{"id":71317,"date":"2021-11-16T09:11:24","date_gmt":"2021-11-16T12:11:24","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=71317"},"modified":"2021-11-17T12:12:29","modified_gmt":"2021-11-17T15:12:29","slug":"eles-tem-muito-para-nos-ensinar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/eles-tem-muito-para-nos-ensinar\/","title":{"rendered":"ELES T\u00caM MUITO PARA NOS ENSINAR"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong>A pobreza sempre existiu, sempre existir\u00e1. Nem por isso vamos ignor\u00e1-la ou dar-lhe as costas como se problema nosso n\u00e3o fosse. \u201cSempre tereis pobres entre v\u00f3s\u201d (Mc 14,7), constatou o pr\u00f3prio Cristo, sem com isso desistir de seus ensinamentos centrados na rela\u00e7\u00e3o de fraternidade que os pobres nos possibilitam praticar. Sem eles, a escola de Cristo se perderia no mais edificante de seus ensinamentos, o amor ao pr\u00f3ximo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Aprofundando essa quest\u00e3o, Papa Francisco estabeleceu o Dia Mundial dos Pobres (celebrado neste 14 de novembro pela quinta vez) com o objetivo de chamar a aten\u00e7\u00e3o dos povos para a riqueza presente na escola dos pobres, estes cujo sentido de comunh\u00e3o, partilha e solidariedade torna-se o mais contundente princ\u00edpio da fraternidade universal. Em sua mensagem para esse Dia, Francisco deixou escapar, mais uma vez, sua sensibilidade franciscana. N\u00e3o posso privar meu leitor dessa sensibilidade. Abre sua reflex\u00e3o com a passagem da mulher que gasta seu vaso de alabastro, perfume car\u00edssimo, sobre a cabe\u00e7a de Jesus: \u201cPorque \u00e9 que n\u00e3o se vendeu este perfume por trezentos den\u00e1rios, para os dar aos pobres?\u201d. Essa \u00e9 a pergunta cl\u00e1ssica dos oportunistas que usam da pobreza para seus il\u00edcitos enriquecimentos. Mas Francisco tem sua segunda vis\u00e3o, pois a cena evang\u00e9lica real\u00e7a a pobreza do Mestre. \u201cJesus recorda-lhes que Ele \u00e9 o primeiro pobre, o mais pobre entre os pobres\u201d. E sintetiza: \u201cEsta forte &lt;empatia&gt; entre Jesus e a mulher e o modo como Ele interpreta a sua un\u00e7\u00e3o, em contraste com a vis\u00e3o escandalizada de Judas e doutros, inauguram um caminho de reflex\u00e3o sobre o la\u00e7o indivis\u00edvel que existe entre Jesus, os pobres e o an\u00fancio do Evangelho\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u201cOs pobres s\u00e3o sacramento de Cristo\u201d, diz mais adiante, para reiterar o valor da caridade para com eles: \u201cTrata-se, portanto, de abrir-se decididamente \u00e0 gra\u00e7a de Cristo, que pode tornar-nos testemunhas da sua caridade sem limites e restituir credibilidade \u00e0 nossa presen\u00e7a no mundo\u201d. Cita os dias atuais: \u201cAlguns pa\u00edses est\u00e3o a sofrer grav\u00edssimas consequ\u00eancias devido \u00e0 pandemia\u201d, que aumenta assustadoramente as condi\u00e7\u00f5es de pobreza. \u201c\u00c9 verdade que s\u00e3o pessoas a quem falta algo e por vezes at\u00e9 muito, se n\u00e3o mesmo o necess\u00e1rio; mas n\u00e3o lhes falta tudo, porque conservam a dignidade de filhos de Deus que nada e ningu\u00e9m lhes pode tirar\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A pobreza torna-se a maior amea\u00e7a \u00e0 estabilidade social que todos desejam. \u00c9 hoje uma quest\u00e3o de prioridade humanit\u00e1ria, pois que atinge, direta e indiretamente, a todos. Escreve Francisco: \u201cO pobre s\u00f3 tem uma defesa: a sua pobreza e a condi\u00e7\u00e3o de necessidade em que se encontra. N\u00e3o lhe pe\u00e7as mais nada; mesmo que fosse o homem mais malvado do mundo, se lhe vier a faltar o alimento necess\u00e1rio, libertemo-lo da fome. (&#8230;) O homem misericordioso \u00e9 um porto para quem est\u00e1 em necessidade: o porto acolhe e liberta do perigo todos os n\u00e1ufragos, sejam eles malfeitores, bons ou como forem. Aos que se encontram em perigo, o porto acolhe-os em seguran\u00e7a dentro da sua enseada.\u201d Ent\u00e3o Francisco conclui recordando seu discurso sobre o pobre L\u00e1zaro, II,5: \u201cTamb\u00e9m tu, portanto, quando v\u00eas por terra um homem que sofreu o naufr\u00e1gio da pobreza, n\u00e3o o julgues, nem lhe pe\u00e7as conta do seu comportamento, mas liberta-o da desventura\u201d. E cita uma frase do Pe. Primo Mazzolari, publicada em uma revista italiana em 1949: \u201cOs pobres, eu nunca os contei, porque n\u00e3o se podem contar: os pobres abra\u00e7am-se, n\u00e3o se contam\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A pobreza sempre existiu, sempre existir\u00e1. Nem por isso vamos ignor\u00e1-la ou dar-lhe as costas como se problema nosso n\u00e3o fosse. \u201cSempre tereis pobres entre v\u00f3s\u201d (Mc 14,7), constatou o pr\u00f3prio Cristo, sem com isso desistir de seus ensinamentos centrados na rela\u00e7\u00e3o de fraternidade que os pobres nos possibilitam praticar. 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