{"id":66467,"date":"2021-03-15T10:57:41","date_gmt":"2021-03-15T13:57:41","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=66467"},"modified":"2021-03-15T22:59:20","modified_gmt":"2021-03-16T01:59:20","slug":"cardeal-zenari-a-siria-precisa-de-ajuda-nao-deixemos-morrer-a-esperanca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/cardeal-zenari-a-siria-precisa-de-ajuda-nao-deixemos-morrer-a-esperanca\/","title":{"rendered":"Cardeal Zenari: a S\u00edria precisa de ajuda, n\u00e3o deixemos morrer a esperan\u00e7a"},"content":{"rendered":"<div class=\"article__subTitle\" style=\"text-align: justify;\">Dez anos ap\u00f3s a crise que envolveu a Rep\u00fablica \u00c1rabe, o Cardeal N\u00fancio Apost\u00f3lico em Damasco reitera a necessidade de ajuda em um cen\u00e1rio de pobreza, onde faltam escolas e hospitais, enquanto &#8220;o ch\u00e3o foi pisoteado e os c\u00e9us atravessados pelas for\u00e7as armadas de cinco pot\u00eancias em conflito umas com as outras&#8221;<\/div>\n<div class=\"title__separator\" style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div class=\"article__text \">\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Massimiliano Menichetti<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A guerra na S\u00edria destruiu vidas e paz e corre o risco de cancelar a esperan\u00e7a. Este \u00e9 o medo do n\u00fancio apost\u00f3lico de Damasco, o Cardeal Mario Zenari, que vive em um pa\u00eds dilacerado pela guerra, viol\u00eancia e interesses partid\u00e1rios h\u00e1 dez anos. Nem sempre foi assim, recorda, mas hoje tudo est\u00e1 faltando e \u00e9 necess\u00e1rio uma \u201cenxurrada\u201d de ajudas direcionadas. No domingo (14) no Angelus e durante o voo de regresso da visita ao Iraque, o Papa voltou seus pensamentos para &#8220;a amada e martirizada S\u00edria&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Emin\u00eancia, o Papa voltou a pedir a reconstru\u00e7\u00e3o, a conviv\u00eancia e a paz na S\u00edria.<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><i>Desde o in\u00edcio do conflito, ficou c\u00e9lebre o bin\u00f4mio, muitas vezes usado nos apelos do Papa Francisco: &#8220;amada e martirizada S\u00edria&#8221;. \u00c9 um dos pa\u00edses mais pr\u00f3ximos do seu cora\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m recentemente, durante a viagem apost\u00f3lica ao Iraque, o Santo Padre mencionou a S\u00edria. Durante o Angelus de ontem (14\/03), falando do triste anivers\u00e1rio de dez anos de guerra, ele lembrou mais uma vez o imenso sofrimento da popula\u00e7\u00e3o e fez um apelo premente \u00e0 solidariedade internacional para que as armas sejam silenciadas, pela reconcilia\u00e7\u00e3o, pela reconstru\u00e7\u00e3o e a recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica. Para que assim a esperan\u00e7a de tantas pessoas, duramente provada pela crescente pobreza e incerteza do futuro, possa ser reavivada. Nos \u00faltimos anos, foram lan\u00e7adas in\u00fameras iniciativas, primeiro do Papa Bento XVI, e depois do Papa Francisco, para cessar a viol\u00eancia e encaminhar o processo de paz. Da mesma forma as iniciativas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s ajudas humanit\u00e1rias. Ficou c\u00e9lebre a convoca\u00e7\u00e3o de um dia de jejum e ora\u00e7\u00e3o pela paz na S\u00edria em 7 de setembro de 2013, poucos meses ap\u00f3s sua elei\u00e7\u00e3o como Papa. A Pra\u00e7a de S\u00e3o Pedro estava repleta de fi\u00e9is, precisamente num momento dram\u00e1tico, talvez um dos mais cruciais para a S\u00edria. O pr\u00f3prio Papa o recordou no voo de regresso do Iraque alguns dias atr\u00e1s.\u00a0<\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Como \u00e9 a situa\u00e7\u00e3o da S\u00edria na luta contra a emerg\u00eancia da Covid-19?<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><i>N\u00e3o \u00e9 mais a S\u00edria que eu conheci quando l\u00e1 cheguei h\u00e1 doze anos como n\u00fancio apost\u00f3lico. Hoje, saindo pelas ruas de Damasco, vejo longas filas de pessoas em frente \u00e0s padarias, esperando pacientemente sua vez de comprar p\u00e3o a pre\u00e7os subsidiados pelo Estado, muitas vezes o \u00fanico alimento que se pode comprar&#8230; Cenas nunca vistas antes, nem mesmo durante os anos mais dif\u00edceis da guerra. E pensar que a S\u00edria faz parte do chamado &#8220;Crescente F\u00e9rtil&#8221;, a Alta Mesopot\u00e2mia, com plan\u00edcies at\u00e9 onde a vista alcan\u00e7a, estendendo-se por cerca de 500 km entre os rios Eufrates e Tigre: um tapete de ouro durante o m\u00eas de maio, quando as planta\u00e7\u00f5es ficam douradas! H\u00e1 tamb\u00e9m longas filas de carros em frente aos postos de gasolina, e \u00e9 dif\u00edcil encontrar diesel para o aquecimento dom\u00e9stico, embora na parte leste do pa\u00eds, na fronteira com o Iraque, existam po\u00e7os de petr\u00f3leo que seriam suficientes para um abastecimento quase completo de combust\u00edvel para uso dom\u00e9stico.<\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Qual \u00e9 o balan\u00e7o dez anos ap\u00f3s o in\u00edcio do conflito?<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><i>A S\u00edria de hoje tem a face de um pa\u00eds onde, em compara\u00e7\u00e3o com dez anos atr\u00e1s, v\u00e1rias categorias de pessoas est\u00e3o desaparecidas: os mortos do conflito somam cerca de meio milh\u00e3o; 5,5 milh\u00f5es de refugiados s\u00edrios est\u00e3o nos pa\u00edses vizinhos; outros 6 milh\u00f5es vivem como n\u00f4mades, com muita frequ\u00eancia, de uma cidade para outra como deslocados internos. H\u00e1 tamb\u00e9m cerca de um milh\u00e3o de migrantes desaparecidos. Dezenas de milhares de pessoas est\u00e3o desaparecidas. Faltam os jovens para o futuro do pa\u00eds. Mais da metade dos crist\u00e3os est\u00e3o faltando. Muitas crian\u00e7as ficaram sem pai e tamb\u00e9m sem m\u00e3e. Para muitos deles falta um lar. N\u00e3o h\u00e1 escolas, nem hospitais, nem pessoal m\u00e9dico e de enfermagem, e ainda mais h\u00e1 a emerg\u00eancia Covid-19. Faltam f\u00e1bricas e atividades produtivas. Desapareceram inteiras cidades e bairros que foram destru\u00eddos e despovoados. O famoso patrim\u00f4nio arqueol\u00f3gico, que atraia visitantes de todo o mundo, foi desperdi\u00e7ado. O tecido social, o mosaico da conviv\u00eancia exemplar entre grupos \u00e9tnicos e religiosos, foi seriamente danificado. A natureza tamb\u00e9m sofre com a polui\u00e7\u00e3o do ar, da \u00e1gua e do solo causada pelo uso de explosivos e v\u00e1rios tipos de artilharia nestes dez anos. O ch\u00e3o foi pisoteado e os c\u00e9us atravessados pelas for\u00e7as armadas de cinco pot\u00eancias em desacordo, como nos lembra o enviado especial da ONU para a S\u00edria, Geir Pedersen. Em resumo, um quadro verdadeiramente desolador&#8230;<\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Ap\u00f3s estes longos anos de guerra, a economia est\u00e1 fortemente prejudicada, h\u00e1 falta de servi\u00e7os b\u00e1sicos como escolas e hospitais, e a pobreza \u00e9 outra praga que esmaga o povo. A S\u00edria corre o risco de se perder em um cen\u00e1rio de abandono?<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><i>\u00c9 verdade que em v\u00e1rias regi\u00f5es da S\u00edria, j\u00e1 h\u00e1 algum tempo, n\u00e3o ca\u00edram mais bombas, mas o que poderia ser chamado de &#8220;bomba&#8221; da pobreza, explodiu. Segundo os \u00faltimos n\u00fameros das Na\u00e7\u00f5es Unidas, cerca de 90% da popula\u00e7\u00e3o s\u00edria vive atualmente abaixo da linha de pobreza. \u00c9 o pior dado do mundo! A lira s\u00edria perdeu muito de seu valor e os pre\u00e7os dos bens de consumo b\u00e1sicos subiram \u00e0s estrelas. As pessoas chamam esta fase do conflito de &#8220;guerra econ\u00f4mica&#8221;. Al\u00e9m disso, h\u00e1 falta de f\u00e1bricas, \u00e9 dif\u00edcil encontrar emprego e os sal\u00e1rios s\u00e3o muito baixos, e ainda n\u00e3o h\u00e1 sinais de uma recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica substancial.<\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>H\u00e1 cerca de dois anos na maior parte do pa\u00eds as bombas cessaram, as Na\u00e7\u00f5es Unidas continuam seus esfor\u00e7os para negociar entre fac\u00e7\u00f5es e governo, na frente interna est\u00e3o trabalhando para uma nova Constitui\u00e7\u00e3o, mas isso n\u00e3o parece ser suficiente para restaurar a esperan\u00e7a e a confian\u00e7a. Por que?<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">I<i>nfelizmente, tem-se a impress\u00e3o de que o processo de paz, organizado pela Resolu\u00e7\u00e3o 2254 (2015) do Conselho de Seguran\u00e7a da ONU, est\u00e1 paralisado. Em seu briefing para o mesmo Conselho de Seguran\u00e7a em 9 de fevereiro, o Enviado Especial da ONU chamou a aten\u00e7\u00e3o para a necessidade de uma &#8220;diplomacia internacional construtiva sobre a S\u00edria&#8221;, tanto para a continua\u00e7\u00e3o da reforma constitucional quanto para o processo de paz em geral. Durante alguns momentos cruciais nestes anos de guerra, ocorreu amargos debates e divis\u00f5es dentro do Conselho de Seguran\u00e7a, e o direito de veto foi usado quinze vezes por alguns membros permanentes quando se tratava de adotar resolu\u00e7\u00f5es importantes. A partir disto, \u00e9 f\u00e1cil concluir que n\u00e3o haver\u00e1 paz na S\u00edria enquanto estas diatribes e divis\u00f5es dentro do mais alto \u00f3rg\u00e3o respons\u00e1vel pela seguran\u00e7a e paz mundiais continuarem. Entretanto, al\u00e9m desses momentos decepcionantes e falimentares, tamb\u00e9m \u00e9 necess\u00e1rio lembrar o acordo un\u00e2nime da comunidade internacional em pelo menos duas ocasi\u00f5es cruciais: a primeira, em setembro de 2013, quando, gra\u00e7as ao acordo entre os presidentes da Federa\u00e7\u00e3o Russa e dos Estados Unidos, Putin e Obama, o grave e delicado problema do desmantelamento do arsenal qu\u00edmico s\u00edrio foi resolvido; outra ocasi\u00e3o foi quando foi votada por unanimidade a citada Resolu\u00e7\u00e3o 2254, que, como mencionado, estabelece a \u201croad map\u201d, ou seja, o plano de interven\u00e7\u00e3o para o processo de paz.<\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>H\u00e1 crian\u00e7as que viveram apenas a dimens\u00e3o da viol\u00eancia, da priva\u00e7\u00e3o. Como essas feridas ir\u00e3o se cicatrizar?<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><i>Como em todas as guerras, tamb\u00e9m este longo e cruel conflito teve efeitos devastadores especialmente sobre os setores mais fracos da popula\u00e7\u00e3o, especialmente crian\u00e7as, mulheres e idosos. Muitas crian\u00e7as morreram sob os bombardeios ou no fogo cruzado, outras foram extra\u00eddas feridas e mutiladas sob os escombros, algumas morreram na travessia do mar, muitas outras sofreram traumas psicol\u00f3gicos dif\u00edceis de curar, muitas foram deixadas sem um ou ambos os pais. Muitas morreram de desnutri\u00e7\u00e3o, frio, desidrata\u00e7\u00e3o, como os cerca de cinquenta beb\u00eas que morreram nos bra\u00e7os de suas m\u00e3es enquanto fugiam de Baghouz no inverno de alguns anos atr\u00e1s. Um certo n\u00famero deles, junto com suas m\u00e3es, ainda est\u00e3o esperando em v\u00e1rios campos de refugiados para serem repatriados para seus pa\u00edses de origem, em condi\u00e7\u00f5es muito prec\u00e1rias, especialmente no tristemente famoso campo de Al-Hol (Hassak\u00e9). Ap\u00f3s a sangrenta batalha de Aleppo em 2016, apareceram vagando pelas ruas e ru\u00ednas da cidade v\u00e1rios milhares de crian\u00e7as, sem fam\u00edlia, nome e sobrenome. Gra\u00e7as aos esfor\u00e7os conjuntos das autoridades religiosas mu\u00e7ulmanas e crist\u00e3s de Alepo, procurou-se registr\u00e1-las no cart\u00f3rio com um nome e sobrenome, e para inseri-las em um caminho de reintegra\u00e7\u00e3o social. Com uma escola em cada tr\u00eas fora de uso, cerca de dois milh\u00f5es de crian\u00e7as s\u00edrias n\u00e3o frequentam a escola. Algumas s\u00e3o v\u00edtimas de explora\u00e7\u00e3o sexual e outras s\u00e3o recrutadas. As meninas, em particular, s\u00e3o expostas a matrim\u00f4nios precoces. O estopim que desencadeou o conflito foi aceso inconscientemente por uma d\u00fazia de crian\u00e7as de Daraa, no sul da S\u00edria, que foram presas e detidas por alguns dias porque tinham escrito slogans contra o Presidente Assad na parede de sua escola. Tudo isso ent\u00e3o caiu inexoravelmente sobre seus coet\u00e2neos como um cruel bumerangue. Um verdadeiro massacre de inocentes.<\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Qual o papel os jovens, presente e futuro, na reconstru\u00e7\u00e3o do pa\u00eds?<br \/>\n<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><i>Os jovens s\u00e3o os melhores recursos de um pa\u00eds. Eles s\u00e3o o futuro da sociedade e da Igreja. Infelizmente, a S\u00edria e a Igreja perderam muito desse incompar\u00e1vel patrim\u00f4nio. Um grande n\u00famero deles, de fato, n\u00e3o vendo um futuro seguro, tomaram o caminho do ex\u00edlio. Pode-se definir esta perda incalcul\u00e1vel como outra &#8220;bomba&#8221; mortal para a S\u00edria.<\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Estima-se que s\u00e3o necess\u00e1rios US$ 400 bilh\u00f5es para movimentar novamente a S\u00edria. O senhor acha que \u00e9 necess\u00e1rio um esfor\u00e7o maior da comunidade internacional?<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><i>As Na\u00e7\u00f5es Unidas, as v\u00e1rias ONGs envolvidas no campo humanit\u00e1rio e as Igrejas est\u00e3o tentando lidar com as muitas emerg\u00eancias, especialmente a alimenta\u00e7\u00e3o e a sa\u00fade. Infelizmente, a reconstru\u00e7\u00e3o e o in\u00edcio da economia, para a qual seriam necess\u00e1rias v\u00e1rias centenas de bilh\u00f5es de d\u00f3lares, ainda n\u00e3o come\u00e7aram. Al\u00e9m do grave fen\u00f4meno da corrup\u00e7\u00e3o e de v\u00e1rios outros fatores, as san\u00e7\u00f5es, em particular, t\u00eam um efeito negativo sobre tudo isso. Para este trabalho de reconstru\u00e7\u00e3o e recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, \u00e9 necess\u00e1ria uma interven\u00e7\u00e3o poderosa e urgente da comunidade internacional. A paz n\u00e3o chegar\u00e1 \u00e0 S\u00edria sem reconstru\u00e7\u00e3o e sem o in\u00edcio da economia. &#8220;Desenvolvimento \u00e9 o novo nome da paz&#8221;, escreveu o Papa S\u00e3o Paulo VI na Enc\u00edclica &#8220;Populorum Progressio&#8221;, de 1967. E o Papa Francisco, em sua enc\u00edclica &#8220;Fratelli tutti&#8221;, n\u00ba 126, citando a &#8220;Centesimus annus&#8221; do Papa S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II, fala da necessidade de garantir o &#8220;direito fundamental dos povos \u00e0 subsist\u00eancia e ao progresso&#8221;. Se me permitem tomar emprestado e parafrasear o t\u00edtulo de um romance que surgiu h\u00e1 alguns anos, &#8220;A paz como um rio&#8221;, existe a necessidade de um &#8220;rio&#8221; de ajuda para a reconstru\u00e7\u00e3o de hospitais, escolas, f\u00e1bricas e diversas infraestruturas.<\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Qual \u00e9 o papel da Igreja neste contexto?<br \/>\n<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><i>Um enorme desafio que est\u00e1 diante das v\u00e1rias religi\u00f5es presentes na S\u00edria, em particular a crist\u00e3 e mu\u00e7ulmana, \u00e9 a reconcilia\u00e7\u00e3o e a costura do tecido social, danificado por estes longos anos de guerra. A Igreja, al\u00e9m disso, est\u00e1 ativa no terreno com uma vasta rede de projetos humanit\u00e1rios aberta a todos, sem diferen\u00e7as \u00e9tnico-religiosas, gra\u00e7as \u00e0 ajuda de v\u00e1rias institui\u00e7\u00f5es de caridade de todo o mundo. Poder\u00edamos dizer que \u00e9 o trabalho do &#8220;Bom Samaritano&#8221;<\/i>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Como se est\u00e1 vivendo este per\u00edodo da Quaresma e com qual horizonte?<br \/>\n<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><i>Estamos tentando viver esta &#8220;Quaresma&#8221; junto com o povo, que dura, sem interrup\u00e7\u00e3o, h\u00e1 10 anos, esperando poder vislumbrar o fim do t\u00fanel e um vislumbre da recupera\u00e7\u00e3o da S\u00edria, uma &#8220;ressurrei\u00e7\u00e3o&#8221; deste pa\u00eds.<\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Qual \u00e9 o seu desejo, seu apelo para este pa\u00eds?<br \/>\n<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><i>Uma jornalista s\u00edria, com o pseud\u00f4nimo de Waad Al-Kateab, escreveu no &#8220;The New York Times&#8221; de 7 de fevereiro de 2020 um artigo intitulado: &#8220;Somos deixados sozinhos a enfrentar a morte&#8221;. E o Papa Francisco, em 9 de janeiro de 2020, por ocasi\u00e3o da troca de sauda\u00e7\u00f5es de Ano Novo com o Corpo Diplom\u00e1tico acreditado junto \u00e0 Santa S\u00e9, disse: &#8220;Refiro-me ao cobertor de sil\u00eancio que amea\u00e7a cobrir a guerra que devastou a S\u00edria ao longo desta d\u00e9cada&#8221;. A S\u00edria, nestes longos anos de guerra, perdeu a paz, perdeu pessoas, perdeu jovens, perdeu crist\u00e3os. Muitas pessoas perderam e tamb\u00e9m est\u00e3o perdendo a esperan\u00e7a. Poderia ser comparado ao infeliz da par\u00e1bola do &#8220;Bom Samaritano&#8221;: atacado por ladr\u00f5es, assaltado e deixado meio morto e humilhado \u00e0 beira da estrada. A S\u00edria est\u00e1 esperando para ser reabilitada social e economicamente, e para ter sua dignidade reconhecida. Por isso, um agradecimento especial vai para todos os &#8220;bons samaritanos&#8221;, alguns dos quais at\u00e9 perderam a vida ao mostrar-lhe sua generosa solidariedade: s\u00e3o institui\u00e7\u00f5es humanit\u00e1rias internacionais, organiza\u00e7\u00f5es religiosas, indiv\u00edduos privados. N\u00e3o deixemos a esperan\u00e7a morrer!<\/i><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dez anos ap\u00f3s a crise que envolveu a Rep\u00fablica \u00c1rabe, o Cardeal N\u00fancio Apost\u00f3lico em Damasco reitera a necessidade de ajuda em um cen\u00e1rio de pobreza, onde faltam escolas e hospitais, enquanto &#8220;o ch\u00e3o foi pisoteado e os c\u00e9us atravessados pelas for\u00e7as armadas de cinco pot\u00eancias em conflito umas com as outras&#8221; Massimiliano Menichetti A [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":66468,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[13,3],"tags":[],"class_list":["post-66467","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-featured","category-vaticano"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/66467","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=66467"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/66467\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":66469,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/66467\/revisions\/66469"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/media\/66468"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=66467"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=66467"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=66467"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}