{"id":66065,"date":"2021-02-22T09:33:23","date_gmt":"2021-02-22T12:33:23","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=66065"},"modified":"2021-02-22T13:36:44","modified_gmt":"2021-02-22T16:36:44","slug":"edith-bruck-com-o-papa-um-abraco-entre-irmaos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/edith-bruck-com-o-papa-um-abraco-entre-irmaos\/","title":{"rendered":"Edith Bruck: &#8220;com o Papa, um abra\u00e7o entre irm\u00e3os&#8221;"},"content":{"rendered":"<figure class=\"article__image\"><span class=\"didascalia_img\">O Papa fez uma visita surpresa \u00e0 sobrevivente no s\u00e1bado (20)\u00a0<\/span><\/figure>\n<div class=\"article__meta\">\n<div class=\"article__subTitle\" style=\"text-align: justify;\">Em uma entrevista ao Vatican News, a escritora h\u00fangara expressa a emo\u00e7\u00e3o vivida pela visita de Francisco que, no s\u00e1bado \u00e0 tarde, foi \u00e0 sua casa no centro de Roma. &#8220;Eu chorei assim que ele chegou. Abracei e beijei ele&#8221;.<\/div>\n<div class=\"title__separator\" style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div class=\"article__text \">\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Amedeo Lomonaco \u2013 Vatican News<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Edith Bruck nasceu em uma pequena aldeia h\u00fangara, em 1931, a \u00faltima de 6 filhos de uma fam\u00edlia pobre de judeus. Em abril de 1944, junto com os pais e dois irm\u00e3os, foi deportada para o gueto e, depois, para os campos de concentra\u00e7\u00e3o de Auschwitz, Dachau e Bergen-Belsen. Ela sobreviveu junto com a irm\u00e3 Judit, chegando v\u00e1rios anos depois \u00e0 It\u00e1lia e estabelecendo-se em Roma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em uma entrevista concedida ao jornal vaticano\u00a0<a href=\"https:\/\/www.osservatoreromano.va\/it\/news\/2021-01\/quo-020\/la-memoria-e-vita-br-la-scrittura-e-respiro.html\" target=\"_blank\" rel=\"external noopener\">L&#8217;Osservatore Romano<\/a>, em janeiro por ocasi\u00e3o do Dia da Mem\u00f3ria, ela lembrou os horrores que viveu durante o tr\u00e1gico per\u00edodo de persegui\u00e7\u00e3o nazista. O Papa Francisco quis conhec\u00ea-la e foi fazer uma visita privada na sua casa no centro de Roma no \u00faltimo s\u00e1bado (20). Um encontro que Edith Bruck define como &#8220;inimagin\u00e1vel&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao Vatican News, ela revela que durante a visita, o Papa recordou v\u00e1rios trechos do seu livro\u00a0<a href=\"http:\/\/www.lanavediteseo.eu\/item\/il-pane-perduto\/\" target=\"_blank\" rel=\"external nofollow noopener\">&#8220;O p\u00e3o perdido&#8221;, publicado pela editora &#8220;La nave di Teseo&#8221;<\/a>, da s\u00e9rie Oceanos.<\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"article__embed article__embed--unwrap article__embed--dark\">\n<div class=\"article__innerTitle\">Ou\u00e7a e compartilhe<\/div>\n<div>\n<audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-66065-1\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/mpeg\" src=\"https:\/\/media.vaticannews.va\/media\/audio\/s1\/2021\/02\/22\/13\/135930538_F135930538.mp3?_=1\" \/><a href=\"https:\/\/media.vaticannews.va\/media\/audio\/s1\/2021\/02\/22\/13\/135930538_F135930538.mp3\">https:\/\/media.vaticannews.va\/media\/audio\/s1\/2021\/02\/22\/13\/135930538_F135930538.mp3<\/a><\/audio>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<h2 style=\"text-align: justify;\">A entrevista com Edith Bruck<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">R &#8211;\u00a0<i>Ainda estou em choque positivo. Conversamos por um longo tempo. Ele disse que havia lido o meu livro, citando muitas partes. O Papa chegou \u00e0s 16h e saiu por volta das 18h. Foi um encontro inexplic\u00e1vel. Ainda estou emocionada. Chorei assim que ele chegou. Abracei e beijei ele. Era uma coisa muito bonita e, com uma voz tr\u00eamula, apresentei as poucas pessoas que estavam em casa. O Papa tamb\u00e9m falou sobre a Shoah. Pediu perd\u00e3o pessoalmente. Ele falou um pouco da Argentina. Fiquei t\u00e3o impressionada, que n\u00e3o conseguia pronunciar uma palavra corretamente.<\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Qual \u00e9 a sensa\u00e7\u00e3o de receber o Papa Francisco na pr\u00f3pria casa?<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>R<\/b>\u00a0&#8211;\u00a0<i>N\u00e3o podia imaginar uma coisa assim. Quando o vi na porta, desandei a chorar. Ele tamb\u00e9m me abra\u00e7ou. Est\u00e1vamos os dois cheios de emo\u00e7\u00e3o. N\u00e3o havia como conter a emo\u00e7\u00e3o.<\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>O abra\u00e7o do Papa Francisco foi paternal?<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>R<\/b>\u00a0&#8211;\u00a0<i>Sim, de fato, disse: somos irm\u00e3os.<\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Portanto, um encontro entre irm\u00e3os que tamb\u00e9m foi de muita conviv\u00eancia&#8230;<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>R<\/b>\u00a0&#8211;\u00a0<i>O Papa comeu um bolo com ricota. Preparei uma bela poltrona com almofadas. E, ent\u00e3o, lhe dei uma poesia minha que ele apreciou muito. Est\u00e1vamos todos at\u00f4nitos. Foi verdadeiramente um encontro inimagin\u00e1vel. Ele ficou quase duas horas. Foi uma coisa incr\u00edvel v\u00ea-lo em casa. Fiquei muito emocionada.<\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Vamos recordar aqueles horrores vividos no campo de concentra\u00e7\u00e3o de Auschwitz, onde a senhora conheceu o mal absoluto. Mas mesmo naquela escurid\u00e3o, viveu momentos de luz.<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>R<\/b>\u00a0&#8211;\u00a0<i>Sim, contei isso ao Papa. Eu chamo de as cinco luzes. Eu lhe contei sobre as cinco luzes. O Papa disse que sabia de tudo. E lembrava do meu livro quase linha por linha.<\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>E tamb\u00e9m lembrou o Papa que naquele per\u00edodo dram\u00e1tico houve tamb\u00e9m um pequeno gesto cheio de vida. Foi feito por um cozinheiro&#8230;.<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>R<\/b>\u00a0&#8211;\u00a0<i>Eu tamb\u00e9m contei esse epis\u00f3dio. O Papa tamb\u00e9m lembrava disso. No campo de concentra\u00e7\u00e3o em Dachau, um cozinheiro me disse: qual \u00e9 o seu nome? E me presenteou um pente. O Papa recordou o epis\u00f3dio do pente. Enquanto convers\u00e1vamos, o Papa e eu est\u00e1vamos na mesma linha humana.<\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Os seus pais e um dos seus irm\u00e3os n\u00e3o sobreviveram. A senhora disse que foi salva por causa da sua irm\u00e3&#8230;.<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>R\u00a0<\/b>&#8211;\u00a0<i>Ela me ajudou muito. Acredito que sem mim, ela n\u00e3o teria sobrevivido. Sem ela, eu tamb\u00e9m n\u00e3o teria sobrevivido. Ela era quatro anos mais velha do que eu. Me apoiava. Ela pegou inclusive coletes que eu n\u00e3o conseguia mais arrastar. \u00c9 claro, n\u00f3s nos apoiamos mutuamente. Agora, infelizmente, ela se foi. Ela desmaiou quatro vezes e eu gritava: n\u00e3o me deixe! J\u00e1 passei por coisas alucinantes. Tudo o que vivi n\u00e3o pode ser contado nem escrito em mil livros. N\u00e3o se pode descrever a dor, a indigna\u00e7\u00e3o moral. Nunca se poder\u00e1 contar tudo, mesmo que eu n\u00e3o fa\u00e7a outra coisa que contar e escrever.<\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Por falar em contar e recordar, um soldado alem\u00e3o que separou a senhora da sua m\u00e3e ao chegar no campo de concentra\u00e7\u00e3o, na verdade, salvou a sua vida&#8230;<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>\u00a0R<\/b>\u00a0&#8211;\u00a0<i>Sim, isso aconteceu logo na chegada. Eu estava com a minha m\u00e3e. Eles tinham me conduzido com a minha m\u00e3e ao cremat\u00f3rio do lado esquerdo. Mas o \u00faltimo soldado alem\u00e3o tinha sussurrado e me\u00a0<\/i>\u00a0<i>disse para ir \u00e0 direita. Naquele momento, eu n\u00e3o entendia o que ele queria dizer. Eu me agarrei \u00e0 carne de minha m\u00e3e. Eu n\u00e3o queria deix\u00e1-la. Finalmente, o soldado, n\u00e3o sabendo como nos separar, bateu na minha m\u00e3e com um fuzil. Ela caiu e eu nunca mais a vi. Ele tamb\u00e9m me bateu e me arrastou at\u00e9 que eu estivesse do lado direito. Eu n\u00e3o sabia que naquele momento ele estava tentando me salvar.<\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Hoje, a senhora compartilhou algumas dessas lembran\u00e7as com o Papa Francisco. Um dia indel\u00e9vel que cicatriza a mem\u00f3ria com a esperan\u00e7a&#8230;.<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>R\u00a0<\/b>&#8211;\u00a0<i>O Papa tamb\u00e9m ficou muito triste com esses inocentes que foram aniquilados. Mas h\u00e1 sempre esperan\u00e7a. H\u00e1 sempre uma pequena luz, mesmo na escurid\u00e3o total. Sem esperan\u00e7a, n\u00e3o podemos viver. Nos campos de concentra\u00e7\u00e3o, bastava um alem\u00e3o olhando para voc\u00ea com um olhar humano. Bastava um gesto. Bastava um olhar humano. Eles me deram uma luva com furos, me deixaram um pouco de geleia na marmita. Ali estava a vida, dentro. Aquela \u00e9 esperan\u00e7a.<\/i><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Papa fez uma visita surpresa \u00e0 sobrevivente no s\u00e1bado (20)\u00a0 Em uma entrevista ao Vatican News, a escritora h\u00fangara expressa a emo\u00e7\u00e3o vivida pela visita de Francisco que, no s\u00e1bado \u00e0 tarde, foi \u00e0 sua casa no centro de Roma. &#8220;Eu chorei assim que ele chegou. Abracei e beijei ele&#8221;. 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