{"id":68959,"date":"2021-07-24T09:13:04","date_gmt":"2021-07-24T12:13:04","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=68959"},"modified":"2021-07-26T16:15:37","modified_gmt":"2021-07-26T19:15:37","slug":"xvii-domingo-do-tempo-comum","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/xvii-domingo-do-tempo-comum\/","title":{"rendered":"XVII Domingo do Tempo Comum"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 No 17\u00ba. Domingo do Tempo Comum \u2013 por vontade expressa do Papa Francisco \u2013 Primeira Festa dos Av\u00f3s e Idosos \u2013 na perspectiva da Festa de S\u00e3o Joaquim e de Sant\u2019Ana, av\u00f3s de Jesus, a Palavra de Deus (2Rs 4,42-44 e Jo 6,1-15) tem como tema central a provid\u00eancia de Deus que satisfaz todas as necessidades do homem. Em 2Rs 4,42-44, l\u00ea-se a multiplica\u00e7\u00e3o dos p\u00e3es levada a cabo por Eliseu, multiplica\u00e7\u00e3o esta que \u00e9 figura e pren\u00fancio daquela outra que foi realizada, uns oito s\u00e9culos mais tarde, por Jesus e que se l\u00ea no Evangelho (Jo 6,1-15). Um homem apresenta-se ao profeta levando consigo \u201cvinte p\u00e3es de cevada\u201d e recebe a ordem de os distribuir \u00e0 sua gente: cem homens. O servo responde dizendo que tal provis\u00e3o \u00e9 insuficiente, mas Eliseu repete a ordem nome de Deus: \u201cd\u00e1 ao povo para que coma; pois assim diz o Senhor: \u201ccomer\u00e3o e ainda sobrar\u00e1\u201d (2Rs 4, 43).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O tema do p\u00e3o na liturgia de hoje: ele aparece claramente na primeira leitura e no evangelho e, de modo impl\u00edcito, est\u00e1 presente tamb\u00e9m no salmo. Na tradi\u00e7\u00e3o b\u00edblica, o p\u00e3o recorda duas coisas important\u00edssimas. Lembra-nos, primeiramente, que n\u00e3o somos auto-suficientes, n\u00e3o possu\u00edmos a vida de modo absoluto: devemos sempre renov\u00e1-la, lutar por ela. O homem n\u00e3o se basta a si pr\u00f3prio; precisa do p\u00e3o de cada dia. E aqui, um segundo importante aspecto: o homem n\u00e3o pode, sozinho, prover-se de p\u00e3o: \u00e9 Deus quem faz a chuva cair, quem torna o solo fecundo, quem d\u00e1 vigor \u00e0 semente. Assim, a vida humana est\u00e1 continuamente na depend\u00eancia do Senhor. Portanto, meus caros, todos necessitamos do p\u00e3o nosso de cada dia \u2013 e este \u00e9 dom de Deus. \u201c<em>O que tens tu, \u00f3 homem, que n\u00e3o tenhas recebido? E, se recebeste, do que, ent\u00e3o, te glorias?\u201d<\/em><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O milagre repete-se, mas de uma maneira mais imponente, nos verdes montes da Galileia, quando Jesus se v\u00ea rodeado de uma grande multid\u00e3o que o procurava (Jo 6,5). Tal como Eliseu, que tinha saciado a fome dos seus disc\u00edpulos, assim Jesus prov\u00ea \u00e0s necessidades das multid\u00f5es que O acompanhavam para ouvir a Sua palavra. Mas, enquanto no caso de Eliseu, vinte p\u00e3es saciaram os homens; no caso de Jesus, cinco p\u00e3es e dois peixes saciam uns cinco mil. Nos dois casos, h\u00e1 sobras \u2013 doze cestos no caso do Evangelho \u2013, para mostrar que Deus n\u00e3o \u00e9 avaro em prover as necessidades de Suas criaturas. Reza o Salmo: \u201cV\u00f3s abris a vossa m\u00e3o prodigamente e saciais todo ser vivo com fartura\u201d (Sl 144 (145), 16).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Significativa a sobra dos doze cestos. O novo Povo de Deus, nascido do mist\u00e9rio pascal de Cristo, ser\u00e1 alimentado por Jesus, multiplicado nos Doze Ap\u00f3stolos que participam da multiplica\u00e7\u00e3o dos p\u00e3es. Mais importante ainda do que a multiplica\u00e7\u00e3o dos p\u00e3es \u00e9 o seu simbolismo. Para saciar a fome da multid\u00e3o faminta, Jesus quer multiplicar-se nos seus Ap\u00f3stolos, nos seus disc\u00edpulos, em sua Igreja.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Se o milagre de Eliseu \u00e9 figura da multiplica\u00e7\u00e3o dos p\u00e3es, levada a cabo por Cristo, esta \u00e9 prepara\u00e7\u00e3o e figura de um milagre mais estrondoso: a Eucaristia. N\u00e3o est\u00e1 por acaso a descri\u00e7\u00e3o dos gestos do Senhor: \u201ctomou os p\u00e3es, deus gra\u00e7as e distribuiu-os aos que estavam sentados\u2026\u201d (Jo 6,11). Ela antecipa, quase \u00e0 letra, os gestos e as palavras da institui\u00e7\u00e3o da Eucaristia. Depois de ter saciado t\u00e3o copiosamente a fome dos corpos, Jesus tamb\u00e9m prover\u00e1, de maneira divina e inef\u00e1vel, a da alma. Alimentados por um \u00fanico p\u00e3o, o Corpo do Senhor, os fi\u00e9is formam um s\u00f3 corpo, o Corpo M\u00edstico de Cristo. Esta realidade \u00e9 o alicerce do dever da caridade e da solidariedade crist\u00e3, de que fala S\u00e3o Paulo em Ef 4,1-6, ao exortar os fi\u00e9is a \u201ccaminhardes de acordo com a voca\u00e7\u00e3o que recebestes; com toda humildade e mansid\u00e3o, suportai-vos uns aos outros com paci\u00eancia, no amor\u201d (Ef 4,1).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Jesus, ao multiplicar os p\u00e3es, apresenta-se como aquele que d\u00e1 vida, que nos sacia com o sentido da exist\u00eancia \u2013 sim, porque n\u00e3o h\u00e1 vida de verdade para quem vive sem saber o sentido do viver! \u2013 D\u00e1-nos, Jesus a vida f\u00edsica, a vida saud\u00e1vel, mas d\u00e1-nos, mais que tudo, a raz\u00e3o verdadeira de viver uma vida que valha a pena.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O mandato de recolher os peda\u00e7os que sobram ensina que os bens materiais, por serem dons de Deus, n\u00e3o se devem desperdi\u00e7ar, mas h\u00e3o de ser usados com esp\u00edrito de pobreza. Neste sentido, explica Paulo VI que \u201cdepois de ter alimentado com liberalidade a multid\u00e3o, o Senhor recomenda aos seus disc\u00edpulos que recolham o que sobrou para que nada se perca. Que formosa li\u00e7\u00e3o de economia, no sentido mais nobre e mais pleno da palavra, para a nossa \u00e9poca, dominada pelo esbanjamento! Al\u00e9m disso, leva consigo a condena\u00e7\u00e3o de toda uma concep\u00e7\u00e3o da sociedade em que at\u00e9 o pr\u00f3prio consumo tende a converter-se no pr\u00f3prio bem, desprezando os que se veem necessitados e em detrimento, em \u00faltima an\u00e1lise, dos que julgam ser seus pr\u00f3prios benefici\u00e1rios, incapazes j\u00e1 de perceber que o homem \u00e9 chamado a um destino mais alto\u201d (Discurso aos participantes na Confer\u00eancia mundial da Alimenta\u00e7\u00e3o, 09 de novembro de 1974).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Vivendo intensamente esse Mist\u00e9rio, nos tornamos realmente membros do corpo de Cristo, que \u00e9 a Igreja. Cumprem-se em n\u00f3s, de modo real, as palavras do Ap\u00f3stolo: <em>\u201cH\u00e1 um s\u00f3 Corpo e um s\u00f3 Esp\u00edrito, como tamb\u00e9m \u00e9 uma s\u00f3 a esperan\u00e7a a que fostes chamados. H\u00e1 um s\u00f3 Senhor, uma s\u00f3 f\u00e9, um s\u00f3 batismo, um s\u00f3 Deus e Pai de todos, que reina sobre todos, age por meio de todos e permanece em todos\u201d.<\/em> Eis, car\u00edssimos! Que o bendito P\u00e3o do c\u00e9u, neste sinal t\u00e3o pobre e humilde do p\u00e3o e do vinho eucar\u00edsticos, nos fa\u00e7a compreender e acolher a constante presen\u00e7a do Senhor entre n\u00f3s e nos d\u00ea a gra\u00e7a de vivermos de verdade a vida de Igreja, sendo um sinal seu no meio do mundo. Am\u00e9m.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 No 17\u00ba. 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