{"id":70567,"date":"2021-10-10T09:44:44","date_gmt":"2021-10-10T12:44:44","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=70567"},"modified":"2021-10-13T14:45:55","modified_gmt":"2021-10-13T17:45:55","slug":"cirio-de-nazare-a-manifestacao-gigante-da-fe","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/cirio-de-nazare-a-manifestacao-gigante-da-fe\/","title":{"rendered":"C\u00edrio de Nazar\u00e9 \u2013 A manifesta\u00e7\u00e3o gigante da f\u00e9"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Tradicionalmente no segundo domingo de outubro, a Igreja paraense se re\u00fane de forma excelsa para demonstrar sua f\u00e9, amor e agradecimento \u00e0 Nossa Senhora sob o t\u00edtulo de Nazar\u00e9. Outubro \u00e9 o m\u00eas marcado para celebrarmos a M\u00e3e de Deus no Brasil, pois no dia 12 comemoramos a Senhora Aparecida, Rainha e Padroeira do nosso Brasil, al\u00e9m de termos comemorado no dia 7, a Senhora do Ros\u00e1rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em Bel\u00e9m do Par\u00e1, s\u00e3o dias de alegria e muita f\u00e9. O dia come\u00e7a com extensa romaria matinal, pois \u00e9 o dia do C\u00edrio de Nazar\u00e9.\u00a0E assim tem sido a Festa de Nazar\u00e9 por mais de dois s\u00e9culos, desde que realizada e oficializada pela primeira vez, em 8 de setembro de 1793 (Viana, 1904). S\u00e3o dias sim, de um intenso, por vezes dram\u00e1tico, encontro que envolve f\u00e9, alegria, festejos e sentimentos profundos. Neste ano, mesmo com as orienta\u00e7\u00f5es de distanciamento e a n\u00e3o realiza\u00e7\u00e3o das prociss\u00f5es com o povo, no entanto, as manifesta\u00e7\u00f5es s\u00e3o espont\u00e2neas. Abaixo algumas impress\u00f5es que marcam sempre este tempo, embora nestes ano (passado e este) elas s\u00e3o realizadas de modo a respeitar o tempo da pandemia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A prociss\u00e3o do C\u00edrio de Nazar\u00e9, ao levar \u00e0s ruas de Bel\u00e9m, capital do Estado do Par\u00e1, quase dois milh\u00f5es de pessoas, repetiu um ritual festivo de mais de dois s\u00e9culos. V\u00e1rias pessoas, munidas apenas de sua simples f\u00e9. Neste ano, ainda vivendo os tristes \u00edndices da pandemia da Covid-19, somos chamados a refletir o C\u00edrio de forma diferente, olhando a festa e a comemora\u00e7\u00e3o e nos perguntar sobre esse tempo belo da Igreja paraense, luz da f\u00e9 do povo que reluz em toda a Amaz\u00f4nia. O que o tempo da festa pode nos contribuir?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O C\u00edrio de Nazar\u00e9 \u00e9 o ponto principal de um ciclo, de um tempo e de um calend\u00e1rio. Ele \u00e9 o ponto de chegada e de partida de um novo per\u00edodo, de um novo tempo. Por outro lado, o\u00a0ciclo de c\u00edrios\u00a0que ocorre por todo o interior do Estado do Par\u00e1 \u00e9 a express\u00e3o de um amplo interc\u00e2mbio ritual entre interior e cidade, entre espa\u00e7os e tempos diferenciados que se encontram no\u00a0tempo da festa\u00a0prop\u00edcio \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o de uma temporalidade circular. No caso do C\u00edrio, esse tempo c\u00edclico parece essencial como valor reconhecido. A sociedade faz uma pausa de f\u00e9 e entusiasmo comunit\u00e1rio para viver um momento especial. Nessa parada no tempo, os 15 dias da festa, os paraenses e seus convidados destacam os valores, sentimentos, um modo de vida, um estilo de comensalidade e configuram um movimento de pessoas no intenso interc\u00e2mbio entre cidade, interior e, tamb\u00e9m, exterior.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O tempo da festa \u00e9 um tempo aberto e que se abre a todas as possibilidades de manifesta\u00e7\u00e3o e onde as diferen\u00e7as se neutralizam. Ao calend\u00e1rio de um tempo cronol\u00f3gico convencional, organizam-se, simultaneamente, outros sinais mais profundos de vida e das rela\u00e7\u00f5es sociais em curso. \u00c9 assim que o C\u00edrio de Nazar\u00e9 \u00e9 percebido como o Natal dos paraenses, pois ele \u00e9 um ponto de partida e de chegada de um calend\u00e1rio de vida que vincula todos os eventos da mesma ordem e em menor escala. No ciclo de c\u00edrios, o tempo da festa e o calend\u00e1rio que a partir dele se organiza permitem o intercurso permanente entre popula\u00e7\u00f5es de diferentes localidades. Na Amaz\u00f4nia, h\u00e1 um sistema de festas (de santos, especialmente) que est\u00e1 profundamente enraizado na cultura e na vida social, pois \u00e9 nos per\u00edodos de festas que a popula\u00e7\u00e3o paraense realiza as expectativas antes desejadas, da reciprocidade e das obriga\u00e7\u00f5es sociais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Somos chamados a interpretar a festa desse ano, olhando cada pessoa, cada fam\u00edlia, cada comunidade que atravessou esse triste momento de dor, de perdas e de sofrimento. A cada ano, o C\u00edrio se renova, trazendo gente nova, gera\u00e7\u00f5es imbu\u00eddas de muita f\u00e9, de dedica\u00e7\u00e3o e de esperan\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Brasil \u00e9 um pa\u00eds cat\u00f3lico, que n\u00e3o tem vergonha e nem medo de expressar sua cren\u00e7a, sua hist\u00f3ria e sua devo\u00e7\u00e3o. A cada ano, novas hist\u00f3rias, sonhos, projetos, realiza\u00e7\u00f5es, supera\u00e7\u00f5es entram, tamb\u00e9m, para a marca do C\u00edrio. Bel\u00e9m vira a capital do pa\u00eds por um \u00fanico momento. \u00c9 a hora de expressar a f\u00e9 em Maria, que de tantos t\u00edtulos se tornou a M\u00e3e n\u00e3o s\u00f3 de Jesus, mas de cada brasileiro, de cada crist\u00e3o, de cada filho que com f\u00e9 e amor, recorre ao amor dela.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Que a Virgem de Nazar\u00e9 nos ilumine no caminho sinodal que neste m\u00eas de outubro inauguraremos na Igreja de Roma e de todo o orbe cat\u00f3lico. Que experimentemos, olhando para Nossa Senhora de Nazar\u00e9, uma Igreja sinodal para transformar o nosso cora\u00e7\u00e3o e a nossa a\u00e7\u00e3o pastoral participando, como povo de Deus, do S\u00ednodo dos Bispos, para fazer ouvir as suas vozes, emitir as suas reflex\u00f5es, para que sejamos melhores crist\u00e3os, para recuperarmos a ess\u00eancia da comunidade crist\u00e3 que \u00e9 a comunh\u00e3o. Por isso, Nossa Senhora de Nazar\u00e9 nos ensina a ver a diversidade na Igreja e que os carismas de todos sejam os de Jesus de Nazar\u00e9.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tradicionalmente no segundo domingo de outubro, a Igreja paraense se re\u00fane de forma excelsa para demonstrar sua f\u00e9, amor e agradecimento \u00e0 Nossa Senhora sob o t\u00edtulo de Nazar\u00e9. 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