{"id":65946,"date":"2021-02-15T09:37:38","date_gmt":"2021-02-15T12:37:38","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=65946"},"modified":"2021-02-15T12:38:38","modified_gmt":"2021-02-15T15:38:38","slug":"dialogo-nao-e-monologo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/dialogo-nao-e-monologo\/","title":{"rendered":"DI\u00c1LOGO N\u00c3O \u00c9 MON\u00d3LOGO"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Desde a virada do mil\u00eanio, a CNBB e o CONIC (Conselho Nacional das Igrejas Crist\u00e3s, que representa a ala mais hist\u00f3rica e tradicional da Reforma Protestante, tentam uma caminhada de unidade no tempo quaresmal. Para tanto, a cada cinco, seis anos, elaboram em conjunto o tema da Campanha da Fraternidade, num trabalho de crescente di\u00e1logo e interc\u00e2mbio religioso entre suas comunidades, cujo esfor\u00e7o primeiro vem da exemplar busca dos la\u00e7os ecum\u00eanicos entre as tradicionais igrejas crist\u00e3s. Belo esfor\u00e7o!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Nesta quinta edi\u00e7\u00e3o fraterna de uma campanha nascida no seio do catolicismo brasileiro, h\u00e1 de se ressaltar o respeito e a liberdade dada aos redatores do texto-base, elaborado quase que em sua totalidade pelos expoentes das igrejas evang\u00e9licas representadas no CONIC. Da\u00ed o estilo diferenciado que muitos cat\u00f3licos encontraram no texto. Da\u00ed muitas das cr\u00edticas enciumadas de alguns setores mais tradicionalistas da ampla diversidade de nosso catolicismo carente de mais unidade na sua diversidade. Da\u00ed a raz\u00e3o de muitas diverg\u00eancias que maculam o esfor\u00e7o maior desse trabalho, a busca da nossa unidade crist\u00e3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Come\u00e7a pelo tema de CF: \u201cFraternidade e di\u00e1logo: compromisso de amor\u201d e culmina com seu lema retirado da carta de Paulo aos Ef\u00e9sios (2,14) onde se l\u00ea: \u201cCristo \u00e9 a nossa paz: do que era dividido, fez uma unidade\u201d. Eis, gente, a grande riqueza desse trabalho ecum\u00eanico, que n\u00e3o se pode perder por ninharias pastorais ou linhas divergentes que pouco alteram o bem maior do que j\u00e1 conquistamos at\u00e9 aqui. \u201cOra, n\u00e3o podemos abrir m\u00e3o de nossas cren\u00e7as e tradi\u00e7\u00f5es milenares\u201d, diz algu\u00e9m. E da nossa realidade de irm\u00e3os na f\u00e9, podemos? \u201cEssa ou aquela linha doutrin\u00e1ria n\u00e3o condiz com nossa f\u00e9\u201d. Tudo bem, mas nosso Cristo continua o mesmo, ontem, hoje e sempre. Ou n\u00e3o? \u201cMas a ideologia de g\u00eanero, o movimento LGBT, o aborto&#8230;\u201d Gente, essas ninharias do modismo ou do momento hist\u00f3rico s\u00e3o sempre circunstanciais, passageiras, mundanas, conquanto o que prevalece \u00e9 a Verdade questionadora de Cristo. Pois ent\u00e3o, qual o problema de debater ou levantar essas quest\u00f5es?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Na realidade, o que est\u00e1 em jogo nestas quest\u00f5es \u00e9 a n\u00e3o vis\u00e3o do todo, do bem maior que a unidade nos oferece. Se, diferentemente das outras campanhas, quem secretaria e modula os textos n\u00e3o \u00e9 a CNBB, mas um \u00f3rg\u00e3o genuinamente evang\u00e9lico, vamos dar gra\u00e7as por esse progresso e ouvir com maiores aten\u00e7\u00f5es o que esses irm\u00e3os t\u00eam a nos dizer. Ser divergente, n\u00e3o necessariamente \u00e9 ser discordante. Vale mais nossos pontos comuns do que nossas eventuais discord\u00e2ncias. Nosso bem maior \u00e9 a f\u00e9 que nos une, n\u00e3o as arestas que nos espezinham. Como bem lembrou a secret\u00e1ria geral do CONIC, citando, talvez sem o saber, uma frase bem conhecida do nosso saudoso bispo D. Helder C\u00e2mara; \u201cIsso porque um sonho que sonhamos juntos vira realidade\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 J\u00e1 ouvi absurdos de lideran\u00e7as e padres feridos no orgulho pr\u00f3prio do mando e desmando numa campanha tipicamente cat\u00f3lica, tais como: \u201cEsque\u00e7am essa campanha\u201d ou \u201cN\u00e3o vamos adot\u00e1-la em nossa par\u00f3quia (ou mesmo diocese)\u201d, ou \u201cA verdade est\u00e1 do nosso lado\u201d. Ser\u00e1 mesmo assim? Tristes estes, que olham apenas para o pr\u00f3prio umbigo e esquecem de que seus cord\u00f5es umbilicais um dia foram jogados telhado acima ou enterrados no quintal de suas posses&#8230; Dividir \u00e9 a\u00e7\u00e3o t\u00edpica do Inimigo. Quem teima em defender uma unidade sem olhar para a diversidade que nos rodeia, nunca compreender\u00e1 o grande sonho de Cristo: \u201cQue todos sejam um\u201d. Esque\u00e7amos nossas picuinhas e guerrinhas em defesa dos nossos territ\u00f3rios e olhemos com mais crit\u00e9rios para o quintal vizinho. Quem sabe aquele irm\u00e3o desgarrado, desconhecido, tem muito a nos ensinar. Essa parada \u00e9 dura. Outras mais vir\u00e3o no decorrer dessa CFE.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Desde a virada do mil\u00eanio, a CNBB e o CONIC (Conselho Nacional das Igrejas Crist\u00e3s, que representa a ala mais hist\u00f3rica e tradicional da Reforma Protestante, tentam uma caminhada de unidade no tempo quaresmal. 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