{"id":68061,"date":"2021-06-14T09:32:26","date_gmt":"2021-06-14T12:32:26","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=68061"},"modified":"2021-06-14T17:35:44","modified_gmt":"2021-06-14T20:35:44","slug":"68061-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/68061-2\/","title":{"rendered":"UMA SEMENTE FAZ O P\u00c3O"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/strong>J\u00falio Verne, em seu livro A Ilha Misteriosa (1875), contou-nos a aventura de cientistas americanos que, em fuga com um bal\u00e3o, ca\u00edram acidentalmente numa ilha perdida em alto mar. Com seus conhecimentos cient\u00edficos e muita criatividade, conseguiram sobreviver, mas, do pouco conforto resgatado, o que mais desejavam em seus card\u00e1pios extremamente selvagens era um simples e saboroso p\u00e3o. Um p\u00e3ozinho rec\u00e9m sa\u00eddo do forno. Mas onde encontrar farinha de trigo para fabric\u00e1-lo?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Eis que um belo dia um dos sobreviventes encontra, no forro do pr\u00f3prio casaco, um belo gr\u00e3o de trigo. Um gr\u00e3o de trigo! Aquela semente, aquela \u00fanica semente, tinha um poder multiplicador extraordin\u00e1rio, se semeada com cuidados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201c_ Sabe quantas espigas um gr\u00e3o de trigo \u00e9 capaz de produzir?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">_ Uma, suponho! Respondeu o marujo admirado com a pergunta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">_ Dez, Pencroff. E sabe quantas sementes possui uma espiga?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">_ A\u00ed j\u00e1 \u00e9 pedir muito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">_ Em m\u00e9dia, oitenta \u2013 afirmou Cyrus Smith \u2013 Logo, se plantarmos essa semente, na primeira safra colheremos oitocentas, as quais, na segunda, produzir\u00e3o seiscentas e quarenta mil, na terceira, quinhentos e doze milh\u00f5es e, na quarta, mais de quatrocentos bilh\u00f5es. Tal \u00e9 a propor\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0Assim a semearam e montaram guarda ao redor do solo semeado. Veio a primeira colheita, a segunda e mais r\u00e1pido do que imaginavam conseguiram sementes suficientes para uma tigela de farinha e o primeiro e saboroso p\u00e3o. O p\u00e3o dos anjos &#8211; exclamavam!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o pude deixar de resgatar essa hist\u00f3ria \u2013 fict\u00edcia, \u00e9 verdade! \u2013 mas extremamente ilustrativa para entendermos racionalmente o ensinamento da Par\u00e1bola da semente. A pedagogia de Cristo, por si, nos fala tudo, mas foge-nos muitas vezes, a compreens\u00e3o de t\u00e3o singela mensagem: \u201cO reino de Deus \u00e9 como um homem que lan\u00e7a a semente \u00e0 terra\u201d (Mc 4, 26). Acontece que a ci\u00eancia dos homens caiu de paraquedas numa ilha de mist\u00e9rios, em terrenos desconhecidos e assustadores. A sobreviv\u00eancia depende do que encontramos oculto no velho casaco de nossas mem\u00f3rias passadas, na sabedoria daqueles que ainda enxergam, numa pequenina semente de esperan\u00e7a, o g\u00e1udio, a alegria de um banquete futuro. \u201cPorque a terra por si mesma, produz, primeiramente, o colmo, depois a espiga, e por \u00faltimo o trigo grado na espiga\u201d (Mc 4,28). Porque \u00e9 preciso dar tempo \u00e0 a\u00e7\u00e3o miraculosa de Deus em nossas vidas. Ele que compara o seu Reino a um simples gr\u00e3o, uma pequenina e misteriosa semente \u2013 tal qual aquela da mostarda \u2013 que h\u00e1 de se tornar \u00e1rvore altaneira, planta vistosa, frutuosa, como tantas outras semeadas no Jardim das nossas vidas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim o Reino acontece entre n\u00f3s. Mesmo que nos falte a vis\u00e3o plena de suas gra\u00e7as, o sabor maravilhoso de um alimento simples, mas saud\u00e1vel, tal qual o P\u00e3o Nosso de Cada Dia ou, ao menos, o P\u00e3o Vivo que desceu dos c\u00e9us e nos aponta a verdadeira vida, aquela que esperamos alcan\u00e7ar um dia. Esse \u00e9 o servi\u00e7o que nos foi confiado: continuar semeando a esperan\u00e7a. Mesmo em tempos t\u00e3o dif\u00edceis!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 J\u00falio Verne, em seu livro A Ilha Misteriosa (1875), contou-nos a aventura de cientistas americanos que, em fuga com um bal\u00e3o, ca\u00edram acidentalmente numa ilha perdida em alto mar. 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