{"id":67192,"date":"2021-04-18T08:00:45","date_gmt":"2021-04-18T11:00:45","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=67192"},"modified":"2021-04-18T00:57:20","modified_gmt":"2021-04-18T03:57:20","slug":"3o-domingo-da-pascoa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/3o-domingo-da-pascoa\/","title":{"rendered":"3\u00ba Domingo da P\u00e1scoa"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Segundo o Concilio Vaticano II (GS.37-38), a Encarna\u00e7\u00e3o de Deus em Jesus de Nazar\u00e9 \u00e9 um Mist\u00e9rio pascal que faz passar da morte \u00e0 vida toda realidade humana e c\u00f3smica, libertando-a de todo mal e levando-a \u00e0<br \/>\nsua plenitude em Cristo Re ssuscitado. Deus se fez homem, incorporando-se existencialmente ao dinamismo da Hist\u00f3ria. A express\u00e3o &#8220;e o Verbo se fez carne&#8221;, significa se fez hist\u00f3rico, o acontecer espa\u00e7o-temporal da Cria\u00e7\u00e3o e, particularmente, do ser humano, at\u00e9 atingir o infinito eterno, que \u00e9 Deus. Em Cristo realiza-se a P\u00e1scoa de n\u00f3s e do universo. Pelo fato de ser verdadeiramente homem, \u00e9 inteiramente solid\u00e1rio aos nossos pecados, nossas dores \u00e0 e morte. E por ser ao mesmo tempo Deus,<br \/>\nele seremos vitoriosos e gloriosos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em Cristo, afirma S\u00e3o Paulo em Col. 2,15, temos empreendido viagem &#8220;em cortejo triunfal&#8221; \u00e0 plenitude do ser e da vida. Nessa triunfante prociss\u00e3o, encabe\u00e7ada por Cristo ressuscitado, o ser humano caminha ao seu lado at\u00e9 findarem as gera\u00e7\u00f5es. A seguir, desfilam todas as criaturas do universo que habitamos. De fato, tudo foi criado para o homem, o homem para Cristo e Cristo para Deus (Col.3). Esta \u00e9 a ordem do plano da Salva\u00e7\u00e3o de Deus.<br \/>\nO tempo da P\u00e1scoa n\u00e3o s\u00e3o 50 dias a culminarem no acontecimento de Pentecostes, mas a mesma estrutura do mundo criado, chamado a ser transformado em Cristo ressuscitado. Quem tiver esta leitura pascal, entender\u00e1 o sentido da propria vida e do acontecer da Hist\u00f3ria. De outra maneira, ser\u00e1 semelhante ao helic\u00f3ptero a voar solit\u00e1rio em Marte no sil\u00eancio do nada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A hist\u00f3ria da Salva\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 c\u00edclica mas linear. O grande erro ao interpretar a a\u00e7\u00e3o salv\u00edfica de Cristo consiste em desvincular sua Ressurei\u00e7\u00e3o de nossas vidas e da cria\u00e7\u00e3o. Desde a \u00f3ptica darwiniana, dir\u00edamos ser Cristo o grande e definitivo &#8220;mutante&#8221; da evolu\u00e7\u00e3o. Ele \u00e9 a \u00faltima etapa da Hist\u00f3ria ou, como afirmava McLuhan, &#8220;a \u00faltima extens\u00e3o do ser humano&#8221; e tamb\u00e9m do universo. Crer em Cristo ressuscitado \u00e9 sentir-se antecipadamente imortal e glorioso, embora tenhamos de esperar na fila das gera\u00e7\u00f5es e no rio do tempo, passando pela porta estreita do pecado, da dor e da morte, at\u00e9 ser consumada a<br \/>\nP\u00e1scoa no grande Pentecostes do Esp\u00edrito Santo, plenitude do ser e da Vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na presente condi\u00e7\u00e3o espa\u00e7o-temporal, h\u00e1 tr\u00eas problemas existenciais que carecem de resposta racional: a morte, o pecado e o sofrimento. Desses problemas nasceu o pensar profundo do ser humano. Historicamente, foi o povo do Egito o primeiro a problematizar racionalmente a morte. J\u00e1 desde o nascimento, as pessoas tratavam de vencer a morte, construindo suas pir\u00e2mides e mastabas para garantir sua vida futura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os cemit\u00e9rios s\u00e3o os sonhos vivos dos mortais. Do drama do pecado, nenhum povo tomou maior consci\u00eancia do que o povo de Israel. S\u00e3o Paulo se fez eco desse drama dizendo: &#8220;Quem me libertar\u00e1 deste corpo de pecado?&#8221; (Rm.7) S\u00f3 ter\u00e1 a resposta na gra\u00e7a de Cristo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O sofrimento questionou a exist\u00eancia do povo da \u00cdndia, problematizando-o ainda mais, atrelado-o ao incessante encadeamento de reencarna\u00e7\u00f5es que o Karma exige. O povo da antiga Gr\u00e9cia, bem mais tarde, problematizou o mesmo ser das coisas e da exist\u00eancia humana. Por que h\u00e1 ser e n\u00e3o nada? E encontrando no ser das coisas morte, pecado e sofrimento, idealizou um mundo desencarnado, pura ideia ou esp\u00edrito, sem coisas. Kant considerou esses mesmos problemas existenciais no seu pr\u00f3prio agir interior questionando-se: Que posso saber? O que posso fazer? Que posso esperar? Diante desses problemas insol\u00faveis, confessou: &#8220;Tive de deixar a minha raz\u00e3o para dar lugar \u00e0 f\u00e9.\u201d De fato, a raz\u00e3o carece de respostas aos grandes problemas da vida: Por que morremos, somos bons e sofremos? Kant acrescentava a esses tr\u00eas problemas um quarto: Que sentido tem a exist\u00eancia de 500 milh\u00f5es de Gal\u00e1xias compostas de trilh\u00f5es de estrelas e planetas? Essa imensid\u00e3o, problematiza ainda mais a pen\u00faria e mis\u00e9ria do ser humano e at\u00e9 do pr\u00f3prio Deus. Porque o ser e a vida neste mundo s\u00e3o problem\u00e1ticos \u00e9 que temos necessidade que Deus nos fale e responda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O grande te\u00f3logo americano Tillich diz que Deus nos fala na medida em que lhe perguntemos. E Bultmann, anglicano, considera que a \u00fanica interpreta\u00e7\u00e3o poss\u00edvel da Biblia \u00e9 existencial, isto \u00e9, desde a experi\u00eancia da exist\u00eancia problem\u00e1tica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Temos mais perguntas do que respostas, mas s\u00e3o nossas perguntas nossa melhor resposta, pois nos abrem \u00e0 esperan\u00e7a da nossa Salva\u00e7\u00e3o. Essa \u00e9, diz Moltmann, nossa \u00fanica e verdadeira sabedoria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">PEDRO SE DIRIGIU AO POVO DIZENDO: &#8220;ENQUANTO FAZ\u00cdEIS MORRER O AUTOR DA VIDA, DEUS O RESSUSCITOU DOS MORTOS&#8221;( At. 3,13-19)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;S\u00f3 temos um problema\u201d, afirma o maior pensador espanhol do s\u00e9culo XX, Unamuno, \u201ce se morremos, tudo \u00e9 absurdo&#8221;. E acrescentava como ateu confesso: &#8220;Morro, mas n\u00e3o posso (n\u00e3o consigo) morrer&#8221;. De fato, racionalmente, \u00e9 imposs\u00edvel morrer, pois o instinto de vida \u00e9 mais forte do que a morte. No entanto, existencialmente, na nossa maneira de ser neste mundo, experimentamos a vida como mortal. Por isso, a vida \u00e9 essencialmente problem\u00e1tica e, humanamente, carecemos de resposta. A vida, disse Sartre, s\u00f3 pode ser vivida na ang\u00fastia ou de maneira tr\u00e1gica. A \u00fanica resposta que Deus nos deu foi a Ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo. Nenhuma reencarna\u00e7\u00e3o resolveria o problema da morte, pois estar\u00edamos fadados a morrer constantemente. E um reino de almas, desencarnados, como pensou Plat\u00e3o e maiormente at\u00e9 nossos dias o povo ocidental, nos concederia, depois da morte, sermos n\u00f3s mesmos. Os Ap\u00f3stolos, testemunhas oculares da morte e da Ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo, lan\u00e7aram-se ao mundo a anunciar esta grande e singular not\u00edcia, que desproblematizava a exist\u00eancia humana e dava sentido ao mundo criado. A evangeliza\u00e7\u00e3o, tarefa que Cristo incumbiu aos seus disc\u00edpulos realizar, consistia em fazer um &#8220;preg\u00e3o&#8221; (kerigma) como antigamente se fazia nas pra\u00e7as dos povoados para comunicar uma not\u00edcia, dizendo: &#8220;Cristo Ressuscitou. A morte foi vencida&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para n\u00f3s, os que experimentamos a vida como uma luta contra a morte, nenhuma outra not\u00edcia poderia ser mais importante e necess\u00e1ria.Resta a quem ouve essa not\u00edcia acreditar realmente. Na carta aos Cor\u00edntios, S\u00e3o Paulo dirime uma d\u00favida que muitos dos que foram evangelizados e ouviram essa not\u00edcia, tinham: Cristo Ressuscitou, mas e n\u00f3s, pessoalmente?&#8230; Nossos entes queridos s\u00e3o sepultados no cemit\u00e9rio e tamb\u00e9m n\u00f3s o seremos. S\u00e3o Paulo responde : &#8220;Se n\u00f3s n\u00e3o ressuscitamos, tamb\u00e9m Cristo n\u00e3o Ressuscitou . E se Cristo n\u00e3o Ressuscitou, vazia e v\u00e3 \u00e9 nossa f\u00e9&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ficariamos de novo no absurdo da morte. Esta d\u00favida ou quest\u00e3o existencial a respeito da nossa<br \/>\nRessurrei\u00e7\u00e3o pessoal, nasce de n\u00e3o crer no mist\u00e9rio da Encarna\u00e7\u00e3o. Deus n\u00e3o se fez verdadeiramente homem. Continua no C\u00e9u, separado de n\u00f3s, a quem podemos invocar para receber algum benef\u00edcio ou prote\u00e7\u00e3o e, se merecermos, quem sabe, uma vida ap\u00f3s a morte, mas n\u00e3o uma vida divina. Mas se cremos que Deus &#8220;se fez carne&#8221;, solid\u00e1rio na nossa condi\u00e7\u00e3o de pecado, dor e morte, Cristo n\u00e3o poderia Ressuscitar sem n\u00f3s e<br \/>\nn\u00f3s n\u00e3o poder\u00edamos Ressuscitar sem Ele. Da\u00ed que, como comentado no domingo anterior, o grande emblema da F\u00e9 crist\u00e3, segundo Von Balthasar, \u00e9 o C\u00edrio Pascal: uma chama viva que arde consumindo a cera inerte (nossas mortes) com uma cruz marcada com cinco cravos ou chagas, a mostrar-nos que a<br \/>\nRessurrei\u00e7\u00e3o passa necessariamente pelo pecado, sofrimento e pela morte, em cujo drama Cristo, mesmo Ressuscitado, continua sofrendo-o em n\u00f3s at\u00e9 o fim dos tempos. Enquanto ele morre em n\u00f3s, Deus o Ressuscita e, com Ele a n\u00f3s. Seria salutar para nossa F\u00e9 termos o C\u00edrio Pascal (nas Paulinas vendem) de P\u00e1scoa em P\u00e1scoa, ficando aceso nas nossas ora\u00e7\u00f5es&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os s\u00edmbolos s\u00e3o a linguagem da alma e s\u00e3o mais eloquentes do que as palavras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;SE ALGU\u00c9M PECAR, TEMOS COMO ADVOGADO, JUNTO AO PAI, JESUS CRISTO, V\u00cdTIMA DE EXPIA\u00c7\u00c3O PELOS NOSSOS PECADOS&#8221; (1Jo.2,1-5)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se a morte \u00e9 nosso grande handicap, o pecado \u00e9 maior ainda. Nossa vida imortal de Ressuscitados seria infeliz se nos acompanhasse a culpa e o pecado. Todos deixaremos este mundo na condi\u00e7\u00e3o de pecadores, pois &#8220;s\u00f3 Deus \u00e9 Santo&#8221;. S\u00e3o Jo\u00e3o, usando uma linguagem humana, que ainda que tiv\u00e9ssemos de comparecer diante de Deus como Juiz, como fomos doutrinados, para prestar contas de nossos atos, temos como Advogado o mesmo Cristo a nos defender. A v\u00edtima, que foi Ele, defende seus verdugos que somos n\u00f3s. Mais ainda, o mesmo Juiz, Deus Pai, est\u00e1 a nosso favor, pois, tendo-nos amado, entregou seu pr\u00f3prio Filho na morte de cruz, para recebermos dele sua Vida. Em Jo.16, se nos revela que al\u00e9m de Cristo teremos outro advogado a nos defender: o Esp\u00edrito Santo. O pecado, mal e inimigo que n\u00e3o podemos vencer, que problematiza nossa vida pessoal e social, pois, mesmo querendo, n\u00e3o nos permite realizar-nos e sermos bons, tem como resposta n\u00e3o, precisamente, na morte de Cristo, como pensou Santo Anselmo (sec. XI) pela qual &#8220;pagou&#8221; a Deus pelos nossos pecados, mas na Ressurrei\u00e7\u00e3o, que nos faz em Cristo santos como Deus \u00e9 Santo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;ASSIM EST\u00c1 ESCRITO QUE O MESSIAS DEVIA SOFRER E RESSUSCITAR DOS MORTOS AO TERCEIRO DIA&#8221; (Lc. 24,35-48)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A morte e o pecado at\u00e9 poderiam ter alguma explica\u00e7\u00e3o racional, embora n\u00e3o uma solu\u00e7\u00e3o humana, por isso problematizariam nossa vida. Mas, o sofrimento, \u00e9 considerado na filosofia o &#8220;problema limite&#8221;,<br \/>\nisto \u00e9, a raz\u00e3o para diante desse problema sem encontrar resposta. A morte \u00e9, diz o povo, &#8220;a lei de vida&#8221;. Seria imposs\u00edvel a vida dentro da corporeidade. N\u00e3o haveria espa\u00e7o habit\u00e1vel suficiente para todas as gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para os entes vivos n\u00e3o dotados de consci\u00eancia, a morte deixa de ser problema. A resposta do marxismo materialista de prolongar a vida na nossa descend\u00eancia como os animais, seria nossa maior aliena\u00e7\u00e3o. O fil\u00f3sofo marxista Roger Garaudy percebeu esse engano e disse: &#8220;Que adianta que eu lute para que meus filhos tenham um para\u00edso no futuro se eu mesmo fico nas suas portas?&#8221; A morte \u00e9, pois, nosso grande problema ao qual s\u00f3 a Ressurrei\u00e7\u00e3o responde. O problema do pecado tamb\u00e9m admite uma explica\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o uma solu\u00e7\u00e3o racional. Uma boa educa\u00e7\u00e3o e o exerc\u00edcio das virtudes s\u00e3o uma resposta. Mas o problema do sofrimento que nos ocupa neste estreito caminho<br \/>\ncarece de toda l\u00f3gica e explica\u00e7\u00e3o. Por que sofremos? O livro de J\u00f3 levanta esta quest\u00e3o sem encontrar resposta. E mesmo perguntado insistentemente a Deus, sem receber resposta, teve de confessar ter sido insensato e questionar esse problema, pedindo a Deus desculpas por ter lhe perguntado. E confessa: &#8220;Reconhe\u00e7o, Senhor, que podes tudo. Que eu falei (perguntei) de coisas superiores a mim. &#8221; (J\u00f3.42)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00f3 reconhece que Deus n\u00e3o tem por que explicar o porqu\u00ea do sofrimento, tamb\u00e9m por que o ser humano n\u00e3o saberia entender suas raz\u00f5es. Cristo limitou-se a dizer: &#8220;Assim est\u00e1 escrito (plano salv\u00edfico de Deus) que o Messias devia sofrer e ressucitar&#8221;. Neste mesmo cap\u00edtulo, no di\u00e1logo que Jesus teve ap\u00f3s sua Ressurrei\u00e7\u00e3o com os disc\u00edpulos de Ema\u00fas, afirma que &#8220;era necess\u00e1rio sofrer&#8221;. Nao por isso, somos masoquistas. Aliviar e evitar o sofrimento \u00e9 tamb\u00e9m um outro sofrimento. O que repugna n\u00e3o s\u00f3 \u00e0 raz\u00e3o como tamb\u00e9m \u00e0 F\u00e9, \u00e9 que seja um castigo, uma prova, purifica\u00e7\u00e3o e, menos ainda, um pagamento ou indeniza\u00e7\u00e3o pelos nossos delitos. Eu reformularia o problema imaginando a Deus no leito, sofrendo um doloroso c\u00e2ncer ou doen\u00e7a incur\u00e1vel. O que voc\u00ea diria a Deus? Teria pena dele e pronunciaria palavras de consolo? N\u00e3o ficaria &#8220;admirado&#8221; e preferiria ficar com a pergunta ou quest\u00e3o do sofrimento, pensando que a vida tem uma finalidade superior a n\u00f3s mesmos e que s\u00f3 Deus sabe?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se Deus sofre em Cristo \u00e9 porque o sofrimento \u00e9 passo e caminho necess\u00e1rio para uma Vida Eterna e feliz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">AS APARI\u00c7\u00d5ES DE JESUS RESSUSCITADO<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nestes domingos da P\u00e1scoa, os Evangelhos nos reportam que Jesus &#8220;apareceu&#8221; aos seus disc\u00edpulos depois da sua Ressurrei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No Evangelho de hoje encontramos at\u00e9 que comeu com eles. Fato f\u00edsica e historicamente imposs\u00edvel, pois uma pessoa Ressuscitada, assim como Deus, \u00e9 invis\u00edvel, pois est\u00e1 fora do espa\u00e7o e do tempo, coordenadas de toda representa\u00e7\u00e3o sens\u00edvel e mental.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Ressurrei\u00e7\u00e3o \u00e9 meta-hist\u00f3rica, n\u00e3o pertence a este mundo, embora esteja presente nele. As apari\u00e7\u00f5es de Nosso Senhor Jesus Cristo, assim como da Virgem Sant\u00edssima, de anjos ou de santos, que, ao longo da hist\u00f3ria do cristianismo, tem acontecido e podem acontecer, s\u00e3o apenas manifesta\u00e7\u00f5es da Sua presen\u00e7a real, mas n\u00e3o como de fato s\u00e3o na Sua nova condi\u00e7\u00e3o de Ressuscitados no Reino de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus teve de se manifestar assim, quase que fisicamente, inclusive nem deixou seus restos mortais no cemit\u00e9rio, para tornar o fato mais real a revelar aos Seus disc\u00edpulos que, pela Ressurrei\u00e7\u00e3o, seremos n\u00f3s mesmos, a viver eternamente com Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o haver\u00e1 reencarna\u00e7\u00e3o, desencarna\u00e7\u00e3o, nem tempo de espera. Passaremos ao Reino dos<br \/>\nC\u00e9us, sem dor, pecado ou morte, glorificados como filhos de Deus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As apari\u00e7\u00f5es s\u00e3o o que chamar\u00edamos de uma &#8220;gra\u00e7a est\u00e9tica&#8221; (sens\u00edvel) que Deus nos brinda para n\u00f3s ajudar a crer como humanos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todos nos podemos participar desta gra\u00e7a sens\u00edvel, toda vez que recebemos Cristo feito p\u00e3o e vinho na Eucaristia. &#8220;Tocamos&#8221; o mesmo Cristo Ressuscitado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;A F\u00e9 \u00e9 a maneira de ter o que esperamos e o meio de ver ou conhecer o que n\u00e3o vemos&#8221; (Hb. 11,1).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Habermas, fil\u00f3sofo alem\u00e3o de nossos tempos, afirma ser a f\u00e9 o resultado da hist\u00f3ria da raz\u00e3o que articula o que nos falta. E o que nos falta \u00e9 Deus. A F\u00e9 \u00e9 a viagem do ate\u00edsmo do nosso nada ao infinito real do Deus eterno.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Padre Jesus Priante<br \/>\nEspanha<br \/>\n(Edi\u00e7\u00e3o por Malcolm Forest. S\u00e3o Paulo.)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Segundo o Concilio Vaticano II (GS.37-38), a Encarna\u00e7\u00e3o de Deus em Jesus de Nazar\u00e9 \u00e9 um Mist\u00e9rio pascal que faz passar da morte \u00e0 vida toda realidade humana e c\u00f3smica, libertando-a de todo mal e levando-a \u00e0 sua plenitude em Cristo Re ssuscitado. Deus se fez homem, incorporando-se existencialmente ao dinamismo da Hist\u00f3ria. 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