{"id":68896,"date":"2021-07-22T09:11:17","date_gmt":"2021-07-22T12:11:17","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=68896"},"modified":"2021-07-22T15:13:10","modified_gmt":"2021-07-22T18:13:10","slug":"nem-so-de-fazer-vive-o-homem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/nem-so-de-fazer-vive-o-homem\/","title":{"rendered":"Nem s\u00f3 de fazer vive o homem"},"content":{"rendered":"<div class=\"article__subTitle\" style=\"text-align: justify;\">\u201cA verdadeira felicidade \u00e9 perceber que tudo o que temos buscado avidamente, n\u00e3o est\u00e1 longe de n\u00f3s\u201d. Padre Luigi Epicoco reflete sobre o per\u00edodo de ver\u00e3o com vistas a uma teologia das f\u00e9rias: esta palavra, afirma, indica um vazio, um espa\u00e7o no qual \u00e9 poss\u00edvel fazer vibrar o eco de uma voz mais alta na quietude do descanso<\/div>\n<div class=\"title__separator\" style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div class=\"article__text \">\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Pe. Luigi Maria Epicoco<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O verbo fazer \u00e9 o verbo ao qual somos muito apegados. T\u00e3o apegados ao ponto de sacrificar por ele at\u00e9 mesmo o verbo ser. Fazer \u00e9 nossa maneira de n\u00e3o pensar muito, de n\u00e3o entrar em n\u00f3s mesmos, de n\u00e3o encarar as coisas s\u00e9rias da vida. Fazer nos d\u00e1 satisfa\u00e7\u00e3o imediata, leva a s\u00e9rio nossa necessidade inata de confirma\u00e7\u00e3o e cumprimento. Com muita frequ\u00eancia fazer se torna nossa religi\u00e3o. Se quis\u00e9ssemos usar uma imagem cara a Santo In\u00e1cio, dir\u00edamos que usamos o fazer para n\u00e3o entrar em desola\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"article__embed article__embed--unwrap article__embed--dark\">\n<div class=\"article__innerTitle\">Ou\u00e7a e compartilhe!<\/div>\n<div>\n<audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-68896-1\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/mpeg\" src=\"https:\/\/media.vaticannews.va\/media\/audio\/s1\/2021\/07\/22\/10\/136125616_F136125616.mp3?_=1\" \/><a href=\"https:\/\/media.vaticannews.va\/media\/audio\/s1\/2021\/07\/22\/10\/136125616_F136125616.mp3\">https:\/\/media.vaticannews.va\/media\/audio\/s1\/2021\/07\/22\/10\/136125616_F136125616.mp3<\/a><\/audio>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas \u00e0s vezes \u00e9 necess\u00e1rio entrar no vazio, no vazio que mora dentro de n\u00f3s. \u00c9 a famosa necessidade da fome que o tentador tenta tirar de Jesus no deserto: &#8220;Manda que estas pedras se transformem em p\u00e3o&#8221;. Jesus exorciza o mal respondendo a tal tenta\u00e7\u00e3o: &#8220;Nem s\u00f3 de p\u00e3o vive o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus&#8221; (Mt 4, 1-11). Nem s\u00f3 de fazer vive o homem, podemos acrescentar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 disso que se trata o tempo de f\u00e9rias. N\u00e3o se trata simplesmente da transgress\u00e3o necess\u00e1ria para suportar novamente uma longa temporada de trabalho. O tempo de f\u00e9rias, como o Papa Francisco nos lembrou recentemente, \u00e9 o tempo da ecologia do cora\u00e7\u00e3o, o tempo em que o descanso, a contempla\u00e7\u00e3o e a compaix\u00e3o se tornam os ingredientes certos para nos redimensionar. A etimologia da palavra f\u00e9rias \u00e9 precisamente a capacidade de estar vazio, de dar espa\u00e7o a essa fome\/falta que cada um de n\u00f3s carrega em seu cora\u00e7\u00e3o, e em cujo eco Deus pode finalmente falar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ouvir a palavra de Deus dentro de nossas falhas, dentro do nosso cora\u00e7\u00e3o, significa experimentar uma plenitude que nenhuma satisfa\u00e7\u00e3o no mundo pode nos dar. Passamos nossas vidas tentando fazer coisas que nos far\u00e3o felizes, mas a verdadeira felicidade \u00e9 parar de nos preocuparmos e perceber que tudo o que temos buscado avidamente n\u00e3o est\u00e1 longe de n\u00f3s. O que precisamos para sermos felizes est\u00e1 contido na escuta do verbo ser, sobre quem realmente somos, sobre aquela imagem e semelhan\u00e7a com Deus que cada um de n\u00f3s carrega dentro de si.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ent\u00e3o as palavras do Deuteron\u00f4mio chegam at\u00e9 n\u00f3s como um b\u00e1lsamo: &#8220;Porque este mandamento que hoje te ordeno n\u00e3o \u00e9 excessivo para ti, nem est\u00e1 fora do teu alcance. Ele n\u00e3o est\u00e1 no c\u00e9u, para que fiques dizendo: \u2018Quem subiria por n\u00f3s at\u00e9 o c\u00e9u, para traz\u00ea-lo a n\u00f3s, para que possamos ouvi-lo e p\u00f4-lo em pr\u00e1tica? E n\u00e3o est\u00e1 no al\u00e9m-mar, para que fiques dizendo: \u2018Quem atravessaria o mar por n\u00f3s, para traz\u00ea-lo a n\u00f3s, para que possamos ouvi-lo e p\u00f4-lo em pr\u00e1tica?\u2019 Sim, porque a palavra est\u00e1 muito perto de ti: est\u00e1 na tua boca e no teu cora\u00e7\u00e3o, para que a ponhas em pr\u00e1tica\u201d. (Dt 30, 11-14). Assim, o tempo de f\u00e9rias \u00e9 desenterrar aquela palavra escondida na nossa boca e no nosso cora\u00e7\u00e3o, que luta para emergir quando devoramos nossas vidas e nosso cora\u00e7\u00e3o est\u00e1 cheio apenas de \u00e2nsias e preocupa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cA verdadeira felicidade \u00e9 perceber que tudo o que temos buscado avidamente, n\u00e3o est\u00e1 longe de n\u00f3s\u201d. 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