{"id":71425,"date":"2021-11-21T09:00:39","date_gmt":"2021-11-21T12:00:39","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=71425"},"modified":"2021-11-21T13:22:53","modified_gmt":"2021-11-21T16:22:53","slug":"rei-reino-e-reinado-cartas-do-padre-jesus-priante","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/rei-reino-e-reinado-cartas-do-padre-jesus-priante\/","title":{"rendered":"Rei, Reino e Reinado &#8211; Cartas do Padre Jesus Priante"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">A vida \u00e9 uma luta. Essa \u00e9 a grande e s\u00e1bia leitura popular da exist\u00eancia humana. H\u00e1 uma luta sem tr\u00e9gua do mal contra o bem, da morte contra a vida, do nada contra o ser, das criaturas entre si e contra seu Criador.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O pensador Manes, nascido na antiga P\u00e9rsia (atual Iraque) no ano 216 d.C, atribui esta luta existencial ao confronto de dois princ\u00edpios ou entidades divinas: o Deus do Bem e o Deus do Mal, assegurando a vit\u00f3ria final do Bem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Santo Agostinho professou esta teoria, chamada manique\u00edsta, em refer\u00eancia ao seu autor. Mais tarde percebeu sua contradi\u00e7\u00e3o. \u00c9 Imposs\u00edvel existirem duas entidades divinas, pois nenhuma delas o seria, por isso, Santo Agostinho disse ser o mal, n\u00e3o algo que existe em si, mas mera car\u00eancia do bem das criaturas que ainda n\u00e3o t\u00eam a plenitude do seu ser. A cria\u00e7\u00e3o, de fato, ser\u00e1 conclu\u00edda no fim da Hist\u00f3ria, quando seja glorificada por Deus em Cristo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Santo Agostinho abandonou o manique\u00edsmo de Man\u00e9s, mas nos legou um outro com sua teoria do pecado original, que nos torna incapazes de fazer o bem e evitar o mal. Se na luta pela vida n\u00e3o temos todo o bem que queremos, nem podemos vencer a morte, muito menos ainda, sermos bons e vencer o pecado. Seu poder supera ao poder dos pr\u00f3prios anjos, do qual foram v\u00edtimas os dem\u00f4nios. Da\u00ed a necessidade de um Rei todo poderoso, aliado a n\u00f3s, \u00e0 toda a Cria\u00e7\u00e3o, capaz de vencer o pecado e a morte com seus ingentes ex\u00e9rcitos de males e malignos que na presente condi\u00e7\u00e3o nos escravizam e oprimem. Essa vitoriosa proeza pertence a Cristo: &#8220;no qual reside toda plenitude.&#8221; (Col.1,15) &#8220;A Ele pertence todo poder e gl\u00f3ria para sempre&#8221;. &#8220;Ele \u00e9 o Rei de reis e Senhor de senhores&#8221; (Ap.20,16). Entretanto, essa gloriosa vit\u00f3ria de Cristo est\u00e1 reservada para o fim dos tempos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entendemos melhor este Mist\u00e9rio da Salva\u00e7\u00e3o distinguindo entre si os termos: Rei, Reino e Reinado. Cristo \u00e9 Rei, possuidor de um Reino, eterno e glorioso, pois para isso, como Ele mesmo disse, veio ao mundo, para ser Rei. Mas seu reinado ainda n\u00e3o ser\u00e1 consumado at\u00e9 o dia em que pecado e a morte sejam para sempre vencidos. Por isso, disse: &#8220;Meu Reino n\u00e3o \u00e9 deste mundo&#8221;, isto \u00e9, na presente condi\u00e7\u00e3o humana e c\u00f3smica, n\u00f3s e o universo, aguardamos, n\u00e3o propriamente seu Reino, que j\u00e1 veio com seu Rei, Jesus Cristo,!mas seu Reinado. Entendemos assim melhor a narrativa evang\u00e9lica, na qual umas vezes se diz que o Reino de Deus est\u00e1 presente, no meio de n\u00f3s, e outras que est\u00e1 pr\u00f3ximo ou est\u00e1 por vir, como expressamos no Pai-Nosso<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A ambiguidade desta linguagem mostra-nos o seu Mist\u00e9rio, que tamb\u00e9m chamamos de Mist\u00e9rio da Salva\u00e7\u00e3o, j\u00e1 presente e, ao mesmo tempo, a caminho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Festa de Cristo Rei, integrada no calend\u00e1rio lit\u00fargico no ano 1925, teve como finalidade dar uma resposta ao crescente secularismo e \u00e0 descristianiza\u00e7\u00e3o da \u00e9poca, embriagada pelo materialismo e humanismos ateus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O super-homem de Nietzsche suplantou a soberania de Deus. N\u00e3o existem mais reinos do que aqueles a serem conquistados pelo ser humano. Contra esta prepot\u00eancia ateia, alienante e ilus\u00f3ria, a Igreja proclamou a realeza de Jesus Cristo, n\u00e3o sobre cada um de n\u00f3s e de todos os povos, como tamb\u00e9m do Universo, excluindo assim todo outro poder ou possibilidade de vencer o mal deste mundo. Nenhum progresso humano, nem recursos planet\u00e1rios e c\u00f3smicos ser\u00e3o capazes de nos brindar a vit\u00f3ria nesta luta pela vida e o bem na qual temos nascido. Fatalmente, todos seremos derrotados. Sartre expressava essa trag\u00e9dia existencial dizendo: &#8220;A vida \u00e9 uma paix\u00e3o in\u00fatil&#8221;. Camus se identificou com o mito de S\u00edsifo a rolar pesada rocha por \u00edngreme montanha, sendo v\u00edtima da sua pr\u00f3pria luta e esfor\u00e7o. A festa de Cristo Rei \u00e9 o grande acontecimento de F\u00e9 e de segura e consoladora esperan\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;O \u00faltimo inimigo a ser vencido ser\u00e1 a morte&#8221; (1Cor.15) Sao Paulo teria de ter acrescentado tamb\u00e9m a vit\u00f3ria sobre o pecado, pois uma vida imortal carregada de culpa seria pior do que a morte. Em Col. 2,14 corrige este lapso dizendo: &#8220;At\u00e9 os dem\u00f4nios (potestades do mal) unir-se-\u00e3o ao cortejo triunfal de Cristo&#8221;. Estas palavras seriam a verdadeira tradu\u00e7\u00e3o de Cristo Rei do Universo. Seu Reinado n\u00e3o ter\u00e1 chegado enquanto ainda persistir uma r\u00e9stia de mal no mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A realeza divina \u00e9 uma ideia comum nas religi\u00f5es de oriente. Mas o povo de Israel a fez exclusiva de Deus Jav\u00e9. Ele reina sobre todas as na\u00e7\u00f5es e rege o curso da hist\u00f3ria. Por isso, at\u00e9 o ano 1000 a.C. com Saul e Davi, o Povo de Israel rejeitou para si a monarquia, porque s\u00f3 Jav\u00e9 era seu rei.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A hist\u00f3ria dos reis de Israel foi escrita com sangue e l\u00e1grimas at\u00e9 a destrui\u00e7\u00e3o de Jerusal\u00e9m no s\u00e9culo VI a.C. pelo imp\u00e9rio babil\u00f4nico. Depois do ex\u00edlio seu esp\u00edrito retornou \u00e0 sua origin\u00e1ria teocracia, esperando a vinda do Messias, rei divino, descendente de Davi, a governar n\u00e3o s\u00f3 o povo de Israel como todos os povos: &#8220;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todos os povos vir\u00e3o a Jerusal\u00e9m para adorar o Rei Jav\u00e9&#8221; (Zac.14,9).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O profeta Daniel o contempla numa de suas vis\u00f5es sob a figura emblem\u00e1tica do Filho do Homem, que vem sobre as nuvens revestido de poder e gl\u00f3ria no meio de quatro monstruosas bestas, que representam os imp\u00e9rios e reinos deste mundo. Cristo apropriou-se desta figura r\u00e9gia e triunfante b\u00edblica, mas n\u00e3o sem antes cumprir a profecia tamb\u00e9m messi\u00e2nica de Isa\u00edas, na condi\u00e7\u00e3o de servo e escravo, assumindo o pecado e a morte do mundo para &#8220;descer aos infernos&#8221; na cruz. Mas, Ressuscitado, foi exaltado acima de toda criatura, para que todos, no C\u00e9u e na terra, o adorem e o proclamem Rei e Senhor (Fp.2). A gl\u00f3ria do reinado de Cristo vem nessa &#8220;nuvem&#8221; do mal que empana os olhos da nossa F\u00e9. Jesus revelou o mist\u00e9rio do seu Reino atrav\u00e9s de par\u00e1bolas e met\u00e1foras, pois sua realidade n\u00e3o cabe nas palavras. Ele se faz presente \u00e0 maneira de uma semente, fermento, tesouro escondido, na fragilidade de um pequeno rebanho, entre o joio e o trigo, na rede que apanha toda classe de peixes, na insignificante mostarda que cresce sem nos percebermos, no entanto, as aves do c\u00e9u (nossas esperan\u00e7as e sonhos) se abrigam nos seus ramos. O valor desse Reino, presente e oculto, supera todos os tesouros e reinos deste mundo, e pelo qual vale a pena renunciar \u00e0 nossa pr\u00f3pria vida terrena. Ele \u00e9 nossa grande utopia e objeto de nossa feliz esperan\u00e7a. Reino, al\u00e9m de conquista e poder, tem o sentido de territ\u00f3rio. Esperamos &#8220;Novos C\u00e9us e nova terra&#8221;, n\u00e3o condicionados ao espa\u00e7o e ao tempo. Mas ser\u00e1 neste mesmo mundo que habitamos que no Reino de Deus ser\u00e3o transformados, assim como seremos n\u00f3s mesmos, em corpo e alma, os que viveremos felizes para sempre nele. Interessante a express\u00e3o do Apocalipse. No diz c\u00e9us no plural e terra no singular, para significar, o que temos repetido v\u00e1rias vezes. No meio de bilh\u00f5es de estrelas e planetas, que at\u00e9 poderiam albergar vida, Deus escolheu este nosso planeta azul para ser portador deste dom singular e divino, tornando-o tamb\u00e9m sua sede e casa, para ficar conosco, at\u00e9 chegar a plenitude do Seu Reinado. Se \u00e9 vida, ao menos humana, que a NASA procura em suas aventuras espaciais, perde precioso tempo do qual a terra precisa para ser mais humana, mais de Cristo e mais de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;FOI-LHE DADO TODO PODER E SEU REINO N\u00c3O SER\u00c1 DESTRU\u00cdDO&#8221; (Dn.7,13-14)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta profecia de Daniel vivenciara o povo judeu, nos tempos em que Jesus, na condi\u00e7\u00e3o de Servo, conforme profetizou Isaias, esteve conosco. Por isso n\u00e3o o receberam como seu esperado Messias e Rei a libertar o povo subjugado pelo Imp\u00e9rio romano. O poder dos seus milagres levou muitos a o aclamar Rei, mas sua morte de cruz frustrou as expectativas dos que lhe ouviram e viram. De fato, todos os milagres e maravilhas deste mundo, que s\u00e3o incont\u00e1veis, s\u00e3o insuficientes para crer e esperar o Reino de Deus. Por isso, certa vez Jesus disse ao povo: &#8220;A esta gera\u00e7\u00e3o (ao ser humano) n\u00e3o lhe ser\u00e1 dado outro sinal (milagre) que o sinal de Jonas&#8221; ( Mt.16,4) referindo-se \u00e0 Sua Ressurrei\u00e7\u00e3o, milagre dos milagres, \u00fanico fundamento da nossa F\u00e9. &#8220;Se Cristo n\u00e3o Ressuscitou, v\u00e3 e vazia \u00e9 a nossa F\u00e9&#8221; (1Cor,15) e tamb\u00e9m toda religi\u00e3o, ci\u00eancia e saber do mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se morremos, n\u00f3s e o universo, carecemos de sentido. Se os povos transitaram ainda a estrada do tempo \u00e9 por terem, ainda que incerta, a esperan\u00e7a de viver al\u00e9m da morte. Esta esperan\u00e7a universal de imortalidade que, at\u00e9 os mais fan\u00e1ticos materialistas s\u00e3o incapazes de matar, tornou-se &#8220;substancial&#8221;, segura e certa, em Cristo Ressuscitado. Este fato o constitui \u00fanico e verdadeiro Rei do Universo. E seu Reino eterno, por ser universal, triunfar\u00e1 sobre todo poder do mal, que concentra-se no pecado e na morte. O &#8220;\u00faltimo inimigo a ser vencido&#8221; nos revela S\u00e3o Paulo, n\u00e3o ser\u00e1 apenas a morte, mas tamb\u00e9m outro inimigo pior, que \u00e9 o pecado.<br \/>\nEntre os atributos que caracterizam o Reino de Deus, inaugurado com a Ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo est\u00e3o:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">REINO DA VERDADE<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os reinos deste mundo s\u00e3o todos eles ilus\u00e3o. Passamos a vida, nos diz S\u00e3o Paulo, como atores mascarados num cen\u00e1rio, representando o que n\u00e3o somos. A verdade real das coisas e de n\u00f3s mesmos n\u00e3o tem lugar neste mundo. O que \u00e9 tem de ser de outra maneira. Essa novidade, verdadeira e boa, ao mesmo tempo, \u00e9 o que chamamos Reino de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">REINO DE JUSTI\u00c7A<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Viemos a este mundo assaltados por dois grandes inimigos: o pecado e a morte. Fomos despojados da nossa dignidade de filhos de Deus. N\u00e3o nos foi revelado como e porqu\u00ea isto nos aconteceu, por isso denominamos esta nossa situa\u00e7\u00e3o, v\u00edtimas do mal, de &#8220;Mist\u00e9rio da Iniquidade&#8221;, a ser desvendado no fim dos tempos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cristo veio como Rei e Juiz para fazer justi\u00e7a, n\u00e3o contra n\u00f3s, mas contra o mal que nos aflige, cuja derrota Jesus d\u00e1 por feita, fruto do seu Reinado por obra do Esp\u00edrito Santo (Jo.16). A justi\u00e7a de Deus n\u00e3o \u00e9 ativa a punir ou premiar, mas passiva. N\u00f3s \u00e9 que somos justificados. Nada mais anti-evang\u00e9lico do que cantar:&#8221;Foi na cruz que eu vi meus pecados castigados em Jesus&#8221; no lugar de perdoados. O termo justi\u00e7a na Biblia \u00e9 sin\u00f4nimo de santidade. O Reino de Deus \u00e9 um Reino de santidade ,&#8221; Reino de sacerdotes&#8221;, consagrados a Deus, por Ele santificados. No Reino de Deus n\u00e3o s\u00f3 teremos todo bem como tamb\u00e9m seremos bons e santos como Deus. No C\u00e9u, diz S\u00e3o Jeronimo (s\u00e9c. IV) seremos incapazes de pecar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">REINO DA VIDA<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deus \u00e9 de vivos e n\u00e3o de mortos, disse Jesus.&#8221; At\u00e9 quando a morte estar\u00e1 comigo?&#8221; Dizia-me uma m\u00e3e de duas crian\u00e7as, cheia de F\u00e9 e esperan\u00e7a no Reino de Deus, que passou internada dois longos e penosos anos no hospital v\u00edtima de c\u00e2ncer. Esta pergunta nos acompanha a todos. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a morte f\u00edsica, mas a morte interior nos persegue ao longo da nossa exist\u00eancia. A vida, sem dor, ang\u00fastia e morte, est\u00e1 al\u00e9m deste mundo. \u00c9 esperan\u00e7a e mem\u00f3ria feliz de futuro: &#8220;Habitarei no pa\u00eds ou Reino dos vivos por anos sem fim.&#8221; (Sl.26)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus nos garantiu a meta: &#8220;Eu vim para que todos tenham vida plena. &#8220;(Jo.10,10)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">REINO DE PAZ<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Santo Agostinho definia a paz como sin\u00f4nimo de ordem. De fato, a presente realidade na qual estamos \u00e9 ca\u00f3tica. Muitos fil\u00f3sofos assim a entenderam, e a F\u00edsica Qu\u00e2ntica, funda-se no princ\u00edpio de indetermina\u00e7\u00e3o, uma outra vers\u00e3o do caos. A incerteza existencial torna nossa vida inquieta, sem paz e desordenada. Nossa rela\u00e7\u00e3o com as pessoas e at\u00e9 com as coisas \u00e9 b\u00e9lica. Nascemos e vivemos em permanente luta. &#8220;Dai-nos a Paz&#8221; \u00e9 uma das ora\u00e7\u00f5es que mais repetimos, e ser\u00e1 a \u00faltima que pessoas amigas de F\u00e9 nos brindar\u00e3o: &#8220;Dai-lhe ,Senhor o descanso e a paz&#8221;. Paz \u00e9 ordem, e toda ordem faz refer\u00eancia ao UNO. Esse Uno primordial \u00e9 Cristo: &#8220;Eu Sou o primeiro e o \u00faltimo.\u201d Nele existe e subsiste tudo quanto existe. Ele \u00e9 o &#8220;primog\u00eanito dos mortos&#8221;, prim\u00edcia que garante nossa Salva\u00e7\u00e3o, caminha \u00e0 frente de n\u00f3s e ao mesmo tempo retornar\u00e1 atr\u00e1s de n\u00f3s, &#8220;\u00faltimo&#8221;, para que ningu\u00e9m se perca, conduzindo todos ao seu Reino eterno de Vida e paz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;EIS QUE ELE VEM ENTRE NUVENS E TODOS OS OLHOS O VER\u00c3O, AT\u00c9 MESMO AQUELES QUE O CRUCIFICARAM&#8221; (Ap. 1,5-8)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto faz refer\u00eancia \u00e0 profecia de Daniel ainda por se cumprir. Desde o dia em que Jesus subiu na Ascens\u00e3o ao C\u00e9u, esperamos sua vinda gloriosa, conforme Ele prometeu: &#8220;Eu voltarei e os levarei comigo para que estejam onde eu estou&#8221; (Jo. 14). Inclusive nos disse que esse tempo de espera seria breve: &#8220;Dentre em pouco me ver\u00e3o de novo&#8221;. Santo Agostinho interpreta tal brevidade como sendo o tempo que falta at\u00e9 o retorno de Cristo, n\u00e3o mais como servo sofredor, mas vitorioso e glorioso. Depois da sua Ressurrei\u00e7\u00e3o tocamos no final da Hist\u00f3ria. Cumpre-se antecipadamente no dia da morte de cada pessoa. Nesse dia o veremos vir at\u00e9 n\u00f3s com poder e gl\u00f3ria para vencer nosso pecado e nossa morte e nos levar consigo. Neste sentido, o tempo de espera, de fato, \u00e9 breve. Apenas um rm cada dez mil \u00e9 centen\u00e1rio. A expectativa de vida em alguns povos nao passa dos 60 anos, em outros dos 80. O Sl.89 nos lembra essa estat\u00edstica: &#8220;Ensina-me, Senhor contar os anos da minha vida&#8230;que s\u00e3o 70 e, se for forte, 80.&#8221; O drama desta vida passageira n\u00e3o est\u00e1 na sua brevidade mas em carecermos de uma verdadeira esperan\u00e7a. Samuel Becker soube expressar esse drama na sua novela &#8220;Esperando Godot\u201d. Todos esperam esse Godot na esta\u00e7\u00e3o do trem da vida, que chega sempre vazio, pois a<br \/>\ninsatisfa\u00e7\u00e3o \u00e9 inata em n\u00f3s. Hoje, no tempo do imediatismo, carecemos da verdadeira esp\u00e8ran\u00e7a que s\u00f3 podemos ter em Cristo, &#8220;nossa Feliz esperan\u00e7a\u201d, diz S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No texto do Apocalipse que comentamos, Cristo \u00e9 denominado &#8220;Testemunha fiel&#8221;, isto \u00e9, garantia veraz da nossa salva\u00e7\u00e3o. &#8220;Primog\u00eanito dos mortos&#8221;, o primeiro da humanidade a sair do sepulcro, \u201cPrim\u00edcias&#8221; da colheita salv\u00edfica que, segundo seu sentido b\u00edblico, garante toda a seara.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Pr\u00edncipe ou Rei dos reis&#8221;, soberano e \u00fanico rei a vencer o pecado e a morte, conquista imposs\u00edvel do ser humano. &#8220;Todos o ver\u00e3o vir entre as nuvens&#8221;, para significar que seu Reino, ainda oculto nas nuvens de nossos sofrimentos e desejos, finalmente se manifestar\u00e1 glorioso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;At\u00e9 aqueles que o crucificaram o ver\u00e3o&#8221;, pois a gra\u00e7a de Deus \u00e9 mais forte do que o pecado. E conclui o texto: &#8220;Eu (Cristo) sou o princ\u00edpio e o fim&#8221;, &#8220;Aquele-que-\u00e9, era- e- vem&#8221;. Ele \u00e9 a &#8220;pedra angular&#8221; do Universo e a consuma\u00e7\u00e3o da Hist\u00f3ria, o devir da Cria\u00e7\u00e3o. Fora Dele nada mais podemos e nem precisamos esperar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">PILATOS PERGUNTOU A JESUS: &#8220;ENT\u00c3O, TU \u00c9S REI?&#8221;- EU SOU REI. PARA ISTO VIM A ESTE MUNDO&#8230; MAS O MEU REINO N\u00c3O \u00c9 DESTE MUNDO&#8221; (Jo.18,33-37)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este epis\u00f3dio evang\u00e9lico \u00e9 sublime e significativo. No auge da sua fama, por causa do poder mostrado pelos seus numerosos milagres, Jesus recusou ser aclamado rei pelo povo. Prestes a morrer, humilhado, Ele mesmo se autoproclama Rei diante dos reinos deste mundo, ostentados por Pilatos e pelos Sumos Sacerdotes An\u00e1s e Caif\u00e1s. Mas disse.&#8221;Meu Reino n\u00e3o \u00e9 deste mundo&#8221;. Seu trono n\u00e3o \u00e9 de marfim e ouro, mas seco lenho de uma cruz onde jamais rei algum deste mundo seria capaz livremente de se colocar. Desde este trono, disse, &#8220;atrairei todos os povos&#8221;. At\u00e9 Pilatos , sem o saber, reconheceu seu reinado, ordenando escrever na cruz: &#8220;Jesus Nazareno, Rei dos Judeus&#8221;. Teria sido mais exacto se tivesse escrito Rei do Universo. Na cruz sucumbiam todos os reinos das espadas, os ex\u00e9rcitos invenc\u00edveis do pecado e da morte, e brotava o Reino da Vida e da Gra\u00e7a. Foi assim que o reconheceu um &#8220;ladr\u00e3o&#8221; e malfeitor, portador do pecado e da morte, crucificado ao seu lado: &#8220;Jesus, lembre-se de mim quando estiver no seu Reino&#8221;. Ele lhe respondeu: &#8220;Hoje mesmo estar\u00e1s comigo no meu Reino&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus proclamava seu verdadeiro Reino sobre o pecado e sobre a morte, que nenhum imp\u00e9rio pode conquistar. Naquela tarde regia, at\u00e9 o sol, &#8220;o astro rei&#8221;, em nome de todas as gal\u00e1xias, reconheceu n\u00e3o ser rei, morrendo por umas horas, para dar lugar a Cristo, Rei do Universo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um dos soldados que o crucificaram, vendo Jesus morrer, &#8220;perdoando&#8221; seus pr\u00f3prios algozes e como real Senhor da morte confessou: &#8220;Verdadeiramente Ele era Filho de Deus&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Muitos t\u00eam morrido heroicamente nos campos de batalha e nos desafios deste mundo, mas ningu\u00e9m foi capaz de dar sua pr\u00f3pria vida por seus pr\u00f3prios inimigos. Este hero\u00edsmo de Rei t\u00e3o singular, pertence s\u00f3 a Cristo e aos que unem-se a Ele pela F\u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estes dias, em Madrid, pudemos contemplar o Reino e reinado de Cristo. Uma m\u00e3e, errando os comandos do seu carro, matou acidentalmente, no mesmo ato, uma crian\u00e7a de apenas seis anos na porta do col\u00e9gio quando sua m\u00e3e veio lhe recolher para voltar a sua casa. O momento n\u00e3o podia ser mais tr\u00e1gico a desafiar todos os reinos deste mundo. No entanto, ali se fez presente o Reino de Cristo. As duas m\u00e3es se abra\u00e7aram fortemente, vitoriosas sobre o pecado e a morte, na cruz de Jesus Cristo. Diante de numeroso p\u00fablico ali concentrado, a m\u00e3e da crian\u00e7a falecida orou dizendo: &#8220;Senhor, te dou gra\u00e7as por ter-me dado seis maravilhosos e felizes anos da minha filha neste mundo. Ela adorava tanto brincar e viver que, Tu, Senhor, que sempre nos ganhas em generosidade, quiseste dar a nossa filha, mais Sua do que minha, a vida plena e feliz para a qual veio a este mundo. Agora eu e minha fam\u00edlia temos mais motivo e est\u00edmulo para irmos ao C\u00e9u&#8221;. E consolando a outra m\u00e3e, com maior dor que a pr\u00f3pria, lhe disse: &#8220;N\u00e3o chores, Deus quis assim dar a nossa filha seu Reino de vida, Eterna e feliz&#8221;. Um dos professores, que durante anos se confessou ateu, presenciando o testemunho daquela m\u00e3e, disse: &#8220;Antes vivi sem Deus, mas agora n\u00e3o posso viver sem Ele. Era essa pe\u00e7a que me faltava para dar sentido \u00e0 minha vida&#8221;. A narrativa foi recolhida em v\u00eddeo por algumas das pessoas ali presentes e divulgada em v\u00e1rios meios de comunica\u00e7\u00e3o. Cristo revelou, ali, de todos os reinos sucumbem, o o Seu verdadeiro Reino. Para o momento permanece oculto, entre as nuvens de nossos sofrimentos, mas como nos diz S\u00e3o Paulo: &#8220;Se com Cristo sofremos e morremos, com Ele reinaremos&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Padre Jesus Priante<br \/>\nEspanha<br \/>\n(Edi\u00e7\u00e3o por Malcolm Forest. S\u00e3o Paulo.)<br \/>\nCopyright 2021 Padre Jesus Priante. Direitos Reservados. Compartilhe mencionando o nome do autor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assista \u201cFrei Galv\u00e3o, o Arquiteto da Luz\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A vida \u00e9 uma luta. Essa \u00e9 a grande e s\u00e1bia leitura popular da exist\u00eancia humana. H\u00e1 uma luta sem tr\u00e9gua do mal contra o bem, da morte contra a vida, do nada contra o ser, das criaturas entre si e contra seu Criador. 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