{"id":71147,"date":"2021-11-07T09:14:45","date_gmt":"2021-11-07T12:14:45","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=71147"},"modified":"2021-11-07T11:18:24","modified_gmt":"2021-11-07T14:18:24","slug":"o-milagre-dos-milagres-cartas-do-padre-jesus-priante","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/o-milagre-dos-milagres-cartas-do-padre-jesus-priante\/","title":{"rendered":"O Milagre dos Milagres &#8211; Cartas do Padre Jesus Priante"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Embora no Brasil, este acontecimento festivo da nossa F\u00e9 celebra-se no primeiro domingo de Novembro e n\u00e3o no dia primeiro do m\u00eas, como a maior parte dos cat\u00f3licos do mundo vem celebrando desde o s\u00e9culo IX, quando esta festa foi institu\u00edda, junto com o Dia dos Defuntos, temos de redescobrir seu verdadeiro e sublime sentido em rela\u00e7\u00e3o ao Mist\u00e9rio da nossa Salva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De origem irlandesa, desde tempos imemoriais, hoje, por influ\u00eancia americana, estendida em muitos povos, foi introduzida ou adotada a festa pag\u00e3 do Halloween dentro da festa de Todos os Santos e do Dia dos Defuntos. As pessoas se disfar\u00e7am para n\u00e3o serem reconhecidas pelas almas dos defuntos que nesse dia acreditavam vir para buscar seus parentes e amigos. Halloween, alguns traduzem como v\u00e9spera de Todos os Santos (All Holy eve) e outros por vit\u00f3ria da santidade (Holy win). Denomina\u00e7\u00e3o crist\u00e3 a corrigir o sentido da festa pag\u00e3. De qualquer maneira, celebrar o Dia de Todos os Santos junto com o Dia dos Defuntos, nos sugere uma nova interpreta\u00e7\u00e3o deste acontecimento lit\u00fargico, inclusive a ser celebrado num mesmo dia com novo t\u00edtulo, mais de acordo com nossa F\u00e9: &#8220;Dia da Ressurrei\u00e7\u00e3o dos mortos&#8221;, pois pela Ressurrei\u00e7\u00e3o todos somos santificados e vivificados, deixando no cemit\u00e9rio, n\u00e3o s\u00f3 os &#8220;restos mortais&#8221; como tamb\u00e9m nossos pecados. Celebrar ambas datas separadas, santos e defuntos, nos transmitem a impress\u00e3o de haverem pessoas privilegiadas ou her\u00f3is que chamamos santos no C\u00e9u, mais de 3.000 s\u00e3o contabilizadas oficialmente na Igreja Cat\u00f3lica at\u00e9 hoje, enquanto o resto dos mortais sofrem penosamente no Purgat\u00f3rio ou no Inferno por serem pecadores, negando o princ\u00edpio fundamental de nossa F\u00e9: &#8220;A Salva\u00e7\u00e3o pertence ao nosso Deus&#8221;, e escurecendo o mais novo e maravilhoso princ\u00edpio que nos trouxe Cristo: sua Gra\u00e7a que nos salva independemente de nossos m\u00e9ritos e pecados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No ultimo capitulo de \u201cD. Quixote\u201d, a novela mais espl\u00eandida e imortal de todos os tempos, lemos que o seu protagonista, Dom Quixote, morreu s\u00e1bio e viveu louco. Prestes a morrer, sabiamente, disse ao seu fiel escudeiro Sancho: &#8220;N\u00e3o creio, Sancho, que meus pecados e loucuras sejam maiores do que a Miseric\u00f3rdia de Deus&#8221;. Uma pessoa que assim se confessava s\u00f3 podia ser santa . A ess\u00eancia da &#8220;boa not\u00edcia&#8221; do Evangelho, segundo o Cardeal Kasper, um dos maiores arautos da Miseric\u00f3rdia de Deus, com o qual o Papa Francisco se identifica, afirma ser essa Miseric\u00f3rdia, um \u201cplus\u201d do amor infinito de Deus que a todos abra\u00e7a e salva, santos e pecadores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Papa Jo\u00e3o Paulo II na sua Enc\u00edclica &#8220;Dives in Misericordia&#8221;, rico em Miseric\u00f3rdia (1980), chega a dizer que Deus n\u00e3o ser\u00e1 feliz at\u00e9 que seus filhos, que somos todos, sejam tamb\u00e9m felizes com Ele. A santidade que nos faz cidad\u00e3os do C\u00e9u \u00e9, como a Salva\u00e7\u00e3o, obra de Deus: &#8220;Ser\u00e3o santos porque eu sou santo&#8221; (Lc.11,44). O Conc\u00edlio Vaticano II considera a santidade voca\u00e7\u00e3o universal . Fomos criados para sermos santos. Meta imposs\u00edvel de atingir humanamente. De fato, &#8220;s\u00f3 Deus \u00e9 Santo&#8221;. A santidade \u00e9 o pr\u00f3prio Deus em n\u00f3s e n\u00f3s Nele. S\u00e3o Paulo afirma que todos fomos &#8220;predestinados&#8221; (destinados antes de sermos criados) para sermos santos e glorificados por Deus (Rm.8,28). Trof\u00e9u que receberemos no dia de nossa morte, ressuscitando com Cristo. Assim, entitular o Dia de Todos os Santos como Dia da Ressurrei\u00e7\u00e3o dos Mortos ou da Comunh\u00e3o dos Santos, conforme proclamamos no Credo, nos encheria de alegria, deixando todos os &#8220;lutos&#8221; e l\u00e1grimas pelos nosso entes queridos que j\u00e1 se foram ao Reino da Vida e da Santidade de Deus. Temos mais pessoas que nos esperam no C\u00e9u do que amigos e familiares que possamos ter dentre os que ainda estamos a caminho. S\u00e3o Paulo diz que toda essa pl\u00eaiade de santos, todos os j\u00e1 falecidos e Ressuscitados, com os anjos e o pr\u00f3prio Deus &#8220;torcem pela nossa pronta chegada&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">DEUS \u00c9 SANTO<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Culturalmente, a santidade tem sentido sagrado, separado do seu antag\u00f4nico, o profano. Deus \u00e9 Santo porque \u00e9 absolutamente &#8220;Outro&#8221;, t\u00e3o long\u00ednquo e transcendente que se faz inacess\u00edvel a n\u00f3s. Diante da Sua santidade s\u00f3 podemos ser profanos, cheios de respeito e temor. Um Deus assim, patrim\u00f4nio comum das religi\u00f5es, afirma Plutarco (s\u00e9c. I) seria melhor que n\u00e3o existisse. Arist\u00f3teles o concebia como um Ser superior, separado do mundo, a quem podemos amar mas n\u00e3o podemos ser amados por Ele, pois Ele n\u00e3o se pode contaminar com nossas mis\u00e9rias. O Deus de Jesus Cristo, o &#8221; Emanuel&#8221; (Deus conosco) ainda \u00e9 desconhecido at\u00e9 pela maior parte dos crist\u00e3os. Deus continua a ser o Deus das religi\u00f5es e das filosofias, sagrado, santo e distante de n\u00f3s, a ser temido\u2026 Deus feito homem, encarnado em cada um de n\u00f3s, ao ponto, nos diz Santo Agostinho, de ser mais \u00edntimo do que n\u00f3s mesmos, nos parece um mito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As palavras do G\u00eanesis,1: &#8220;Deus nos criou \u00e0 Sua imagem e semelhan\u00e7a&#8221;, que anunciavam, nossa filia\u00e7\u00e3o divina em Cristo n\u00e3o acabam nos convencem. Elas nos revelam que somos mais do que uma c\u00f3pia (imagem de Deus). Como &#8220;semelhan\u00e7a&#8221;, somos assemelhados ou identificados com Deus. Cumpre-se o dito popular: &#8220;de tal pai, tal filho&#8221;.<br \/>\nDiferente do resto das criaturas, tamb\u00e9m amadas por Deus, somos em Cristo, como diz Santo Gregorio Nazianzeno (s\u00e9c. IV) &#8220;consangu\u00edneos\u201d e \u201cconcorp\u00f3reos\u201d de Deus. E S\u00e3o Jo\u00e3o nos diz: &#8220;Desde j\u00e1 somos filhos de Deus ainda que Essa divindade n\u00e3o se tenha manifestado em n\u00f3s&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deus \u00e9 Santo e em Cristo todos n\u00f3s somos santificados. Esta F\u00e9 era t\u00e3o viva na Igreja dos primeiros s\u00e9culos que os crist\u00e3os n\u00e3o hesitavam em se chamar de &#8220;os santos&#8221; (2Cor.11,12). E, a pr\u00f3pria Igreja, era chamada tamb\u00e9m de &#8220;comunh\u00e3o dos santos&#8221;. A santidade de Deus reflete-se de muitas maneiras , em maior ou menor medida e de maneira colorida, em todo ser humano. Alguns crist\u00e3os dos primeiros s\u00e9culos costumavam dizer. &#8220;Vistes um homem, vistes a Deus&#8221;. N\u00e3o existe nenhuma pessoa sem uma pequena fa\u00edsca de Deus. Humanamente, n\u00e3o temos capacidade para sermos anjos, mas tampouco dem\u00f4nios. O Papa Francisco costuma dizer que temos de ver os santos ao lado da nossa porta (next door, vizinhos). Ver o lado bom de cada pessoa a refletir a santidade e bondade de Deus. Pecado e gra\u00e7a, santidade e maldade, joio e trigo, estar\u00e3o juntos at\u00e9 o fim de nossa vida pessoal e da Hist\u00f3ria do mundo. Entraremos todos no C\u00e9u, lavando nossas vestes no sangue do Cordeiro&#8221;, para sermos santos como Ele \u00e9 santo. A santidade \u00e9 o pr\u00f3prio amor, pelo qual deixamos, diz a fil\u00f3sofa judia, francesa, Simone Weil, o outro ser plenamente. O contr\u00e1rio ao amor e \u00e0 santidade \u00e9 o ego\u00edsmo. Para o amor atingir seu grau pleno, segundo S\u00e3o Paulo, Deus teve de nos criar pecadores e inimigos Seus, e assim sair de Seu &#8220;ego\u00edsmo&#8221; divino. Ele encerrou-nos no pecado e nos fez Seus inimigos para acrescentar ao Seu amor o \u201cplus\u201d da Sua Miseric\u00f3rdia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Paradoxo<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nossa mente \u00e9 incapaz de aceitar algo t\u00e3o paradoxal. Porque Deus \u00e9 santo, \u00e9 que nos somos pecadores, sujeitos a todo tipo de mal, para sermos santificados por Seu infinito amor manifestado em Cristo (Jo.13,1).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A maior blasf\u00eamia, nisso consistiria o pecado contra o Esp\u00edrito Santo, imposs\u00edvel de ser perdoado, \u00e9 pensar ou dizer que Deus n\u00e3o nos ama, de Cujo amor nos vem o ser e a Vida. Esse pecado \u00e9 &#8220;mortal&#8221;, porque nos separa de Deus. Consola-nos que, ainda que fossemos capazes de comet\u00ea-lo, Deus n\u00e3o o permitiria, pois Lhe faria a Ele mesmo pecador, lesando sua Santidade de amor infinito, contrariando o que Cristo nos disse: &#8220;N\u00e3o h\u00e1 maior amor do que dar a vida pelos pr\u00f3prios inimigos&#8221;. Por isso, como se nos revela em Dt.9, entraremos na Terra Prometida, n\u00e3o porque nos somos santos, mas porque Deus \u00e9 santo e bom a nos amar com amor eterno. Com esse mesmo amor divino \u00e9 que viveremos eternamente felizes com Deus e com todos os anjos e santos, a cantar: &#8220;Santo,Santo, Santo (bon\u00edssimo, bon\u00edssimo, bon\u00edssimo) \u00e9 o Senhor nosso Deus. Hosana no mais alto C\u00e9u.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;ESTES S\u00c3O OS QUE V\u00caM DA GRANDE TRIBULA\u00c7\u00c3O: LAVARAM SUAS VESTES E AS ALVEJARAM NO SANGUE DO CORDEIRO&#8221; (Ap. 7,2-14)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deus revelou a S\u00e3o Jo\u00e3o, atrav\u00e9s de figuras e s\u00edmbolos al\u00e9m da pr\u00f3pria imagina\u00e7\u00e3o, os des\u00edgnios da nossa Salva\u00e7\u00e3o, &#8220;selada&#8221; ao longo dos tempos, a ser revelada em Cristo. Um dos segredos revelados a S\u00e3o Jo\u00e3o \u00e9 que este planeta, fadado a ser destru\u00eddo pela lei natural da sua caducidade ou pelo pecado do homem, n\u00e3o acontecer\u00e1 antes de serem &#8220;marcados&#8221; ou salvos todos os que Ele chamou e predestinou ao seu Reino.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Recentemente, veiculou-se um v\u00eddeo gravado no recinto da ONU, no qual um dinossauro dizia: &#8220;N\u00e3o permitam que vossa esp\u00e9cie humana seja extinta como aconteceu conosco. H\u00e1 tempo, mas n\u00e3o muito para evita-lo&#8221;. Antes que isso aconte\u00e7a, o que \u00e9 poss\u00edvel de acontecer, todos seremos assinalados e arrebatados ao Reino de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na literatura apocaliptica da Biblia, referente ao fim dos tempos, augura-se de fato uma terr\u00edvel cat\u00e1strofe, n\u00e3o precisamente para o mundo ser destru\u00eddo e aniquilado, mas para ser transformado gloriosamente. Esse apocalipse, em n\u00edvel pessoal, \u00e9 mais do que evidente e certo. Doen\u00e7as e velhice arrombam nosso pequeno mundo para dar lugar a novos c\u00e9us e nova terra que em Cristo esperamos. Inclusive, na Igreja Cat\u00f3lica temos essa prof\u00e9tica &#8220;marca\u00e7\u00e3o&#8221; atrav\u00e9s do sacramento da Un\u00e7\u00e3o dos Doentes, antes chamada, com maior propriedade, &#8221; Extrema-Un\u00e7\u00e3o&#8221;. O Apocalipse assusta aos que desgra\u00e7adamente s\u00f3 vivem para este mundo, nos diz S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto diz que o n\u00famero dos &#8220;marcados&#8221; pelo anjo de Deus \u00e9 de 144.000, n\u00famero simb\u00f3lico, a referir \u00e0 totalidade das doze tribos do povo de Israel ) 12X12 = 144X 1000 = 144.000). Esta cabal\u00edstica aplica-se de igual maneira ao novo Israel , o povo crist\u00e3o, descendente da F\u00e9 professada em Cristo pelos seus novos patriarcas, os 12 ap\u00f3stolos. Todos os batizados j\u00e1 recebemos a &#8220;un\u00e7\u00e3o&#8221; ou marca do Esp\u00edrito Santo, como &#8220;sinal&#8221; da nossa Salva\u00e7\u00e3o, antes de acontecer nossa cat\u00e1strofe existencial. S\u00e3o Jo\u00e3o, entretanto, estende a Salva\u00e7\u00e3o de Deus a toda a Humanidade; Ele viu, tamb\u00e9m marcados, &#8220;uma multid\u00e3o, que ningu\u00e9m podia contar, de todas as<br \/>\nna\u00e7\u00f5es, povos e linguas&#8221;. Todos eles, trajando vestes brancas (s\u00edmbolo da Ressurrei\u00e7\u00e3o) e com palmas nas m\u00e3os (vitoriosos) proclamando: &#8220;A Salva\u00e7\u00e3o pertence ao nosso Deus&#8221;. E conclui sua vis\u00e3o dizendo: &#8220;Estes s\u00e3o os que vem da Grande Tribula\u00e7\u00e3o: lavaram suas vestes e as alvejaram no Sangue do Cordeiro&#8221;, Jesus Cristo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A vida, de fato,como afirma o Budismo e tamb\u00e9m o Evangelho, \u00e9 dor ou tribula\u00e7\u00e3o. Em filosofia dizemos: \u00e9 o nosso existencial ou a maneira de ser e viver. N\u00e3o existe morfina capaz de nos anestesiar o corpo e menos ainda a dor de nossa alma. Nossas l\u00e1grimas ser\u00e3o enxugadas para sempre ap\u00f3s nossa Ressurrei\u00e7\u00e3o que, segundo Jesus, \u00e9 o<br \/>\nmilagre dos milagres, o singular &#8220;Sinal de Jonas&#8221; que \u00e9 dado a toda Humanidade. Gra\u00e7as \u00e0 Ressurrei\u00e7\u00e3o, a vida deixa de ser apenas uma luta pela sobreviv\u00eancia, que fatalmente termina em derrota total. Ela \u00e9 dom de Deus. Fomos sonhados, costuma dizer o papa Francisco, por Deus para viver. Esse sonho vital, que s\u00f3 pode ser divino, \u00e9 o<br \/>\ncolof\u00e3o da mensagem e miss\u00e3o de Jesus: &#8220;Eu vim para que todos tenham vida e vida em abund\u00e2ncia.&#8221; (Jo.10,10). At\u00e9 a numera\u00e7\u00e3o evang\u00e9lica de plenitude, 10\/10, o sublima e torna de f\u00e1cil mem\u00f3ria universal . Celebrar o dia de Todos os Santos ou da vit\u00f3ria da Santidade de Deus (Holy win) destinada a todos os povos, faz crescer de maneira mais segura e certa nossa Salva\u00e7\u00e3o. S\u00e3o milh\u00f5es e milh\u00f5es de santos: os que deixaram suas pegadas na estrada do tempo e, e em n\u00famero n\u00e3o menor, aos que, pela lei da sele\u00e7\u00e3o natural ou, o que \u00e9 pior, pelas m\u00e3os herodianas assassinas de m\u00e9dicos e das suas pr\u00f3prias m\u00e3es, e n\u00e3o viram a luz de nosso Sol, verdadeiros &#8220;santos inocentes&#8221;. Todos eles, em maior n\u00famero do que as est\u00e1ticas deste mundo podem contabilizar, como sugere a vis\u00e3o apocal\u00edptica de S\u00e3o Jo\u00e3o, para participar do Banquete da Vida, eterna e feliz, com Deus e todos seus anjos e santos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;DESDE J\u00c1 SOMOS FILHOS DE DEUS, MAS AINDA N\u00c3O SE MANIFESTOU O QUE SEREMOS.&#8221; ( 1Jo. 3,1-3)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Arrebatados ao Pa\u00eds dos Vivos<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00e3o Jo\u00e3o diz que a F\u00e9 e a Esperan\u00e7a da nossa futura glorifica\u00e7\u00e3o pela Ressurrei\u00e7\u00e3o nos purifica de nossos pecados e nos torna santos ou filhos de Deus. Pecado, dor e morte, provisoriamente, ocultam essa nossa grandeza. Por isso diz que nossa filia\u00e7\u00e3o divina ainda n\u00e3o se manifestou. No dia que, como crist\u00e3os impropriamente chamamos de morte, este vaso de barro que alberga e esconde a Vida de Deus em n\u00f3s, escancar\u00e1 para se manifestar. Deixaremos seus cacos no cemit\u00e9rio e seremos arrebatados &#8220;ao pa\u00eds dos vivos&#8221; (SL.26) livres de todo mal, na condi\u00e7\u00e3o de verdadeiros filhos de Deus. A teologia, incapaz de expressar este mist\u00e9rio, qualificou esta nossa filia\u00e7\u00e3o divina de &#8220;adotiva&#8221;, contrariando a verdade revelada por Deus nesta carta de S\u00e3o Jo\u00e3o e tamb\u00e9m no seu Evangelho: &#8220;Aos que nasceram em Cristo lhes foi concedido serem filhos de Deus, n\u00e3o nascidos da carne e vontade do homem, mas de Deus&#8221; (Jo.1,12).<br \/>\nUm filho adotivo n\u00e3o nasce da carne e sangue do pai e m\u00e3e que o adotam. Um filho, apenas adotivo, mesmo sendo herdeiro da casa paterna, sempre ser\u00e1 um tanto estranho nessa fam\u00edlia. Sua vida n\u00e3o ter\u00e1 o mesmo sabor e alegria que a que desfrutam os filhos de sangue. Cabe aplicar este fato em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 nossa filia\u00e7\u00e3o com Deus. Para sermos eternamente felizes, plenos de vida, temos de ser verdadeiros e realmente filhos de Deus. Mais ainda, a no\u00e7\u00e3o de eternidade implica que, desde sempre, antes de vir a este mundo, fomos filhos de Deus. Plat\u00e3o (s\u00e9c. IV a.C.) falava da &#8221; preexist\u00eancia das almas&#8221; para defender sua eternidade imortal. De fato, o que \u00e9 eterno n\u00e3o tem nem princ\u00edpio nem fim. A eternidade \u00e9 constitutiva de Deus, por isso, na B\u00edblia, \u00e9 chamado &#8220;O Eterno.\u201d A teologia escol\u00e1stica, para se eximir deste mist\u00e9rio, inventou o termo &#8220;eviterno&#8221;, o que tem princ\u00edpio mas n\u00e3o tem fim, mas, se tem princ\u00edpio, nega-se o conceito de eternidade. Nascer de Deus significa nascer da Sua eternidade, santidade e vida. \u201cSeremos como Ele \u00e9, afirma tamb\u00e9m S\u00e3o Jo\u00e3o, porque o veremos como Ele \u00e9&#8221;. Ver a Deus n\u00e3o \u00e9 um ato de contempla\u00e7\u00e3o, mas de encontro e comunh\u00e3o de vida, da mesma maneira como dizemos entre n\u00f3s: &#8220;Vou ver tal pessoa&#8221;. Naoy \u00e9 para contempl\u00e1-la ou tirar uma foto, mas para estar vitalmente com ela. O Ser e a Vida de Deus \u00e9 interior \u00e0 Cria\u00e7\u00e3o. O tempo, constitutivo das criaturas, est\u00e1 cheio da Eternidade de Deus. A temporalidade mostra o que, j\u00e1 sendo, espera ser. E o lugar no qual, n\u00f3s e o universo, nos movemos \u00e9 caminho da infinitude de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;ALEGRAI-VOS E EXULTAI, PORQUE GRANDE \u00c9 A VOSSA RECOMPENSA NO C\u00c9U.&#8221; ( Mt. 5,1-12)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um dos textos b\u00edblicos mais populares e que faz parte de nossos catecismos \u00e9 este das Bem-Aventuran\u00e7as. Nenhuma doutrina ou verdade, cient\u00edfica, filos\u00f3fica ou religiosa seria de nosso interesse se n\u00e3o nos comunicassem a possibilidade de algum dia sermos felizes. A felicidade \u00e9 tudo quanto buscamos, queremos e esperamos, mais do que a pr\u00f3pria vida, pois se esta n\u00e3o for ou n\u00e3o esperar ser feliz, n\u00e3o vale a pena ser vivida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Alguns te\u00f3logos consideram ser a felicidade inata em todo ser humano, a maior prova da exist\u00eancia de Deus. &#8220;Felicidade, segundo Santo Agostinho, \u00e9 a posse de todo bem de maneira eterna&#8221;. Essa totalidade do bem n\u00e3o pode ser quantitativa nem temporal, do contr\u00e1rio, sempre sentiriamos falta de algo. S\u00f3 Deus, eterno e infinito, pode ser feliz, assim como s\u00f3 Nele e com Ele \u00e9 que n\u00f3s todos o seremos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Contrariando a tese de Freud: &#8220;N\u00e3o fomos programados para sermos felizes&#8221;, temos de dizer que Deus nunca nos poderia ter criado a n\u00e3o ser para sermos felizes. Jesus anuncia, neste discurso, chamado Serm\u00e3o da Montanha, a felicidade como uma aventura dentro da odisseia da nossa exist\u00eancia, destinada a todos os que dela precisam. A vida nos exige coragem e risco, ousadia de viver, que seria louca se carecesse da esperan\u00e7a de sermos felizes, meta a ser atingida em um outro Reino ou outra condi\u00e7\u00e3o diferente da qual vivemos. &#8220;Se for apenas para este mundo que temos<br \/>\nnascido, ser\u00edamos entre todas as criaturas as mais infelizes.&#8221; (1Cor,15,19)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No Horizonte da Nossa Esperan\u00e7a<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nenhum progresso humano construir\u00e1 nosso almejado para\u00edso, por isso, afirma S\u00e3o Paulo, o temos neste mundo no horizonte da nossa esperan\u00e7a (Rm.8). Temos de ser realistas: n\u00e3o somos nem podemos ser felizes, mas o seremos infalivelmente porque Deus assim nos prometeu e Ele n\u00e3o nos pode mentir nem defraudar. A esperan\u00e7a \u00e9 uma virtude teologal, isto \u00e9 atributo do pr\u00f3prio Deus. Ele \u00e9 quem espera e nos concede a capacidade de esperar, como m\u00e3e e filho esperam o feliz parto da vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De Teilhard de Chardin, o homem que melhor entendeu a rela\u00e7\u00e3o m\u00edstica de Deus com a Cria\u00e7\u00e3o, diz que pediu a gra\u00e7a divina de morrer no dia da Ressurrei\u00e7\u00e3o, assim como o papa Paulo VI tamb\u00e9m a pedira no dia da Transfigura\u00e7\u00e3o. E lhes foi concedida essa gra\u00e7a. Ambos deixaram a vida terrena nessas datas nas quais celebramos a &#8220;transforma\u00e7\u00e3o&#8221; gloriosa da nossa exist\u00eancia para sermos bem-aventurados. Dias antes de morrer, Teilhard de Chardin fez esta ora\u00e7\u00e3o: &#8220;Quando o tempo e as doen\u00e7as vierem a diminuir minhas for\u00e7as, concede-me, Senhor, entender, seres Tu quem me separa das fibras do meu corpo para me unir a Ti.<br \/>\nV\u00f3s sois energia infinita mais forte do que meu eu&#8230; Ensina-me a ver a morte como um ato de comunh\u00e3o em Ti&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nestes dias, o povo crist\u00e3o, assim como outros povos o fazem em outros dias, pois o culto das tumbas \u00e9 universal, expressamos nosso inato desejo de Vida Eterna e feliz, que s\u00f3 Deus nos pode dar. No sil\u00eancio das l\u00e1pides e ciprestes dos cemit\u00e9rios, ressoa a promessa de felicidade que Deus nos faz, para prosseguir esperan\u00e7osos no deserto de nossas pen\u00farias e car\u00eancias o caminho rumo \u00e0 Terra Prometida, &#8220;que emana leite e mel&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus augura a felicidade para os pobres, mansos, aflitos, oprimidos, injusti\u00e7ados, perseguidos, injuriados e feridos porque Dele \u00e9 o Reino dos C\u00e9us, futuro de Deus e de toda a Cria\u00e7\u00e3o. Os que partiram deste mundo j\u00e1 atingiram essa gloriosa meta, pois morrendo em e com Cristo, com Ele tamb\u00e9m Ressuscitaram, deixando no cemit\u00e9rio a dor, a morte e o pecado. As oito promessas de felicidade que Jesus nos faz podem ser resumidas na primeira: &#8220;Felizes os pobres de esp\u00edrito, porque deles \u00e9 o Reino dos C\u00e9us.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pobreza \u00e9 a car\u00eancia de bens: sa\u00fade, alegria, amor, paz. A pobreza \u00e9 nosso existencial. Ningu\u00e9m possui todas as coisas, e todos morreremos em absoluta pobreza, despojados de bens, afetos, sentidos,ideias e sonhos. Temos de ir a Deus totalmente vazios at\u00e9 de nossas &#8220;boas obras&#8221;, como um recipiente que, quanto maior for seu vazio, maior sua capacidade de receber seu conteudo. Santo Agostinho define o ser humano como &#8220;capax Dei&#8221;, vaso ou capacidade de Deus. Na morte, nossa pobreza absoluta, receberemos a Vida Eterna e Infinita de Deus. S\u00f3 o nada t\u00eam capacidade do todo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cioran, ex\u00edmio pensador romeno-franc\u00eas, se representava a si mesmo no sepulcro dizendo aos que por ali passavam: &#8220;Sou eu, eu sou nada, e o nada sou eu&#8221;. Essa \u00e9 nossa identidade de pobres de esp\u00edrito \u00e0 qual aludem as palavras de Jesus para nos prometer a felicidade eterna. No dia da morte, mais do que receber \u00e1gua para o dia, como Jesus prometeu \u00e0 Samaritana (Jo,4), tornaremos fonte nossa a pr\u00f3pria sede.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diferente da l\u00f3gica deste mundo, a felicidade eterna repousa sobre os pobres e pecadores. A pobreza tem de ser nossa grande espiritualidade. No Budismo faz parte essencial da sua cren\u00e7a. Um budista espera ser feliz na medida do seu desapego, at\u00e9 alcan\u00e7ar seu pr\u00f3prio nada ou Nirvana. Pena que n\u00e3o conhecem Jesus Cristo , seriam os maiores m\u00edsticos crist\u00e3os. A ren\u00fancia a tudo e at\u00e9 \u00e0 nossa pr\u00f3pria vida \u00e9 elemento constitutivo de nosso ser crist\u00e3o. (Lc.14,33)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Muitos se despojaram em vida de todos os bens materialmente. Jesus n\u00e3o se refere a essa<br \/>\npobreza volunt\u00e1ria, nem aos que foram empobrecidos pelos avarentos deste mundo. Por isso fala de &#8220;pobreza de espirito&#8221;, que S\u00e3o Paulo traduz dizendo: &#8220;possuindo ou tendo como se n\u00e3o tivessem&#8221;. Com esse esp\u00edrito de pobres, tudo podemos perder, dar e deixar, sabendo que somos ricos em Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00f3 o pobre de esp\u00edrito \u00e9 capaz de morrer livremente, os que n\u00e3o tem esse esp\u00edrito, ser\u00e3o v\u00edtimas de tr\u00e1gico latroc\u00ednio, embora Jesus n\u00e3o permitir\u00e1 essa trag\u00e9dia acontecer, como nos revela o epis\u00f3dio do &#8220;jovem rico&#8221;, incapaz de deixar suas riquezas. &#8220;Isso, disse Jesus, \u00e9 imposs\u00edvel ao homem, mas poss\u00edvel a Deus.&#8221; (Mt.19) Finalmente, todos seremos felizardos, santos e bem-aventurados, em Cristo Ressuscitado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Padre Jesus Priante<br \/>\n(Edi\u00e7\u00e3o por Malcolm Forest.<br \/>\nS\u00e3o Paulo.)<br \/>\nCopyright 2021 Padre Jesus Priante.<br \/>\nDireitos Reservados.<br \/>\nCompartilhe mencionando o nome do autor.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Embora no Brasil, este acontecimento festivo da nossa F\u00e9 celebra-se no primeiro domingo de Novembro e n\u00e3o no dia primeiro do m\u00eas, como a maior parte dos cat\u00f3licos do mundo vem celebrando desde o s\u00e9culo IX, quando esta festa foi institu\u00edda, junto com o Dia dos Defuntos, temos de redescobrir seu verdadeiro e sublime sentido [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":71148,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4,13],"tags":[],"class_list":["post-71147","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cotidiano","category-featured"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/71147","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=71147"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/71147\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":71149,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/71147\/revisions\/71149"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/media\/71148"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=71147"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=71147"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=71147"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}