{"id":66436,"date":"2021-03-12T15:15:31","date_gmt":"2021-03-12T18:15:31","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=66436"},"modified":"2021-03-13T23:21:05","modified_gmt":"2021-03-14T02:21:05","slug":"a-inominavel-dor-na-perda-de-um-filho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/a-inominavel-dor-na-perda-de-um-filho\/","title":{"rendered":"A INOMIN\u00c1VEL DOR NA PERDA DE UM FILHO"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Nenhuma dor humana supera a dor indescrit\u00edvel da perda de um filho!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As leis da l\u00f3gica da vida s\u00e3o quebradas: aquele que deveria ser amparo e sobreviver aos pr\u00f3prios pais se antecipa a eles, ao experimentar o mist\u00e9rio da morte!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com o filho, morre um peda\u00e7o do cora\u00e7\u00e3o de seus pais. Abre-se um vazio imensur\u00e1vel na morada do Amor, um vazio que nada pode preencher, um vazio semelhante \u00e0 eros\u00e3o nas montanhas, que aumenta com o tempo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dizia meu querido pai: \u201c<em>a morte de um filho \u00e9 como o tirar uma gaveta de um arm\u00e1rio. N\u00e3o se consegue mais chegar perto do arm\u00e1rio sem perceber que lhe falta uma gaveta. O tempo passa, mas a gaveta n\u00e3o est\u00e1 mais l\u00e1\u201d. <\/em>Essa dor, o tempo n\u00e3o consegue destruir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que dizer aos pais em tais circunst\u00e2ncias?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Conformarem-se, simplesmente?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o h\u00e1 como!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Encontramo-nos diante de duas realidades antag\u00f4nicas: o dom de um filho e sua perda. Quanto mais amargas forem as l\u00e1grimas derramadas na ocasi\u00e3o da morte de um filho, maior foi o dom de Deus nele recebido!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o podemos nos esquecer, contudo, de que ningu\u00e9m tem um filho. Ele n\u00e3o \u00e9, nem pode ser, possu\u00eddo. Ele \u00e9 um Dom de Deus, um presente com que o Criador brinda aqueles que se uniram no amor, para serem, com Ele, Seus Cocriadores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os des\u00edgnios da miseric\u00f3rdia divina s\u00e3o imperscrut\u00e1veis \u00e0 mente humana. Superam a nossa raz\u00e3o. N\u00e3o conseguimos entender e, \u00e0s vezes, temos dificuldade at\u00e9 de aceit\u00e1-los.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tudo o que \u00e9 criado \u00e9 limitado. O pr\u00f3prio tempo \u00e9 limitado. Quase todo limite traz sofrimento a quem o experimenta. Nesta vida, somente o amor n\u00e3o tem limites. O amor tende, por sua pr\u00f3pria natureza, ao infinito. Ningu\u00e9m amou o bastante. E, porque ilimitado, o amor n\u00e3o se curva \u00e0 morte. Ela retira o ser amado dos bra\u00e7os de seus queridos, mas n\u00e3o tem o poder de tir\u00e1-lo dos cora\u00e7\u00f5es que o amaram. A pessoa se ausenta fisicamente, mas o amor, que \u00e9 espiritual, permanece nos cora\u00e7\u00f5es de seus pais, apesar de n\u00e3o poderem mais express\u00e1-lo fisicamente. \u00c9 a dor a que chamamos saudade. Essa saudade resultante de um vazio deixado pela morte torna-se mais pungente porque emerge em meio a um grande paradoxo: n\u00e3o morremos nos cora\u00e7\u00f5es que, verdadeiramente, nos amaram; nestes somos eternizados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que conforta a pessoa crist\u00e3, nesta circunst\u00e2ncia, \u00e9 saber, com seguran\u00e7a, que aquele que partiu continua vivo n\u00e3o na mem\u00f3ria daqueles que o amaram, mas em Deus. N\u00e3o o vemos mais. Ele atravessou a cortina do tempo e penetrou na eternidade, na alegria, na festa eterna e sem fim; est\u00e1 agora na contempla\u00e7\u00e3o do Deus Amor. Conforta-nos, sobretudo, a certeza da ressurrei\u00e7\u00e3o, que nos \u00e9 garantida pela morte e ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus Cristo, que cortou o aguilh\u00e3o da morte, como se corta o ferr\u00e3o de um escorpi\u00e3o. O escorpi\u00e3o est\u00e1 ali, mas, sem o ferr\u00e3o, n\u00e3o mata mais. A morte n\u00e3o mata mais, a pessoa continua viva em Deus. <em>A morte foi tragada pela vit\u00f3ria<\/em>; <em>onde est\u00e1, \u00f3 morte, a tua vit\u00f3ria? onde est\u00e1, \u00f3 morte, o teu aguilh\u00e3o <\/em><em>(1Cor 15, 54 \u2013 55<\/em><em>)? <\/em>Conforta-nos o saber que voltaremos a nos encontrar em Deus, quando cada um de n\u00f3s terminar seu tempo na terra. A separa\u00e7\u00e3o \u00e9, pois, passageira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Embora o cora\u00e7\u00e3o arda na dor, a intelig\u00eancia nos leva \u00e0 gratid\u00e3o. Novamente a contradi\u00e7\u00e3o: agradecer na perda e na dor. Agradecer a Deus pelo dom precioso do filho, com todas as suas qualidades, na sua capacidade de amar pelo tempo que ele aqui permaneceu. Quer\u00edamos mais, mais tempo! Sem d\u00favida! Tal desejo \u00e9 inerente \u00e0 natureza humana, pois o filho \u00e9, tamb\u00e9m, a maior alegria que uma pessoa pode experimentar na terra. Nada, entre os dons terrenos que recebemos, se sobrep\u00f5e a isso. O filho \u00e9 uma das maiores express\u00f5es do carinho de Deus para conosco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lembremo-nos de Abra\u00e3o, que, em Mori\u00e1, subiu ao monte para oferecer a Deus seu filho, em holocausto. O sacrif\u00edcio n\u00e3o foi consumado. Um Anjo do Senhor trouxe um cordeiro para ser sacrificado.\u00a0 Por tal amor desprendido, Deus aben\u00e7oou Abra\u00e3o, em sua f\u00e9 e generosidade (Gn 22, 1 \u2013 18).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Hoje, nesta pandemia cruel e terr\u00edvel, muitos filhos s\u00e3o arrebatados sem o consentimento e contra a vontade de seus pais. Sacrif\u00edcio consumado, contudo, os pais, com o cora\u00e7\u00e3o sangrando, podem oferecer a Deus a dor da perda do filho querido, unindo sua dor, de pais desolados, ao sofrimento redentor de Jesus Cristo na cruz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim como Deus n\u00e3o quis a morte de Isaac, filho de Abra\u00e3o, Deus n\u00e3o quer a morte de nenhum dos filhos dos homens. Deus, que tamb\u00e9m experimentou a dor de sacrificar Seu filho para nos salvar, chora com a dor da humanidade nesta pandemia horrenda. Jesus tamb\u00e9m chorou \u00e0 porta do t\u00famulo de L\u00e1zaro, seu amigo (Jo 11, 33 &#8211; 36).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os pais, no entanto, podem oferecer a Deus este sacrif\u00edcio inaudito, agradecendo pelo tempo feliz em que este filho permaneceu com eles, oferecendo sua dor em holocausto, pedindo as b\u00ean\u00e7\u00e3os divinas para sua fam\u00edlia, para a humanidade, pelo fim desta pandemia, e, sobretudo, pela participa\u00e7\u00e3o do filho querido na festa eterna que Deus preparou para ele no C\u00e9u.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nenhuma dor humana supera a dor indescrit\u00edvel da perda de um filho! As leis da l\u00f3gica da vida s\u00e3o quebradas: aquele que deveria ser amparo e sobreviver aos pr\u00f3prios pais se antecipa a eles, ao experimentar o mist\u00e9rio da morte! Com o filho, morre um peda\u00e7o do cora\u00e7\u00e3o de seus pais. 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