{"id":70945,"date":"2021-10-25T09:55:32","date_gmt":"2021-10-25T12:55:32","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=70945"},"modified":"2021-10-27T14:04:53","modified_gmt":"2021-10-27T17:04:53","slug":"um-adoravel-vagabundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/um-adoravel-vagabundo\/","title":{"rendered":"UM ADOR\u00c1VEL VAGABUNDO"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Outubro termina com a brisa sufocante de cal\u00fanias e difama\u00e7\u00f5es contra o Papa e sua Igreja, contra a a\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria sempre l\u00edmpida e coesa de uma institui\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 milenar, mas tamb\u00e9m atemporal, acima de toda e qualquer picuinha das institui\u00e7\u00f5es e politicagens mundanas. Tinha mesmo que ter um brasileiro nesta hist\u00f3ria? A vergonha nacional est\u00e1 enlutada, enlameada, ridicularizada no meio diplom\u00e1tico e religioso das na\u00e7\u00f5es ditas cristianizadas, c\u00f4nscias de seus deveres e comportamentos minimamente civilizados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Atribuir a um representante de Cristo na Terra a peja de vagabundo, safado, ou generalizar a pr\u00e1tica de pedofilia como exclusividade clerical, vai al\u00e9m do bom senso e da \u00e9tica pol\u00edtica ou social. Nenhuma fac\u00e7\u00e3o pol\u00edtico-partid\u00e1ria chegou t\u00e3o perto do rid\u00edculo p\u00fablico na defesa de suas ideias segregacionistas e sua pol\u00edtica armamentista, que visa apenas a defesa de seus poderes instados no acaso das circunst\u00e2ncias. O poder pol\u00edtico \u00e9 c\u00edclico. O religioso perene. Mas a doutrina que nos deixou o Mestre est\u00e1 al\u00e9m e acima de qualquer institui\u00e7\u00e3o humana, transit\u00f3ria. N\u00e3o vagueia entre poderes armados para falar do poder maior entre os homens, a pr\u00e1tica do amor. A busca da verdadeira p\u00e1tria, aquela constitu\u00edda nas hastes do amor, n\u00e3o do \u00f3dio, n\u00e3o das armas. \u201cP\u00e1tria amada, n\u00e3o armada\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Receber a peja de vagabundo n\u00e3o \u00e9 de todo ofensivo quando aprofundado seu significado etimol\u00f3gico e n\u00e3o apenas pejorativo. No Brasil \u00e9 um insulto aos que vagueiam sem rumo. Mas tamb\u00e9m se refere aos que est\u00e3o cheios de sede, de fome&#8230; Foi o foco do filme \u201cUm ador\u00e1vel vagabundo\u201d (1987), dirigido pelo cineasta Stuart Paul, que nos trouxe uma bel\u00edssima interpreta\u00e7\u00e3o da moral crist\u00e3 presente nas a\u00e7\u00f5es de um mendigo, mais um errante pelas ruas das nossas cidades. A amizade de uma crian\u00e7a com aquele \u201cvagabundo\u201d \u00e9 reveladora da pr\u00e1tica fraterna que nos ensina a f\u00e9 crist\u00e3. Seu subt\u00edtulo d\u00e1 nome ao filme em ingl\u00eas: NO NAME (sem nome). Lido de traz pra frente temos outro nome: EMANON (Emanuel, o nome do vagabundo, cujo significado \u00e9 Deus Conosco!). Eis, pois, nossa triste descoberta: o vagabundo que desprezamos, muitas vezes, \u00e9 o pr\u00f3prio Cristo no meio de n\u00f3s! O Papa \u00e9 a figura maior que representa essa presen\u00e7a m\u00edstica. Muitas vezes as institui\u00e7\u00f5es mundanas ignoram tudo isso para defender seus privil\u00e9gios de poder.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Atacar publicamente uma institui\u00e7\u00e3o religiosa sem aprofundar as raz\u00f5es que permeiam sua a\u00e7\u00e3o, \u00e9 um ato de ignor\u00e2ncia e infantilidade pura e simples. Um tiro no p\u00e9, pela culatra! Um suic\u00eddio pol\u00edtico. Pobre deputado, que, em defesa de seus projetos de perpetua\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, esqueceu-se da defesa de sua maior riqueza: a perpetua\u00e7\u00e3o da dignidade m\u00ednima, da \u00e9tica, da moral, do respeito ao que \u00e9 sagrado! Que reconhe\u00e7a o mal que fez, n\u00e3o ao Papa, n\u00e3o ao arcebispo, nem aos bispos brasileiros ou ao padre da periferia existencial que mal conhece, mas a si pr\u00f3prio, aos seus planos m\u00ednimos de poder pol\u00edtico. Fora os noves! Sua equa\u00e7\u00e3o de carreira acaba aqui. O \u201csafado\u201d da hist\u00f3ria lhe deu uma rasteira quase c\u00f4mica! Seu nome logo cair\u00e1 no esquecimento, ser\u00e1 outro \u201csem nome\u201d na vida pol\u00edtica desse pa\u00eds, mas Emanon, o vagabundo \u201ccom fome e sede de justi\u00e7a\u201d, o Deus Conosco continuar\u00e1 sua peregrina\u00e7\u00e3o \u201cno meio de n\u00f3s\u201d, a nos indicar novos rumos, os albores pol\u00edticos e sociais de uma nova terra, P\u00e1tria amada, n\u00e3o armada. Sen\u00e3o aqui, ao menos a P\u00e1tria Celestial&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Outubro termina com a brisa sufocante de cal\u00fanias e difama\u00e7\u00f5es contra o Papa e sua Igreja, contra a a\u00e7\u00e3o mission\u00e1ria sempre l\u00edmpida e coesa de uma institui\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 milenar, mas tamb\u00e9m atemporal, acima de toda e qualquer picuinha das institui\u00e7\u00f5es e politicagens mundanas. Tinha mesmo que ter um brasileiro nesta hist\u00f3ria? 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