{"id":69173,"date":"2021-08-06T08:52:38","date_gmt":"2021-08-06T11:52:38","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=69173"},"modified":"2021-08-06T13:53:52","modified_gmt":"2021-08-06T16:53:52","slug":"ecclesiam-suam-e-veritatis-splendor-duas-enciclicas-sobre-o-dialogo-e-a-verdade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/ecclesiam-suam-e-veritatis-splendor-duas-enciclicas-sobre-o-dialogo-e-a-verdade\/","title":{"rendered":"Ecclesiam suam e Veritatis splendor, duas enc\u00edclicas sobre o di\u00e1logo e a verdade"},"content":{"rendered":"<figure class=\"article__image\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"didascalia_img\">Duas enc\u00edclicas na Festa da Transfigura\u00e7\u00e3o de Jesus\u00a0<\/span><\/figure>\n<div class=\"article__meta audioInside\" data-mediatype=\"\">\n<div class=\"article__subTitle\" style=\"text-align: justify;\">Ambas t\u00eam a data de 6 de agosto, a festa da Transfigura\u00e7\u00e3o: s\u00e3o as enc\u00edclicas de Paulo VI (1964) e Jo\u00e3o Paulo II (1993). Vinte e nove anos depois, eles abordam, entre outras quest\u00f5es, a rela\u00e7\u00e3o entre a Igreja e a cultura contempor\u00e2nea.<\/div>\n<div class=\"title__separator\" style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div class=\"article__text \">\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Sergio Centofanti<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi a primeira enc\u00edclica de Paulo VI (6 de agosto de 1964), escrita durante o Conc\u00edlio Vaticano II:\u00a0<i><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/paul-vi\/pt\/encyclicals\/documents\/hf_p-vi_enc_06081964_ecclesiam.html\" target=\"_blank\" rel=\"external noopener\">Ecclesiam suam<\/a><\/i>\u00a0\u00e9 o texto program\u00e1tico do pontificado do Papa Montini, que apela para uma Igreja aberta ao di\u00e1logo com o mundo, a partir da sua identidade crist\u00e3. \u00c9 uma enc\u00edclica do di\u00e1logo baseada na verdade.<\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"article__embed article__embed--unwrap article__embed--dark\">\n<div class=\"article__innerTitle\">Ou\u00e7a e compartilhe!<\/div>\n<div>\n<!--[if lt IE 9]><script>document.createElement('audio');<\/script><![endif]-->\n<audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-69173-1\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/mpeg\" src=\"https:\/\/media.vaticannews.va\/media\/audio\/s1\/2021\/08\/06\/11\/136140601_F136140601.mp3?_=1\" \/><a href=\"https:\/\/media.vaticannews.va\/media\/audio\/s1\/2021\/08\/06\/11\/136140601_F136140601.mp3\">https:\/\/media.vaticannews.va\/media\/audio\/s1\/2021\/08\/06\/11\/136140601_F136140601.mp3<\/a><\/audio>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\"><i><a href=\"https:\/\/www.vatican.va\/content\/john-paul-ii\/pt\/encyclicals\/documents\/hf_jp-ii_enc_06081993_veritatis-splendor.html\" target=\"_blank\" rel=\"external noopener\">Veritatis splendor<\/a><\/i>\u00a0(6 de agosto de 1993) \u00e9 a d\u00e9cima enc\u00edclica de Jo\u00e3o Paulo II e pretende reafirmar os fundamentos da doutrina cat\u00f3lica em um per\u00edodo de crescente relativismo moral. \u00c9 uma enc\u00edclica sobre a verdade baseada em um di\u00e1logo entre Jesus e o jovem rico. O texto parte precisamente desta passagem evang\u00e9lica (Mt 19, 16-21).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Duas enc\u00edclicas na Festa da Transfigura\u00e7\u00e3o: a verdadeira luz \u00e9 Jesus, a verdade encarnada que dialoga com Mois\u00e9s e Elias. \u00c9 Jesus quem leva ao cumprimento a Lei e os Profetas.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><b>Paulo VI: n\u00e3o \u00e9 de fora que salvamos o mundo<\/b><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Paulo VI sublinha a urg\u00eancia de levar o Evangelho para o mundo. Eis o di\u00e1logo: &#8221; N\u00e3o \u00e9 de fora que salvamos o mundo; assim como o Verbo de Deus se fez homem, assim \u00e9 necess\u00e1rio que n\u00f3s nos identifiquemos, at\u00e9 certo ponto, com as formas de vida daqueles a quem desejamos levar a mensagem de Cristo,&#8221;, e mesmo antes de falar \u00e9 preciso &#8221; auscultar a voz e mesmo o cora\u00e7\u00e3o do homem, compreend\u00ea-lo e, na medida do poss\u00edvel, respeit\u00e1-lo. E quando merece, devemos fazer-lhe a vontade. Temos de nos mostrar irm\u00e3os dos homens, se queremos ser pastores, pais e mestres. O clima do di\u00e1logo \u00e9 a amizade; melhor, o servi\u00e7o&#8221;. (ES 49).<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><b>O di\u00e1logo \u00e9 feito de mansid\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 pungente nem ofensivo<\/b><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">O di\u00e1logo n\u00e3o atenua a verdade, mas \u00e9 feito &#8220;de retid\u00e3o, estima, simpatia, bondade por parte daqueles que o estabelecem; exclui a condena\u00e7\u00e3o aprior\u00edstica, a pol\u00eamica ofensiva e habitual&#8221; (ES 81). Outro car\u00e1ter do di\u00e1logo \u00e9 a mansid\u00e3o: &#8220;O di\u00e1logo n\u00e3o \u00e9 orgulhoso, n\u00e3o \u00e9 pungente, n\u00e3o \u00e9 ofensivo. A autoridade vem-lhe da verdade que exp\u00f5e, da caridade que difunde, do exemplo que prop\u00f5e; n\u00e3o \u00e9 comando, n\u00e3o \u00e9 imposi\u00e7\u00e3o. \u00c9 pac\u00edfico; evita os modos violentos, \u00e9 paciente; \u00e9 generoso. Outra caracter\u00edstica \u00e9 a confian\u00e7a, tanto na efic\u00e1cia da palavra-convite, como na receptividade do interlocutor. Produz confid\u00eancias e amizade, enla\u00e7a os esp\u00edritos numa ades\u00e3o m\u00fatua ao Bem, que exclui qualquer interesse ego\u00edsta&#8221;. &#8221; No di\u00e1logo, assim entabulado, realiza-se a uni\u00e3o da verdade e da caridade, da intelig\u00eancia e do amor.&#8221; (ES 47).<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><b>O di\u00e1logo como um exerc\u00edcio de paci\u00eancia e aprofundamento<\/b><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cNo di\u00e1logo&#8221;, escreve Paulo VI, &#8220;descobrimos como s\u00e3o diversas as vias que levam \u00e0 luz da f\u00e9, mas como apesar disso \u00e9 poss\u00edvel faz\u00ea-las convergir para o mesmo fim&#8221;. Ainda que sejam divergentes, podem tornar-se complementares, levando o nosso racioc\u00ednio para fora das sendas comuns e obrigando-o a aprofundar as investiga\u00e7\u00f5es e a renovar os modos de express\u00e3o. A dial\u00e9tica deste exerc\u00edcio de pensamento e de paci\u00eancia far-nos-\u00e1 descobrir elementos de verdade mesmo nas opini\u00f5es alheias, obrigar-nos-\u00e1 a exprimir com grande lealdade a nossa doutrina, e tornar-nos-\u00e1 merecedores, j\u00e1 s\u00f3 pelo que nos custou exp\u00f4-la \u00e0s obje\u00e7\u00f5es e \u00e0 assimila\u00e7\u00e3o lenta de quem nos ouve. Tornar-nos-\u00e1 s\u00e1bios, far-nos-\u00e1 mestres.&#8221; (ES 48).<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><b>Ningu\u00e9m \u00e9 um estranho ao cora\u00e7\u00e3o da Igreja<\/b><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Papa Montini chama \u201cdi\u00e1logo da salva\u00e7\u00e3o. Obedece a exig\u00eancias ensinadas pela experi\u00eancia, escolhe os meios convenientes, n\u00e3o se prende a v\u00e3os apriorismos nem se fixa em express\u00f5es im\u00f3veis, quando estas tenham perdido o poder de interessar e mover os homens.\u201d (ES 48). \u00c8 um di\u00e1logo que a Igreja quer estabelecer com todos: \u201cNingu\u00e9m \u00e9 estranho ao seu cora\u00e7\u00e3o materno. Ningu\u00e9m \u00e9 indiferente ao seu minist\u00e9rio. Ningu\u00e9m, se n\u00e3o quer, \u00e9 seu inimigo.\u201d (ES 53).<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><b>Jo\u00e3o Paulo II: o amor al\u00e9m da interpreta\u00e7\u00e3o legalista<\/b><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um di\u00e1logo evang\u00e9lico permeia toda a\u00a0<i>Veritatis splendor<\/i>\u00a0de Jo\u00e3o Paulo II. O jovem rico faz a Jesus esta pergunta: &#8220;Mestre, que devo fazer de bom para ganhar a vida eterna&#8221;? (Mt 19,16). N\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o de &#8220;truque&#8221;, como as perguntas feitas pelos fariseus, mas &#8220;uma quest\u00e3o de plenitude e significado para a vida&#8221; (VS 7). Esse homem respeita a Lei, mas vai embora triste ap\u00f3s o encontro com Cristo, a &#8220;Lei viva&#8221; que indica o caminho radical do amor, totalmente al\u00e9m da &#8220;interpreta\u00e7\u00e3o legalista dos mandamentos&#8221; (VS 16). O jovem procura Jesus e dialoga com ele, mas parece-lhe que o que lhe \u00e9 pedido \u00e9 grande demais: a perfei\u00e7\u00e3o no amor. &#8220;Nenhum esfor\u00e7o humano, nem mesmo a mais estrita observ\u00e2ncia dos mandamentos, pode &#8216;cumprir&#8217; a Lei&#8221; &#8211; explica o Papa Wojtyla &#8211; porque seu cumprimento &#8220;s\u00f3 pode vir de um dom de Deus&#8221; (VS 11). No entanto &#8211; ele especifica &#8211; &#8220;s\u00f3 se pode &#8216;permanecer&#8217; apaixonado na condi\u00e7\u00e3o de guardar os mandamentos&#8221; (VS 24).<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><b>Nenhum pecado humano apaga a miseric\u00f3rdia de Deus<\/b><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">A este respeito, Jo\u00e3o Paulo II, diante do relativismo, enfatiza a necessidade de defender as verdades crist\u00e3s no campo moral e fala de &#8220;normas morais universais e imut\u00e1veis&#8221;, que \u00e0s vezes exigem grande esfor\u00e7o e sacrif\u00edcio. Neste contexto &#8211; observa &#8211; abre-se um duplo espa\u00e7o: o da esperan\u00e7a, com a ajuda da gra\u00e7a divina, e o da miseric\u00f3rdia de Deus diante da fraqueza humana. Jesus &#8220;n\u00e3o veio para condenar, mas para perdoar, para usar miseric\u00f3rdia&#8221; e &#8220;nenhum pecado humano pode cancelar a miseric\u00f3rdia de Deus, pode impedir que ele libere todo seu poder vitorioso, se n\u00f3s apenas o invocarmos&#8221;. (VS 118). A moral crist\u00e3&#8221;, afirma, &#8220;consiste, em termos de simplicidade evang\u00e9lica, seguir Jesus Cristo, abandonar-se a Ele, deixar-se transformar pela Sua gra\u00e7a e renovar pela Sua miseric\u00f3rdia&#8221; (VS 119).<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Duas enc\u00edclicas na Festa da Transfigura\u00e7\u00e3o de Jesus\u00a0 Ambas t\u00eam a data de 6 de agosto, a festa da Transfigura\u00e7\u00e3o: s\u00e3o as enc\u00edclicas de Paulo VI (1964) e Jo\u00e3o Paulo II (1993). Vinte e nove anos depois, eles abordam, entre outras quest\u00f5es, a rela\u00e7\u00e3o entre a Igreja e a cultura contempor\u00e2nea. 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