{"id":71386,"date":"2021-11-19T09:38:17","date_gmt":"2021-11-19T12:38:17","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=71386"},"modified":"2021-11-19T18:41:23","modified_gmt":"2021-11-19T21:41:23","slug":"os-dez-anos-da-africae-munus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/os-dez-anos-da-africae-munus\/","title":{"rendered":"Os dez anos da \u201cAfricae munus\u201d"},"content":{"rendered":"<figure class=\"article__image\"><span class=\"didascalia_img\">Igreja no Benin\u00a0<\/span><\/figure>\n<div class=\"article__meta \" data-mediatype=\"\">\n<div class=\"article__subTitle\" style=\"text-align: justify;\">Nas p\u00e1ginas do L&#8217;Osservatore Romano, temos a reflex\u00e3o do padre Giulio Albanese sobre a Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica p\u00f3s-sinodal de Bento XVI, que continua ainda hoje a ser uma esp\u00e9cie de Magna Charta program\u00e1tica da actividade evangelizadora, com uma aten\u00e7\u00e3o marcada ao contexto existencial africano.<\/div>\n<div class=\"title__separator\" style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div class=\"article__text \">\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Giulio Albanese \u2013 Vatican News<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Passaram-se dez anos desde a publica\u00e7\u00e3o da\u00a0<i>Africae munus<\/i>, a Exorta\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica p\u00f3s-sinodal de Bento XVI entregue oficialmente ao episcopado africano no domingo 20 de novembro de 2011, em Cotonou (Benin). Segundo o tradicional processo sinodal, o documento recolheu as conclus\u00f5es a que chegara o Bispo de Roma depois de dois anos de discernimento, na sequ\u00eancia do segundo S\u00ednodo para a \u00c1frica realizado em Roma, em outubro de 2009.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diga-se desde j\u00e1 que o texto \u00e9 ainda hoje muito actual porque \u00e9 paren\u00e9tico, na consci\u00eancia de que a \u00c1frica \u201cavan\u00e7a, alegre e viva, manifestando o louvor a Deus\u201d, com consider\u00e1veis \u200b\u200brecursos e potencialidades. \u00c9 interessante notar que as primeiras palavras da Exorta\u00e7\u00e3o deixam espa\u00e7o para uma s\u00e9rie de interpreta\u00e7\u00f5es sugestivas. A tradu\u00e7\u00e3o oficial para o portugu\u00eas de\u00a0<i>Africae munus<\/i>\u00a0&#8211; &#8220;O compromisso da \u00c1frica&#8221; \u200b\u200b- tem um valor fortemente mission\u00e1rio, revelando o papel que as Igrejas do continente devem desempenhar na ac\u00e7\u00e3o evangelizadora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A express\u00e3o pode, contudo, significar tamb\u00e9m a inst\u00e2ncia, ali\u00e1s j\u00e1 formulada pelos Padres Sinodais, de entregar um\u00a0<i>munus<\/i>, entendido como &#8220;mandato&#8221;, aos africanos para que eles pr\u00f3prios sejam protagonistas de um renovado dinamismo eclesial. Mas o termo, no seu significado latino, poderia at\u00e9 dar a entender a dimens\u00e3o da gratuidade, portanto do dom, que a Igreja africana, nas suas m\u00faltiplas articula\u00e7\u00f5es, \u00e9 chamada a oferecer ao mundo, nesta primeira etapa do Terceiro Mil\u00e9nio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Subdividida em duas partes, mais uma introdu\u00e7\u00e3o e uma conclus\u00e3o, com o intuito de reafirmar a necessidade de reconcilia\u00e7\u00e3o, justi\u00e7a e paz para todo o continente, a Exorta\u00e7\u00e3o \u00e9 ainda hoje uma esp\u00e9cie de Magna Charta program\u00e1tica da actividade evangelizadora, com uma aten\u00e7\u00e3o marcada ao contexto existencial africano, no \u00e2mbito de um mundo cada vez mais globalizado. Tendo em conta a situa\u00e7\u00e3o eclesial e social do continente referida ao ano de 2009, ano do S\u00ednodo, o documento conserva a sua frescura, exprimindo uma abordagem construtiva em rela\u00e7\u00e3o a um continente que reivindica respeito e reconhecimento. Ali\u00e1s, desde o in\u00edcio, a Exorta\u00e7\u00e3o se qualifica como express\u00e3o de uma \u201csolicitude paterna e pastoral pela \u00c1frica de hoje, que conheceu os traumas e os conflitos que conhecemos\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Encorajando as comunidades eclesiais africanas a se tornarem int\u00e9rpretes da mensagem do Evangelho, Bento XVI desejou uma emancipa\u00e7\u00e3o &#8211; em alguns aspectos ainda hoje em curso \u2013 daquilo que por vezes parece paralis\u00e1-las, encontrando em si mesmas a for\u00e7a e os recursos para relan\u00e7ar a pr\u00f3pria vida e a pr\u00f3pria hist\u00f3ria. O ponto de partida devia ser a renova\u00e7\u00e3o das comunidades crist\u00e3s locais, evitando est\u00e9reis &#8220;pietismos&#8221;, na certeza de que era preciso p\u00f4r em discuss\u00e3o uma mentalidade remissiva. Certamente nesta \u00faltima d\u00e9cada, fortemente marcada pela exclus\u00e3o social e pandemias de todo o tipo (\u00e9bola, Covid &#8230;), a Igreja em \u00c1frica deu prova de maturidade tanto sob o ponto de vista da solidariedade, como tamb\u00e9m fazendo-se muitas vezes int\u00e9rprete das inst\u00e2ncias propostas pelo chamado desenvolvimento sustent\u00e1vel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Longe de qualquer ret\u00f3rica, a Exorta\u00e7\u00e3o\u00a0<i>Africae munus<\/i>\u00a0continua a ser um documento importante para todas as comunidades crist\u00e3s, sobretudo pela sua capacidade de saber identificar as urg\u00eancias da evangeliza\u00e7\u00e3o no continente. Basta pensar no tema da incultura\u00e7\u00e3o do Evangelho, que ainda hoje \u00e9 preciso abordar, distinguindo, por assim dizer, o trigo bom do joio\u201c. Como o resto do mundo, a \u00c1frica &#8211; l\u00ea-se no documento &#8211; vive um choque cultural que amea\u00e7a os fundamentos milenares da vida social e por vezes dificulta o encontro com a modernidade!\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Muito actual \u00e9 tamb\u00e9m a considera\u00e7\u00e3o formulada pelo Papa Ratzinger segundo a qual a constru\u00e7\u00e3o de uma ordem social justa compete \u00e0 esfera pol\u00edtica, mas a Igreja tem, contudo, o dever de formar as consci\u00eancias dos homens e das mulheres, educando-as na sacrossanta esfera dos valores. Viver a justi\u00e7a de Cristo significa, portanto, trabalhar para acabar com o confisco dos bens em detrimento de povos inteiros, definido como inaceit\u00e1vel \u200b\u200be imoral, olhar para a subsidiariedade e a caridade, na l\u00f3gica das bem-aventuran\u00e7as. Bento XVI tamb\u00e9m desejou uma renovada contribui\u00e7\u00e3o para a forma\u00e7\u00e3o de uma nova \u00c1frica, dando voz ao \u201cgrito silencioso dos inocentes perseguidos, ou dos povos cujos governantes hipotecam o presente e o futuro, em nome de interesses pessoais\u201d. Estas palavras \u2013 \u00e9 bom sublinha-lo &#8211; encontraram muitas vezes uma feliz confirma\u00e7\u00e3o no testemunho de tantos Bispos, sacerdotes, religiosos\/as e leigos que deram a vida pela causa do Reino.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que surpreende ainda hoje, quando se l\u00ea o texto da Exorta\u00e7\u00e3o, \u00e9 a concretude no racioc\u00ednio, tanto no que diz respeito \u00e0 pol\u00edtica &#8211; a \u00c1frica precisa realmente do bom governo dos Estados, que se exprime no respeito pelas Constitui\u00e7\u00f5es, das elei\u00e7\u00f5es livres, de sistemas judici\u00e1rios independentes, de administra\u00e7\u00f5es transparentes e n\u00e3o tentadas pela corrup\u00e7\u00e3o &#8211; como tamb\u00e9m no que se refere \u00e0s quest\u00f5es socioecon\u00f3micas mais quentes que penalizam as massas empobrecidas. A este respeito, o documento invoca o respeito pelos bens essenciais como a \u00e1gua, a terra e as mat\u00e9rias-primas em geral; mas fala tamb\u00e9m da aten\u00e7\u00e3o a prestar ao fen\u00f3meno das migra\u00e7\u00f5es, muitas vezes devido \u00e0 pobreza e que, em vez da compaix\u00e3o e da solidariedade, por vezes desencadeia reac\u00e7\u00f5es de xenofobia e racismo &#8211; uma chamada \u00e0 aten\u00e7\u00e3o de que, longe de querer cair em controv\u00e9rsias f\u00fateis, interpela ainda hoje directamente alguns componentes do mundo pol\u00edtico europeu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Muito importantes tamb\u00e9m no texto s\u00e3o as refer\u00eancias \u00e0 fam\u00edlia e ao valor da vida humana que as classes dirigentes de cada Pa\u00eds devem comprometer-se a salvaguardar sempre e em todo o caso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um cap\u00edtulo que n\u00e3o deveria ser subestimado, no contexto geral da Exorta\u00e7\u00e3o, diz respeito \u00e0 import\u00e2ncia da evangeliza\u00e7\u00e3o, entendida tanto como\u00a0<i>missio ad gentes<\/i>, ou seja, como levar a Boa Nova \u00e0s pessoas que ainda n\u00e3o a conhecem, tanto como nova evangeliza\u00e7\u00e3o, isto \u00e9, para aqueles que j\u00e1 n\u00e3o seguem a pr\u00e1tica crist\u00e3 mesmo fora das fronteiras africanas, nos pa\u00edses mais secularizados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O desejo de Bento XVI expresso no fim da Exorta\u00e7\u00e3o, por intercess\u00e3o da Virgem Maria, s\u00f3 pode ser renovado, considerando o crescimento das voca\u00e7\u00f5es sacerdotais, religiosas e laicais em todo o continente: que a Igreja em \u00c1frica possa ser &#8220;um dos pulm\u00f5es espirituais da humanidade&#8221;.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Igreja no Benin\u00a0 Nas p\u00e1ginas do L&#8217;Osservatore Romano, temos a reflex\u00e3o do padre Giulio Albanese sobre a Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica p\u00f3s-sinodal de Bento XVI, que continua ainda hoje a ser uma esp\u00e9cie de Magna Charta program\u00e1tica da actividade evangelizadora, com uma aten\u00e7\u00e3o marcada ao contexto existencial africano. 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