{"id":69126,"date":"2021-08-03T09:12:33","date_gmt":"2021-08-03T12:12:33","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=69126"},"modified":"2021-08-03T18:14:25","modified_gmt":"2021-08-03T21:14:25","slug":"sinais-de-esperanca-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/sinais-de-esperanca-2\/","title":{"rendered":"Sinais de esperan\u00e7a"},"content":{"rendered":"<figure class=\"article__image\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"didascalia_img\">&#8220;O verdadeiro amor \u00e9 abnegado, \u00e9 gratuito: n\u00e3o amamos para depois receber um favor em troca!&#8221; Papa Francisco, Angelus de 1\u00b0 de agosto de 2021\u00a0 (\u00a9paul &#8211; stock.adobe.com)<\/span><\/figure>\n<div class=\"article__meta \" data-mediatype=\"\">\n<div class=\"article__subTitle\" style=\"text-align: justify;\">A maturidade da f\u00e9 e a tenta\u00e7\u00e3o milagreira. Uma reflex\u00e3o, entre magist\u00e9rio e literatura, no editorial de Andrea Monda, nas p\u00e1ginas do L&#8217;Osservatore Romano<\/div>\n<div class=\"title__separator\" style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div class=\"article__text \">\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Andrea Monda<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00abBuscais-me, n\u00e3o porque vistes os milagres, mas porque comestes dos p\u00e3es e ficastes saciados\u00bb (Jo 6, 26). A palavra de Deus, que \u00e9 sempre \u00abviva, eficaz, mais penetrante do que uma espada de dois gumes\u00bb deveras \u00abatinge at\u00e9 a divis\u00e3o da alma e do corpo, das juntas e medulas\u00bb (Hb 4, 12) e coloca-nos numa encruzilhada, de um lado os sinais, do outro os p\u00e3es, ou melhor: de um lado a cegueira aos sinais e do outro a fome de coisas materiais. Durante o \u00faltimo Angelus dominical, o Papa Francisco observou que as pessoas referidas no trecho evang\u00e9lico, embora tivessem testemunhado o milagre da multiplica\u00e7\u00e3o dos p\u00e3es, \u00abn\u00e3o compreenderam o significado do gesto: pararam no milagre exterior e no p\u00e3o material: unicamente, sem ir mais longe, ao significado disso\u00bb. Esta f\u00e9 \u00e9 superficial, sujeita a uma \u00abtenta\u00e7\u00e3o id\u00f3latra\u00bb, uma f\u00e9 que segundo o Papa \u00abpermanece milagreira: procuramos Deus para nos alimentarmos e depois esquecemo-nos d\u2019Ele quando estamos satisfeitos. No centro desta f\u00e9 imatura n\u00e3o h\u00e1 Deus, h\u00e1 as nossas necessidades\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta \u201cimaturidade\u201d \u00e9 a alavanca do Tentador desde o in\u00edcio, quando convida Ad\u00e3o e Eva a \u201ccomer toda\u201d a cria\u00e7\u00e3o, a consumi-la imediata e totalmente, esquecendo-se de que \u00e9 um sinal da bondade do Criador (ali\u00e1s, olhando com desconfian\u00e7a para esse des\u00edgnio), e mais tarde tamb\u00e9m com o pr\u00f3prio Jesus, desafiando-o a transformar pedras em p\u00e3o. Sabemos o resultado destas tenta\u00e7\u00f5es id\u00f3latras: a perda da liberdade, da confian\u00e7a filial em Deus e, por conseguinte, da dignidade que \u00e9 pr\u00f3pria da criatura humana. Como diz o Grande Inquisidor de Dostoievski a Jesus que volta \u00e0 Sevilha do s\u00e9culo XVI: h\u00e1 tr\u00eas for\u00e7as capazes de tirar a liberdade ao homem: o milagre, o mist\u00e9rio e a autoridade. Esta ambiguidade do milagre \u00e9 terr\u00edvel, e n\u00e3o \u00e9 por acaso que o Evangelho de Jo\u00e3o chama \u201cmilagres\u201d com outra palavra decisiva: \u201csinais\u201d. O mundo \u00e9 um universo de sinais e s\u00edmbolos. \u00c9 uma quest\u00e3o de desenvolver e amadurecer esta capacidade de vis\u00e3o que capta o significado adicional da realidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tudo isto \u00e9 muito bem expresso pelo poeta polaco Czes\u0142aw Mi\u0142osz na poesia\u00a0<i>O sentido<\/i>\u00a0quando fala da outra parte, o \u00abrevestimento do mundo\u00bb que se esconde \u00abatr\u00e1s da ave, da montanha, do p\u00f4r do sol\u00bb, \u00e9 nisto que encontramos \u00abo verdadeiro significado que gostaria que fosse lido\u00bb. Quando o lermos, acontecer\u00e1 que \u00abo que era irreconcili\u00e1vel ser\u00e1 reconciliado \/ E o que era incompreens\u00edvel ser\u00e1 compreendido\u00bb. Mas enquanto vivermos corremos o risco de n\u00e3o compreender este significado e de viver na d\u00favida: \u00abMas e se n\u00e3o houver revestimento para o mundo? \/ Se o tordo sobre o ramo n\u00e3o for um sinal \/ mas apenas um tordo sobre o ramo, se dia e noite \/ se seguirem uns aos outros sem ter em conta um sentido \/ e n\u00e3o houver nada na terra, para al\u00e9m desta terra?\u00bb. Uma d\u00favida que pode tornar-se desespero, adverte o poeta na l\u00edrica\u00a0<i>Esperan\u00e7a<\/i>: \u00abAlguns dizem que os olhos nos enganam \/ E que n\u00e3o h\u00e1 nada, apenas apar\u00eancia.\/ Mas precisamente eles n\u00e3o t\u00eam esperan\u00e7a.\/ Pensam que assim que o homem vira as costas \/ o mundo inteiro j\u00e1 n\u00e3o existe, \/ como se fosse levado pelas m\u00e3os de ladr\u00f5es\u00bb. A palavra de Deus \u00e9, ent\u00e3o, como um \u201cantirroubo\u201d que impede que a tenta\u00e7\u00e3o ven\u00e7a a nossa fraqueza e nos fa\u00e7a permanecer na esperan\u00e7a de que, diz Mi\u0142osz: \u00abExiste, quando se acredita \/ que a terra n\u00e3o \u00e9 um sonho, mas um corpo vivo, \/ e que a vis\u00e3o, o tato e a audi\u00e7\u00e3o n\u00e3o mentem. \/ E todas as coisas que conheci aqui \/ s\u00e3o como um jardim, \/ quando estou no limiar\u00bb.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;O verdadeiro amor \u00e9 abnegado, \u00e9 gratuito: n\u00e3o amamos para depois receber um favor em troca!&#8221; Papa Francisco, Angelus de 1\u00b0 de agosto de 2021\u00a0 (\u00a9paul &#8211; stock.adobe.com) A maturidade da f\u00e9 e a tenta\u00e7\u00e3o milagreira. 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