{"id":70795,"date":"2021-10-21T09:17:07","date_gmt":"2021-10-21T12:17:07","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=70795"},"modified":"2021-10-21T15:19:13","modified_gmt":"2021-10-21T18:19:13","slug":"kadafi-dez-anos-de-sua-morte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/kadafi-dez-anos-de-sua-morte\/","title":{"rendered":"Kadafi: dez anos de sua morte"},"content":{"rendered":"<div class=\"article__subTitle\" style=\"text-align: justify;\">Nas p\u00e1ginas de L&#8217;Osservatore Romano, uma reflex\u00e3o sobre a d\u00e9cada que a L\u00edbia passou desde o fim do regime, sobre a marca deixada pelo seu l\u00edder e sobre a interliga\u00e7\u00e3o com os acontecimentos internacionais que a tornam um cen\u00e1rio complexo at\u00e9 aos dias de hoje.<\/div>\n<div class=\"title__separator\" style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div class=\"article__text \">\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Giulio Albanese<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Passaram-se dez anos da morte de Mu&#8217;ammar Kadafi. \u00c9 dif\u00edcil esquecer aqueles dias que precederam a horr\u00edvel execu\u00e7\u00e3o do r\u00e0is. Dias dram\u00e1ticos, quando Assaray al-Hamra, o Castelo Vermelho de Tr\u00edpoli, na Pra\u00e7a Verde, o solar de Tripolit\u00e2nia, tinha se tornado o s\u00edmbolo da precariedade de um poder que estava definitivamente implodindo. Mas ser\u00e1 poss\u00edvel, hoje, arriscar uma primeira avalia\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica daqueles acontecimentos? Embora algumas chancelarias considerem improv\u00e1vel a afirma\u00e7\u00e3o de um nexo causal excessivamente rigoroso entre o fim do regime e a guerra civil subsequente, seria ilus\u00f3rio pensar que muitas das din\u00e2micas que marcaram a crise l\u00edbia na \u00faltima d\u00e9cada n\u00e3o encontrem pelo menos uma explica\u00e7\u00e3o parcial nas convuls\u00f5es de um pa\u00eds dilacerado por dolorosas divis\u00f5es internas.<\/p>\n<div>\n<div class=\"article__embed article__embed--unwrap article__embed--dark\">\n<div class=\"article__innerTitle\" style=\"text-align: justify;\">Ou\u00e7a e compartilhe<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<!--[if lt IE 9]><script>document.createElement('audio');<\/script><![endif]-->\n<audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-70795-1\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/mpeg\" src=\"https:\/\/media.vaticannews.va\/media\/audio\/s1\/2021\/10\/21\/11\/136227661_F136227661.mp3?_=1\" \/><a href=\"https:\/\/media.vaticannews.va\/media\/audio\/s1\/2021\/10\/21\/11\/136227661_F136227661.mp3\">https:\/\/media.vaticannews.va\/media\/audio\/s1\/2021\/10\/21\/11\/136227661_F136227661.mp3<\/a><\/audio>\n<\/div>\n<div>\n<p style=\"text-align: justify;\">A este respeito, \u00e9 esclarecedora a reflex\u00e3o de Jason Pack, autor do ensaio \u201cThe 2011 Libyan Uprisings and the Struggle for the Post Qadhafi Future\u201d (As revoltas l\u00edbias de 2011 e o esfor\u00e7o para o futuro depois de Kadafi). \u00c9 um t\u00edtulo que pluraliza o que se costuma dizer no singular: n\u00e3o fala de &#8220;a revolta l\u00edbia&#8221;, mas de &#8220;as revoltas l\u00edbias&#8221;. Pack est\u00e1 de fato convencido de que em 42 anos de poder absoluto Kadafi teve de enfrentar v\u00e1rias revoltas motivadas por diferentes fatores econ\u00f4micos, pol\u00edticos, \u00e9tnicos e sociais, e que a sua morte eliminou a \u00fanica cola capaz de frear a desintegra\u00e7\u00e3o. A partir de 20 de outubro de 2011, com o fim da Jamahiriya (um neologismo inventado por Kadafi para indicar o governo das massas), uma for\u00e7a divis\u00f3ria afirmou-se sobre a unidade e estabilidade econ\u00f4mica, pol\u00edtica, \u00e9tnica e social da L\u00edbia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como Leonardo Palma escreveu recentemente no portal online da ISPI, n\u00e3o h\u00e1 d\u00favida que durante o seu longo regime Kadafi &#8220;aplicou uma t\u00e1tica implac\u00e1vel de dividir para conquistar, impedindo a forma\u00e7\u00e3o de um centro de poder rival atrav\u00e9s dos bizantinismos de um sistema ca\u00f3tico de patronato, corrup\u00e7\u00e3o, terror e poder informal onde a \u00fanica palavra que realmente contava era a sua&#8221;. O fato \u00e9 que com a ret\u00f3rica anti-colonial e os ideais da sua revolu\u00e7\u00e3o, a morte de Kadafi abriu um verdadeiro abismo pol\u00edtico e institucional que o f\u00f3rum das na\u00e7\u00f5es gostaria idealmente de remediar. Por enquanto, os observadores t\u00eam a impress\u00e3o de que nos \u00faltimos anos a crise l\u00edbia foi internacionalizada da pior forma poss\u00edvel e que os atores no terreno continuam a seguir as suas pr\u00f3prias pol\u00edticas, em grande parte ligadas \u00e0 explora\u00e7\u00e3o do imenso reservat\u00f3rio de hidrocarbonetos do pa\u00eds. Uma dire\u00e7\u00e3o pol\u00edtica que encontrou o seu\u00a0<i>incipit<\/i>\u00a0na reivindica\u00e7\u00e3o ocidental de exportar a democracia para a L\u00edbia com a destitui\u00e7\u00e3o do r\u00e0is.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por outro lado, Kadafi, pouco antes dos sub\u00farbios de Benghazi se revoltassem contra Tr\u00edpoli, apesar do fato do seu regime ter cometido atos terroristas devastadores (como no caso de Lockerbie), era o amigo extravagante de muitos pol\u00edticos e figuras de alto n\u00edvel em todo o mundo. No entanto, a sua hist\u00f3ria, exatamente 10 anos atr\u00e1s, acabou mal! Como Andrea Semplici, um profundo conhecedor dos assuntos l\u00edbios, escreve: &#8220;\u00c9 prov\u00e1vel que s\u00f3 poderia acabar assim. Em Sirte. L\u00e1 onde Kadafi, de acordo com a sua mitologia, nasceu&#8221;, salientando que talvez ningu\u00e9m, entre aqueles que importam, teria tido a capacidade de assistir a um julgamento contra Kadafi. &#8220;Porque teria sido um julgamento&#8221;, continuou Semplici, &#8220;contra a loucura c\u00ednica da pol\u00edtica internacional&#8221;. Os protagonistas da hist\u00f3ria dos \u00faltimos quarenta anos teriam que sentar no banco das testemunhas. Afinal de contas, Kadafi gostava de fic\u00e7\u00f5es. Em 1989, estabeleceu o hor\u00e1rio de ver\u00e3o para o seu pa\u00eds, demonstrando uma imagina\u00e7\u00e3o para todos os tipos de min\u00facias extravagantes, mesmo quando se tratava de religi\u00e3o. Os festivais isl\u00e2micos tinham um calend\u00e1rio diferente na L\u00edbia. Prova da hostilidade que dividiu o coronel dos governantes sauditas, guardi\u00e3es da Kaaba. Claro que ele era o &#8216;qaid&#8217;, o l\u00edder. Aquele que depois pagou amargamente pelos atos nefastos cometidos pelo seu grotesco regime.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nas p\u00e1ginas de L&#8217;Osservatore Romano, uma reflex\u00e3o sobre a d\u00e9cada que a L\u00edbia passou desde o fim do regime, sobre a marca deixada pelo seu l\u00edder e sobre a interliga\u00e7\u00e3o com os acontecimentos internacionais que a tornam um cen\u00e1rio complexo at\u00e9 aos dias de hoje. Giulio Albanese Passaram-se dez anos da morte de Mu&#8217;ammar Kadafi. 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