{"id":68562,"date":"2021-07-05T09:54:33","date_gmt":"2021-07-05T12:54:33","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=68562"},"modified":"2021-07-06T14:55:34","modified_gmt":"2021-07-06T17:55:34","slug":"respeito-aos-mortos-e-feridos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/respeito-aos-mortos-e-feridos\/","title":{"rendered":"RESPEITO AOS MORTOS E FERIDOS"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u201cQuando voc\u00ea comemora a morte de algu\u00e9m, o primeiro que morreu foi voc\u00ea mesmo\u201d. Essa afirmativa do Papa Francisco n\u00e3o \u00e9 de agora. Foi proferida em 2015, durante homilia em Sta. Vicenza, It\u00e1lia. Mas continua como advert\u00eancia bem atual, especialmente quando muitos crist\u00e3os se dizem a favor da pena de morte ou fazem dum confronto policial um acontecimento que mere\u00e7a aplausos. N\u00e3o estou aqui para defender vida criminosa, mas simplesmente a vida, independentemente da conduta social do indiv\u00edduo. Seu comportamento antissocial merece repulsa e penalidades, mas nunca a dignidade de uma vida deve equiparar-se \u00e0s suas a\u00e7\u00f5es mal\u00e9ficas. Merece sempre uma porta entreaberta, para se redimir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Muitos torcem o nariz para essa premissa evang\u00e9lica. O perd\u00e3o e a tentativa de recupera\u00e7\u00e3o \u00e9 a ess\u00eancia da atitude crist\u00e3. Mesmo para o pior dos criminosos. Recorda-nos o Papa: \u201cNunca homem algum, \u201cnem sequer o homicida, perde a sua dignidade pessoal\u201d, porque Deus \u00e9 um Pai que sempre espera o regresso do filho, o qual, sabendo que errou, pede perd\u00e3o e come\u00e7a uma vida nova\u201d. Utopia, isso? Sabemos que n\u00e3o, pois, para Deus, h\u00e1 sempre uma nova oportunidade sendo oferecida, mesmo que uma vida bandida domine a biografia de qualquer miser\u00e1vel aos olhos da gra\u00e7a. O amor supera tudo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Foi o caso, por exemplo, do assassino que descobriu a miseric\u00f3rdia de Deus no corredor da morte e hoje caminha para a beatifica\u00e7\u00e3o, com direito a galgar os altares da f\u00e9 cat\u00f3lica. Jacques Fesch, condenado \u00e0 morte por homic\u00eddio, converteu-se dentro da pris\u00e3o e foi guilhotinado em 1957. Na pris\u00e3o de La Sant\u00e9, em 28 de fevereiro de 1955, encontrou-se com a miseric\u00f3rdia em pessoa. Relatou ele: \u201cEstava deitado, olhos abertos, realmente sofrendo pela primeira vez na vida. Repentinamente, um grito saiu de meu peito, uma s\u00faplica de ajuda \u2013 Meu Deus \u2013 e, como um vento impetuoso que passa sem que soubesse de onde vem, o Esp\u00edrito do Senhor me agarrou pela garganta. Tive a impress\u00e3o de um infinito poder e de uma infinita bondade que, daquele momento me fez crer com convic\u00e7\u00e3o que nunca estive abandonado\u201d. Na v\u00e9spera de sua execu\u00e7\u00e3o, escreve: \u201cAmanh\u00e3, nesta hora, estarei no Para\u00edso. Que eu morra, se essa for a vontade do bom Deus. Mais cinco horas, e eu verei Jesus\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Todavia, a Igreja hoje \u00e9 totalmente contr\u00e1ria a qualquer puni\u00e7\u00e3o de morte. \u201cA pena de morte \u00e9 um fracasso, porque obriga a matar em nome da justi\u00e7a. Nunca se alcan\u00e7ar\u00e1 justi\u00e7a matando um ser humano\u201d, sentenciou o Papa em declara\u00e7\u00e3o sobre o assunto. N\u00e3o \u00e9, entretanto, uma posi\u00e7\u00e3o meramente antag\u00f4nica, mas um princ\u00edpio de f\u00e9 que nasce do respeito \u00e0 obra de Deus. O corpo humano \u00e9 s\u00edntese da perfei\u00e7\u00e3o divina e, como tal, n\u00e3o pode ser vilipendiado, profanado, desrespeitado em circunst\u00e2ncia alguma. Lembrando que profana\u00e7\u00e3o \u00e9 sin\u00f4nimo de desrespeito ao que \u00e9 sagrado. E sagrado \u00e9 tudo aquilo que devotamos a Deus. Tamb\u00e9m nossas vidas. Tamb\u00e9m nossos corpos. Tamb\u00e9m nosso esp\u00edrito, apesar da vida pecaminosa de todos n\u00f3s. Somos, sim, pecadores, bem o sabemos. Mas tentamos nos fazer dignos da gra\u00e7a, mesmo que as circunst\u00e2ncias adversas predominem em nossas vidas. Vale aqui a advert\u00eancia do Mestre: \u201cN\u00e3o julgueis, e n\u00e3o sereis julgados\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Se tais argumentos ainda n\u00e3o lhe convenceram, recordemos o epis\u00f3dio do bom samaritano. Um bandido, uma v\u00edtima e tr\u00eas testemunhas: um religioso (conhecedor dos mandamentos divinos), um levita (conhecedor das leis) e um samaritano (conhecedor das mis\u00e9rias humanas). \u201cQual destes tr\u00eas te parece que foi o pr\u00f3ximo\u201d?\u00a0 A resposta foi imediata: \u201cAquele que usou de miseric\u00f3rdia\u201d &#8230; Ent\u00e3o Jesus lhe disse: \u201cVai e faze tu o mesmo\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u201cQuando voc\u00ea comemora a morte de algu\u00e9m, o primeiro que morreu foi voc\u00ea mesmo\u201d. Essa afirmativa do Papa Francisco n\u00e3o \u00e9 de agora. 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