{"id":66894,"date":"2021-04-04T08:00:42","date_gmt":"2021-04-04T11:00:42","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=66894"},"modified":"2021-04-04T02:23:30","modified_gmt":"2021-04-04T05:23:30","slug":"cristo-nossa-pascoa-nova-criacao-e-novo-exodo-cartas-do-padre-jesus-priante","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/cristo-nossa-pascoa-nova-criacao-e-novo-exodo-cartas-do-padre-jesus-priante\/","title":{"rendered":"Cristo, Nossa P\u00e1scoa, Nova Cria\u00e7\u00e3o e Novo \u00caxodo &#8211; Cartas do Padre Jesus Priante"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">A P\u00e1scoa \u00e9 a \u00fanica chave que temos para ler o acontecer da nossa hist\u00f3ria pessoal e do universo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A estrutura de nossa vida e de tudo quanto existe neste mundo \u00e9 uma simbiose de morte e vida. A natureza ou antiga Cria\u00e7\u00e3o antes de Cristo, participava desse bin\u00f4mio existencial de maneira circular: Tudo morria (estrelas, planetas, plantas e todos os entes vivos) para renascer, mas atrelado, sem poder romper, o ciclo do eterno retorno. A Cria\u00e7\u00e3o teve de esperar, desde seu hipot\u00e9tico Big-Bang, 14 bilh\u00f5es de anos para, finalmente, a vida triunfar, desvencilhada das cadeias da morte. Na cruz, com Cristo, morriam todas as mortes e, na sua Ressurrei\u00e7\u00e3o, a vida revestia-se de gloriosa imortalidade. Na manh\u00e3 do Domingo da Ressurrei\u00e7\u00e3o, nascia uma Nova Cria\u00e7\u00e3o e o \u00caxodo ou sa\u00edda do povo hebreu da escravid\u00e3o do Egito, emblema hist\u00f3rico de toda liberta\u00e7\u00e3o, deixou de ter um car\u00e1ter sociol\u00f3gico, para se tornar ontologicamente a liberta\u00e7\u00e3o do pecado e da morte, que nenhuma revolu\u00e7\u00e3o ou Mois\u00e9s poderiam nos dar. Em Cristo, nossa P\u00e1scoa, nasce um novo mundo livre de todo mal, chamado Reino de Deus. O mist\u00e9rio da P\u00e1scoa se realiza e se faz presente de maneira sacramental, hist\u00f3rica e, realmente,no chamado &#8220;tr\u00edduo pascal&#8221;, sexta,s\u00e1bado e domingo. Um tr\u00edduo que se alonga at\u00e9 o fim dos tempos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O eminente te\u00f3logo alem\u00e3o, Von Balthasar diz que a P\u00e1scoa ou Salva\u00e7\u00e3o de Cristo n\u00e3o nos separa do pecado e da morte at\u00e9 findarem nossa vida terrena e a historia da Cria\u00e7\u00e3o, embora antecipa-se esse fim glorioso sacramentalmente. Para Von Balthasar, o s\u00edmbolo mais expressivo da P\u00e1scoa \u00e9 o C\u00edrio Pascal. Nele aparece a chama da vida e tamb\u00e9m a cruz da Paix\u00e3o com cinco cravos inseridos na cera morta a representar as cinco chagas de Cristo crucificado a sofrer em n\u00f3s os pecados, dores e mortes at\u00e9 todos sermos transformados pela sua Ressurrei\u00e7\u00e3o. Como a cera, lentamente consumida e transformada em luz, assim n\u00f3s e, por extens\u00e3o este universo que habitamos, deixaremos nossa condi\u00e7\u00e3o mortal para sermos glorificados pela chama da Ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo, sendo o ser humano, a primeira criatura a desfrutar desse futuro glorioso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A P\u00e1scoa \u00e9 o acontecer de tr\u00eas dias: Sexta da Paix\u00e3o e Morte, S\u00e1bado no qual morrem as palavras, e o Domingo, chamado de &#8220;Oitavo Dia&#8221;, porque n\u00e3o existe no tempo, pois a Ressurrei\u00e7\u00e3o \u00e9 o grande acontecer meta-hist\u00f3rico da Nova e Eterna Cria\u00e7\u00e3o. A P\u00e1scoa diz Vitor Hugo nos lembra que viemos a este mundo passar algumas horas dentro duma realidade vis\u00edvel para passarmos a uma outra realidade invis\u00edvel, infinita e eterna. Para quem cr\u00ea neste Mist\u00e9rio, nada mais verdadeiro e sublime do que receber nestes dias a mais grandiosa not\u00edcia e salutar sauda\u00e7\u00e3o:&#8221;FELIZ P\u00c1SCOA&#8221;<br \/>\nP\u00c1SCOA, O PASSO DA MORTE \u00c0 VIDA.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Pela hora nona, inclinando a cabe\u00e7a, entregou seu esp\u00edrito a Deus&#8221; (Mt.27,50).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Desde a hora sexta at\u00e9 a hora nona, o sol se apagou\u201d. &#8220;O v\u00e9u do templo que separava o Sant\u00edssimo, lugar reservado s\u00f3 a Deus, se rasgou em duas partes,<br \/>\nOs t\u00famulos abriram-se e muitos do que jaziam neles apareceram vivos em Jerusal\u00e9m&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Mist\u00e9rio da Morte<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tudo isso aconteceu na mesma hora em que Cristo, em que seus pulm\u00f5es recebiam as \u00faltimas mol\u00e9culas de oxig\u00eanio. Esses fatos revelam-nos o mist\u00e9rio da morte. Morremos de fato? A cultura inglesa interpreta a morte como o passo da vida \u00e0 vida, &#8220;life after life&#8221;. Para S\u00e3o Paulo, ela consiste numa &#8220;transforma\u00e7\u00e3o&#8221;, o passo de uma maneira de ser a uma outra \u201cforma&#8221; de ser. S\u00e3o Jo\u00e3o a expressou como um &#8220;novo nascimento&#8221;. A morte \u00e9, portanto, o mesmo passo ou P\u00e1scoa. \u00c0 maneira como dormimos e acordamos, n\u00f3s mesmos, dormiremos na nossa morte para acordar para um novo dia que, pela Ressurrei\u00e7\u00e3o, ser\u00e1 eterno.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">At\u00e9 Cristo, o sono da morte estava retido nos cemit\u00e9rios, termo grego que significa dormit\u00f3rio. Na morte de Cristo, n\u00f3s e o universo &#8220;passamos&#8221; de uma maneira de ser e viver, sujeitos \u00e0 caducidade do tempo e limita\u00e7\u00e3o espacial, para a realidade infinita e eterna de Deus. Dessa nova forma de ser e viver n\u00e3o temos categorias mentais para poder compreender ou imaginar. Mas, pela f\u00e9, sabemos que, n\u00f3s e toda a Cria\u00e7\u00e3o, estamos realizando essa P\u00e1scoa. O fato do sol se<br \/>\napagar por tr\u00eas horas durante a agonia de Cristo, mostrava a P\u00e1scoa do universo. As estrelas ainda morrem para serem transformadas gloriosamente (Rm 8). Elas e o resto da Cria\u00e7\u00e3o tem de esperar sua P\u00e1scoa final. S\u00f3 o ser humano tem o privil\u00e9gio de celebrar a P\u00e1scoa com Cristo no mesmo dia da morte. Por isso, Jesus disse ao ladr\u00e3o que lhe pedia estar com Ele no seu reino: &#8220;Hoje estar\u00e1s comigo nele&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">OS QUE DORMIAM NOS SEPULCROS APARECERAM A SEUS FAMILIARES<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim como os que ainda dormiam nos sepulcros, na mesma tarde em que Jesus morria na cruz, para mostrar sua P\u00e1scoa em favor de todos, levantaram-se e &#8220;apareceram&#8221; a seus familiares, como Jesus tamb\u00e9m &#8220;aparecer\u00e1&#8221; aos seus disc\u00edpulos na manh\u00e3 da Ressurrei\u00e7\u00e3o, certificando a nova vida, imortal e gloriosa, que teremos ao deixar este mundo, sujeito \u00e0 dor, ao pecado e \u00e0 caducidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O detalhe do &#8220;v\u00e9u do templo&#8221; se rasgar revelava n\u00e3o haver uma segunda morte definitiva (inferno) ou intermedi\u00e1ria (purgat\u00f3rio). A todos, como disse ao bom ladr\u00e3o, que de bom n\u00e3o tinha nada, Jesus nosy dir\u00e1 no dia de nossa morte: &#8220;Hoje estar\u00e1s comigo no Para\u00edso&#8221;. S\u00f3 um louco pode ficar indiferente ao acontecimento da P\u00e1scoa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A TUMBA VAZIA<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Na manh\u00e3 de domingo, antes de amanhecer, Maria Madalena foi ao sepulcro onde Jesus foi sepultado e o encontrou vazio&#8221; (Jo.20,1). Fato constatado horas depois pelos disc\u00edpulos Jo\u00e3o e Pedro. O t\u00famulo vazio \u00e9 o \u00faltimo fato hist\u00f3rico referente a Jesus de Nazar\u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A vida pascal al\u00e9m &#8211; t\u00famulo de Jesus e nossa \u00e9 meta-hist\u00f3rica, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel constatar neste mundo dimensionado pelo espa\u00e7o e tempo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O mundo vindouro ap\u00f3s a morte \u00e9 invis\u00edvel, infinito e eterno, n\u00e3o por isso menos real.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ver a vida na morte \u00e9 o maior milagre invis\u00edvel da F\u00e9. A tumba vazia revolucionou a mentalidade e a cren\u00e7a do povo judeu, que esperava a abertura dos sepulcros e a ressurrei\u00e7\u00e3o no fim dos tempos, quando Deus julgaria vivos e mortos. Esse final da Hist\u00f3ria anunciado pelos profetas e esperado pelo povo de Israel tornava-se presente em Cristo, que veio n\u00e3o para julgar e condenar, mas para salvar os que antes dele morreram e aos que, gra\u00e7as \u00e0 sua Ressurrei\u00e7\u00e3o, n\u00e3o mais morrer\u00e3o ou dormir\u00e3o, mas passar\u00e3o para seu Reino.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Deus em Cristo ressuscitado fez um &#8220;novo testamento&#8221; e sua \u00faltima vontade, que n\u00e3o ser\u00e1 quebrantada, \u00e9 de salvar-nos a todos. O sepulcro vazio de Jesus, era um fato necess\u00e1rio para nossa F\u00e9. Se Cristo tivesse deixado seus &#8220;restos mortais&#8221;, como todos n\u00f3s deixaremos, no cemit\u00e9rio, a Ressurrei\u00e7\u00e3o, entendida como o passo de n\u00f3s mesmos, como pessoas, para outra vida, ficaria inintelig\u00edvel. Poder\u00edamos pensar apenas num reino de almas, conforme pensam outras culturas. Da mesma maneira, Jesus, assim como outras pessoas falecidas em Jerusal\u00e9m, precisaram &#8220;aparecer&#8221;, n\u00e3o da maneira como s\u00e3o e vivem na condi\u00e7\u00e3o de ressuscitados, que \u00e9 fisicamente imposs\u00edvel, mas para, humanamente, Deus poder-nos revelar essa nova vida invis\u00edvel, que n\u00e3o pertence a este mundo. A Ressurrei\u00e7\u00e3o \u00e9 o triunfo sobre a derrota.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O SIL\u00caNCIO DO S\u00c1BADO<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na morte morrem todas as palavras. Para que serviriam nossos discursos se morremos? Enquanto estamos na lides do tempo e do espa\u00e7o, fecham-se os sulcos que o barco abre nas \u00e1guas, a ferida no ar que deixa o v\u00f4o da \u00e1guia, as pegadas do camelo fendidas na areia, mas Cristo deixou aberto para sempre os sepulcros que detinham a vida na morte. Nascem assim as Palavras da Vida Eterna.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Numa homilia de autor an\u00f4nimo do s\u00e9culo II, sobre o S\u00e1bado Santo, se diz: &#8220;H\u00e1 grande sil\u00eancio na terra, o Rei n\u00e3o dorme. Foi buscar Ad\u00e3o e Eva. Eles, logo que viram a Cristo, lhe saudaram: &#8220;O Senhor esteja com todos&#8221;, e Jesus lhes respondeu: &#8221; E com vosso esp\u00edrito&#8221;. E tomando-os pela m\u00e3o, lhes disse: &#8220;Levantem, voc\u00eas que dormem. Eu sou o vosso Deus, que por voc\u00eas se tornou filho e escravo. Dormi na cruz para despertar voc\u00eas que dormiam no Hades. Levantem. Vamos embora pois Eu sou a \u00c1rvore da Vida que lhes estava proibida. Tudo est\u00e1 preparado para celebrar a Festa do Reino&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Qu\u00e3o longo seria o sil\u00eancio do s\u00e1bado e intermin\u00e1vel a noite sem Cristo ressuscitado. Por isso, impacientes, apressamos o grande dia da Ressurrei\u00e7\u00e3o celebrando a Grande Vig\u00edlia da P\u00e1scoa, na qual os discursos e as palavras s\u00e3o pequenas para expressar sua grandeza, por s\u00e3o necess\u00e1rios os s\u00edmbolos, linguagem da alma, que unem o visivel e o invis\u00edvel, o temporal e oeterno.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">VIG\u00cdLIA DA P\u00c1SCOA, OU O S\u00c1BADO DE ALELUIA<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As palavras que definem esta Noite, mais radiante que o dia, sao extremamente simb\u00f3licas. Vig\u00edlia sugere expectativa. N\u00e3o se dorme porque espera-se algo ou algu\u00e9m. Nesta noite h\u00e1 uma cita\u00e7\u00e3o de Deus para com todos os povos: &#8220;Nessa noite eu passarei&#8221; (Ex.12). E Jesus a torna pessoal quando na \u00faltima ceia disse, celebrando com seus disc\u00edpulos a P\u00e1scoa: N\u00e3o mais a celebrarei at\u00e9 ser celebrada no meu Reino. Embora essa P\u00e1scoa seja celebrada toda vez que celebramos a Eucaristia, ela se far\u00e1 vis\u00edvel por ocasi\u00e3o da sua vinda gloriosa, esperada no fim dos tempos. Por isso, dizemos na celebra\u00e7\u00e3o eucaristica: &#8220;Anunciamos, Senhor, a sua morte e a sua ressurrei\u00e7\u00e3o, enquanto esperamos sua vinda&#8221;. N\u00e3o podemos esperar nada fora de um determinado tempo e lugar. Raz\u00e3o pela qual podemos afirmar ser a Vig\u00edlia da P\u00e1scoa esse momento concreto no qual Cristo aparecer\u00e1 glorioso para realizar a P\u00e1scoa universal da Cria\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Precisamente essa expectativa ou esperan\u00e7a prolonga a mesma esperan\u00e7a do povo de Israel. Tamb\u00e9m este povo que celebra a P\u00e1scoa ou &#8220;passover&#8221; tornando presente o acontecimento da sua liberta\u00e7\u00e3o do Egito, assim como o ressurgir da vida na primavera, esperam nessa noite a vinda do seu Messias. Durante a ceia pascal celebrada nas casas, deixam a porta semi-aberta e um lugar vazio para a vinda do Messias, identificado com o profeta Elias. Ao findar esse rito sacramental da esperan\u00e7a da sua salva\u00e7\u00e3o, os comensais dizem: &#8220;Hoje ainda escravos, amanh\u00e3 livres!&#8221;, esperando de um ano para outro a chegada do seu Salvador. Nesse mesmo horizonte de esperan\u00e7a, com maior raz\u00e3o e otimismo, n\u00f3s, crist\u00e3os, esperamos a vinda gloriosa de Cristo na Vig\u00edlia da P\u00e1scoa. Se nessa pr\u00f3xima noite Cristo n\u00e3o vier, ficaremos esperando mais um ano. Por isso, S\u00e3o Paulo diz que temos de viver de &#8220;P\u00e1scoa em P\u00e1scoa&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O crist\u00e3o n\u00e3o conta nem acumula anos, apenas vive anualmente de P\u00e1scoa em P\u00e1scoa. Essa noite derradeira, na qual Cristo \u00e9 esperado, acontecer\u00e1 tamb\u00e9m no dia da nossa morte pessoal, quando passaremos ao dia glorioso da nossa Ressurrei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Vig\u00edlia da P\u00e1scoa \u00e9 o grande emblema ou sacramento que nos permitir\u00e1 partir deste mundo cheios de paz e alegria. A Aleluia matar\u00e1 o sil\u00eancio da morte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A VIG\u00cdLIA PASCAL, NOITE DOS S\u00cdMBOLOS<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Culturalmente dir\u00edamos que nunca durante o ano e a vida somos t\u00e3o humanos como na Vig\u00edlia Pascal. A antropologia define o ser humano como essencialmente simb\u00f3lico, isto \u00e9, unido ao transcendente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00edmbolo em grego significa o que une. E a que nos poder\u00edamos unir para existir e viver se n\u00e3o for a Deus? Vejamos alguns desses eloquentes s\u00edmbolos da Vig\u00edlia Pascal:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O FOGO<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A mat\u00e9ria inerte \u00e9 vivificada atrav\u00e9s do fogo, s\u00edmbolo do Esp\u00edrito de Deus. \u00c9 como celebrar a Ressurrei\u00e7\u00e3o ou transforma\u00e7\u00e3o de toda a Cria\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O C\u00cdRIO<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse mesmo Esp\u00edrito vivificante ressuscita Jesus da morte, para se tornar Luz e vida do mundo. Sua chama, como por osmose, ao longo dos tempos, vai absorvendo a dor, o pecado e a morte do mundo, como pregamos no Preg\u00e3o Pascal: &#8220;A morte foi absorvida pela vit\u00f3ria&#8221;. Dessa Luz Vital todos participamos. Por isso, cada pessoa nessa Vig\u00edlia porta uma vela acendida do C\u00edrio, s\u00edmbolo de Cristo, C\u00edrio ressuscitado. Esse s\u00edmbolo tamb\u00e9m o expressamos no nosso costume de acender ou portar uma vela para acompanhar nossas preces e, particularmente, para acompanhar os que deixam este mundo. Da\u00ed o termo vel\u00f3rio dado ao lugar onde levamos nossos defuntos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">NARRATIVA DA HIST\u00d3RIA DA SALVA\u00c7\u00c3O<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cumprindo o mandamento de Deus para celebrarmos a P\u00e1scoa, nessa noite, conforme Dt.6, temos de contar (Agad\u00e1) a hist\u00f3ria da Salva\u00e7\u00e3o de gera\u00e7\u00e3o, em gera\u00e7\u00e3o. S\u00e3o lidas nove leituras a relatar o acontecimento da Cria\u00e7\u00e3o e momentos mais importantes da Salva\u00e7\u00e3o desde Abra\u00e3o, pai da f\u00e9 na vida imortal, at\u00e9 Cristo Ressuscitado, em quem culmina a aventura dos s\u00e9culos. As palavras nessa noite s\u00e3o sacramento, realizam o que anunciam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O BATISMO<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00edmbolo de um novo nascimento, segundo Jo.3, ou de transforma\u00e7\u00e3o em Rm, 6, \u00e9 o grande sacramento da P\u00e1scoa. Mais do que renovar, como costumamos dizer, nessa noite somos de fato batizados, mergulhados na morte de Cristo, para com Ele ressucitar. Na hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o nada se repete, tudo acontece realmente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">LADAINHAS DE TODOS OS SANTOS<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na Vig\u00edlia Pascal , o C\u00e9u, a Nova Jerusal\u00e9m, como afirma o livro do Apocalipse, desce \u00e0 terra. Tamb\u00e9m vivemos este rito simb\u00f3lico que nos conecta com o que est\u00e1 al\u00e9m de n\u00f3s na Eucaristia quando antes de entoar o canto do Santo dizemos e cantamos com &#8220;todos os anjos e santos&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">EUCARISTIA<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este \u00e9 o grande sacramento ou s\u00edmbolo da nossa f\u00e9, a ser celebrado, por mandato de Cristo, at\u00e9 sua volta. Jesus adiantou a P\u00e1scoa eucar\u00edstica antes dela acontecer historicamente na v\u00e9spera da sua morte. E logo que Ele ressuscitou, a tornou a celebrar no mesmo dia da sua Ressurrei\u00e7\u00e3o com os disc\u00edpulos de Ema\u00fas (Lc.24) e, com os outros disc\u00edpulos, durante os 40 dias que permaneceu com eles, certificando com suas &#8220;apari\u00e7\u00f5es&#8221; que de fato ele estava vivo. Cada domingo e cada dia o acontecimento \u00fanico e singular da P\u00e1scoa se faz presente, sem se repetir, em toda celebra\u00e7\u00e3o ecucaristica. Ela n\u00e3o \u00e9 lembran\u00e7a de um passado, mas &#8220;represencializa\u00e7ao&#8221; ou memorial que transcende os tempos. A Eucaristia, afirma o Concilio Vaticano II, &#8220;\u00e9 fonte e cume da nossa F\u00e9 crist\u00e3&#8221; e tamb\u00e9m a\u00e7\u00e3o de Cristo em tempo real da nossa Salva\u00e7\u00e3o. Talvez a Salva\u00e7\u00e3o seja mais f\u00e1cil e segura do que n\u00f3s pensamos. Na Eucaristia temos esse segredo ou Mist\u00e9rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">FELIZ P\u00c1SCOA. CRISTO RESSUSCITOU, VERDADEIRAMENTE RESSUSCITOU, SEJA ELE NOSSA ALEGRIA E NOSSO GOZO. ALELUIA!<\/p>\n<p>Padre Jesus Priante<br \/>\nEspanha<br \/>\n(Edi\u00e7\u00e3o por Malcolm Forest. S\u00e3o Paulo.)<br \/>\nCompartilhe<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A P\u00e1scoa \u00e9 a \u00fanica chave que temos para ler o acontecer da nossa hist\u00f3ria pessoal e do universo. A estrutura de nossa vida e de tudo quanto existe neste mundo \u00e9 uma simbiose de morte e vida. A natureza ou antiga Cria\u00e7\u00e3o antes de Cristo, participava desse bin\u00f4mio existencial de maneira circular: Tudo morria [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":66895,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4,13],"tags":[],"class_list":["post-66894","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cotidiano","category-featured"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/66894","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=66894"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/66894\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":66896,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/66894\/revisions\/66896"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/media\/66895"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=66894"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=66894"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=66894"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}