{"id":66312,"date":"2021-03-08T13:00:44","date_gmt":"2021-03-08T16:00:44","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=66312"},"modified":"2021-03-08T13:00:44","modified_gmt":"2021-03-08T16:00:44","slug":"a-paz-e-a-divisao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/a-paz-e-a-divisao\/","title":{"rendered":"A PAZ E A DIVIS\u00c3O"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u201cN\u00e3o vim trazer a paz, mas espada\u201d \u00e9 uma das mais controversas afirmativas de Jesus, registrada em Mateus (10,34). At\u00e9 hoje, muitos se debru\u00e7am sobre este texto e n\u00e3o conseguem penetrar a fundo a seriedade dessa afirmativa. Essa \u00e9 a terceira parada do texto-base da CFE 2021, que diz: Cristo \u00e9 a nossa paz: do que era dividido fez uma unidade. H\u00e1 aqui uma aparente contradi\u00e7\u00e3o? Ent\u00e3o vejamos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00c9 exatamente a defini\u00e7\u00e3o de unidade ou mesmo de paz o maior fator de divis\u00e3o entre n\u00f3s. Primeiro porque para muitos unidade soa como uniformidade, igualdade de pensamento, harmonia e paz. Esse \u00e9 nosso primeiro grande conflito, gerador maior de nossas discord\u00e2ncias e desaven\u00e7as, de nossas guerrilhas existenciais, que, acumuladas, nos levam \u00e0s guerras. A predomin\u00e2ncia do pensamento \u00fanico \u00e9 geradora dos conflitos entre n\u00f3s. \u00c9 na diversidade que se constr\u00f3i a verdadeira unidade e n\u00e3o na unidade a custa da for\u00e7a, da espada, do poder. Mas na unidade toleramos a diversidade. Eis o segredo da nossa f\u00e9, dita e proclamada por Cristo no auge de suas prega\u00e7\u00f5es: \u201cEu n\u00e3o vim trazer a Paz!\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 N\u00e3o a Paz do conformismo, da acomoda\u00e7\u00e3o, da aceita\u00e7\u00e3o sem questionamentos, da subservi\u00eancia, do medo, da falta de di\u00e1logo e compreens\u00e3o m\u00fatuas. Essa n\u00e3o \u00e9 a proposta de Cristo. A aliena\u00e7\u00e3o da realidade n\u00e3o combina com a proposta libertadora que nos trouxe o Mestre. Por isso n\u00e3o existe cristianismo onde haja incapacidade de \u201cderrubar os muros das divis\u00f5es\u201d, como nos desafia a atual campanha ecum\u00eanica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Esta nos d\u00e1 exemplos pr\u00e1ticos. Primeiro, manter o di\u00e1logo ecum\u00eanico. Se de fato buscamos a unidade, n\u00e3o podemos fechar nossas portas. A constru\u00e7\u00e3o da paz entre os homens s\u00f3 ser\u00e1 poss\u00edvel se, por primeiro, houver paz entre os seguidores do Pr\u00edncipe da Paz. Como almejar harmonia entre todos os homens se esta n\u00e3o existe entre n\u00f3s?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Segundo: aumentar a conviv\u00eancia inter-religiosa. Talvez seja este o maior desafio da atual campanha. Tolerar at\u00e9 nos toleramos, mas conviver, celebrar juntos, respeitar o outro, o rito, a f\u00e9, sua maneira de cultuar, ah!&#8230; paci\u00eancia, nem tanto, n\u00e3o \u00e9? \u00c9 l\u00f3gico, n\u00e3o concordamos com isto ou aquilo, com a aparente \u201cinfantilidade\u201d demonstrada por aquele que julgamos \u201cpensar pequeno\u201d, provando-nos sua \u201cingenuidade na f\u00e9\u201d, mas nos esquecemos de que Deus \u00e9 maior do que nossa refinada teologia, nossa religiosidade sem caridade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Terceiro: praticar miss\u00f5es ecum\u00eanicas. Aqui o desafio ultrapassa a l\u00f3gica, quando sequer compreendemos a amplitude do trabalho mission\u00e1rio. Por si, j\u00e1 o realizamos com o intuito de impor nossas cren\u00e7as e tradi\u00e7\u00f5es, esquecendo-nos do respeito \u00e0s cren\u00e7as e tradi\u00e7\u00f5es do outro. Como trabalhar em conjunto num cen\u00e1rio destes? Temos muito ch\u00e3o pela frente&#8230; Mas a simples ideia desse processo ecum\u00eanico j\u00e1 \u00e9 um largo passo em dire\u00e7\u00e3o ao amadurecimento do di\u00e1logo entre n\u00f3s. A espada, a divis\u00e3o, a competi\u00e7\u00e3o entre iguais s\u00e3o as pedras que nos aponta Jesus para nos oferecer sua Paz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Quarto: A viol\u00eancia contra as mulheres \u00e9 um cap\u00edtulo \u00e0 parte. Jesus foi o maior defensor da dignidade feminina e o promotor primeiro de sua import\u00e2ncia na Obra Criadora (Eva) e Redentora (Maria). \u201cMesmo que mulheres sejam as que percentualmente mais participam&#8230; elas ainda ocupam poucos espa\u00e7os de lideran\u00e7a\u201d, diz o texto. O quinto exemplo desse desafio interessa a todos: Cuidar da casa comum. Como construir a Paz num mundo de conflitos e cont\u00ednuo descaso contra suas fontes de vida e harmonia? Dar testemunho \u00e9 essencial. \u201cEsta proclama\u00e7\u00e3o precisa estar profundamente alicer\u00e7ada nos princ\u00edpios evang\u00e9licos com pleno respeito e amor ao pr\u00f3ximo e \u00e0 cria\u00e7\u00e3o\u201d. Essa \u00e9 nossa espada, nossa bandeira, nossa cruz!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u201cN\u00e3o vim trazer a paz, mas espada\u201d \u00e9 uma das mais controversas afirmativas de Jesus, registrada em Mateus (10,34). At\u00e9 hoje, muitos se debru\u00e7am sobre este texto e n\u00e3o conseguem penetrar a fundo a seriedade dessa afirmativa. 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