{"id":68218,"date":"2021-06-20T09:14:11","date_gmt":"2021-06-20T12:14:11","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=68218"},"modified":"2021-06-21T14:16:10","modified_gmt":"2021-06-21T17:16:10","slug":"porque-temer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/porque-temer\/","title":{"rendered":"Porque temer?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Em algum momento da vida voc\u00ea j\u00e1 sentiu medo? Tenho certeza que n\u00e3o s\u00f3 uma vez, mas v\u00e1rias. Qual foi a sua rea\u00e7\u00e3o ao ter que lidar com este sentimento? O medo \u00e9 a rea\u00e7\u00e3o natural do ser humano ante algo que se apresenta como um perigo para n\u00f3s. A Liturgia deste 12\u00ba domingo do Tempo Comum vai exatamente nos conduzir pelo caminho da confian\u00e7a em Deus, confian\u00e7a inabal\u00e1vel, resposta mais completa que o ser humano pode dar quando o medo bater \u00e0 nossa porta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 No Evangelho deste domingo (Mc 4, 35-31), a exorta\u00e7\u00e3o de Jesus a termos confian\u00e7a nele em nossos momentos de luta e tribula\u00e7\u00f5es vem renovar nossas esperan\u00e7as e nos sustenta em nosso momento de fraqueza e temor. O relato acontece no final do dia, na chegada da noite. Noite, trevas, lugar da escurid\u00e3o, lugar onde se encontram os perigos, o Evangelho parece nos situar temporalmente e ir preparando a cena que vir\u00e1 a seguir. Jesus e seus disc\u00edpulos se encontram \u00e0s margens do lago de Genesar\u00e9, o Mar da Galileia, cen\u00e1rio de tantas e t\u00e3o importantes passagens do Evangelho, lugar de grandes encontros com Jesus, grandes discursos, grandes milagres, curas e convers\u00f5es. Jesus apresenta um convite curioso aos seus: Vamos para o outro lado do mar, mesmo sendo noite. Os que s\u00e3o grandes conhecedores do ritmo dos lagos e mar\u00e9s, sabem que a noite n\u00e3o \u00e9 o momento prop\u00edcio para as navega\u00e7\u00f5es. Mas Jesus parece lan\u00e7ar este desafio aos seus, que prontamente obedecem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Algo temeroso acontece: os navegantes s\u00e3o pegos de surpresa por uma tempestade em meio ao lago. Conta o Evangelho que \u201c<em>Come\u00e7ou a soprar uma ventania muito forte e as ondas se lan\u00e7avam dentro da barca, de modo que a barca j\u00e1 come\u00e7ava a se encher<\/em>.\u201d O medo se estabelece, pois, um perigo real se apresenta aos barcos navegantes. Al\u00e9m da perspectiva real do fato narrado, n\u00e3o podemos deixar que olhar tamb\u00e9m para a perspectiva simb\u00f3lica existente na B\u00edblia para o mar, sendo associado muitas vezes ao lugar do mal e das trevas. Os ventos e ondas que se abatem sobre os inimigos; o mal que tantas vezes se apresenta grandioso diante de n\u00f3s. A primeira leitura (J\u00f3 38, 1-8.11) e o salmo da Liturgia deste domingo (Sl 106) v\u00e3o ressaltar exatamente esta realidade: Deus que no livro de J\u00f3 responde aos lamentos de J\u00f3 em meio \u00e0 tempestade, mostrando assim sua onipot\u00eancia. O Salmo responsorial mostra a Imagem da for\u00e7a das ondas e do mar, mas o Senhor que \u00e9 mais forte do que tudo isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 No meio de toda esta agita\u00e7\u00e3o, o Evangelho destaca um fato curioso: o de que Jesus estava ali, em meio a todo esse alvoro\u00e7o. E estava dormindo! <em>Jesus estava na parte de tr\u00e1s, dormindo sobre um travesseiro. <\/em>Antes de tudo, n\u00e3o podemos deixar de apreciar este detalhe que nos fala da humanidade de Jesus que sente sono, que dorme. Jesus nunca abandona os seus filhos. Jesus nunca nos abandona. Pode parecer ausente, mas ele est\u00e1 l\u00e1 e no momento oportuno h\u00e1 de vir em nosso socorro, como acontece na passagem<em>: Os disc\u00edpulos o acordaram e disseram: \u201cMestre, estamos perecendo e tu n\u00e3o te importas?\u201d <\/em>Os disc\u00edpulos s\u00e3o sinceros em apresentar seu desabafo com Jesus, que para algum pode soar como falta de respeito, mas que para Jesus seguramente soou como clamor de confian\u00e7a. Sejamos sinceros com Deus. Sejamos sinceros em nossa ora\u00e7\u00e3o e em nosso clamor. Falemos com Deus de nossas tristezas, de nossos medos, de que parece que Ele est\u00e1 distante. N\u00e3o oramos para que Deus tenha conhecimento das nossas necessidades, mas oramos para que n\u00f3s tenhamos conhecimento da necessidade que temos de Deus, do quanto dependemos dele.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Jesus n\u00e3o tarda em vir ao socorro daqueles que clamam por sua ajuda: <em>Ele se levantou e ordenou ao vento e ao mar: \u201cSil\u00eancio! Cala-te!\u201d O vento cessou e houve uma grande calmaria<\/em>. Grande manifesta\u00e7\u00e3o do Poder de Deus vemos nesta cena, onde Cristo, sendo Onipotente, controla as for\u00e7as na natureza; numa perspectiva simb\u00f3lica, Cristo que silencia o mal, que demonstra a todos que o mal n\u00e3o tem a \u00faltima Palavra, mas quem \u00e9 a tem \u00e9 o Amor e a Miseric\u00f3rdia de Deus. Nas tribula\u00e7\u00f5es, clamemos por Jesus. Quando a cruz parecer pesada demais para carregar, clamemos por Jesus. Quando n\u00e3o entendermos o que acontece conosco ou nossa caminhada parece uma caminhada no escuro, clamemos por Jesus, sabendo que tudo podemos naquele que nos fortalece.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ap\u00f3s o ocorrido, Jesus aproveita da circunst\u00e2ncia para ensinar e exortar, e dirige as seguintes palavras aos seus: <em>Ent\u00e3o Jesus perguntou aos disc\u00edpulos: \u201cPor que sois t\u00e3o medrosos? Ainda n\u00e3o tendes f\u00e9?\u201d<\/em> Jesus olha nos olhos daqueles homens temerosos e lhes d\u00e1 coragem, e lhes pede que esta coragem seja aumentada. Pede que a f\u00e9 dos seus seja realmente uma f\u00e9 que os leve a fazer a diferen\u00e7a em meio \u00e0 vida e nos lugares onde se encontram. Sempre teremos medo, mas a f\u00e9 nos ensina a deixar o medo para tr\u00e1s e nos guiar pela confian\u00e7a no poder de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00c9 curioso notar que logo ap\u00f3s a repreens\u00e3o de Jesus, os disc\u00edpulos voltam novamente a ter medo ao testemunhar o milagre que havia acontecido: <em>Eles sentiram um grande medo e diziam uns aos outros: \u201cQuem \u00e9 este, a quem at\u00e9 o vento e o mar obedecem?\u201d <\/em>Teremos medo, s\u00f3 n\u00e3o podemos deixar que este sentimento inato ao ser humano domine todos os momentos da nossa vida. Que nosso medo vire admira\u00e7\u00e3o e se transforme em confian\u00e7a inabal\u00e1vel. Quanto mais medo tenhamos, mais fortes podemos nos tornar se colocamos esses medos nas m\u00e3os de Deus e deixemos que o Senhor, por meio do seu Esp\u00edrito, os transforme em instrumento de confian\u00e7a e santidade. Como nos recorda S. Paulo na segunda leitura (2 Cor 5, 14-17), a forma que realmente nos impulsiona \u00e9 o Amor de Deus, de quem n\u00e3o devemos duvidar nunca!!!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Lancemos ante o amor misericordioso de Jesus nossas dores nossos medos e os medos e dores de toda a humanidade. O Senhor est\u00e1 conosco, o Senhor est\u00e1 na Igreja, o Senhor est\u00e1 presente na barca da nossa vida. Nossas preocupa\u00e7\u00f5es podem nos fazer pensar que Ele est\u00e1 ausente, que n\u00e3o cuida de n\u00f3s. Por isso \u00e9 necess\u00e1rio orar sempre e n\u00e3o desfalecer, para que jamais nos esque\u00e7amos do amor e da miseric\u00f3rdia de Deus. Rezemos pelos doentes, rezemos pelos que sofrem e por todos os que passam por dificuldades. Deus aben\u00e7oe e guarde a todos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Em algum momento da vida voc\u00ea j\u00e1 sentiu medo? 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