{"id":70559,"date":"2021-10-09T09:38:39","date_gmt":"2021-10-09T12:38:39","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=70559"},"modified":"2021-10-13T14:39:30","modified_gmt":"2021-10-13T17:39:30","slug":"rico-mas-triste","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/rico-mas-triste\/","title":{"rendered":"Rico, mas triste."},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Avan\u00e7ando no Tempo Comum e a cada domingo vamos caminhando e conhecendo Jesus. O Evangelho deste 28\u00ba. Domingo do Tempo Comum traz uma realidade que devemos ter cuidado. N\u00e3o se apoiar em nossas riquezas e em nossas falsas seguran\u00e7as. Quando Jesus saiu com os seus disc\u00edpulos, a caminho de Jerusal\u00e9m, apareceu um jovem que se ajoelhou diante d\u2019Ele e lhe perguntou: \u201cBom Mestre, que devo fazer para ganhar a vida eterna?\u201d O Senhor indica-lhe os Mandamentos como caminho seguro e necess\u00e1rio para alcan\u00e7ar a salva\u00e7\u00e3o. O jovem, com grande simplicidade, respondeu-lhe que os cumpria desde a inf\u00e2ncia. Ent\u00e3o Jesus, que conhecia a pureza daquele cora\u00e7\u00e3o e o fundo de generosidade e de entrega que existe em cada homem e em cada mulher, \u201colhou para ele com amor\u201d e convidou-o a segui-Lo, pondo \u00e0 parte tudo o que possu\u00eda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c0 pergunta, voluntariamente insidiosa, Jesus responde com simplicidade absoluta: \u201cAmar\u00e1s o Senhor teu Deus com todo o teu cora\u00e7\u00e3o, toda a tua alma e todo o teu esp\u00edrito. Este \u00e9 o maior e o primeiro Mandamento\u201d (Mt 22,37-38). Com efeito, a exig\u00eancia principal para cada um de n\u00f3s \u00e9 que Deus \u00e9 esteja presente na nossa vida. Como diz a Escritura, Ele deve imbuir todas as camadas do nosso ser e ench\u00ea-las completamente: o cora\u00e7\u00e3o deve conhec\u00ea-Lo e deixar-se tocar por Ele; e assim tamb\u00e9m a alma, as energias do nosso querer e decidir, bem como a intelig\u00eancia e o pensamento. \u00c9 poder dizer como S\u00e3o Paulo: \u201cJ\u00e1 n\u00e3o sou eu que vivo; \u00e9 Cristo que vive em mim\u201d (Gl 2,20).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste texto podemos situar dois casos: do jovem rico que n\u00e3o vende tudo para seguir Jesus e dos ap\u00f3stolos que, ao inv\u00e9s abandonam tudo para segui-Lo. A t\u00f4nica deste trecho evang\u00e9lico n\u00e3o \u00e9 \u201cvender tudo\u201d, mas \u201cvem e segue-me\u201d; ele n\u00e3o fala em primeiro lugar da pobreza volunt\u00e1ria, mas da suprema riqueza que \u00e9 possuir Jesus. Pode-se aproximar esta passagem do Evangelho \u00e0 par\u00e1bola do homem que descobriu um tesouro no campo e vende tudo para compr\u00e1-lo, e do homem que cede toda uma cole\u00e7\u00e3o de pedras preciosas para adquirir a p\u00e9rola de grande valor (Mt 13, 44-46).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como gostar\u00edamos de contemplar esse olhar de Jesus! Umas vezes, imperioso; outras, de pena e de tristeza, por exemplo ao ver a incredulidade dos fariseus (Mc 2,5); outras, de compaix\u00e3o, como \u00e0 entrada de Naim, quando passou o enterro do filho da vi\u00fava (Lc 7,13). \u00c9 esse olhar que comunica uma for\u00e7a persuasiva \u00e0s palavras com que convida Mateus a deixar tudo e segui-Lo (Mt 9,9); ou com que se faz convidar a casa de Zaqueu, levando-o \u00e0 convers\u00e3o (Lc 19,5). Mas o jovem prefere a \u201cseguran\u00e7a\u201d da riqueza e recusa o convite de Jesus!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao recusar o convite, diz o Evangelho: \u201c quando ele ouviu isso, ficou abatido e foi embora cheio de tristeza, porque era muito rico\u201d (Mc 10,22). \u201cA tristeza deste jovem deve fazer-nos refletir. Podemos ter a tenta\u00e7\u00e3o de pensar que possuir muitas coisas, muitos bens neste mundo, pode fazer-nos felizes. E no entanto, vemos no caso deste jovem do Evangelho que as muitas riquezas se converteram em obst\u00e1culo para aceitar o chamamento de Jesus. N\u00e3o estava disposto a dizer Sim a Jesus e n\u00e3o a si pr\u00f3prio, a dizer Sim ao amor e n\u00e3o \u00e0 fuga!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O amor verdadeiro \u00e9 exigente. O amor exige esfor\u00e7o e compromisso pessoal para cumprir a vontade de Deus. Significa disciplina e sacrif\u00edcio, mas significa tamb\u00e9m alegria e realiza\u00e7\u00e3o humana. N\u00e3o tenhais medo a um esfor\u00e7o honesto e a um trabalho honesto; n\u00e3o tenhais medo \u00e0 verdade. Queridos jovens, com a ajuda de Cristo e atrav\u00e9s da ora\u00e7\u00e3o, v\u00f3s podeis responder ao Seu chamamento, resistindo \u00e0s tenta\u00e7\u00f5es, aos entusiasmos passageiros e a toda a forma de manipula\u00e7\u00e3o de massas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A reflex\u00e3o da passagem b\u00edblica sobre o jovem rico leva-nos a entender o uso dos bens materiais. Jesus n\u00e3o os condena por si mesmos; s\u00e3o meios que Deus p\u00f4s \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o do homem para o seu desenvolvimento em sociedade com os outros. O apego indevido a eles \u00e9 o que faz que se convertam em ocasi\u00e3o pecaminosa. O pecado consiste em \u201cconfiar\u201d neles, como solu\u00e7\u00e3o \u00fanica da vida, voltando as costas \u00e0 divina Provid\u00eancia. S\u00e3o Paulo diz que a gan\u00e2ncia \u00e9 uma idolatria (Cl 3,5). Cristo exclui do Reino de Deus a quem cai nesse apego \u00e0s riquezas, constituindo-as em centro da sua vida, ou melhor disto, ele mesmo se exclui. Quem \u00e9 esse jovem do Evangelho?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Posso ser eu. Pode ser voc\u00ea\u2026 S\u00e3o muitas pessoas que observam os Mandamentos e at\u00e9 desejariam fazer mais\u2026, mas quando Deus pede algo mais\u2026 se retiram tristes, porque est\u00e3o apegadas a muitas coisas, que prendem o seu cora\u00e7\u00e3o e impedem de dar esse passo a mais. As vezes s\u00e3o med\u00edocres, querem ficar satisfeitas apenas com o m\u00ednimo necess\u00e1rio!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E a este ponto Jesus d\u00e1 aos disc\u00edpulos \u2013 e a n\u00f3s hoje \u2013 o seu ensinamento: \u201cComo \u00e9 dif\u00edcil, para aqueles que possuem riquezas, entrar no Reino de Deus!\u201d (v. 23). Ouvindo essas palavras, os disc\u00edpulos ficaram desapontados; e ainda mais quando Jesus acrescentou: \u201c\u00c9 mais f\u00e1cil passar um camelo pelo fundo de uma agulha, do que um rico entrar no Reino de Deus\u201d. Mas, vendo-os admirados, disse: \u201cAos homens \u00e9 imposs\u00edvel, mas a Deus n\u00e3o; pois a Deus tudo \u00e9 poss\u00edvel\u201d. (Mc 10, 24-27).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim comenta S\u00e3o Clemente de Alexandria: \u201cA par\u00e1bola ensina aos ricos que n\u00e3o devem descuidar a sua salva\u00e7\u00e3o como se fossem j\u00e1 condenados, nem devem abandonar a riqueza nem a condenar como insidiosa e hostil \u00e0 vida, mas devem aprender de que modo usar a riqueza e conquistar a vida\u201d. A Hist\u00f3ria da Igreja est\u00e1 cheia de exemplos de pessoas ricas, que usaram os pr\u00f3prios bens de modo evang\u00e9lico, alcan\u00e7ando tamb\u00e9m a santidade. Pensemos apenas em S\u00e3o Francisco de Assis, em Santa Isabel da Hungria ou S\u00e3o Carlos Borromeu, etc.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Que a Virgem Maria, a Senhora de Aparecida, Sede da Sabedoria, nos ajude a acolher com alegria o convite de Jesus, para entrar na plenitude da vida.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Avan\u00e7ando no Tempo Comum e a cada domingo vamos caminhando e conhecendo Jesus. O Evangelho deste 28\u00ba. Domingo do Tempo Comum traz uma realidade que devemos ter cuidado. N\u00e3o se apoiar em nossas riquezas e em nossas falsas seguran\u00e7as. 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