{"id":69084,"date":"2021-08-02T09:53:49","date_gmt":"2021-08-02T12:53:49","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=69084"},"modified":"2021-08-02T15:56:15","modified_gmt":"2021-08-02T18:56:15","slug":"palavras-soltas-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/palavras-soltas-2\/","title":{"rendered":"PALAVRAS SOLTAS"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Me\u00e7a as palavras, pois elas s\u00e3o como crian\u00e7as que gritam, clamam, reclamam e conclamam. Se soub\u00e9ssemos medir o poder da palavra passar\u00edamos bons anos de nossa vida em sil\u00eancio. Ou ser\u00edamos incans\u00e1veis tagarelas para defender uma ideia, um ponto de vista, uma verdade. Nada h\u00e1 de mais poderoso entre os humanos que a for\u00e7a transformadora da palavra. Tanto para o bem quanto para o mal. Isso tudo sabemos por experi\u00eancia pessoal, mas nossa pr\u00e1tica \u00e9 bem outra: poucos, pouqu\u00edssimos, conseguem frear suas l\u00ednguas ou usar o poder destas para edificar, alertar, instruir, proclamar seus sentimentos e convic\u00e7\u00f5es. J\u00e1 a crian\u00e7a diz o que pensa, exige, protesta e publica em alto e bom som o que seus cora\u00e7\u00f5es ainda puros necessitam dizer. Dos l\u00e1bios de uma crian\u00e7a transborda a verdade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Por que me valho desse tema \u2013 t\u00e3o banal e desvalorizado \u2013 quando o fetiche da modernidade \u00e9 hoje a l\u00edngua solta? \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Quando a fofoca se torna o centro dos debates corriqueiros e ganha ares tecnol\u00f3gicos via redes sociais? As revistas que mais vendem t\u00eam como prato a fofoca. Estar bem-informado e ser centro das aten\u00e7\u00f5es numa rodinha de amigos \u00e9 bisbilhotar e falar da vida alheia. E dela conhecer conquistas e derrotas, com quem se deita ou se levanta, como se veste e quanto gasta com sup\u00e9rfluos, com a est\u00e9tica corporal, com canalhices&#8230; \u00c9 se postar diariamente para mensurar a pr\u00f3pria vaidade, sem pudores, sem preconceitos. O importante s\u00e3o as \u201ccurtidas\u201d, n\u00e3o o que dizem a respeito. Desde que seja voc\u00ea o alvo das aten\u00e7\u00f5es. A fofoca tornou-se uma medida de popularidade, um meio de autoafirma\u00e7\u00e3o social, que sacia nossa sede de realiza\u00e7\u00e3o pessoal. Ent\u00e3o, que falem de mim!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Esse terr\u00edvel conceito de vida social parece n\u00e3o ter limites. A fofoca moderna \u00e9 instant\u00e2nea, via sat\u00e9lite, globalizada. Para o indiv\u00edduo isolado nas massas seus instrumentos para dizer que existe est\u00e1 ao alcance das m\u00e3os. Basta expor-se o mais que puder, deixando de lado qualquer sentimento de recato; jogar-se na l\u00edngua do povo. Quem teme o rid\u00edculo est\u00e1 fadado ao ostracismo (palavr\u00e3o cl\u00e1ssico para designar aqueles que s\u00e3o esquecidos) e dificilmente alcan\u00e7ar\u00e1 o sucesso que o mundo hoje aplaude. O sucesso dos infelizes!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Por que ent\u00e3o medir palavras? Para inverter esse processo de degrada\u00e7\u00e3o que hoje corr\u00f3i as rela\u00e7\u00f5es humanas. Se, ao inv\u00e9s de apedrejar, soub\u00e9ssemos ponderar, falar\u00edamos menos e agir\u00edamos mais. A maior desgra\u00e7a das rela\u00e7\u00f5es humanas \u00e9 a fofoca. Nada constr\u00f3i e, ao contr\u00e1rio do que muitos pensam, n\u00e3o \u00e9 trampolim para nossa ascens\u00e3o social. Ela nos marca para sempre. Coloca em nossas testas o r\u00f3tulo vermelho de um alerta p\u00fablico: pessoa inconfi\u00e1vel! Cuidado! N\u00e3o se aproxime! Pode lhe ferir!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 J\u00e1 aos ponderados h\u00e1 sempre portas abertas. Suas palavras e suas a\u00e7\u00f5es n\u00e3o possuem o ran\u00e7o da disc\u00f3rdia, o lastro da maldade, a peja da dela\u00e7\u00e3o, da trai\u00e7\u00e3o. Quando abrem a boca, dizem verdades. Quando aconselham, sabem o que dizer. T\u00eam o olhar sempre atento \u00e0s necessidades do outro, n\u00e3o apenas \u00e0s pr\u00f3prias. Conhecem o ch\u00e3o ondem pisam e sabem aonde querem chegar. A eles est\u00e1 reservado o verdadeiro sucesso, a vit\u00f3ria plena de seus objetivos. Deles pouco se fala, mas muito se respeita. Simplesmente porque no sil\u00eancio encontram a sabedoria de uma vida que sabe cuidar de si mesmo, sem com isso desqualificar aqueles que est\u00e3o ao lado. E mais: a saliva mais pegajosa do mundo animal n\u00e3o \u00e9 a daquele p\u00e1ssaro que abre seu bico para aprisionar moscas em suas mucosas e delas se alimentar. \u00c9 a saliva daqueles que mant\u00eam a boca aberta para empanturrar seus c\u00e9rebros com as muri\u00e7ocas pequenas e insignificantes que rondam a vida alheia. Esquecem do vespeiro com enormes varejeiras ao redor de suas f\u00e9tidas carca\u00e7as.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Me\u00e7a as palavras, pois elas s\u00e3o como crian\u00e7as que gritam, clamam, reclamam e conclamam. Se soub\u00e9ssemos medir o poder da palavra passar\u00edamos bons anos de nossa vida em sil\u00eancio. 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