{"id":68255,"date":"2021-06-22T09:40:14","date_gmt":"2021-06-22T12:40:14","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=68255"},"modified":"2021-06-22T15:41:33","modified_gmt":"2021-06-22T18:41:33","slug":"decoracao-das-catedrais-a-biblia-dos-analfabetos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/decoracao-das-catedrais-a-biblia-dos-analfabetos\/","title":{"rendered":"Decora\u00e7\u00e3o das catedrais, a \u201cB\u00edblia dos analfabetos\u201d?"},"content":{"rendered":"<h2 class=\"subtitle\" style=\"text-align: justify;\">Ao contr\u00e1rio da cren\u00e7a popular, a decora\u00e7\u00e3o das catedrais nunca teve fun\u00e7\u00e3o educacional<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Victor Hugo, em seu famoso livro<a href=\"https:\/\/www.amazon.com.br\/Notre-Dame-Paris-Victor-Hugo\/dp\/8574481904\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><em>Notre-Dame de Paris<\/em><\/a>\u00a0, escreveu: \u201cNa Idade M\u00e9dia, a humanidade n\u00e3o pensava em nada de importante at\u00e9 que o escrevesse na pedra\u201d.\u00a0Se continuarmos esta reflex\u00e3o, poder\u00edamos dizer que as catedrais s\u00e3o verdadeiros livros abertos.\u00a0O grande historiador da arte \u00c9mile M\u00e2le escreveu: \u201c\u00c9 em Chartres que este personagem enciclop\u00e9dico da arte medieval se destaca [\u2026].\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.aleteia.org\/2019\/03\/28\/por-que-todo-catolico-deveria-conhecer-a-catedral-de-chartres\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">A Catedral de Chartres<\/a>\u00a0\u00e9 o pr\u00f3prio pensamento da Idade M\u00e9dia que se tornou vis\u00edvel;\u00a0nada de essencial est\u00e1 faltando.\u00a0Suas dez mil figuras pintadas ou esculpidas s\u00e3o algo \u00fanico na Europa\u201d.<\/p>\n<h3 id=\"h-decora-o-das-catedrais-a-b-blia-dos-analfabetos\" style=\"text-align: justify;\">Decora\u00e7\u00e3o das catedrais<strong>: a B\u00edblia dos analfabetos?<\/strong><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">No entanto, as a decora\u00e7\u00e3o das catedrais nunca teve uma fun\u00e7\u00e3o educativa.\u00a0A origem deste equ\u00edvoco vem do Papa Greg\u00f3rio Magno, que, na virada dos s\u00e9culos VI\u00a0e VII, parece atribuir um papel importante \u00e0s imagens.\u00a0De fato, no ano 604, Greg\u00f3rio respondeu ao Bispo de Marselha que lhe pediu o seu parecer depois de ter retirado todas as imagens dos edif\u00edcios.\u00a0O objetivo do bispo era evitar que os fi\u00e9is se afundassem na idolatria.\u00a0O Papa o corrige, escrevendo em uma carta: \u201cAs imagens devem ser colocadas nas igrejas para que quem n\u00e3o conhece as letras leia olhando nas paredes o que n\u00e3o pode ler nos livros.\u201d\u00a0Da\u00ed a express\u00e3o \u201cB\u00edblia dos analfabetos\u201d.<\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por\u00e9m, na \u00e9poca e nos s\u00e9culos seguintes, a pr\u00f3pria palavra pedagogia n\u00e3o existia.\u00a0Us\u00e1-la para o per\u00edodo \u00e9, portanto, um anacronismo.\u00a0Ent\u00e3o, embora voc\u00ea possa ter um conhecimento geral da B\u00edblia, reconhecer todas as est\u00e1tuas no t\u00edmpano das catedrais ou as cenas representadas nos vitrais \u00e9 uma fa\u00e7anha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0A profus\u00e3o de imagens, portanto, desestimula at\u00e9 os mais zelosos.\u00a0Foi isso que o historiador Jean Wirth sublinhou: \u201cO problema \u00e9 mais o da superabund\u00e2ncia de imagens que correm o risco de desencorajar os melhores votos.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Finalmente, embora a Idade M\u00e9dia n\u00e3o tenha sido o grande per\u00edodo negro, a maioria da popula\u00e7\u00e3o manteve-se mal educada, mesmo no n\u00edvel religioso.<\/p>\n<h3 id=\"h-prenunciando-a-vida-ap-s-a-morte\" style=\"text-align: justify;\"><strong>Prenunciando a vida ap\u00f3s a morte<\/strong><\/h3>\n<div id=\"aleteia-welcome\" style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div class=\"nativo-inread\" style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">A quest\u00e3o \u00e9, portanto, saber por que a Igreja quis representar milhares de personagens na forma de esculturas, pinturas ou vidros coloridos.\u00a0Temos o in\u00edcio de uma resposta retomando \u00c9mile M\u00e2le que escreveu: \u201cA arte pertence ao pintor, o arranjo pertencem aos Padres [da Igreja, nota do editor].\u00a0\u201c<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, o artista, ao contr\u00e1rio do que acreditava Victor Hugo, n\u00e3o era livre na sua cria\u00e7\u00e3o: obedecia a princ\u00edpios definidos pelos cl\u00e9rigos que os pagavam para esse fim.\u00a0No entanto, esses princ\u00edpios se referiam a uma teologia e, portanto, ao sagrado.<\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<div id=\"article-desk-content-p6-ad_2021_06_22_decoracao-das-catedrais-a-biblia-dos-analfabetos\" class=\"css-y9mcup\" data-google-query-id=\"CPet9OLxq_ECFUwxuQYdoocFUA\">\n<div id=\"google_ads_iframe_64500793\/PT_DESK_ARTICLE_WELCOME_1X1_0__container__\"><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">A presen\u00e7a das imagens n\u00e3o pretendia, portanto, dirigir-se aos fi\u00e9is, mas a Deus.\u00a0Lembramos que, na d\u00e9cada de 1960, os intelectuais cat\u00f3licos evitavam esse per\u00edodo medieval que tantos cultos havia produzido em torno dos santos.Eles viram nisso a express\u00e3o de uma idolatria, tal qual o bispo de Marselha sob o pontificado de Greg\u00f3rio Magno.\u00a0No entanto, a disposi\u00e7\u00e3o e a decora\u00e7\u00e3o das catedrais nos dizem exatamente o contr\u00e1rio.\u00a0Todos esses personagens que povoam as fachadas e vitrais das catedrais est\u00e3o voltados para o divino e, mais precisamente, para o altar e a presen\u00e7a real.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim como o canto lit\u00fargico deve elevar a alma a Deus e n\u00e3o ser ouvido por si mesmo, as imagens e as est\u00e1tuas t\u00eam a fun\u00e7\u00e3o de prefigurar o al\u00e9m e o para\u00edso celeste povoados pelos santos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0Todas essas representa\u00e7\u00f5es, portanto, convidam os fi\u00e9is n\u00e3o a \u201caprender\u201d, mas a\u00a0<em>segui-los<\/em>\u00a0em uma peregrina\u00e7\u00e3o terrena em torno do mist\u00e9rio da Encarna\u00e7\u00e3o.\u00a0\u00c9 por isso que, como descreve Emile M\u00e2le, \u201cem toda catedral sentimos certeza e f\u00e9, sem d\u00favida nenhuma\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ao contr\u00e1rio da cren\u00e7a popular, a decora\u00e7\u00e3o das catedrais nunca teve fun\u00e7\u00e3o educacional Victor Hugo, em seu famoso livroNotre-Dame de Paris\u00a0, escreveu: \u201cNa Idade M\u00e9dia, a humanidade n\u00e3o pensava em nada de importante at\u00e9 que o escrevesse na pedra\u201d.\u00a0Se continuarmos esta reflex\u00e3o, poder\u00edamos dizer que as catedrais s\u00e3o verdadeiros livros abertos.\u00a0O grande 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