e9m S\u00e3o Marcos escreve: \u201cJesus entrou na Sinagoga e ensinava. Ficaram maravilhados com seu ensinamento, pois ele ensina como que tem autoridade\u201d (Mc 1,21-22).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Silvano Fausti sabiamente explica o significado da admira\u00e7\u00e3o diante dos ensinamentos de Jesus. \u201cA atitude justa diante da Palavra \u00e9 a admira\u00e7\u00e3o. A admira\u00e7\u00e3o \u00e9 a m\u00e3e da sabedoria: por ela, o cora\u00e7\u00e3o se abre para acolher aquilo que \u00e9 novo e belo, verdadeiro e am\u00e1vel. \u00c9 diferente da curiosidade, m\u00e3e da ci\u00eancia: por ela, a mente se pergunta o porqu\u00ea, de modo a conhecer o objeto para desmont\u00e1-lo, remont\u00e1-lo, apoderar-se dele e us\u00e1-lo para o pr\u00f3prio benef\u00edcio. Se, na admira\u00e7\u00e3o, se \u00e9 invadido pelo outro; na curiosidade, invade-se o outro. A primeira atitude expressa o amor, a acolhida, e se volta ao mundo dos objetivos, do bom e do bem; a segunda expressa o ego\u00edsmo e a apropria\u00e7\u00e3o, voltando-se ao mundo dos meios, do \u00fatil e do c\u00f4modo. A rea\u00e7\u00e3o contr\u00e1ria \u00e0 admira\u00e7\u00e3o \u00e9 chamada por Marcos e Mateus de \u201cdureza de cora\u00e7\u00e3o\u201d. Essa assinala as etapas do antievangelho. Em Lucas, essa dureza de cora\u00e7\u00e3o \u00e9 traduzida com a rea\u00e7\u00e3o de \u201craiva\u201d (4,28; 6,11; 11,53; 15,28). Quando se aborda o outro para us\u00e1-lo, o cora\u00e7\u00e3o se torna duro, calcificado e morto, e n\u00e3o sabe mais pulsar pelo pr\u00f3ximo; fechado na sua pr\u00f3pria utilidade, \u00e9 tomado pela ira e estende a m\u00e3o somente para se apoderar de quem o serve, para esmagar aquilo do qual se serve, Cristo ser\u00e1 morto por essa atitude hostil (11,53). No Evangelho, h\u00e1 uma admira\u00e7\u00e3o toda particular e nova, porque nos coloca diante da novidade absoluta. N\u00e3o \u00e9 a admira\u00e7\u00e3o que se experimenta diante dos escribas, que at\u00e9 dizem a verdade sobre Deus. \u00c9 a admira\u00e7\u00e3o de se encontrar diante do pr\u00f3prio Deus\u201d (FAUTI, S. <em>Uma comunidade l\u00ea o Evangelho de Lucas, Ed. CNBB, <\/em>2021, p. 125).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ouvir repetidas vezes a mesma e conhecida passagem b\u00edblica, talvez n\u00e3o desperte mais a aten\u00e7\u00e3o e o encantamento. Por\u00e9m \u00e9 bom lembrar que nenhum dia da vida se repete e cada vez que se escuta a mesma Palavra de Deus algo de novo j\u00e1 aconteceu na nossa vida. Por isso, cada escuta \u00e9 \u00fanica e irrepet\u00edvel. \u201cToda manh\u00e3 ele me desperta e abre meus ouvidos para que eu ou\u00e7a como um disc\u00edpulo\u201d (Isa\u00edas 50,4). Admirar-se sempre, \u00e9 uma postura de quem se reconhece necessitado de ser ensinado permanentemente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A liturgia dominical nos oferece a 1 Carta aos Cor\u00edntios (12,31-13,13) um ensinamento admir\u00e1vel, o ensinamento central de Jesus Cristo. \u201cAspirai aos dons mais elevados. Eu vou ainda mostrar-vos um caminho incomparavelmente superior. (&#8230;) Se eu tivesse o dom da profecia, se conhecesse todos os mist\u00e9rios e toda a ci\u00eancia, se tivesse f\u00e9 a ponto de transportar montanhas, mas se n\u00e3o tivesse caridade, eu n\u00e3o seria nada\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O ser humano quando se comunica com outro, preferencialmente, usa palavras, atrav\u00e9s das quais, se d\u00e1 a conhecer e expressa o que deseja. Esta tamb\u00e9m foi a forma que Jesus usou para se dar a conhecer e expressar o que desejava dos ouvintes. 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