{"id":69513,"date":"2021-08-22T09:00:25","date_gmt":"2021-08-22T12:00:25","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=69513"},"modified":"2021-08-21T23:33:15","modified_gmt":"2021-08-22T02:33:15","slug":"21-domingo-comum-b-cartas-do-padre-jesus-priante","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/21-domingo-comum-b-cartas-do-padre-jesus-priante\/","title":{"rendered":"21\u00b0 Domingo Comum &#8211; B &#8211; Cartas do Padre Jesus Priante"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;O CRISTIANSMO SER\u00c1 M\u00cdSTICO OU N\u00c3O SER\u00c1 CRIST\u00c3O&#8221;<br \/>\n(K.Rahner)<\/p>\n<p>Ao longo do tempo, os crist\u00e3os adotaram duas grandes espiritualidades: a asc\u00e9tica e a m\u00edstica. A segunda, mais comum e condizente com a religiosidade natural do ser humano; a segunda busca a salva\u00e7\u00e3o pelos pr\u00f3prios m\u00e9ritos. Esfor\u00e7o, disciplina, ren\u00fancia e sacrif\u00edcio configuram a vida espiritual de todo asceta; Von Balthasar, afamado te\u00f3logo alem\u00e3o, v\u00ea nesta espiritualidade, presente em todas as religi\u00f5es, uma condescend\u00eancia de Deus. Ele aceita e aben\u00e7oa nossa boa conduta e boa vontade no cumprimento de nosso dever moral ditado pelos mandamentos que performan nossa consci\u00eancia \u00e9tica, mas que nunca condicionam a Salva\u00e7\u00e3o que Ele nos brinda de maneira gratuita. N\u00e3o somos n\u00f3s os que nos salvamos, mas Deus \u00e9 quem nos Salva. &#8220;A Salva\u00e7\u00e3o pertence a Deus&#8221; \u00e9 o grande princ\u00edpio da nossa F\u00e9. A espiritualidade m\u00edstica visa viver a F\u00e9 como uma comunh\u00e3o em e com Deus. O m\u00edstico experimenta a exist\u00eancia unida a Deus. N\u00e3o somos n\u00f3s quem vamos a Deus, mas Deus que vem a n\u00f3s, ou, melhor, que est\u00e1 e vive em n\u00f3s. Santo Agostinho o expressa dizendo: &#8220;Deus \u00e9 mais \u00edntimo a n\u00f3s do que n\u00f3s em n\u00f3s mesmos&#8221;. E S\u00e3o Paulo o sublima: &#8220;N\u00e3o sou eu quem vive, mas Cristo que vive em mim&#8221;. Esta dimens\u00e3o m\u00edstica, essencial da nossa F\u00e9 crist\u00e3, foi desprestigiada e desvirtuada por muitos, qualificando-a negativamente de misticismo ou intimismo angelical e desencarnado. K. Rahner, o maior te\u00f3logo do s\u00e9culo XX, ap\u00f3s toda uma vida dedicada \u00e0 reflex\u00e3o dos mist\u00e9rios de nossa F\u00e9, chegou \u00e0 conclus\u00e3o de que o cristianimo \u00e9 m\u00edstico ou n\u00e3o \u00e9 crist\u00e3o. A Encarna\u00e7\u00e3o de Deus no ser humano e, por extens\u00e3o, em toda Cria\u00e7\u00e3o, fundamenta essa tese. Somos &#8220;Corpo m\u00edstico de Cristo&#8221; e, Nele, do pr\u00f3prio Deus. Sem uma dose de pante\u00edsmo (Deus em tudo e tudo em Deus) n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel entender a F\u00e9 crist\u00e3. Nem sequer<br \/>\na express\u00e3o &#8220;Deus conosco&#8221; (Emmanuel) ou &#8220;Ele est\u00e1 no meio de n\u00f3s&#8221; exprimem o mist\u00e9rio m\u00edstico de Cristo que nos une a Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m n\u00e3o cumpre a experi\u00eancia m\u00edstica da F\u00e9 crist\u00e3 a outra vers\u00e3o das duas grandes espiritualidades: vida ativa e vida contemplativa que plasmaram as diferentes congrega\u00e7\u00f5es religiosas ao longo dos tempos. Nenhuma a\u00e7\u00e3o ou obra boa nos torna santos e nos leva \u00e0 comunh\u00e3o vital com Deus, assim como o &#8220;\u00eaxtase&#8221; de uma vida contemplativa nos arrebata da nossa condi\u00e7\u00e3o terrena. A m\u00edstica da nossa F\u00e9 consiste, segundo Von Balthasar, n\u00e3o em irmos a Deus (caminho da ascese) mas na vinda de Deus a n\u00f3s. Ele vem n\u00e3o como h\u00f3spede de nossas almas, mas feito carne (realidade hist\u00f3rica) em nossa carne, vida na nossa vida real. A revela\u00e7\u00e3o b\u00edblica mostra-nos cinco maneiras de Deus vir ou encarnar-se em n\u00f3s por obra do Espirito Santo:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">-Na pessoa de Jesus de Nazar\u00e9: &#8220;Deus se fez homem&#8221;, unindo o ser humano a Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">-Na Virgem Maria: &#8220;Concebeu e deu \u00e0 luz o Filho de Deus&#8221;. Ele se fez M\u00e3e em Maria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">-No P\u00e3o eucar\u00edstico: &#8220;Aquele que comer deste P\u00e3o viver\u00e1 por mim&#8221;. Tem a mesma vida divina. N\u00e3o por acaso Jesus nasceu em Bel\u00e9m, que significa &#8220;Casa do P\u00e3o&#8221;. Deus anunciava Sua Encarna\u00e7\u00e3o no P\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">-No povo reunido em nome de Jesus, &#8220;Corpo mistico&#8221;. Se faz presente esta encarna\u00e7\u00e3o divina ap\u00f3s a consagra\u00e7\u00e3o ou encarna\u00e7\u00e3o no P\u00e3o suplicando: &#8220;Envia,Senhor teu Esp\u00edrito para sermos um s\u00f3 corpo e um s\u00f3 esp\u00edrito&#8221;, realizando o pedido de Jesus a Deus Pai: &#8220;Que todos sejam um como n\u00f3s somos um&#8221; (Jo.17).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">-Na Cria\u00e7\u00e3o: &#8220;Tudo ser\u00e1 em Deus.&#8221; (Ap.21) O futuro da hist\u00f3ria do universo finalizar\u00e1 numa comunh\u00e3o de todas as criaturas em Deus. Tamb\u00e9m essa Encarna\u00e7\u00e3o c\u00f3smica \u00e9 obra do Esp\u00edrito Santo, presente nos prim\u00f3rdios da Cria\u00e7\u00e3o (Gn.1) a ser consumada pelo mesmo Esp\u00edrito que suplica dentro de nos: &#8220;Vem, Senhor Jesus&#8221;(Ap.22) .<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;EU E MINHA FAM\u00cdLIA SERVIREMOS A JAV\u00c9, POIS ELE \u00c9 NOSSO DEUS&#8221;(Js. 24,1-18).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Josu\u00e9 convocou o povo de Israel ap\u00f3s passar o rio Jord\u00e3o para tomar posse da terra de Cana\u00e3. Fez breve hist\u00f3rico da a\u00e7\u00e3o libertadora de Deus, desde Abra\u00e3o, libertado da sua idolatria, assim como da recente liberta\u00e7\u00e3o da escravid\u00e3o do Egito, atravessando penosamente durante 40 anos o deserto e, agora, cruzando o rio Jord\u00e3o. Lembrando esses prodigiosos fatos, Josu\u00e9 diz ao povo todo: &#8220;Escutem hoje a quem querem servir: aos deuses de outros povos ou a Jav\u00e9, a gente Deus de Abra\u00e3o, porque eu e minha fam\u00edlia serviremos s\u00f3 a Jav\u00e9&#8221;. O povo a uma s\u00f3 voz respondeu: &#8220;N\u00f3s tamb\u00e9m s\u00f3 serviremos a Jav\u00e9&#8221;. A escolha ou pacto que Josu\u00e9 fazia com seu povo n\u00e3o era m\u00edstica de comunh\u00e3o com Deus, que nos veio atrav\u00e9s da sua Encarna\u00e7\u00e3o em Cristo. Tratava-se de uma ades\u00e3o &#8220;externa&#8221;, comum em todas as religi\u00f5es, pela qual temos a Deus como nosso &#8220;aliado&#8221; nas lutas de nossa vida, esperando Dele Sua ajuda. Sem Cristo, todas as religi\u00f5es s\u00e3o, &#8220;profanas&#8221;, termo grego que significa estar em frente ou diante da luz, no caso, de Deus. Ele permanece distante e separado de n\u00f3s. Por isso s\u00f3 pode ser invocado com medo e temor. Da mesma maneira, como temos repetido muitas vezes, ser dif\u00edcil passar do regime da lei do dever ao regime da gra\u00e7a em Cristo, tamb\u00e9m \u00e9 dif\u00edcil passar do espirito religioso \u00e0 verdadeira F\u00e9, pr\u00f3pria do cristianismo, que nos une realmente a Deus. Aderir a um Deus Todo Poderoso,que abre as \u00e1guas do mar da vida para passarmos a p\u00e9 enxuto, que faz chover man\u00e1 no deserto para suprir nossas car\u00eancias ou que nos faz derrotar nossas adversidade e inimigos, \u00e9 f\u00e1cil e at\u00e9 necess\u00e1rio. De fato, o ser humano \u00e9 naturalmente religioso porque \u00e9 prec\u00e1rio, necessitado e mortal, por isso invoca um ser superior que lhe possa ajudar nas suas car\u00eancias. Aderir e esperar a vida de um Deus crucificado vai al\u00e9m do sentimento religioso natural. Exige, o dom da F\u00e9, que nos faz sentir em Cristo divinizados. Chesterton expressava a diferen\u00e7a entre F\u00e9 e mera religiosidade dizendo: &#8220;Antes, como religioso, eu acreditava em Deus. Agora, pela F\u00e9, s\u00f3 creio em Deus&#8221;. A f\u00e9 vai al\u00e9m da convers\u00e3o moral. Ela nos faz santos como Deus \u00e9 Santo e nos une a Deus. Isso significa ser &#8221; m\u00edstico&#8221;, sin\u00f4nimo de cristao. Pela f\u00e9 nos unimos a Cristo e em Cristo a Deus.A gra\u00e7a ou as &#8221; gra\u00e7as&#8221;,como costumamos dizer, para referir a &#8221; ajuda&#8221; de Deus na solu\u00e7\u00e3o dos problemas de cada dia, \u00e9 comunh\u00e3o de vida com Deus.<br \/>\n&#8220;O HOMEM DEIXAR\u00c1 SEU PAI E SUA M\u00c3E E SE UNIR\u00c1 A SUA MULHER, E SER\u00c3O UMA S\u00d3 CARNE. ESTE MIST\u00c9RIO \u00c9 GRANDE EM RELA\u00c7\u00c3O A CRISTO&#8221; ( Ef. 5,21-33)<br \/>\nO Sl. 8 nos revela que a cria\u00e7ao narra as maravilhas de Deus, mas encontra no ser humano sua maior gl\u00f3ria e grandeza.Ele foi criado homem e mulher para serem uma s\u00f3 carne, como Deus Pai,Filho e Esp\u00edrito Santo s\u00e3o tr\u00eas e um s\u00f3 Deus.Tudo quanto existe veio da UNIDADE divina e a ela retorna.A sexualidade \u00e9, ao mesmo tempo, separa\u00e7\u00e3o e procura da unidade divina. Sexo , do latim secare, signfica cortar ou separar o que formava um s\u00f3 corpo. Da\u00ed sua interpreta\u00e7\u00e3o moral de pecado e morte,que significam o que est\u00e1 separado da vida,que \u00e9 Deus. Os entes vivos nao seriam sexuais se fossem imortais como as baterias e os anjos.As plantas e os animais unem-se misticamente a Deus transmitindo ,pela uni\u00e3o sexual ,a vida a sua esp\u00e9cie ,a espera da sua comunh\u00e3o com Deus no fim dos tempos.Pertence ao ser humano, em nome de toda a cria\u00e7\u00e3o, exprimir tamb\u00e9m sexualmente a comunh\u00e3o com Deus. Al\u00e9m de cumprir sua fun\u00e7\u00e3o reprodutiva,comum a todos os entes vivos sexuados porque mortais, a uni\u00e3o do homem e da mulher \u00e9 sinal e sacramento da uni\u00e3o de Deus com o ser humano e, por extens\u00e3o, com toda a cria\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O amor esponsal \u00e9 m\u00edstico, nos mergulha no mist\u00e9rio da Salva\u00e7\u00e3o de Deus, como se nos revela nesta carta S\u00e3o Paulo: &#8220;Esse mist\u00e9rio (a uni\u00e3o do casal) \u00e9 grande em rela\u00e7\u00e3o a Cristo e seu povo&#8221;. Na B\u00edblia, a imagem do casamento aparece frequentemente para designar a rela\u00e7\u00e3o amorosa e de uni\u00e3o de Deus com seu povo que, em Cristo, \u00e9 todo ser humano. Esta rela\u00e7\u00e3o esponsal supera a existente entre amigos, que exige reciprocidade nem sempre correspondida. \u00c9 superior tamb\u00e9m \u00e0 rela\u00e7\u00e3o filial, que implica submiss\u00e3o, obedi\u00eancia e respeito e, por tanto, distanciamento. Na comunh\u00e3o do casal, o outro \u00e9 seu pr\u00f3prio corpo (ser e vida). O amor \u00e9 a pr\u00f3pria uni\u00e3o e vice-versa. &#8220;Ningu\u00e9m odeia sua pr\u00f3pria carne (pessoa) pelo contr\u00e1rio, a nutre e dela cuida como faz Cristo com seu povo, seu Corpo&#8221;. Entende-se a raz\u00e3o pela qual, na celebra\u00e7\u00e3o deste grande mist\u00e9rio do Casamento, declara-se o mesmo como indissol\u00favel, para sempre, pois romper a uni\u00e3o de um casal significaria romper a uni\u00e3o do ser humano com Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eu costumo dizer que um casal separado ou divorciado torna o mundo mais ateu e a Salva\u00e7\u00e3o do mundo mais insegura e incerta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H.Kung, um dos maiores te\u00f3logos do s\u00e9culo XX, falecido recentemente, considera a fidelidade o atributo mais pr\u00f3prio e significativo de Deus, maior do que ser Todo-Poderoso e, mesmo, misericordioso. A fidelidade de Deus nos brinda a absoluta certeza da nossa Salva\u00e7\u00e3o. Por que Deus \u00e9 fiel, sua uni\u00e3o com o ser humano \u00e9 eterna e irrevers\u00edvel. O casal crist\u00e3o tem a miss\u00e3o de tornar vis\u00edvel pela sua uni\u00e3o m\u00fatua, fiel e indissol\u00favel, a Salva\u00e7\u00e3o do mundo. Quando Cristo foi interpelado pelos fariseus sobre o div\u00f3rcio que a Lei de Mois\u00e9s permitia, disse: &#8220;No princ\u00edpio n\u00e3o foi assim.<br \/>\nMois\u00e9s o permitiu por causa da fraqueza humana&#8221;. Esta fragilidade permanecer\u00e1 at\u00e9 o Fim dos Tempos, por isso o div\u00f3rcio hoje \u00e9 mais frequente que o o pr\u00f3prio casamento. Nem por isso, o Sacramento da uni\u00e3o de Deus para conosco em Cristo, que o casal crist\u00e3o \u00e9 chamado a viver, \u00e9 abolido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sempre haver\u00e1 casais exemplares, vivendo unidos como Cristo est\u00e1 unido com o ser humano por toda a eternidade. O<br \/>\nque sim podemos afirmar \u00e9 que o casamento, como sacramento ou sinal de Salva\u00e7\u00e3o, s\u00f3 pode ser vivido misticamente, enquanto comunh\u00e3o de n\u00f3s com Deus. De outra maneira, n\u00e3o passar\u00e1 de dois ego\u00edsmos juntos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;A QUEM IREMOS, SENHOR? TU TENS PALAVRAS DE VIDA ETERNA. N\u00d3S ACREDITAMOS E SABEMOS QUE TU \u00c9S O SANTO DE DEUS&#8221;(Jo.6,60-69)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s Jesus ter revelado ao povo que lhe seguia, por terem visto o prod\u00edgio da multiplica\u00e7\u00e3o dos p\u00e3es, que Ele era o P\u00e3o descido do C\u00e9u que nos d\u00e1 a vida de Deus, todos, exceto os doze ap\u00f3stolos, lhe abandonaram. Dirigindo-se a eles, lhes interpelou: &#8220;Tamb\u00e9m voc\u00eas querem ir embora?&#8221;. Pedro, em nome dos seus companheiros, confessou: &#8220;E a quem iremos, Senhor? S\u00f3 Tu tens palavras de vida eterna&#8221;. Em tr\u00eas momentos Pedro, um simples pescador analfabeto da Galil\u00e9ia, nos legou a \u00fanica e verdadeira conclus\u00e3o do saber humano que s\u00f3 podemos ter em Cristo. Em Mt. 16l: Tu \u00e9s o Messias, o Filho de Deus vivo&#8221;, \u00fanica esperan\u00e7a da hist\u00f3ria. Em At. 4: &#8220;N\u00e3o foi dado aos homens outro nome (pessoa) pelo qual<br \/>\npossamos ter a vida a n\u00e3o ser Jesus Cristo&#8221;. \u00c9 nesta ocasi\u00e3o em que Jesus revela-se como P\u00e3o a ser comido para termos a vida eterna. As ci\u00eancias, filosofias e cren\u00e7as buscam uma verdade absoluta ou conclus\u00e3o \u00e0 qual aderir para dar sentido \u00e0 pr\u00f3pria exist\u00eancia e ao mundo que habitamos. Mas, como afirma Popper, essa meta ningu\u00e9m atingiu nem poder\u00e1 atingir racionalmente. Toda verdade \u00e9 provis\u00f3ria e inconsistente. Jesus declarou a Pedro, conhecedor da verdade de Deus, revelada em Cristo: &#8220;Feliz \u00e9s tu, porque n\u00e3o foi a carne e o sangue que te revelou isso, mas meu Pai&#8221;. Desafiando a todo saber humano, Jesus disse: &#8220;Eu sou o caminho a verdade e a vida&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ele n\u00e3o \u00e9 uma verdade l\u00f3gica ou ideologia, mas fato. O saber \u00e9 conclusivo e verdade absoluta quando nos comunica a vida e nos une a Deus. S\u00f3 Cristo fez real nossa comunh\u00e3o real com Deus, de maneira f\u00edsica e concreta. Hegel, conclui a hist\u00f3ria com o advento do &#8220;Espirito Absoluto&#8221;, ideia abstrata sem carne e vida, que seria uma vers\u00e3o do budismo a procura de uma Ilumina\u00e7\u00e3o vazia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Arist\u00f3teles, pelo caminho da raz\u00e3o, reduziu Deus a &#8220;pensamento do pensamento&#8221;, carente de amor e inacess\u00edvel ao ser humano. Nenhuma filosofia nem religi\u00e3o jamais imaginou a possibilidade da nossa comunh\u00e3o vital com Deus. E sem essa verdade o pensar humano carece de conclus\u00e3o e de sentido. De nada nos serviria conhecer o que as coisas s\u00e3o objetivamente e conhecer todos os mist\u00e9rios se seu ser e vida ficarem separados de n\u00f3s. Jesus se fez P\u00e3o para tornar-nos concorp\u00f3reos e consangu\u00edneos a Deus, verdade conclusiva de todo saber, agir e esperar do ser humano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Inciamos a reflex\u00e3o deste domingo afirmando que o cristianismo ser\u00e1 mistico ou n\u00e3o ser\u00e1 crist\u00e3o. A mistica crist\u00e3 se vive plenamente na Eucaristia. N\u00e3o precisamos ir a um mosteiro nem sermos uma Santa Teresa de Avila ou um S\u00e3o Jo\u00e3o de Cruz, chamado o mistico dos misticos, para sentir-nos realmente unidos a Deus. Todo aquele que come o P\u00e3o Eucar\u00edstico consciente de estar, mais do que recebendo, fisicamente, comendo a Deus feito carne em Cristo, une-se no ser e na vida a Deus. A Eucaristia \u00e9 a mistica e o Mist\u00e9rio da nossa F\u00e9. Temos de A viver como nossa verdadeira espiritualidade em suas duas grandes dimens\u00f5es: P\u00e1scoa e Comunh\u00e3o. Como P\u00e1scoa, passamos da morte e do pecado \u00e0 vida santa de Deus. Como Comunh\u00e3o, ficamos unidos eternamente a Ele. Seria t\u00e3o sublime, dizer a n\u00f3s mesmos toda vez que nos dispomos participar deste Mist\u00e9rio: vou celebrar minha vit\u00f3ria contra a morte e o pecado e unir-me a Deus. Na luta de cada dia, nunca nos sentiriamos derrotados e nossa viagem existencial seria feliz. Precisamos limpar o p\u00f3 que ao longo dos tempos encobriram a p\u00e9rola eucaristica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Wittgenstein, na sua filosofia da linguagem, afirma que uma das grandes tarefas do saber humano consiste em corregir ou rescobrir o sentido das palavras. A Eucaristia precisa dessa redescoberta. Ela recebeu v\u00e1rios nomes ao longo da Hist\u00f3ria, como fra\u00e7\u00e3o do P\u00e3o, P\u00e1scoa, Missa, Eucaristia. Hoje nos reportaria seu maior sentido salvador se fosse referida significando sua a\u00e7\u00e3o salvifica de Deus e comunh\u00e3o de vida com Ele. Express\u00f5es t\u00e3o populares como Missa de setimo dia, de a\u00e7ao de gra\u00e7as, de casais, de sana\u00e7\u00e3o, de doentes, de almas e outras escurecem este Mist\u00e9rio mistico da nossa F\u00e9. Da mesma maneira o acumulo de ritos e s\u00edmbolos dentro da sua celebra\u00e7\u00e3o que, ao inv\u00e9s de A enriquecer, A empobrecem e encobrem Seu verdadeiro sentido. E maior pecado cometemos ainda quando o P\u00e3o da Vida a comer, que Cristo nos d\u00e1 gratuitamente O condicionamos aos nossos meritos e santidade, desmentindo as palavras de Jesus: &#8220;Eu n\u00e3o vim para os que tem sa\u00fade, mas para os doentes&#8221;. H\u00e1 um livro de um te\u00f3logo australiano, n\u00e3o h\u00e1 muito tempo publicado, sobre a Eucaristia, intitulado: &#8220;Corpo partido para um Corpo partido&#8221;. Jesus quebrantado na cruz para n\u00f3s quebrantados ou partidos pelo pecado, que nos ajuda a comer P\u00e3o da Vida sempre. As palavras antes da Comunh\u00e3o: &#8220;Senhor eu n\u00e3o sou digno&#8230;&#8221; s\u00e3o maravilhosas mas n\u00e3o exprimem a grandiosidade da nossa Comunh\u00e3o com Deus de maneira existencial e escurecem a gra\u00e7a salvifica de Deus, condicionando-a a nossa santidade. Sem uma viv\u00eancia m\u00edstica da nossa F\u00e9, pela qual nos sentimos unidos a Deus, nos esfor\u00e7aremos por ir a Deus sem jamais atingirmos esta meta e o cristianismo deixar\u00e1 de ser crist\u00e3o, isto \u00e9 vida de Cristo e, em Cristo, vida de Deus, que na Eucaristia se faz realmente presente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Padre Jesus Priante<br \/>\n(Edi\u00e7\u00e3o por Malcolm Forest. S\u00e3o Paulo.)<br \/>\nCopyright 2021 Padre Jesus Priante.<br \/>\nDireitos Reservados.<br \/>\nCompartilhe mencionando o nome do autor.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;O CRISTIANSMO SER\u00c1 M\u00cdSTICO OU N\u00c3O SER\u00c1 CRIST\u00c3O&#8221; (K.Rahner) Ao longo do tempo, os crist\u00e3os adotaram duas grandes espiritualidades: a asc\u00e9tica e a m\u00edstica. A segunda, mais comum e condizente com a religiosidade natural do ser humano; a segunda busca a salva\u00e7\u00e3o pelos pr\u00f3prios m\u00e9ritos. Esfor\u00e7o, disciplina, ren\u00fancia e sacrif\u00edcio configuram a vida espiritual de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":69514,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-69513","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cotidiano"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/69513","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=69513"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/69513\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":69515,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/69513\/revisions\/69515"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/media\/69514"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=69513"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=69513"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=69513"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}