{"id":70532,"date":"2021-10-13T09:02:11","date_gmt":"2021-10-13T12:02:11","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=70532"},"modified":"2021-10-13T14:04:33","modified_gmt":"2021-10-13T17:04:33","slug":"dia-das-criancas-cinco-pequenos-brasileiros-que-sao-modelo-de-santidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/dia-das-criancas-cinco-pequenos-brasileiros-que-sao-modelo-de-santidade\/","title":{"rendered":"Dia das Crian\u00e7as: Cinco pequenos brasileiros que s\u00e3o modelo de santidade"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u201cO Brasil precisa de santos, de muitos santos\u201d, disse o papa S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II, em 1991, durante a beatifica\u00e7\u00e3o de Madre Paulina, hoje Santa Paulina do Cora\u00e7\u00e3o Agonizante de Jesus. Atualmente, no pa\u00eds, h\u00e1 v\u00e1rias pessoas que s\u00e3o modelos de santidade, entre as quais algumas crian\u00e7as que inclusive entregaram sua\u00a0vida\u00a0por amor a Deus. Hoje, ao celebrar no Brasil o Dia das Crian\u00e7as, apresentamos cinco desses pequenos brasileiros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>1. Bem-aventurada Albertina Berkenbrock<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Albertina Berkenbrock foi martirizada aos 12 anos por defender a sua virgindade. Nasceu em 11 de abril de 1919, em Imaru\u00ed (SC). Filha de agricultores, recebeu desde cedo uma forma\u00e7\u00e3o cat\u00f3lica. Costumava dizer que o dia de sua primeira comunh\u00e3o foi o mais belo de sua vida. Confessava-se com frequ\u00eancia e sempre participava da\u00a0Missa. Tamb\u00e9m cultivou especial devo\u00e7\u00e3o a Nossa Senhora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 15 de junho de 1931, Albertina obedeceu a um pedido de seu pai e foi procurar um animal que estava perdido. No caminho, encontrou seu malfeitor, apelidado \u201cManeco Palho\u00e7a\u201d. Perguntou se ele sabia onde estava o animal que procurava e o homem lhe indicou uma pista falsa, enviando a menina para o local onde tentou violent\u00e1-la. Albertina resistiu. Sem conseguir derrot\u00e1-la, Maneco degolou Albertina com um canivete.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em seguida, o homem escondeu o canivete e foi avisar \u00e0 fam\u00edlia da menina que ela tinha sido assassinada. Maneco acusou um outro homem, chamado Jo\u00e3o C\u00e2ndido, que chegou a ser preso. Segundo relatos, Maneco n\u00e3o parava de ir e vir na sala do vel\u00f3rio e, ao aproximar-se do caix\u00e3o, a ferida no pesco\u00e7o de Albertina come\u00e7ou a sangrar novamente. Ent\u00e3o, o prefeito da cidade mandou soltar Jo\u00e3o C\u00e2ndido e, com ele, pegou um crucifixo na capela. A cruz foi colocada sobre o peito de Albertina, Jo\u00e3o se ajoelhou e, com as m\u00e3os no crucifixo, jurou ser inocente. Naquele momento a ferida teria parado de sangrar. Ap\u00f3s ser preso, Maneco confessou o crime e deixou claro que Albertina n\u00e3o cedeu \u00e0 sua inten\u00e7\u00e3o de manter rela\u00e7\u00f5es sexuais com ela porque n\u00e3o queria pecar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Albertina Berkenbrock foi proclamada Bem-Aventurada em 20 de outubro de 2007 pelo\u00a0papa Bento XVI.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>2. Beato Ad\u00edlio Daronch<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Beato Ad\u00edlio Daronch tamb\u00e9m foi um m\u00e1rtir da f\u00e9. Nasceu em 25 de outubro de 1908, perto de Dona Francisca, na zona de Cachoeira do Sul (RS). Seus pais, Pedro Daronch e Judite Segabinazzi, tinham oito filhos. A fam\u00edlia se mudou para Passo Fundo (RS) em 1911 e, em 1913, para Nonoai (RS). O menino fazia parte do grupo de adolescentes que acompanhava padre Manuel G\u00f3mez Gonz\u00e1lez em suas viagens pastorais, ajudando-o como coroinha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Certa vez, o bispo de Santa Maria (RS), dom \u00c1tico Eus\u00e9bio da Rocha, pediu que padre Manuel fosse visitar um grupo de colonos instalados na floresta de Tr\u00eas Passos (RS), viagem que o sacerdote realizou na companhia do jovem Ad\u00edlio. Nesta \u00e9poca, o Rio Grande do Sul vivia a Revolu\u00e7\u00e3o de 1923, a disputa armada entre partid\u00e1rios do ent\u00e3o presidente do Rio Grande do Sul, Borges de Medeiros, conhecidos como Ximangos, e os revolucion\u00e1rios aliados de Joaquim Francisco de Assis Brasil, chamados de Maragatos. Mesmo assim, padre Manuel n\u00e3o deixava de pregar e ensinar os valores crist\u00e3os.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Durante a viagem, padre Manuel e o coroinha Ad\u00edlio pararam em Palmeiras (RS), onde o sacerdote administrou os\u00a0sacramentos\u00a0exortou os revolucion\u00e1rios ao dever da paz. Os revolucion\u00e1rios, por\u00e9m, n\u00e3o gostaram das palavras do sacerdote nem do fato de ter dado sepultura crist\u00e3 \u00e0s v\u00edtimas dos bandos locais. Apesar dos riscos, padre Manuel seguiu a viagem. Ad\u00edlio decidiu continuar o acompanhando, embora soubesse das amea\u00e7as sofridas pelo sacerdote.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os dois ca\u00edram em uma emboscada e foram levados para uma zona de floresta, onde foram amarrados em duas \u00e1rvores e fuzilados, morrendo por \u00f3dio \u00e0 f\u00e9 e \u00e0\u00a0Igreja\u00a0Cat\u00f3lica, em 21 de maio de 1924. Ad\u00edlio tinha apenas 15 anos. Os dois foram beatificados em 21 de outubro de 2007.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>3. Vener\u00e1vel Nelsinho Santana<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Vener\u00e1vel Nelson Santana, conhecido como Nelsinho, foi um menino brasileiro que teve seu bra\u00e7o amputado e sofreu muitas dores, mas suportou tudo por Jesus. Em um hospital, previu que morreria na noite da v\u00e9spera de\u00a0Natal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nelsinho nasceu em Ibitinga (SP), em 31 de julho de 1955, sendo o terceiro dos oito filhos do casal Jo\u00e3o Joaquim Santana e Ocr\u00e9cia Santana. Certo dia, aos 7 anos, enquanto brincava na fazenda onde vivia com sua fam\u00edlia, machucou gravemente o bra\u00e7o e precisou ser levado \u00e0 Santa Casa de Miseric\u00f3rdia de Araraquara (SP). No hospital, conheceu irm\u00e3 Genarina, que lhe prop\u00f4s que aproveitasse o tempo que passaria internado para fazer uma boa catequese, algo que logo aceitou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tempos depois, recebeu alta hospitalar e retornou para casa de seus pais. Mas, por causa de fortes dores no bra\u00e7o, precisou ser internado novamente. Desta vez, o m\u00e9dico avisou que n\u00e3o havia outra solu\u00e7\u00e3o a n\u00e3o ser amputar o bra\u00e7o da crian\u00e7a. Quando irm\u00e3 Genarina foi contar para o menino que precisaria amputar o bra\u00e7o, disse-lhe que Jesus ia lhe pedir \u201cbem mais do que sua dor\u201d. Para a surpresa da religiosa, o menino respondeu: \u201cMesmo que seja meu bra\u00e7o por inteiro, Jesus pode levar, pois que tudo o que \u00e9 meu tamb\u00e9m \u00e9 Dele\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1964, o mission\u00e1rio redentorista Gerhard Rudolfo Anderer chegou a Araraquara para um curso dos novos padres e conheceu Nelsinho durante uma visita ao hospital. O menino lhe contou que estava ali h\u00e1 oito meses e que gostaria de comungar todos os dias. Padre Gerhard, ent\u00e3o, se comprometeu a levar Jesus Eucar\u00edstico diariamente para Nelsinho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando chegou o per\u00edodo do retiro dos redentoristas, padre Gerhard foi avisar a Nelsinho que ficaria fora por um tempo e o menino lhe revelou que gostaria de passar o Natal no C\u00e9u, se Jesus tamb\u00e9m quisesse. Como o Natal ainda estava longe, afirmou que assim teria mais tempo para se preparar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na v\u00e9spera de Natal, padre Gerhard foi escalado para auxiliar na celebra\u00e7\u00e3o na cidade de Fernando Prestes (SP).\u00a0 Antes de viajar, foi dar a comunh\u00e3o a Nelsinho e o menino lhe disse que naquela noite Jesus o levaria para o c\u00e9u. Disse ainda com o padre: \u201cTodos os dias, na hora da Santa Missa, ap\u00f3s a Consagra\u00e7\u00e3o, quando o padre levantar Jesus H\u00f3stia, diga com poucas palavras a Ele o que quer, pois eu estarei bem atento ao lado dele para insistir, com confian\u00e7a, puxando Sua manga, dizendo: \u2018Jesus, atende o padre, atende toda esta gente\u2019\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois desse que seria o \u00faltimo encontro entre os dois, padre Gerhard foi para Fernando Prestes, onde presidiu a missa \u00e0s 19h, mesmo hora em que Nelsinho morreu, em 24 de dezembro de 1964. O papa Francisco reconheceu as virtudes heroicas de Nelsinho Santana em 2019.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>4. Vener\u00e1vel Benigna Cardoso da Silva<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Vener\u00e1vel Benigna Cardoso \u00e9 tamb\u00e9m conhecida como a \u201chero\u00edna da castidade\u201d. Foi assassinada aos 13 anos, defendendo a sua virgindade. Seu mart\u00edrio foi reconhecido pelo papa Francisco em outubro de 2019. Inicialmente sua beatifica\u00e7\u00e3o havia sido marcada para 21 de outubro de 2020, mas foi adiada por causa da pandemia de covid-19. Ainda n\u00e3o h\u00e1 uma data prevista para a beatifica\u00e7\u00e3o da menina que se tornar\u00e1 a primeira beata cearense.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Benigna Cardoso da Silva nasceu em 15 de outubro de 1928, em Santana do Cariri (CE). Era muito religiosa e temente a Deus. A menina era assediada por um colega de escola, mas rejeitou as propostas dele. Ent\u00e3o, em uma tarde de sexta-feira, Raul Alves, sabendo que a menina costumava buscar \u00e1gua perto de casa, escondeu-se atr\u00e1s do mato e a abordou, tentando abusar dela. Como Benigna resistiu e dizia \u201cn\u00e3o\u201d com veem\u00eancia, o rapaz a golpeou com um fac\u00e3o e a matou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na \u00e9poca do assassinato, padre Cristiano Coelho Rodrigues, que foi mentor espiritual da menina, escreveu a seguinte nota ao lado do seu registro de\u00a0batismo: \u201cMorreu martirizada, \u00e0s 4 horas da tarde, no dia 24 de outubro de 1941, no sitio Oiti. Hero\u00edna da Castidade, que sua santa alma converta a freguesia e sirva de prote\u00e7\u00e3o \u00e0s crian\u00e7as e \u00e0s fam\u00edlias da Par\u00f3quia. S\u00e3o os votos que fa\u00e7o \u00e0 nossa santinha\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>5. Serva de Deus Odetinha<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Odette Vidal de Oliveira nasceu no Rio de Janeiro (RJ), em 15 de setembro de 1930. Seu pai morreu de tuberculose antes que ela nascesse e sua m\u00e3e, Alice, se casou novamente com o rico Francisco Oliveira, que adotou a pequena e a educou na f\u00e9 cat\u00f3lica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A menina ficou conhecida pelo seu amor \u00e0\u00a0Eucaristia\u00a0e pela caridade, sendo um testemunho de f\u00e9, simplicidade e humildade. Recebeu sua primeira comunh\u00e3o em 15 de agosto de 1937, no Col\u00e9gio S\u00e3o Marcelo, da Par\u00f3quia Imaculada Concei\u00e7\u00e3o, em Botafogo. Desde ent\u00e3o, ao receber a comunh\u00e3o, dizia: \u201cOh meu Jesus, vinde agora ao meu cora\u00e7\u00e3o!\u201d. Seu confessor atestou sua f\u00e9 viva, confian\u00e7a inabal\u00e1vel, intenso amor a Deus e ao pr\u00f3ximo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dedicada \u00e0 caridade com os que mais precisavam, gostava de ajudar sua m\u00e3e, que fazia uma feijoada aos s\u00e1bados para os pobres. A menina, ent\u00e3o, colocava seu avental e servia a todos alegremente. Rezava o ter\u00e7o diariamente, revelando sua total confian\u00e7a em Nossa Senhora. Tamb\u00e9m se queixava pelo fato de S\u00e3o Jos\u00e9, que tanto trabalhou e sofreu por Jesus e Nossa Senhora, ser t\u00e3o pouco honrado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos \u00faltimos quarenta e nove dias de sua vida sofreu dolorosa enfermidade, paratifo, suportada com paci\u00eancia crist\u00e3. Dizia: \u201cEu vos ofere\u00e7o, \u00f3 meu Jesus, todos os meus sofrimentos pelas miss\u00f5es e pelas crian\u00e7as pobres\u201d. Em 25 de novembro de 1939, recebeu a Sagrada Comunh\u00e3o de manh\u00e3 e, em a\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as, disse: \u201cMeu Jesus, meu amor, minha vida, meu tudo\u201d. Pouco depois, a menina morreu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Seu processo de beatifica\u00e7\u00e3o teve in\u00edcio em 2013. No in\u00edcio de 2015 foi encaminhada \u00e0 Santa S\u00e9 a documenta\u00e7\u00e3o reunida pelo Tribunal Eclesi\u00e1stico da arquidiocese do Rio, que recebeu parecer favor\u00e1vel pela Congrega\u00e7\u00e3o da Causa dos Santos, em 2016.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0\u201cO Brasil precisa de santos, de muitos santos\u201d, disse o papa S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II, em 1991, durante a beatifica\u00e7\u00e3o de Madre Paulina, hoje Santa Paulina do Cora\u00e7\u00e3o Agonizante de Jesus. 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