{"id":67154,"date":"2021-04-15T16:43:41","date_gmt":"2021-04-15T19:43:41","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=67154"},"modified":"2021-04-15T16:43:41","modified_gmt":"2021-04-15T19:43:41","slug":"charles-de-foucauld-a-religiao-do-amor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/charles-de-foucauld-a-religiao-do-amor\/","title":{"rendered":"Charles de Foucauld: A Religi\u00e3o do Amor"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">\u201cCharles de Foucauld n\u00e3o \u00e9 somente a for\u00e7a de uma vontade fora do comum; e \u00e9 por isso que n\u00e3o deixa de intrigar aqueles que se interessam por essa personalidades t\u00e3o atraente que confunde uns e fascina outros\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Antoine Chatelard<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Autor da obra cl\u00e1ssica Charles de Foucauld &#8211; O Caminho Rumo a Tamanrasset (1).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Charles de Foucauld, nasceu em 15 de setembro de 1858, em Strasbourg, na Fran\u00e7a. Em 1890 ingressou no Mosteiro Trapista da ordem dos Cistercienses Reformados da Estrita Observ\u00e2ncia que segue a regra de S\u00e3o Bento. Permanecendo primeiro na Abadia de Nossa Senhora das Neves, em Ard\u00e8che e depois passando a viver na S\u00edria, em Akb\u00e9s. Em 1897 deixou a Ordem Trapista, em busca de uma vida religiosa mais radical. Na cidade de Jesus Cristo, Nazar\u00e9 viveu at\u00e9 1900. Foi ordenado sacerdote em 9 de junho de 1901 na Diocese de Viviers, na Fran\u00e7a, ele tinha 43 anos. No mesmo ano, mudou-se para a regi\u00e3o de B\u00e9ni Abb\u00e8s, no deserto do Saara argeliano, l\u00e1 construiu uma capela.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Em 1905, recebeu autoriza\u00e7\u00e3o para mudar-se para Tamanrasset, mais ao sul da Arg\u00e9lia. Viveu entre os tuaregues do Hoggar pelo resto de sua vida. No dia 1 de Dezembro de 1916, foi morto aos 58 anos, por um grupo de assaltantes antifranceses\u00a0 de passagem pela regi\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Toda vida de Charles de Foucauld pode ser resumida em duas vertentes: Jesus caridade e Jesus amor. Diante de todas as interroga\u00e7\u00f5es, das mudan\u00e7as de modo de vida, dos sofrimentos do irm\u00e3o Charles, o amor constitui a realidade unificadora. Como escreveu seu diretor espiritual o padre Henri Huvelin ao abade de Solesmes, Dom Couturier:\u00a0\u00a0 \u201cEle fez da religi\u00e3o um amor\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Em uma carta a Louis Massignon, Charles de Foucauld exp\u00f4s o programa de sua vida, programa tra\u00e7ado por Deus no cotidiano dos dias, mas fundamentalmente unificado: \u201cO amor a Deus o amor ao pr\u00f3ximo. A\u00ed est\u00e1 toda religi\u00e3o. Como chegar a\u00ed? N\u00e3o em um dia, por que \u00e9 a pr\u00f3pria perfei\u00e7\u00e3o: \u00e9 o escopo ao qual devemos nos reaproximar sem cessar e que n\u00e3o aguardamos sen\u00e3o no c\u00e9u\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 No alvorecer do terceiro mil\u00eanio, Charles de Foucauld nos convida a uma imita\u00e7\u00e3o radical de Cristo Jesus, imita\u00e7\u00e3o suscitada e alimentada pelo amor; o caminho espiritual que ele tra\u00e7a \u00e9 simples: busca o amor de Jesus, adora\u00e7\u00e3o e imita\u00e7\u00e3o. Entre as grandes constantes espirituais encontra-se a f\u00e9 na presen\u00e7a de Jesus na Eucaristia. \u201cNa Sagrada Eucaristia, voc\u00ea esta inteiro, vivo, meu Bem-Amado Jesus,\u00a0 t\u00e3o plenamente quanto voc\u00ea estava na casa da Sagrada Fam\u00edlia de Nazar\u00e9\u201d, escreveu ele em suas medita\u00e7\u00f5es. Essa f\u00e9 viva alimentou uma adora\u00e7\u00e3o que se tornou cada vez mais central e que lhe transformou profundamente a personalidade: \u201cOs olhos na Sagrada H\u00f3stia, olhando sem cessar nosso irm\u00e3o primog\u00eanito Jesus e nos esfor\u00e7ando por nos fundir nele em uma unifica\u00e7\u00e3o cada dia mais perfeito, unifica\u00e7\u00e3o na qual nosso amor tem sede inextingu\u00edvel aqui embaixo\u201d. Essa identifica\u00e7\u00e3o com Jesus transforma todo o comportamento, as decis\u00f5es, as a\u00e7\u00f5es, os pensamentos. \u201cN\u00e3o existe, creio eu, palavra do Evangelho que tenha causado sobre mim uma mais profunda impress\u00e3o e transformado mais minha vida que aquela: \u201cTudo o que voc\u00eas fa\u00e7am a um destes pequeninos \u00e9 a mim que voc\u00eas o fazem\u201d, escreveu quatro meses antes da sua morte a Louis Massignon. \u201cTornando-se um \u00edcone de Jesus, o Evangelho \u00e9 anunciado e proposto com delicadeza e amor. Ele pode franquear um caminho nos cora\u00e7\u00f5es, no ritmo da gra\u00e7a de Deus\u201d, escreveu Dom Patrice Mahieu, monge beneditino e escritor franc\u00eas (2). Escreveu Charles de Foucauld: \u201cO principal de uma a\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 a a\u00e7\u00e3o em si mesma, mas o amor a Deus com o qual \u00e9 feita. N\u00e3o que a a\u00e7\u00e3o n\u00e3o tenha seu valor, mas que esse valor \u00e9 bem menor que o amor que a inspira\u201d.\u00a0 (Medita\u00e7\u00f5es sobre o Evangelho).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Dos tempos modernos, Charles de Foucauld foi o pioneiro que conectou em sua vida religiosa o deserto f\u00edsico geogr\u00e1fico e o deserto da experi\u00eancia m\u00edstica e erem\u00edtica. Sua espiritualidade \u00e9 abissal numa intimidade com o Absoluto de forma radical na morada do \u00faltimo lugar. Sua vida \u00e9 por demais impactante, austera e uma chamada ardente a profunda experi\u00eancia com Jesus de Nazar\u00e9. Na espiritualidade foucauldiana n\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o para o superficial, o artificial, o parcial e o virtual. Charles de Foucauld disse: \u201cQuando se sai dizendo que se vai fazer algo, n\u00e3o se deve regressar sem t\u00ea-lo feito\u201d.\u00a0\u201cVoltemos ao Evangelho: se n\u00f3s n\u00e3o vivemos o Evangelho, Jesus n\u00e3o vive em n\u00f3s\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0Em Charles de Foucauld o fundamento de toda sua busca, sua miss\u00e3o, sua paix\u00e3o por Cristo, pela proclama\u00e7\u00e3o do Evangelho e pela salva\u00e7\u00e3o das almas era o amor, ou seja, a religi\u00e3o do amor!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Frei In\u00e1cio Jos\u00e9 do Vale, FCF<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fraternidade Sacerdotal Jesus C\u00e1ritas<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Soci\u00f3logo em Ci\u00eancias da Religi\u00e3o<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Psicanalista Cl\u00ednico, Escritor e Educador<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Notas:<\/p>\n<ul style=\"text-align: justify;\">\n<li>Chatelard, Antoine. Charles de Foucauld, O caminho rumo Tamanrasset. S\u00e3o Paulo: Paulinas, 2009, p. 9.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<ul>\n<li style=\"text-align: justify;\">Mahieu, Patrice, osb. Charles de Foucauld, um pensamento para cada dia. S\u00e3o Paulo: Editora Ave-Maria, 2012, pp. 10-12.<\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cCharles de Foucauld n\u00e3o \u00e9 somente a for\u00e7a de uma vontade fora do comum; e \u00e9 por isso que n\u00e3o deixa de intrigar aqueles que se interessam por essa personalidades t\u00e3o atraente que confunde uns e fascina outros\u201d. Antoine Chatelard Autor da obra cl\u00e1ssica Charles de Foucauld &#8211; O Caminho Rumo a Tamanrasset (1). \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":16,"featured_media":55822,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-67154","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/67154","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/users\/16"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=67154"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/67154\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":67156,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/67154\/revisions\/67156"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/media\/55822"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=67154"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=67154"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=67154"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}