{"id":66322,"date":"2021-03-08T11:06:42","date_gmt":"2021-03-08T14:06:42","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=66322"},"modified":"2021-03-08T13:08:24","modified_gmt":"2021-03-08T16:08:24","slug":"a-cruz-salvadora","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/a-cruz-salvadora\/","title":{"rendered":"A CRUZ SALVADORA"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">No col\u00f3quio com Nicodemos Jesus, para explicar o mist\u00e9rio da Cruz, lembrou um fato marcante do Antigo Testamento, visando fixar o desvelo misericordioso de Deus para com seu povo.\u00a0 Do mesmo modo que Mois\u00e9s elevou a serpente no deserto, assim teria que ser elevado o Filho do homem para que todo que nele cresse tivesse a vida eterna (Jo 3.14-21).\u00a0 Uma vis\u00e3o dualista incluindo cenas de abatimento e eleva\u00e7\u00e3o, morte e vida, trevas e luz. A recorda\u00e7\u00e3o da cena do Antigo Testamento, que ostentava os que sofriam a olhar para uma serpente colocada no alto de um poste sendo salvos de terr\u00edvel flagelo, seria ent\u00e3o uma imagem esclarecedora do mist\u00e9rio da Cruz redentora de um Deus sempre rico em miseric\u00f3rdia. Outrora os que eram mordidos pelas serpentes deveriam levantar os olhos para uma serpente de bronze para logo serem salvos.\u00a0 Agora, afirma Jesus, bastaria olhar para a Cruz na qual se operaria a salva\u00e7\u00e3o da humanidade ferida pelo pecado, para que fosse recebida a gra\u00e7a do perd\u00e3o divino. Ao contr\u00e1rio dos fariseus, Cristo n\u00e3o proporia uma reden\u00e7\u00e3o ao retorno de uma observ\u00e2ncia escrupulosa dos preceitos, mas convidaria aos ditosos que cressem nele a acolher gratuitamente a vida nova que Ele oferecia da parte do Pai.\u00a0Segundo Jesus, seria pela gra\u00e7a que os fi\u00e9is, de gra\u00e7a, receberiam a vida nova, fruto da f\u00e9 inabal\u00e1vel nele.\u00a0 Isto seria n\u00e3o pelo poder humano, mas sim um dom de Deus. Ningu\u00e9m seria justificado pela pr\u00e1tica da lei, mas pela f\u00e9 no filho de Deus como bem ensinaria S\u00e3o Paulo (Gl 2,16). A lei mostra a incapacidade humana em corresponder aos apelos de Deus. Ela em si n\u00e3o permite realizar o bem ou evitar o mal, pois isto vem da luz e da for\u00e7a do Esp\u00edrito Santo, da cren\u00e7a inabal\u00e1vel em Deus, da f\u00e9 que cura e salva. O crist\u00e3o iluminado pelas virtudes\u00a0teologais tem o cora\u00e7\u00e3o refor\u00e7ado\u00a0\u00a0 que lhe permite produzir os\u00a0verdadeiros frutos de justi\u00e7a e santidade. \u00c9 deste modo que o Esp\u00edrito Santo pode em cada crist\u00e3o realizar uma obra de recria\u00e7\u00e3o para formar o homem novo \u00e0 imagem de Cristo Jesus pela Cruz que regenera e salva.\u00a0Ent\u00e3o as obras do disc\u00edpulo de Cristo s\u00e3o feitas segundo Deus.\u00a0Portanto, quem cr\u00ea em Jesus n\u00e3o ser\u00e1 condenado porque acolheu o Esp\u00edrito Santo no batismo, e cuja presen\u00e7a \u00e9 renovada a cada Comunh\u00e3o eucar\u00edstica, a cada Confiss\u00e3o numa participa\u00e7\u00e3o renovada na vida divina. Esta vida divina que anima o mais \u00edntimo do seguidor de Cristo tende ent\u00e3o a se manifestar exteriormente, irradiando em torno do fiel a presen\u00e7a divina. Esta \u00e9 a din\u00e2mica da salva\u00e7\u00e3o na qual quem age segundo a verdade vem \u00e0 luz, para que suas obras sejam reconhecidas como obras de Deus. Eis porque grandes santos fizeram e fazem obras maravilhosas com toda humildade, porque nunca deixaram de reconhecer que \u00e9 a gra\u00e7a divina \u00e9 que opera maravilhas. O crist\u00e3o verdadeiro reconhece sempre sua fraqueza e atesta o que Jesus declararia: \u201cSem mim nada podeis fazer\u201d. Incapacidade total de praticar o bem sem o aux\u00edlio divino, sempre olhando para a Cruz redentora, da qual vem a miseric\u00f3rdia celeste, que supera toda mis\u00e9ria humana \u00c9 preciso, contudo, saber viver a miseric\u00f3rdia que vem da Cruz salvadora, reconhecendo a pr\u00f3pria fraqueza para poder degustar a for\u00e7a que jorra da Trindade Santa. A\u00ed est\u00e1 a raz\u00e3o pela qual quem cr\u00ea no Crucificado tem a vida eterna (Jo 3,16). N\u00e3o se trata de uma realidade vinda n\u00e3o se sabe de onde e em que ela consiste, nem de uma recompensa vindo coroar meros esfor\u00e7os terrenos. Ela n\u00e3o \u00e9 eterna porque duraria indefinitivamente, mas \u00e9 um favor de Deus que ultrapassa os limites do homem, penetrando, por\u00e9m, todas as possibilidades de quem vive em fun\u00e7\u00e3o da potencialidade de uma Cruz que confere vida eterna. O crist\u00e3o possui ent\u00e3o uma qualidade de vida que supera a realidade da morte, vencido o \u201c\u00faltimo inimigo\u201d de que fala S\u00e3o Paulo (1Cor 15,26).\u00a0Vida eterna que a sombra da morte n\u00e3o pode paralisar nem inquietar.\u00a0Jesus, por\u00e9m, daria a vida eterna e quem vive e cr\u00ea nele n\u00e3o morreria jamais (Jo 11,26). Nascer e receber a vida eterna \u00e9 uma gra\u00e7a do amor de Jesus crucificado. A miseric\u00f3rdia e a dile\u00e7\u00e3o divinas s\u00e3o ofertas da bondade infinita de Deus, o qual quer que tenhamos a vida e a tenhamos em abund\u00e2ncia (Jo 10,10). Deste modo, a f\u00e9 conduz a nossa trajet\u00f3ria humana a uma vida eterna. S\u00e3o Jo\u00e3o nos lembra:\u201d Nisto consiste o amor: n\u00e3o fomos n\u00f3s que amamos a Deus, mas foi Ele que nos amou e nos enviou o seu Filho em expia\u00e7\u00e3o dos nossos pecados\u201d (1Jo 4,10). Este perd\u00e3o consiste na liberta\u00e7\u00e3o da morte que pairou sobre a humanidade e a paralisou. Da cruz de Cristo, por\u00e9m, jorrou a liberta\u00e7\u00e3o do ser humano. \u00c9 preciso saber encontrar nela a total liberta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No col\u00f3quio com Nicodemos Jesus, para explicar o mist\u00e9rio da Cruz, lembrou um fato marcante do Antigo Testamento, visando fixar o desvelo misericordioso de Deus para com seu povo.\u00a0 Do mesmo modo que Mois\u00e9s elevou a serpente no deserto, assim teria que ser elevado o Filho do homem para que todo que nele cresse tivesse [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":55813,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-66322","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/66322","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=66322"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/66322\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":66323,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/66322\/revisions\/66323"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/media\/55813"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=66322"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=66322"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=66322"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}