{"id":67512,"date":"2021-05-13T10:11:31","date_gmt":"2021-05-13T13:11:31","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=67512"},"modified":"2021-05-13T12:35:52","modified_gmt":"2021-05-13T15:35:52","slug":"13-de-maio-de-1981-a-transmissao-radiofonica-do-inconcebivel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/13-de-maio-de-1981-a-transmissao-radiofonica-do-inconcebivel\/","title":{"rendered":"13 de maio de 1981 &#8211; A transmiss\u00e3o radiof\u00f4nica do inconceb\u00edvel"},"content":{"rendered":"<div class=\"article__subTitle\" style=\"text-align: justify;\">Quarenta anos atr\u00e1s, na Pra\u00e7a S\u00e3o Pedro, a voz hist\u00f3rica do cronista da R\u00e1dio Vaticano Benedetto Nardacci, transmitia ao vivo a audi\u00eancia geral quando a arma de Ali Agca transformou a celebra\u00e7\u00e3o de Jo\u00e3o Paulo II com o povo em um drama. Na hist\u00f3ria da R\u00e1dio Vaticano, apesar do choque, permanece a excepcional clareza de seu relato, que repropomos nas passagens salientes em um v\u00eddeo fotogr\u00e1fico<\/div>\n<div class=\"title__separator\" style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div class=\"article__text \">\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Alessandro De Carolis \u2013 Vatican News<\/b><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Atentado de 13 de maio de 1981\" width=\"696\" height=\"392\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/CMtu_bVRhqA?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cA multid\u00e3o est\u00e1 toda em p\u00e9\u2026. A multid\u00e3o est\u00e1 toda em p\u00e9 \u2026 quase n\u00e3o comenta a tr\u00e1gica cena que assistiu. Est\u00e3o quase todos em sil\u00eancio, aguardam not\u00edcias\u2026&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Era pouco mais que 17h17 na Pra\u00e7a S\u00e3o Pedro e uma voz at\u00f4nita est\u00e1 tentando controlar um emaranhado de emo\u00e7\u00f5es para descrever a loucura de um mundo abalado. Um homem chegou \u00e0 Pra\u00e7a S\u00e3o Pedro para matar o Papa. Tiros, disson\u00e2ncia brutal em um tumulto festivo, e a figura s\u00f3lida de Jo\u00e3o Paulo II cai para tr\u00e1s, sangrando, nos bra\u00e7os de seu secret\u00e1rio.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Um mestre no microfone<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">O locutor da R\u00e1dio Vaticano viu e n\u00e3o pode acreditar em seus olhos. Ficou profundamente abalado como qualquer pessoa que se encontrava na Pra\u00e7a S\u00e3o Pedro naquela dram\u00e1tica tarde de 13 de maio de 1981. Sentado em frente ao seu microfone, Benedetto Nardacci &#8211; uma das melhores e mais procuradas vozes da R\u00e1dio Vaticano, onde trabalha desde 1956 &#8211; tentava dar sentido \u00e0s absurdas imagens que ficaram marcadas em sua mem\u00f3ria: o Pont\u00edfice cambaleando e caindo, a correria da multid\u00e3o nas proximidades do crime, a agita\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o de seguran\u00e7a, a corrida febril, os gritos ao redor do jipe branco que passava pelo Arco delle Campane e, pouco depois, a sonoridade de uma sirene de ambul\u00e2ncia que se perde em desespero em meio ao barulho do tr\u00e2nsito de Roma&#8230; o estupor, quebrado por solu\u00e7os, de 30 mil pessoas at\u00f4nitas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No entanto, as palavras que o cronista Nardacci conseguiu articular nesses segundos servem de manual. Na luta entre a ansiedade que o dominava e o dever de prestar contas do inconceb\u00edvel, \u00e9 este \u00faltimo, com dificuldade, que ganha a dianteira. No in\u00edcio, s\u00e3o os reflexos de jornalista que falam (&#8220;N\u00f3s [&#8230;] tentaremos obter not\u00edcias e deixaremos o canal aberto, ou melhor, perguntamos \u00e0 sala de controle se o canal deve permanecer aberto ou n\u00e3o. Vou sair por um momento em busca de not\u00edcias, tentar descobrir o que aconteceu&#8230;&#8221;). J\u00e1 aqui, a sequ\u00eancia da narra\u00e7\u00e3o corre o risco de interromper: emerge a enormidade do que aconteceu e por alguns instantes parece sobrecarregar at\u00e9 mesmo um mestre do microfone. (&#8220;Minha tarefa era apenas informar sobre uma audi\u00eancia geral, uma das muitas, afetuosas audi\u00eancias gerais dadas por Jo\u00e3o Paulo II&#8230;&#8221;).<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">Aquele 13 de maio<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas \u00e9 uma quest\u00e3o de instantes. Mesmo com a voz perturbada, conseguiu se dominar e a hist\u00f3ria volta a fluir com o estilo de sempre de Nardacci um dos mais apreciadas que segue uma escola que n\u00e3o permite excessos verbais, mesmo diante do improv\u00e1vel. A descri\u00e7\u00e3o que segue, embora com alguma imprecis\u00e3o devido \u00e0 dist\u00e2ncia e ao choque (&#8220;&#8230;a audi\u00eancia geral suspensa devido a quatro ou cinco tiros em r\u00e1pida sucess\u00e3o&#8230;&#8221;), \u00e9 o sinal de uma cr\u00f4nica que logo volta a ser intensa, que encontra novamente confian\u00e7a e detalhes (&#8220;O Santo Padre foi evidentemente, certamente atingido. Ele certamente foi atingido, n\u00f3s o vimos deitado no carro aberto que entrou no Vaticano&#8230;&#8221;), e que a certa altura combina o rigor do cronista com a liberdade do comentarista (&#8220;Pois ent\u00e3o, pela primeira vez, tamb\u00e9m se fala de terrorismo no Vaticano. Fala-se de terrorismo em uma cidade da qual sempre foram enviadas mensagens de amor, mensagens de harmonia, mensagens de pacifica\u00e7\u00e3o&#8230;&#8221;).<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><b>Terrorismo no Vaticano<\/b><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enquanto voltava \u00e0 cr\u00f4nica (&#8220;&#8230;Vimos apenas o Santo Padre primeiro cambalear, vacilar e depois cair para a morte nos bra\u00e7os de seu secret\u00e1rio, padre Stanislaw, e nos bra\u00e7os de seu ajudante de c\u00e2mara. Neste ponto o carro descoberto que transportava o Santo Padre saiu a toda velocidade, passou entre a multid\u00e3o, entre o horror de todos, e entrou no Vaticano atrav\u00e9s do Arco dele Campane&#8230;\u201d), Nardacci ainda n\u00e3o sabia nada de Mehmet Al\u00ec Agca, nem das tramas obscuras que levaram o assassino turco naquela tarde a atirar no Papa com sua pistola. A ideia de um poss\u00edvel plano terrorista se dissipa, por\u00e9m imediatamente sob a press\u00e3o de ter que atualizar os ouvintes da R\u00e1dio Vaticano sobre a atmosfera surreal que marcava a Pra\u00e7a S\u00e3o Pedro disse: (&#8220;&#8230;Repetimos que n\u00e3o houve cenas de p\u00e2nico, repetimos que as pessoas &#8211; as milhares de pessoas &#8211; est\u00e3o paradas, est\u00e3o petrificadas em seus lugares, talvez ainda n\u00e3o acreditem no que viram. Muitos enfermeiros com macas foram para o meio do povo&#8230;&#8221;).<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><b>&#8220;Eu n\u00e3o consegui encontrar as palavras&#8230;&#8221;<\/b><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enquanto continuava seu relato, Nardacci ainda n\u00e3o sabia nada sobre a complexa opera\u00e7\u00e3o cir\u00fargica em andamento no Hospital Gemelli, nem que o Papa &#8220;em agonia [&#8230;] parou no limiar da morte&#8221;, como o pr\u00f3prio Papa Wojtyla escreveria em uma mensagem aos bispos italianos em 1994. E ainda assim sua cr\u00f4nica, sempre sem pausas, exceto aquelas necess\u00e1rias para tomar f\u00f4lego, por um momento se cobriu de compaix\u00e3o (&#8220;Ainda n\u00e3o conhecemos a gravidade das feridas sofridas por Jo\u00e3o Paulo II; Jo\u00e3o Paulo II que &#8211; repetimos &#8211; n\u00e3o fez outra coisa sen\u00e3o convidar \u00e0 pacifica\u00e7\u00e3o, convidar \u00e0 ora\u00e7\u00e3o&#8230;&#8221;).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste ponto, o an\u00fancio do ataque foi difundido pelos alto-falantes. Nardacci calou-se e convidou os ouvintes a se concentrarem nessas palavras, que deram uma primeira vers\u00e3o oficial do fato e os exortou a rezar pela salva\u00e7\u00e3o do Papa. Depois de um momento, Nardacci retomou a palavra, e agora ao relato dos fatos uniu-se o relato das impress\u00f5es pessoais (&#8220;&#8230;Obviamente, a emo\u00e7\u00e3o foi forte, afetou a todos um pouco. Eu mesmo n\u00e3o acreditava que aqueles disparos fossem tiros, que fossem balas que explodiram contra a pessoa de Jo\u00e3o Paulo II. Sentimos, evidentemente, nosso cora\u00e7\u00e3o acelerar e no in\u00edcio eu mesmo n\u00e3o consegui encontrar as palavras para descrever&#8230;&#8221;).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma sincera e humana admiss\u00e3o, e depois novamente o profissional assumindo as r\u00e9deas de uma cr\u00f4nica radiof\u00f4nica que nunca imaginou fazer e que, apesar de tudo, levava a uma conclus\u00e3o: &#8220;Para os que se sintonizaram neste momento, repito que o Santo Padre sofreu um ataque terrorista, foi baleado e caiu sobre o carro aberto do qual ele j\u00e1 tinha apertado centenas, talvez milhares, de m\u00e3os.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Santo Padre, como dissemos antes, sempre ficou com confian\u00e7a no meio da multid\u00e3o, e ningu\u00e9m poderia ter previsto este ep\u00edlogo dram\u00e1tico desta audi\u00eancia geral de 13 de maio de 1981. Ao redor de S\u00e3o Pedro &#8211; talvez voc\u00eas ou\u00e7am do microfone &#8211; ouvimos os carros das for\u00e7as de ordem, a ca\u00e7a ao homem se o atentador ainda n\u00e3o foi detido, se n\u00e3o foi preso: ainda n\u00e3o temos condi\u00e7\u00f5es de afirmar isso. Encontro-me em um dos janel\u00f5es da Bas\u00edlica de S\u00e3o Pedro, por isso tenho a pra\u00e7a inteira sob meus olhos&#8221;&#8230;<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><b>Do Hospital Gemelli para o mundo<\/b><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enquanto as palavras de Nardacci se sucederam e literalmente deram a volta ao mundo, a R\u00e1dio Vaticano reagiu imediatamente. Cinco minutos ap\u00f3s os tiros, foi enviada uma comunica\u00e7\u00e3o a todas as reda\u00e7\u00f5es com a not\u00edcia do atentado. E em cinco minutos, a mesma transmiss\u00e3o radiof\u00f4nica de Nardacci tamb\u00e9m foi transmitida com coment\u00e1rios em v\u00e1rios idiomas nas outras redes de r\u00e1dio, conectando os ouvintes com a Pra\u00e7a S\u00e3o Pedro e depois com o Hospital Gemelli. No final da transmiss\u00e3o, as reda\u00e7\u00f5es em outras l\u00ednguas continuaram ao vivo, cada uma em seu pr\u00f3prio espa\u00e7o, para atualizar sobre o estado de sa\u00fade do Papa, at\u00e9 sua sa\u00edda da sala de cirurgia. As informa\u00e7\u00f5es eram dadas em primeira m\u00e3o diretamente do Hospital Gemelli pelo Diretor Geral da R\u00e1dio, Padre Roberto Tucci, que estava literalmente acampado na antec\u00e2mara da sala de cirurgia de onde ele relatava tudo o que era comunicado sobre as condi\u00e7\u00f5es de Jo\u00e3o Paulo II. A delicada opera\u00e7\u00e3o, feita pelo Prof. Dr. Francesco Crucitti, duraria cinco horas e meia e n\u00e3o raro as not\u00edcias difundidas pelo Padre Tucci contrastavam com o que circulava nos outros meios de comunica\u00e7\u00e3o, que n\u00e3o podiam desfrutar daquele observat\u00f3rio privilegiado para uma cr\u00f4nica que j\u00e1 \u00e9 hist\u00f3ria em cada seu momento.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quarenta anos atr\u00e1s, na Pra\u00e7a S\u00e3o Pedro, a voz hist\u00f3rica do cronista da R\u00e1dio Vaticano Benedetto Nardacci, transmitia ao vivo a audi\u00eancia geral quando a arma de Ali Agca transformou a celebra\u00e7\u00e3o de Jo\u00e3o Paulo II com o povo em um drama. 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