{"id":68200,"date":"2021-06-18T09:36:12","date_gmt":"2021-06-18T12:36:12","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=68200"},"modified":"2021-06-21T13:37:57","modified_gmt":"2021-06-21T16:37:57","slug":"alegoria-e-fabula-sim","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/alegoria-e-fabula-sim\/","title":{"rendered":"Alegoria e f\u00e1bula, sim!"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">No encontro de Jesus com a samaritana na beira do po\u00e7o, no cap\u00edtulo quarto do Evangelho de S\u00e3o Jo\u00e3o, o evangelista dos s\u00edmbolos narra em torno de duas coisas: dupla sede e \u00e1gua. Vemos que se inicia na sede e clamor por \u00e1gua, mas que, no decorrer do di\u00e1logo, quem pede \u00e9 quem d\u00e1 \u00e1gua. A alegoria maior cai em quem tem as condi\u00e7\u00f5es de tirar \u00e1gua do fundo do cacimb\u00e3o e acaba manifestando sua sede maior, sede das sedes, indicando que ningu\u00e9m \u00e9 s\u00f3 \u00e1gua e muito menos s\u00f3 sede.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todos n\u00f3s somos constitu\u00eddos, numa simbiose interativa, al\u00e9m de sede e \u00e1gua, de ar e chuva, de fauna e flora, insepar\u00e1veis. Inclusive eu disse alhures:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cNo mist\u00e9rio do Universo, que os seguidores de Jesus de Nazar\u00e9, a partir de seu olhar terno e af\u00e1vel, jamais duvidem de Deus encarnado e revelado no Filho, que quer nosso compromisso, ao dizer n\u00e3o \u00e0 polui\u00e7\u00e3o e \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o ambiental, protegendo e conservando a vida, no que existe de mais belo e precioso\u201d<a href=\"#_ftn1\" name=\"_ftnref1\">[1]<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesse sentido, o encontro da \u00e1gua com a sede, no exemplo acima, torna-se poss\u00edvel no processo evangelizador, um verdadeiro milagre. O desafio maior \u00e9 a bravura destemida de revelar a pr\u00f3pria sede. Temos um belo exemplo de Jesus em duas ocasi\u00f5es: diante da mulher, na sua busca por \u00e1gua, e l\u00e1 no lenho da cruz: \u201cTenho sede\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A riqueza dos g\u00eaneros liter\u00e1rios encontrados na B\u00edblia s\u00f3 corrobora o conhecimento do tesouro da nossa f\u00e9, qual seja o texto sagrado indispens\u00e1vel pela sua import\u00e2ncia, acrescentando, aos eficazes meios, o estudo das Sagradas Letras, na esperan\u00e7a messi\u00e2nica e apocal\u00edptica, na alegoria do cedro majestoso e magn\u00edfico, num Deus que diz e faz, promessa que se realiza em Jesus de Nazar\u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No mundo amplo e vasto da literatura sagrada, em seus g\u00eaneros liter\u00e1rios, nem tudo \u00e9 poss\u00edvel ver ou perceber, mesmo sendo permeado pelas rela\u00e7\u00f5es socialmente humanas, as quais est\u00e3o presentes de muitas maneiras na vida das pessoas, l\u00e1 onde elas se encontram, com suas atividades, chegando at\u00e9 o ponto da exaust\u00e3o, notando-se sempre defici\u00eancias, fragilidades e limita\u00e7\u00f5es, no que diz respeito \u00e0 simbologia ou ao g\u00eanero aleg\u00f3rico, e mesmo ao enredo das f\u00e1bulas, naquele envolvimento mais abrangente e universal a respeito do Livro Sagrado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na maior de todas as obras liter\u00e1rias, a meu ver, o Livro Sagrado tem diversos estilos de g\u00eaneros liter\u00e1rios, seja pelo lado po\u00e9tico, pelo lado prof\u00e9tico, pelo lado apocal\u00edptico, pelo lado sapiencial, dentre outros. Os Evangelhos s\u00e3o considerados um g\u00eanero liter\u00e1rio, n\u00e3o prescindindo do contexto biogr\u00e1fico hist\u00f3rico da vida de Jesus de Nazar\u00e9, t\u00e3o evidente no final do Evangelho de S\u00e3o Jo\u00e3o: \u201cMuitas outras coisas fez Jesus, as quais se se escrevessem uma por uma, creio que nem no mundo todo poderiam caber os livros que seria preciso escrever\u201d (cf. Jo 21, 25).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aventura maior e fabulosa aparece na narrativa dos feitos de um her\u00f3i nacional, como, por exemplo, Abra\u00e3o, Gede\u00e3o e Davi. No g\u00eanero \u00e9pico aparecem as narrativas de pessoas com fa\u00e7anhas militares. Lembramos a vida dos israelitas no deserto e a conquista de Cana\u00e3. Est\u00e3o tamb\u00e9m a trag\u00e9dia e a hist\u00f3ria da decad\u00eancia de um indiv\u00edduo, da fama e honradez, desastre e mis\u00e9ria (Sans\u00e3o, Saul e Salom\u00e3o); tamb\u00e9m est\u00e3o no romance, ao descrever a vida amorosa entre um homem e uma mulher, t\u00e3o cristalino no g\u00eanero liter\u00e1rio dos livros de Rute e C\u00e2ntico dos C\u00e2nticos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os Evangelhos cont\u00eam todo um aparato biogr\u00e1fico sobre Cristo, que as comunidades transmitiam oralmente e depois os evangelistas escreveram. Na verdade, na boa-nova de Jesus, encontramos sua prega\u00e7\u00e3o e a atividade da comunidade primitiva: par\u00e1bolas, narrativas de milagres, c\u00e2nticos, prov\u00e9rbios, senten\u00e7as do Antigo Testamento encaixadas no texto, genealogias, hist\u00f3rias da inf\u00e2ncia de Jesus. Se pudesse afirmar, falaria de f\u00e1bulas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para concluir, mais que fact\u00edvel, temos em Esopo uma constitui\u00e7\u00e3o de hist\u00f3rias, nas quais os animais eram os personagens. Por meio de di\u00e1logos entre os bichos e das circunst\u00e2ncias que os envolviam, eles procuravam transmitir sabedoria, mas atingiam a \u00edndole e o esp\u00edrito moral da criatura humana. Assim, os animais, nas f\u00e1bulas, tornam-se exemplos para o ser humano, pelos personagens, entre outros: a tartaruga e a lebre; o lobo e o cordeiro; o asno e a carga de sal; o lobo e as ovelhas; o cervo e o le\u00e3o; o c\u00e3o e a sombra; o lobo e o c\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> Cf. Artigo: Vida com toler\u00e2ncia, www.arquidiocesedefortaleza.org.br\/2018\/06\/04\/<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No encontro de Jesus com a samaritana na beira do po\u00e7o, no cap\u00edtulo quarto do Evangelho de S\u00e3o Jo\u00e3o, o evangelista dos s\u00edmbolos narra em torno de duas coisas: dupla sede e \u00e1gua. Vemos que se inicia na sede e clamor por \u00e1gua, mas que, no decorrer do di\u00e1logo, quem pede \u00e9 quem d\u00e1 \u00e1gua. 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