{"id":69583,"date":"2021-08-25T09:39:44","date_gmt":"2021-08-25T12:39:44","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=69583"},"modified":"2021-08-25T11:42:34","modified_gmt":"2021-08-25T14:42:34","slug":"amoris-laetitia-amor-fecundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/amoris-laetitia-amor-fecundo\/","title":{"rendered":"Amoris laetitia: amor fecundo"},"content":{"rendered":"<div class=\"article__subTitle\" style=\"text-align: justify;\">Cada m\u00eas, em 10 epis\u00f3dios, um v\u00eddeo com as reflex\u00f5es do Papa e o testemunho de fam\u00edlias de todas as partes do mundo \u2013 realizado em colabora\u00e7\u00e3o entre o Dicast\u00e9rio Leigos Fam\u00edlia e Vida e Vatican News \u2013 ajuda a reler a Exorta\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica, com a contribui\u00e7\u00e3o de um subs\u00eddio que pode ser baixado para o aprofundamento pessoal e comunit\u00e1rio. Porque ser fam\u00edlia, recorda Francisco, \u00e9 sempre \u201cprincipalmente uma oportunidade\u201d.<\/div>\n<div class=\"title__separator\" style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div class=\"article__text \">\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20160319_amoris-laetitia.html\" target=\"_blank\" rel=\"external noopener\">Amoris laetitia<\/a><br \/>\n(n. 165-198)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>O AMOR QUE SE TORNA FECUNDO<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">165. O amor sempre d\u00e1 vida. Por isso, o amor conjugal \u00abn\u00e3o se esgota no interior do pr\u00f3prio casal (&#8230;). Os c\u00f4njuges, enquanto se doam entre si, doam para al\u00e9m de si mesmos a realidade do filho, reflexo vivo do seu amor, sinal permanente da unidade conjugal e s\u00edntese viva e indissoci\u00e1vel do ser pai e m\u00e3e\u00bb.<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20160319_amoris-laetitia.html#_ftn176\" rel=\"external\" name=\"_ftnref176\">[176]\u00a0<\/a><\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<aside class=\"article__readmore inEvidence\">\n<div class=\"teaser--labelEvidence teaser teaser--type- teaser2x1--inEvidence extL\">\n<article>\n<div class=\"teaser__contentWrapper\">\n<figure class=\"teaser__image\"><picture><img decoding=\"async\" class=\"loaded\" src=\"https:\/\/www.vaticannews.va\/content\/dam\/vaticannews\/agenzie\/images\/srv\/2019\/11\/16\/2019-11-16-ospedale-pediatrico-bambino-gesu-\/1573902853323.JPG\/_jcr_content\/renditions\/cq5dam.thumbnail.cropped.500.281.jpeg\" alt=\"Amor fecundo\" data-original=\"\/content\/dam\/vaticannews\/agenzie\/images\/srv\/2019\/11\/16\/2019-11-16-ospedale-pediatrico-bambino-gesu-\/1573902853323.JPG\/_jcr_content\/renditions\/cq5dam.thumbnail.cropped.500.281.jpeg\" data-was-processed=\"true\" \/><\/picture><\/figure>\n<div class=\"teaser__info\"><\/div>\n<h2 class=\"teaser__title\"><a title=\"Amor fecundo\" href=\"http:\/\/www.laityfamilylife.va\/content\/dam\/laityfamilylife\/amoris-laetitia\/10videoamorislaetitia\/Sussidi\/AMORIS%20LAETITIA_PUNTATA%2006%20-%20DA_PONTE_PORTOGHESE.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Amor fecundo<\/a><\/h2>\n<div class=\"teaser__text\">Baixe aqui o pdf do subs\u00eddio 6 do Dicast\u00e9rio para os Leigos, a Fam\u00edlia e a Vida para a reflex\u00e3o pessoal e a pastoral comunit\u00e1ria<\/div>\n<\/div>\n<\/article>\n<\/div>\n<\/aside>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Acolher uma nova vida<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">166. A fam\u00edlia \u00e9 o \u00e2mbito n\u00e3o s\u00f3 da gera\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m do acolhimento da vida que chega como um presente de Deus. Cada nova vida \u00abpermite-nos descobrir a dimens\u00e3o mais gratuita do amor, que nunca cessa de nos surpreender. \u00c9 a beleza de ser amado primeiro: os filhos s\u00e3o amados antes de chegar\u00bb.<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20160319_amoris-laetitia.html#_ftn177\" rel=\"external\" name=\"_ftnref177\">[177]<\/a>\u00a0Isto mostra-nos o primado do amor de Deus que sempre toma a iniciativa, porque os filhos \u00abs\u00e3o amados antes de ter feito algo para o merecer\u00bb.<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20160319_amoris-laetitia.html#_ftn178\" rel=\"external\" name=\"_ftnref178\">[178]<\/a>\u00a0Mas, \u00abdesde o in\u00edcio, numerosas crian\u00e7as s\u00e3o rejeitadas, abandonadas e subtra\u00eddas \u00e0 sua inf\u00e2ncia e ao seu futuro. Alguns ousam dizer, como que para se justificar, que foi um erro t\u00ea-las feito vir ao mundo. Isto \u00e9 vergonhoso! (&#8230;) Que aproveitam as solenes declara\u00e7\u00f5es dos direitos do homem e dos direitos da crian\u00e7a, se depois punimos as crian\u00e7as pelos erros dos adultos?\u00bb<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20160319_amoris-laetitia.html#_ftn179\" rel=\"external\" name=\"_ftnref179\">[179]<\/a>\u00a0Se uma crian\u00e7a chega ao mundo em circunst\u00e2ncias n\u00e3o desejadas, os pais ou os outros membros da fam\u00edlia devem fazer todo o poss\u00edvel para aceit\u00e1-la como dom de Deus e assumir a responsabilidade de a acolher com magnanimidade e carinho. Com efeito, \u00abquando se trata de crian\u00e7as que v\u00eam ao mundo, nenhum sacrif\u00edcio dos adultos ser\u00e1 julgado demasiado oneroso ou grande, contanto que se evite que uma crian\u00e7a chegue a pensar que \u00e9 um erro, que n\u00e3o vale nada e que est\u00e1 abandonada aos infort\u00fanios da vida e \u00e0 prepot\u00eancia dos homens\u00bb.<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20160319_amoris-laetitia.html#_ftn180\" rel=\"external\" name=\"_ftnref180\">[180]<\/a>\u00a0O dom dum novo filho, que o Senhor confia ao pai e \u00e0 m\u00e3e, tem in\u00edcio com o seu acolhimento, continua com a sua guarda ao longo da vida terrena e tem como destino final a alegria da vida eterna. Um olhar sereno voltado para a realiza\u00e7\u00e3o final da pessoa humana tornar\u00e1 os pais ainda mais conscientes do precioso dom que lhes foi confiado; de facto, Deus concede-lhes fazer a escolha do nome com que Ele chamar\u00e1 cada um dos seus filhos por toda a eternidade.<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20160319_amoris-laetitia.html#_ftn181\" rel=\"external\" name=\"_ftnref181\">[181]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">167. As fam\u00edlias numerosas s\u00e3o uma alegria para a Igreja. Nelas, o amor manifesta a sua fecundidade generosa. Isto n\u00e3o implica esquecer uma s\u00e3 advert\u00eancia de S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II, quando explicava que a paternidade respons\u00e1vel n\u00e3o \u00e9 \u00abprocria\u00e7\u00e3o ilimitada ou falta de consci\u00eancia acerca daquilo que \u00e9 necess\u00e1rio para o crescimento dos filhos, mas \u00e9, antes, a faculdade que os c\u00f4njuges t\u00eam de usar a sua liberdade inviol\u00e1vel de modo s\u00e1bio e respons\u00e1vel, tendo em considera\u00e7\u00e3o tanto as realidades sociais e demogr\u00e1ficas, como a sua pr\u00f3pria situa\u00e7\u00e3o e os seus leg\u00edtimos desejos\u00bb.<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20160319_amoris-laetitia.html#_ftn182\" rel=\"external\" name=\"_ftnref182\">[182]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><i>O amor na expectativa pr\u00f3pria da gravidez<\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">168. A gravidez \u00e9 um per\u00edodo dif\u00edcil, mas tamb\u00e9m um tempo maravilhoso. A m\u00e3e colabora com Deus, para que se verifique o milagre duma nova vida. A maternidade surge duma \u00abparticular potencialidade do organismo feminino, que, com a sua peculiaridade criadora, serve para a concep\u00e7\u00e3o e a gera\u00e7\u00e3o do ser humano\u00bb.<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20160319_amoris-laetitia.html#_ftn183\" rel=\"external\" name=\"_ftnref183\">[183]<\/a>\u00a0Cada mulher participa do \u00abmist\u00e9rio da cria\u00e7\u00e3o, que se renova na gera\u00e7\u00e3o humana\u00bb.<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20160319_amoris-laetitia.html#_ftn184\" rel=\"external\" name=\"_ftnref184\">[184]<\/a>\u00a0Assim diz o Salmo: Senhor, \u00abformaste-me no seio de minha m\u00e3e\u00bb (<i>Sl<\/i>\u00a0139\/138, 13). Cada crian\u00e7a, que se forma dentro de sua m\u00e3e, \u00e9 um projecto eterno de Deus Pai e do seu amor eterno: \u00abAntes de te haver formado no ventre materno, Eu j\u00e1 te conhecia; antes que sa\u00edsses do seio de tua m\u00e3e, Eu te consagrei\u00bb (<i>Jr<\/i>\u00a01, 5). Cada crian\u00e7a est\u00e1 no cora\u00e7\u00e3o de Deus desde sempre e, no momento em que \u00e9 concebida, realiza-se o sonho eterno do Criador. Pensemos quanto vale o embri\u00e3o, desde que \u00e9 concebido! \u00c9 preciso contempl\u00e1-lo com este olhar amoroso do Pai, que v\u00ea para al\u00e9m de toda a apar\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">169. A mulher gr\u00e1vida pode participar deste projecto de Deus, sonhando o seu filho: \u00abToda a m\u00e3e e todo o pai sonharam o seu filho durante nove meses. (&#8230;) N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel uma fam\u00edlia sem o sonho. Numa fam\u00edlia, quando se perde a capacidade de sonhar, os filhos n\u00e3o crescem, o amor n\u00e3o cresce; a vida debilita-se e apaga-se\u00bb.<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20160319_amoris-laetitia.html#_ftn185\" rel=\"external\" name=\"_ftnref185\">[185]<\/a>\u00a0Neste sonho, para um casal crist\u00e3o, aparece necessariamente o baptismo. Os pais preparam-no com a sua ora\u00e7\u00e3o, confiando o filho a Jesus j\u00e1 antes do seu nascimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">170. Hoje, com os progressos feitos pela ci\u00eancia, \u00e9 poss\u00edvel saber de antem\u00e3o a cor que ter\u00e1 o cabelo da crian\u00e7a e as doen\u00e7as que poder\u00e1 ter no futuro, porque todas as caracter\u00edsticas som\u00e1ticas daquela pessoa est\u00e3o inscritas no seu c\u00f3digo gen\u00e9tico j\u00e1 no estado embrion\u00e1rio. Mas, conhec\u00ea-lo em plenitude, s\u00f3 consegue o Pai do C\u00e9u que o criou: o mais precioso, o mais importante s\u00f3 Ele conhece, pois \u00e9 Ele que sabe quem \u00e9 aquela crian\u00e7a, qual \u00e9 a sua identidade mais profunda. A m\u00e3e, que o traz no ventre, precisa de pedir luz a Deus para poder conhecer em profundidade o seu pr\u00f3prio filho e saber esper\u00e1-lo como ele \u00e9. Alguns pais sentem que o seu filho n\u00e3o chega no melhor momento; faz-lhes falta pedir ao Senhor que os cure e fortale\u00e7a para aceitarem plenamente aquele filho, para o esperarem com todo o cora\u00e7\u00e3o. \u00c9 importante que aquela crian\u00e7a se sinta esperada. N\u00e3o \u00e9 um complemento ou uma solu\u00e7\u00e3o para uma aspira\u00e7\u00e3o pessoal, mas um ser humano, com um valor imenso, e n\u00e3o pode ser usado para benef\u00edcio pr\u00f3prio. Por conseguinte, n\u00e3o \u00e9 importante se esta nova vida te ser\u00e1 \u00fatil ou n\u00e3o, se possui caracter\u00edsticas que te agradam ou n\u00e3o, se corresponde ou n\u00e3o aos teus projectos e sonhos. Porque \u00abos filhos s\u00e3o uma d\u00e1diva! Cada um \u00e9 \u00fanico e irrepet\u00edvel (&#8230;). Um filho \u00e9 amado porque \u00e9 filho: n\u00e3o, porque \u00e9 bonito ou porque \u00e9 deste modo ou daquele, mas porque \u00e9 filho! N\u00e3o, porque pensa como eu, nem porque encarna as minhas aspira\u00e7\u00f5es. Um filho \u00e9 um filho\u00bb.<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20160319_amoris-laetitia.html#_ftn186\" rel=\"external\" name=\"_ftnref186\">[186]<\/a>\u00a0O amor dos pais \u00e9 instrumento do amor de Deus Pai, que espera com ternura o nascimento de cada crian\u00e7a, aceita-a incondicionalmente e acolhe-a gratuitamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">171 A cada mulher gr\u00e1vida, quero pedir-lhe afectuosamente: Cuida da tua alegria, que nada te tire a alegria interior da maternidade. Aquela crian\u00e7a merece a tua alegria. N\u00e3o permitas que os medos, as preocupa\u00e7\u00f5es, os coment\u00e1rios alheios ou os problemas apaguem esta felicidade de ser instrumento de Deus para trazer uma nova vida ao mundo. Ocupa-te daquilo que \u00e9 preciso fazer ou preparar, mas sem obsess\u00f5es, e louva como Maria: \u00abA minha alma glorifica o Senhor e o meu esp\u00edrito se alegra em Deus, meu Salvador. Porque p\u00f4s os olhos na humildade da sua serva\u00bb (<i>Lc<\/i>\u00a01, 46-48). Vive, com sereno entusiasmo, no meio dos teus inc\u00f3modos e pede ao Senhor que guarde a tua alegria para poderes transmiti-la ao teu filho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><i>Amor de m\u00e3e e de pai<\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">172. \u00abRec\u00e9m-nascidas, as crian\u00e7as come\u00e7am a receber em dom, juntamente com o alimento e os cuidados, a confirma\u00e7\u00e3o das qualidades espirituais do amor. Os gestos de amor passam atrav\u00e9s do dom do seu nome pessoal, da partilha da linguagem, das inten\u00e7\u00f5es dos olhares, das ilumina\u00e7\u00f5es dos sorrisos. Assim, aprendem que a beleza do v\u00ednculo entre os seres humanos mostra a nossa alma, procura a nossa liberdade, aceita a diversidade do outro, reconhece-o e respeita-o como interlocutor. (&#8230;) E isto \u00e9 amor, que cont\u00e9m uma centelha do amor de Deus\u00bb.<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20160319_amoris-laetitia.html#_ftn187\" rel=\"external\" name=\"_ftnref187\">[187]<\/a>\u00a0Toda a crian\u00e7a tem direito a receber o amor de uma m\u00e3e e de um pai, ambos necess\u00e1rios para o seu amadurecimento \u00edntegro e harmonioso. Como disseram os bispos da Austr\u00e1lia, ambos \u00abcontribuem, cada um \u00e0 sua maneira, para o crescimento duma crian\u00e7a. Respeitar a dignidade duma crian\u00e7a significa afirmar a sua necessidade e o seu direito natural a ter uma m\u00e3e e um pai\u00bb.<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20160319_amoris-laetitia.html#_ftn188\" rel=\"external\" name=\"_ftnref188\">[188]<\/a>\u00a0N\u00e3o se trata apenas do amor do pai e da m\u00e3e separadamente, mas tamb\u00e9m do amor entre eles, captado como fonte da pr\u00f3pria exist\u00eancia, como ninho acolhedor e como fundamento da fam\u00edlia. Caso contr\u00e1rio, o filho parece reduzir-se a uma posse caprichosa. Ambos, homem e mulher, pai e m\u00e3e, s\u00e3o \u00abcooperadores do amor de Deus criador e como que os seus int\u00e9rpretes\u00bb.<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20160319_amoris-laetitia.html#_ftn189\" rel=\"external\" name=\"_ftnref189\">[189]<\/a>\u00a0Mostram aos seus filhos o rosto materno e o rosto paterno do Senhor. Al\u00e9m disso, \u00e9 juntos que eles ensinam o valor da reciprocidade, do encontro entre seres diferentes, onde cada um contribui com a sua pr\u00f3pria identidade e sabe tamb\u00e9m receber do outro. Se, por alguma raz\u00e3o inevit\u00e1vel, falta um dos dois, \u00e9 importante procurar alguma maneira de o compensar, para favorecer o adequado amadurecimento do filho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">173. O sentimento de ser \u00f3rf\u00e3os, que hoje experimentam muitas crian\u00e7as e jovens, \u00e9 mais profundo do que pensamos. Hoje reconhecemos como plenamente leg\u00edtimo, e at\u00e9 desej\u00e1vel, que as mulheres queiram estudar, trabalhar, desenvolver as suas capacidades e ter objectivos pessoais. Mas, ao mesmo tempo, n\u00e3o podemos ignorar a necessidade que as crian\u00e7as t\u00eam da presen\u00e7a materna, especialmente nos primeiros meses de vida. A realidade \u00e9 que \u00aba mulher apresenta-se diante do homem como m\u00e3e, sujeito da nova vida humana, que nela \u00e9 concebida e se desenvolve, e dela nasce para o mundo\u00bb.<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20160319_amoris-laetitia.html#_ftn190\" rel=\"external\" name=\"_ftnref190\">[190]<\/a>\u00a0O enfraquecimento da presen\u00e7a materna, com as suas qualidades femininas, \u00e9 um risco grave para a nossa terra. Aprecio o feminismo, quando n\u00e3o pretende a uniformidade nem a nega\u00e7\u00e3o da maternidade. Com efeito, a grandeza das mulheres implica todos os direitos decorrentes da sua dignidade humana inalien\u00e1vel, mas tamb\u00e9m do seu g\u00e9nio feminino, indispens\u00e1vel para a sociedade. As suas capacidades especificamente femininas \u2013 em particular a maternidade \u2013 conferem-lhe tamb\u00e9m deveres, j\u00e1 que o seu ser mulher implica tamb\u00e9m uma miss\u00e3o peculiar nesta terra, que a sociedade deve proteger e preservar para bem de todos.<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20160319_amoris-laetitia.html#_ftn191\" rel=\"external\" name=\"_ftnref191\">[191]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">174. De facto, \u00abas m\u00e3es s\u00e3o o ant\u00eddoto mais forte contra o propagar-se do individualismo ego\u00edsta. (&#8230;) S\u00e3o elas que testemunham a beleza da vida\u00bb.<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20160319_amoris-laetitia.html#_ftn192\" rel=\"external\" name=\"_ftnref192\">[192]<\/a>\u00a0Sem d\u00favida, \u00abuma sociedade sem m\u00e3es seria uma sociedade desumana, porque as m\u00e3es sabem testemunhar sempre, mesmo nos piores momentos, a ternura, a dedica\u00e7\u00e3o, a for\u00e7a moral. As m\u00e3es transmitem, muitas vezes, tamb\u00e9m o sentido mais profundo da pr\u00e1tica religiosa: nas primeiras ora\u00e7\u00f5es, nos primeiros gestos de devo\u00e7\u00e3o que uma crian\u00e7a aprende (&#8230;). Sem as m\u00e3es, n\u00e3o somente n\u00e3o haveria novos fi\u00e9is, mas a f\u00e9 perderia boa parte do seu calor simples e profundo. (&#8230;) Queridas m\u00e3es, obrigado, obrigado por aquilo que sois na fam\u00edlia e pelo que dais \u00e0 Igreja e ao mundo\u00bb.<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20160319_amoris-laetitia.html#_ftn193\" rel=\"external\" name=\"_ftnref193\">[193]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">175. A m\u00e3e, que ampara o filho com a sua ternura e compaix\u00e3o, ajuda a despertar nele a confian\u00e7a, a experimentar que o mundo \u00e9 um lugar bom que o acolhe, e isto permite desenvolver uma auto-estima que favorece a capacidade de intimidade e a empatia. Por sua vez, a figura do pai ajuda a perceber os limites da realidade, caracterizando-se mais pela orienta\u00e7\u00e3o, pela sa\u00edda para o mundo mais amplo e rico de desafios, pelo convite a esfor\u00e7ar-se e lutar. Um pai com uma clara e feliz identidade masculina, que por sua vez combine no seu trato com a esposa o carinho e o acolhimento, \u00e9 t\u00e3o necess\u00e1rio como os cuidados maternos. H\u00e1 fun\u00e7\u00f5es e tarefas flex\u00edveis, que se adaptam \u00e0s circunst\u00e2ncias concretas de cada fam\u00edlia, mas a presen\u00e7a clara e bem definida das duas figuras, masculina e feminina, cria o \u00e2mbito mais adequado para o amadurecimento da crian\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">176. Diz-se que a nossa sociedade \u00e9 uma \u00absociedade sem pais\u00bb. Na cultura ocidental, a figura do pai estaria simbolicamente ausente, distorcida, desvanecida. At\u00e9 a virilidade pareceria posta em quest\u00e3o. Verificou-se uma compreens\u00edvel confus\u00e3o, j\u00e1 que, \u00abnum primeiro momento, isto foi sentido como uma liberta\u00e7\u00e3o: liberta\u00e7\u00e3o do pai-patr\u00e3o, do pai como representante da lei que se imp\u00f5e de fora, do pai como censor da felicidade dos filhos e impedimento \u00e0 emancipa\u00e7\u00e3o e \u00e0 autonomia dos jovens. Por vezes, havia casas em que no passado reinava o autoritarismo, em certos casos at\u00e9 a prepot\u00eancia\u00bb.<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20160319_amoris-laetitia.html#_ftn194\" rel=\"external\" name=\"_ftnref194\">[194]<\/a>\u00a0Mas, \u00abcomo acontece muitas vezes, passa-se de um extremo ao outro. O problema nos nossos dias n\u00e3o parece ser tanto a presen\u00e7a invasora do pai, mas sim a sua aus\u00eancia, o facto de n\u00e3o estar presente. Por vezes o pai est\u00e1 t\u00e3o concentrado em si mesmo e no pr\u00f3prio trabalho ou ent\u00e3o nas pr\u00f3prias realiza\u00e7\u00f5es individuais que at\u00e9 se esquece da fam\u00edlia. E deixa as crian\u00e7as e os jovens sozinhos\u00bb.<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20160319_amoris-laetitia.html#_ftn195\" rel=\"external\" name=\"_ftnref195\">[195]<\/a>\u00a0A presen\u00e7a paterna e, consequentemente, a sua autoridade s\u00e3o afectadas tamb\u00e9m pelo tempo cada vez maior que se dedica aos meios de comunica\u00e7\u00e3o e \u00e0 tecnologia da distrac\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, hoje, a autoridade \u00e9 olhada com suspeita e os adultos s\u00e3o duramente postos em discuss\u00e3o. Eles pr\u00f3prios abandonam as certezas e, por isso, n\u00e3o d\u00e3o orienta\u00e7\u00f5es seguras e bem fundamentadas aos seus filhos. N\u00e3o \u00e9 saud\u00e1vel que sejam invertidas as fun\u00e7\u00f5es entre pais e filhos: prejudica o processo adequado de amadurecimento que as crian\u00e7as precisam de fazer e nega-lhes um amor capaz de as orientar e que as ajude a maturar.<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20160319_amoris-laetitia.html#_ftn196\" rel=\"external\" name=\"_ftnref196\">[196]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">177. Deus coloca o pai na fam\u00edlia, para que, com as caracter\u00edsticas preciosas da sua masculinidade, \u00abesteja pr\u00f3ximo da esposa, para compartilhar tudo, alegrias e dores, dificuldades e esperan\u00e7as. E esteja pr\u00f3ximo dos filhos no seu crescimento: quando brincam e quando se aplicam, quando est\u00e3o descontra\u00eddos e quando se sentem angustiados, quando se exprimem e quando permanecem calados, quando ousam e quando t\u00eam medo, quando d\u00e3o um passo errado e quando voltam a encontrar o caminho; pai presente, sempre. Estar presente n\u00e3o significa ser controlador, porque os pais demasiado controladores aniquilam os filhos\u00bb.<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20160319_amoris-laetitia.html#_ftn197\" rel=\"external\" name=\"_ftnref197\">[197]<\/a>\u00a0Alguns pais sentem-se in\u00fateis ou desnecess\u00e1rios, mas a verdade \u00e9 que \u00abos filhos t\u00eam necessidade de encontrar um pai que os espera quando voltam dos seus fracassos. Far\u00e3o de tudo para n\u00e3o o admitir, para n\u00e3o o revelar, mas precisam dele\u00bb.<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20160319_amoris-laetitia.html#_ftn198\" rel=\"external\" name=\"_ftnref198\">[198]<\/a>\u00a0N\u00e3o \u00e9 bom que as crian\u00e7as fiquem sem pais e, assim, deixem de ser crian\u00e7as antes do tempo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Fecundidade alargada<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">178. \u00c0queles que n\u00e3o podem ter filhos, lembramos que \u00abo matrim\u00f3nio n\u00e3o foi institu\u00eddo s\u00f3 em ordem \u00e0 procria\u00e7\u00e3o (&#8230;). E por isso, mesmo que faltem os filhos, tantas vezes ardentemente desejados, o matrim\u00f3nio conserva o seu valor e indissolubilidade, como comunidade e comunh\u00e3o de toda a vida\u00bb.<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20160319_amoris-laetitia.html#_ftn199\" rel=\"external\" name=\"_ftnref199\">[199]<\/a>\u00a0Al\u00e9m disso, \u00aba maternidade n\u00e3o \u00e9 uma realidade exclusivamente biol\u00f3gica, mas expressa-se de diversas maneiras\u00bb.<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20160319_amoris-laetitia.html#_ftn200\" rel=\"external\" name=\"_ftnref200\">[200]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">179. A adop\u00e7\u00e3o \u00e9 um caminho para realizar a maternidade e a paternidade de uma forma muito generosa, e desejo encorajar aqueles que n\u00e3o podem ter filhos a alargar e abrir o seu amor conjugal para receber quem est\u00e1 privado de um ambiente familiar adequado. Nunca se arrepender\u00e3o de ter sido generosos. Adoptar \u00e9 o acto de amor que oferece uma fam\u00edlia a quem n\u00e3o a tem. \u00c9 importante insistir para que a legisla\u00e7\u00e3o possa facilitar o processo de adop\u00e7\u00e3o, sobretudo nos casos de filhos n\u00e3o desejados, evitando assim o aborto ou o abandono. Aqueles que assumem o desafio de adoptar e acolhem uma pessoa de maneira incondicional e gratuita, tornam-se media\u00e7\u00e3o do amor de Deus que diz: \u00abAinda que a tua m\u00e3e chegasse a esquecer-te, Eu nunca te esqueceria\u00bb (cf.\u00a0<i>Is<\/i>\u00a049, 15).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">180. \u00abA op\u00e7\u00e3o da adop\u00e7\u00e3o e do acolhimento exprime uma fecundidade particular da experi\u00eancia conjugal, mesmo para al\u00e9m dos casos de esposos com problemas de fertilidade (&#8230;). Ao contr\u00e1rio das situa\u00e7\u00f5es em que o filho \u00e9 desejado a todo o custo, como um direito ao pr\u00f3prio completamento, a adop\u00e7\u00e3o e o acolhimento, rectamente compreendidos, mostram um aspecto importante da paternidade e da filia\u00e7\u00e3o ajudando a reconhecer que os filhos, quer naturais quer adoptivos ou acolhidos, s\u00e3o em si mesmos outro sujeito e \u00e9 preciso receb\u00ea-los, am\u00e1-los, cuidar deles e n\u00e3o apenas traz\u00ea-los ao mundo. O interesse prevalecente da crian\u00e7a deveria sempre inspirar as decis\u00f5es sobre a adop\u00e7\u00e3o e o acolhimento\u00bb.<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20160319_amoris-laetitia.html#_ftn201\" rel=\"external\" name=\"_ftnref201\">[201]<\/a>\u00a0Por outro lado, \u00abdeve-se impedir o tr\u00e1fico de crian\u00e7as entre pa\u00edses e continentes, por meio de oportunas medidas legislativas e controle estatal\u00bb.<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20160319_amoris-laetitia.html#_ftn202\" rel=\"external\" name=\"_ftnref202\">[202]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">181. Conv\u00e9m lembrar-nos tamb\u00e9m de que a procria\u00e7\u00e3o e a adop\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00e3o as \u00fanicas maneiras de viver a fecundidade do amor. Mesmo a fam\u00edlia com muitos filhos \u00e9 chamada a deixar a sua marca na sociedade onde est\u00e1 inserida, desenvolvendo outras formas de fecundidade que s\u00e3o uma esp\u00e9cie de extens\u00e3o do amor que a sustenta. As fam\u00edlias crist\u00e3s n\u00e3o esque\u00e7am que \u00aba f\u00e9 n\u00e3o nos tira do mundo, mas insere-nos mais profundamente nele. (&#8230;) A cada um de n\u00f3s cabe um papel especial na prepara\u00e7\u00e3o da vinda do Reino de Deus\u00bb.<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20160319_amoris-laetitia.html#_ftn203\" rel=\"external\" name=\"_ftnref203\">[203]<\/a>\u00a0A fam\u00edlia n\u00e3o deve imaginar-se como um recinto fechado, procurando proteger-se da sociedade. N\u00e3o fica \u00e0 espera, mas sai de si mesma \u00e0 procura de solidariedade. Assim transforma-se num lugar de integra\u00e7\u00e3o da pessoa com a sociedade e num ponto de uni\u00e3o entre o p\u00fablico e o privado. Os c\u00f4njuges precisam de adquirir consci\u00eancia clara e convicta dos seus deveres sociais. Quando isto acontece, n\u00e3o diminui o carinho que os une; antes, enche-se de nova luz, como est\u00e1 expresso nos seguintes versos:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00abAs tuas m\u00e3os s\u00e3o a minha car\u00edcia,<br \/>\no meu despertar di\u00e1rio<br \/>\namo-te porque tuas m\u00e3os<br \/>\ntrabalham pela justi\u00e7a.<br \/>\nSe te amo, \u00e9 porque \u00e9s<br \/>\no meu amor, o meu c\u00famplice e tudo<br \/>\ne na rua, lado a lado,<br \/>\nsomos muito mais que dois\u00bb.<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20160319_amoris-laetitia.html#_ftn204\" rel=\"external\" name=\"_ftnref204\">[204]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">182. Nenhuma fam\u00edlia pode ser fecunda, se se concebe como demasiado diferente ou \u00abseparada\u00bb. Para evitar este risco, lembremo-nos que a fam\u00edlia de Jesus, cheia de gra\u00e7a e sabedoria, n\u00e3o era vista como uma fam\u00edlia \u00abestranha\u00bb, como um lar alheado e distante da gente. Por isso mesmo as pessoas sentiram dificuldade em reconhecer a sabedoria de Jesus e diziam: \u00abDe onde \u00e9 que isto lhe vem? (\u2026) N\u00e3o \u00e9 Ele o carpinteiro, o filho de Maria?\u00bb (<i>Mc<\/i>\u00a06, 2.3). \u00abN\u00e3o \u00e9 Ele o filho do carpinteiro?\u00bb (<i>Mt<\/i>\u00a013, 55). Isto confirma que era uma fam\u00edlia simples, pr\u00f3xima de todos, integrada normalmente na povoa\u00e7\u00e3o. E Jesus tamb\u00e9m n\u00e3o cresceu numa rela\u00e7\u00e3o fechada e exclusiva com Maria e Jos\u00e9, mas de bom grado movia-se na fam\u00edlia alargada, onde encontrava os parentes e os amigos. Isto explica por que, quando regressavam de Jerusal\u00e9m, os seus pais admitissem a possibilidade de o Menino de doze anos vagar pela caravana um dia inteiro, ouvindo as hist\u00f3rias e partilhando as preocupa\u00e7\u00f5es de todos: \u00abPensando que Ele Se encontrava na caravana, fizeram um dia de viagem\u00bb (<i>Lc<\/i>\u00a02, 44). Mas, \u00e0s vezes, acontece que algumas fam\u00edlias crist\u00e3s, pela linguagem que usam, a maneira de dizer as coisas, o estilo do seu tratamento, a repeti\u00e7\u00e3o constante de dois ou tr\u00eas assuntos, s\u00e3o vistas como distantes, separadas da sociedade, e at\u00e9 os pr\u00f3prios parentes se sentem desprezados ou julgados por elas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">183. Um casal de esposos, que experimenta a for\u00e7a do amor, sabe que este amor \u00e9 chamado a sarar as feridas dos abandonados, estabelecer a cultura do encontro, lutar pela justi\u00e7a. Deus confiou \u00e0 fam\u00edlia o projecto de tornar \u00abdom\u00e9stico\u00bb o mundo,<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20160319_amoris-laetitia.html#_ftn205\" rel=\"external\" name=\"_ftnref205\">[205]<\/a>\u00a0de modo que todos cheguem a sentir cada ser humano como um irm\u00e3o: \u00abUm olhar atento \u00e0 vida quotidiana dos homens e das mulheres de hoje demonstra imediatamente a necessidade que h\u00e1, em toda a parte, duma vigorosa injec\u00e7\u00e3o de esp\u00edrito familiar. (&#8230;) N\u00e3o s\u00f3 a organiza\u00e7\u00e3o da vida comum encalha cada vez mais numa burocracia totalmente alheia aos v\u00ednculos humanos fundamentais, mas at\u00e9 o costume social e pol\u00edtico mostra frequentemente sinais de degrada\u00e7\u00e3o\u00bb.<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20160319_amoris-laetitia.html#_ftn206\" rel=\"external\" name=\"_ftnref206\">[206]<\/a>\u00a0Pelo contr\u00e1rio, as fam\u00edlias magn\u00e2nimas e solid\u00e1rias abrem espa\u00e7o aos pobres, s\u00e3o capazes de tecer uma amizade com aqueles que est\u00e3o a viver pior do que elas. Se realmente t\u00eam a peito o Evangelho, n\u00e3o podem esquecer o que diz Jesus: \u00abSempre que fizestes isto a um destes meus irm\u00e3os mais pequeninos, a Mim mesmo o fizestes\u00bb (<i>Mt<\/i>\u00a025, 40). Em \u00faltima an\u00e1lise, vivem o que nos \u00e9 pedido, de forma t\u00e3o eloquente, neste texto: \u00abQuando deres um almo\u00e7o ou um jantar, n\u00e3o convides os teus amigos, nem os teus irm\u00e3os, nem os teus parentes, nem os teus vizinhos ricos; n\u00e3o v\u00e3o eles tamb\u00e9m convidar-te, por sua vez, e assim retribuir-te. Quando deres um banquete, convida os pobres, os aleijados, os coxos e os cegos. E ser\u00e1s feliz\u00bb (<i>Lc<\/i>\u00a014, 12-14). Ser\u00e1s feliz! Aqui est\u00e1 o segredo duma fam\u00edlia feliz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">184. Com o testemunho e tamb\u00e9m com a palavra, as fam\u00edlias falam de Jesus aos outros, transmitem a f\u00e9, despertam o desejo de Deus e mostram a beleza do Evangelho e do estilo de vida que nos prop\u00f5e. Assim os esposos crist\u00e3os pintam o cinzento do espa\u00e7o p\u00fablico, colorindo-o de fraternidade, sensibilidade social, defesa das pessoas fr\u00e1geis, f\u00e9 luminosa, esperan\u00e7a activa. A sua fecundidade alarga-se, traduzindo-se em mil e uma maneiras de tornar o amor de Deus presente na sociedade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><i>Distinguir o Corpo<\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">185. Nesta linha, conv\u00e9m tomar muito a s\u00e9rio um texto b\u00edblico que habitualmente \u00e9 interpretado fora do seu contexto ou duma maneira muito geral, pelo que \u00e9 poss\u00edvel negligenciar o seu sentido mais imediato e directo, que \u00e9 marcadamente social. Trata-se da primeira Carta aos Cor\u00edntios (11, 17-34), onde S\u00e3o Paulo enfrenta uma situa\u00e7\u00e3o vergonhosa da comunidade. Nela, algumas pessoas facultosas tendiam a discriminar os pobres, e isto verificava-se mesmo na \u00e1gape que acompanhava a celebra\u00e7\u00e3o da Eucaristia. Enquanto os ricos se deleitavam com seus manjares, os pobres olhavam e passavam fome: \u00abEnquanto um passa fome, outro fica embriagado. Porventura n\u00e3o tendes casas para comer e beber? Ou desprezais a Igreja de Deus e quereis envergonhar aqueles que nada t\u00eam?\u00bb (vv. 21-22).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">186. A Eucaristia exige a integra\u00e7\u00e3o no \u00fanico corpo eclesial. Quem se abeira do Corpo e do Sangue de Cristo n\u00e3o pode ao mesmo tempo ofender aquele mesmo Corpo, fazendo divis\u00f5es e discrimina\u00e7\u00f5es escandalosas entre os seus membros. Na realidade, trata-se de \u00abdistinguir\u00bb o Corpo do Senhor, de O reconhecer com f\u00e9 e caridade, quer nos sinais sacramentais quer na comunidade; caso contr\u00e1rio, come-se e bebe-se a pr\u00f3pria condena\u00e7\u00e3o (cf. v. 29). Este texto b\u00edblico \u00e9 um s\u00e9rio aviso para as fam\u00edlias que se fecham na pr\u00f3pria comodidade e se isolam e, de modo especial, para as fam\u00edlias que ficam indiferentes aos sofrimentos das fam\u00edlias pobres e mais necessitadas. Assim, a celebra\u00e7\u00e3o eucar\u00edstica torna-se um apelo constante a cada um para que \u00abse examine a si mesmo\u00bb (v. 28), a fim de abrir as portas da pr\u00f3pria fam\u00edlia a uma maior comunh\u00e3o com os descartados da sociedade e depois, sim, receber o sacramento do amor eucar\u00edstico que faz de n\u00f3s um s\u00f3 corpo. N\u00e3o se deve esquecer que \u00aba \u201cm\u00edstica\u201d do sacramento tem um car\u00e1cter social\u00bb.<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20160319_amoris-laetitia.html#_ftn207\" rel=\"external\" name=\"_ftnref207\">[207]<\/a>\u00a0Quando os comungantes se mostram relutantes em deixar-se impelir a um compromisso a favor dos pobres e atribulados ou consentem diferentes formas de divis\u00e3o, desprezo e injusti\u00e7a, recebem indignamente a Eucaristia. Ao contr\u00e1rio, as fam\u00edlias, que se alimentam da Eucaristia com a disposi\u00e7\u00e3o adequada, refor\u00e7am o seu desejo de fraternidade, o seu sentido social e o seu compromisso para com os necessitados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>A vida na fam\u00edlia em sentido amplo<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">187. O n\u00facleo familiar restrito n\u00e3o deveria isolar-se da fam\u00edlia alargada, onde est\u00e3o os pais, os tios, os primos e at\u00e9 os vizinhos. Nesta fam\u00edlia ampla, pode haver pessoas necessitadas de ajuda, ou pelo menos de companhia e gestos de carinho, ou pode haver grandes sofrimentos que precisam de conforto.<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20160319_amoris-laetitia.html#_ftn208\" rel=\"external\" name=\"_ftnref208\">[208]<\/a>\u00a0\u00c0s vezes o individualismo destes tempos leva a fechar-se na seguran\u00e7a dum pequeno ninho e a sentir os outros como um inc\u00f3modo. Todavia este isolamento n\u00e3o proporciona mais paz e felicidade, antes fecha o cora\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia e priva-a do horizonte amplo da exist\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><i>Ser filho<\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">188. Em primeiro lugar, falemos dos pais pr\u00f3prios. Jesus lembrava aos fariseus que o abandono dos pais \u00e9 contr\u00e1rio \u00e0 Lei de Deus (cf.\u00a0<i>Mc<\/i>\u00a07, 8-13). N\u00e3o faz bem a ningu\u00e9m perder a consci\u00eancia de ser filho. Em cada pessoa, \u00abmesmo quando se torna adulta ou idosa, quando passa tamb\u00e9m a ser progenitora ou desempenha fun\u00e7\u00f5es de responsabilidade, por baixo de tudo isso permanece a identidade de filho. Todos somos filhos. E isto recorda-nos sempre que a vida n\u00e3o no-la demos sozinhos, mas recebemo-la. O grande dom da vida \u00e9 o primeiro presente que recebemos\u00bb.<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20160319_amoris-laetitia.html#_ftn209\" rel=\"external\" name=\"_ftnref209\">[209]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">189. Por isso, \u00abo quarto mandamento pede aos filhos (\u2026) que honrem o pai e a m\u00e3e (cf.\u00a0<i>Ex<\/i>\u00a020, 12). Este mandamento vem logo ap\u00f3s aqueles que dizem respeito ao pr\u00f3prio Deus. Com efeito, cont\u00e9m algo de sagrado, algo de divino, algo que est\u00e1 na raiz de todos os outros tipos de respeito entre os homens. E, na formula\u00e7\u00e3o b\u00edblica do quarto mandamento, acrescenta-se: \u201cpara que se prolonguem os teus dias sobre a terra que o Senhor, teu Deus, te d\u00e1\u201d. O v\u00ednculo virtuoso entre as gera\u00e7\u00f5es \u00e9 garantia de futuro e de uma hist\u00f3ria verdadeiramente humana. Uma sociedade de filhos que n\u00e3o honram os pais \u00e9 uma sociedade sem honra (&#8230;). \u00c9 uma sociedade destinada a encher-se de jovens \u00e1ridos e \u00e1vidos\u00bb.<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20160319_amoris-laetitia.html#_ftn210\" rel=\"external\" name=\"_ftnref210\">[210]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">190. Mas h\u00e1 tamb\u00e9m a outra face da moeda: \u00abO homem deixar\u00e1 o pai e a m\u00e3e\u00bb (<i>Gn<\/i>\u00a02, 24), diz a Palavra de Deus. \u00c0s vezes, isto n\u00e3o \u00e9 cumprido, nunca se chegando a assumir o matrim\u00f3nio, porque falta esta ren\u00fancia e esta dedica\u00e7\u00e3o. Os pais n\u00e3o devem ser abandonados nem transcurados, mas, para unir-se em matrim\u00f3nio, \u00e9 preciso deix\u00e1-los, de modo que o novo lar seja a morada, a protec\u00e7\u00e3o, a plataforma e o projecto, e seja poss\u00edvel tornar-se verdadeiramente \u00abuma s\u00f3 carne\u00bb (<i>Gn<\/i>\u00a02, 24). Sucede, em alguns casais, ocultar ao pr\u00f3prio c\u00f4njuge muitas coisas, que entretanto se dizem aos pais, chegando ao ponto de se importar mais com as opini\u00f5es destes do que com os sentimentos e as opini\u00f5es do c\u00f4njuge. N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil manter esta situa\u00e7\u00e3o por muito tempo, e s\u00f3 provisoriamente poderia ter lugar, isto \u00e9, enquanto se criam as condi\u00e7\u00f5es para crescer na confian\u00e7a e no di\u00e1logo. O matrim\u00f3nio desafia a encontrar uma nova maneira de ser filho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><i>Os idosos<\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">191. \u00abN\u00e3o me rejeites no tempo da velhice; n\u00e3o me abandones, quando j\u00e1 n\u00e3o tiver for\u00e7as\u00bb (<i>Sl<\/i>\u00a071\/70, 9). \u00c9 o brado do idoso, que teme o esquecimento e o desprezo. Assim como Deus nos convida a ser seus instrumentos para escutar a s\u00faplica dos pobres, assim tamb\u00e9m espera que ou\u00e7amos o brado dos idosos.<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20160319_amoris-laetitia.html#_ftn211\" rel=\"external\" name=\"_ftnref211\">[211]<\/a>\u00a0Isto interpela as fam\u00edlias e as comunidades, porque \u00aba Igreja n\u00e3o pode nem quer conformar-se com uma mentalidade de impaci\u00eancia, e muito menos de indiferen\u00e7a e desprezo, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 velhice. Devemos despertar o sentido colectivo de gratid\u00e3o, apre\u00e7o, hospitalidade, que fa\u00e7a o idoso sentir-se parte viva da sua comunidade. Os idosos s\u00e3o homens e mulheres, pais e m\u00e3es que, antes de n\u00f3s, percorreram o nosso pr\u00f3prio caminho, estiveram na nossa mesma casa, combateram a nossa mesma batalha di\u00e1ria por uma vida digna\u00bb.<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20160319_amoris-laetitia.html#_ftn212\" rel=\"external\" name=\"_ftnref212\">[212]<\/a>\u00a0Por isso, \u00abcomo gostaria duma Igreja que desafia a cultura do descarte com a alegria transbordante dum novo abra\u00e7o entre jovens e idosos!\u00bb<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20160319_amoris-laetitia.html#_ftn213\" rel=\"external\" name=\"_ftnref213\">[213]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">192. S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II convidou-nos a prestar aten\u00e7\u00e3o ao lugar do idoso na fam\u00edlia, porque h\u00e1 culturas que, \u00abespecialmente depois dum desenvolvimento industrial e urban\u00edstico desordenado, for\u00e7aram, e continuam a for\u00e7ar, os idosos a situa\u00e7\u00f5es inaceit\u00e1veis de marginaliza\u00e7\u00e3o\u00bb.<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20160319_amoris-laetitia.html#_ftn214\" rel=\"external\" name=\"_ftnref214\">[214]<\/a>\u00a0Os idosos ajudam a perceber \u00aba continuidade das gera\u00e7\u00f5es\u00bb, com \u00abo carisma de lan\u00e7ar uma ponte\u00bb<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20160319_amoris-laetitia.html#_ftn215\" rel=\"external\" name=\"_ftnref215\">[215]<\/a>\u00a0entre elas. Muitas vezes s\u00e3o os av\u00f3s que asseguram a transmiss\u00e3o dos grandes valores aos seus netos, e \u00abmuitas pessoas podem constatar que devem a sua inicia\u00e7\u00e3o na vida crist\u00e3 precisamente aos av\u00f3s\u00bb.<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20160319_amoris-laetitia.html#_ftn216\" rel=\"external\" name=\"_ftnref216\">[216]<\/a>\u00a0As suas palavras, as suas car\u00edcias ou a simples presen\u00e7a ajudam as crian\u00e7as a reconhecer que a hist\u00f3ria n\u00e3o come\u00e7a com elas, que s\u00e3o herdeiras dum longo caminho e que \u00e9 necess\u00e1rio respeitar o fundamento que as precede. Quem quebra os la\u00e7os com a hist\u00f3ria ter\u00e1 dificuldade em tecer rela\u00e7\u00f5es est\u00e1veis e reconhecer que n\u00e3o \u00e9 o dono da realidade. Com efeito, \u00aba aten\u00e7\u00e3o aos idosos distingue uma civiliza\u00e7\u00e3o. Numa civiliza\u00e7\u00e3o, presta-se aten\u00e7\u00e3o ao idoso? H\u00e1 lugar para o idoso? Esta civiliza\u00e7\u00e3o ir\u00e1 em frente, se souber respeitar a sabedoria dos idosos\u00bb.<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20160319_amoris-laetitia.html#_ftn217\" rel=\"external\" name=\"_ftnref217\">[217]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">193. A falta de mem\u00f3ria hist\u00f3rica \u00e9 um defeito grave da nossa sociedade. \u00c9 a mentalidade imatura do \u00abj\u00e1 est\u00e1 ultrapassado\u00bb. Conhecer e ser capaz de tomar posi\u00e7\u00e3o perante os acontecimentos passados \u00e9 a \u00fanica possibilidade de construir um futuro que tenha sentido. N\u00e3o se pode educar sem mem\u00f3ria: \u00abRecordai os dias passados\u00bb (<i>Heb<\/i>\u00a010, 32). As hist\u00f3rias dos idosos fazem muito bem \u00e0s crian\u00e7as e aos jovens, porque os ligam \u00e0 hist\u00f3ria vivida tanto pela fam\u00edlia como pela vizinhan\u00e7a e o pa\u00eds. Uma fam\u00edlia que n\u00e3o respeita nem cuida dos seus av\u00f3s, que s\u00e3o a sua mem\u00f3ria viva, \u00e9 uma fam\u00edlia desintegrada; mas uma fam\u00edlia que recorda \u00e9 uma fam\u00edlia com futuro. Por isso, \u00abnuma civiliza\u00e7\u00e3o em que n\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o para os idosos ou onde eles s\u00e3o descartados porque criam problemas, tal sociedade traz em si o v\u00edrus da morte\u00bb,<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20160319_amoris-laetitia.html#_ftn218\" rel=\"external\" name=\"_ftnref218\">[218]<\/a>\u00a0porque \u00abse separa das pr\u00f3prias ra\u00edzes\u00bb.<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20160319_amoris-laetitia.html#_ftn219\" rel=\"external\" name=\"_ftnref219\">[219]<\/a>\u00a0O fen\u00f3meno contempor\u00e2neo de sentir-se \u00f3rf\u00e3o, em termos de descontinuidade, desenraizamento e perda das certezas que d\u00e3o forma \u00e0 vida, desafia-nos a fazer das nossas fam\u00edlias um lugar onde as crian\u00e7as possam lan\u00e7ar ra\u00edzes no terreno duma hist\u00f3ria colectiva.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><i>Ser irm\u00e3o<\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">194. A rela\u00e7\u00e3o entre os irm\u00e3os aprofunda-se com o passar do tempo, e \u00abo la\u00e7o de fraternidade que se forma na fam\u00edlia entre os filhos, quando se verifica num clima de educa\u00e7\u00e3o para a abertura aos outros, \u00e9 uma grande escola de liberdade e de paz. Em fam\u00edlia, entre irm\u00e3os, aprendemos a conviv\u00eancia humana (\u2026). Talvez nem sempre estejamos conscientes disto, mas \u00e9 precisamente a fam\u00edlia que introduz a fraternidade no mundo. A partir desta primeira experi\u00eancia de fraternidade, alimentada pelos afectos e pela educa\u00e7\u00e3o familiar, o estilo da fraternidade irradia-se como uma promessa sobre a sociedade inteira\u00bb.<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20160319_amoris-laetitia.html#_ftn220\" rel=\"external\" name=\"_ftnref220\">[220]<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">195. Crescer entre irm\u00e3os proporciona a bela experi\u00eancia de cuidar uns dos outros, de ajudar e ser ajudado. Por isso, \u00aba fraternidade na fam\u00edlia resplandece de modo especial quando vemos a solicitude, a paci\u00eancia e o carinho com que \u00e9 circundado o irm\u00e3ozinho ou a irm\u00e3zinha mais fr\u00e1gil, doente ou deficiente\u00bb.<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20160319_amoris-laetitia.html#_ftn221\" rel=\"external\" name=\"_ftnref221\">[221]<\/a>\u00a0Faz falta reconhecer que \u00abter um irm\u00e3o, uma irm\u00e3 que te ama \u00e9 uma experi\u00eancia forte, inestim\u00e1vel, insubstitu\u00edvel\u00bb,<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20160319_amoris-laetitia.html#_ftn222\" rel=\"external\" name=\"_ftnref222\">[222]<\/a>\u00a0mas \u00e9 preciso ensinar, com paci\u00eancia, os filhos a tratar-se como irm\u00e3os. Esta aprendizagem, por vezes fadigosa, \u00e9 uma verdadeira escola de sociabilidade. Nalguns pa\u00edses, existe uma forte tend\u00eancia para ter apenas um filho, pelo que a experi\u00eancia de ser irm\u00e3o come\u00e7a a ser rara. Nos casos em que n\u00e3o se p\u00f4de ter mais de um filho, \u00e9 preciso encontrar formas de a crian\u00e7a n\u00e3o crescer sozinha ou isolada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><i>Um cora\u00e7\u00e3o grande<\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">196. Com efeito, al\u00e9m do c\u00edrculo pequeno formado pelos c\u00f4njuges e seus filhos, temos a fam\u00edlia alargada, que n\u00e3o pode ser ignorada. Com efeito, \u00abo amor entre o homem e a mulher no matrim\u00f3nio e, de forma derivada e ampla, o amor entre os membros da mesma fam\u00edlia \u2013 entre pais e filhos, entre irm\u00e3os e irm\u00e3s, entre parentes e familiares \u2013 \u00e9 animado e impelido por um dinamismo interior e incessante, que leva a fam\u00edlia a uma comunh\u00e3o sempre mais profunda e intensa, fundamento e alma da comunidade conjugal e familiar\u00bb.<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20160319_amoris-laetitia.html#_ftn223\" rel=\"external\" name=\"_ftnref223\">[223]<\/a>\u00a0A\u00ed se integram tamb\u00e9m os amigos e as fam\u00edlias amigas, e mesmo as comunidades de fam\u00edlias que se apoiam mutuamente nas suas dificuldades, no seu compromisso social e na f\u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">197. Esta fam\u00edlia alargada deveria acolher, com tanto amor, as m\u00e3es solteiras, as crian\u00e7as sem pais, as mulheres abandonadas que devem continuar a educa\u00e7\u00e3o dos seus filhos, as pessoas deficientes que requerem muito carinho e proximidade, os jovens que lutam contra uma depend\u00eancia, as pessoas solteiras, separadas ou vi\u00favas que sofrem a solid\u00e3o, os idosos e os doentes que n\u00e3o recebem o apoio dos seus filhos, at\u00e9 incluir no seio dela \u00abmesmo os mais desastrados nos comportamentos da sua vida\u00bb.<a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/francesco\/pt\/apost_exhortations\/documents\/papa-francesco_esortazione-ap_20160319_amoris-laetitia.html#_ftn224\" rel=\"external\" name=\"_ftnref224\">[224]<\/a>\u00a0E pode tamb\u00e9m ajudar a compensar as fragilidades dos pais, ou a descobrir e denunciar a tempo poss\u00edveis situa\u00e7\u00f5es de viol\u00eancia ou mesmo de abuso sofridas pelas crian\u00e7as, dando-lhes um amor sadio e um sustent\u00e1culo familiar, quando os seus pais n\u00e3o o podem assegurar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">198. Por fim, n\u00e3o se pode esquecer que, nesta fam\u00edlia alargada, est\u00e3o tamb\u00e9m o sogro, a sogra e todos os parentes do c\u00f4njuge. Uma delicadeza pr\u00f3pria do amor \u00e9 evitar v\u00ea-los como concorrentes, como pessoas perigosas, como invasores. A uni\u00e3o conjugal exige que se respeite as suas tradi\u00e7\u00f5es e costumes, se procure compreender a sua linguagem, evitar maledic\u00eancias, cuidar deles e integr\u00e1-los dalguma forma no pr\u00f3prio cora\u00e7\u00e3o, embora se deva preservara leg\u00edtima autonomia e a intimidade do casal. Estas atitudes s\u00e3o tamb\u00e9m uma excelente maneira de exprimir a generosidade da dedica\u00e7\u00e3o amorosa ao pr\u00f3prio c\u00f4njuge.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cada m\u00eas, em 10 epis\u00f3dios, um v\u00eddeo com as reflex\u00f5es do Papa e o testemunho de fam\u00edlias de todas as partes do mundo \u2013 realizado em colabora\u00e7\u00e3o entre o Dicast\u00e9rio Leigos Fam\u00edlia e Vida e Vatican News \u2013 ajuda a reler a Exorta\u00e7\u00e3o apost\u00f3lica, com a contribui\u00e7\u00e3o de um subs\u00eddio que pode ser baixado para [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":69584,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-69583","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-vaticano"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/69583","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=69583"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/69583\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":69585,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/69583\/revisions\/69585"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/media\/69584"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=69583"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=69583"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=69583"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}