{"id":65917,"date":"2021-02-12T12:19:12","date_gmt":"2021-02-12T15:19:12","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=65917"},"modified":"2021-02-12T12:19:12","modified_gmt":"2021-02-12T15:19:12","slug":"alem-da-interpretacao-legalista-da-salvacao-domingo-6o-do-t-c-b-jesus-priante","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/alem-da-interpretacao-legalista-da-salvacao-domingo-6o-do-t-c-b-jesus-priante\/","title":{"rendered":"Al\u00e9m da interpreta\u00e7\u00e3o legalista da Salva\u00e7\u00e3o &#8211; DOMINGO 6o DO T.C- B Jesus Priante"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m da interpreta\u00e7\u00e3o legalista da Salva\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cEscuta Israel: O Senhor \u00e9 teu Deus, o Senhor \u00e9 Um.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando temos resposta para tudo n\u00e3o estamos no caminho da verdade, que transcende \u00e0 nossa raz\u00e3o. Uma maneira de praticar nossa F\u00e9 \u00e9 pensar permanentemente o que cremos, buscando seu melhor entendimento. &#8220;A F\u00e9 busca o entendimento e o entendimento busca a F\u00e9&#8221; \u00e9 a velha tese da teologia. \u00c9 o que pretendemos com estas nossas reflex\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No domingo passado tentamos encontrar um sentido para o problema do sofrimento que, como afirma L\u00e9on Bloy, nos faz existir como humanos. Nao se vive neste mundo sem sofrimento (f\u00edsico ou ps\u00edquico). Ele nos faz reconhecer nossa natural fragilidade. (homem ou Ad\u00e3o significa barro) mas, tamb\u00e9m, o sofrimento torna o outro &#8220;pr\u00f3ximo&#8221; de n\u00f3s. Muitas fam\u00edlias separadas pelos conflitos, encontram-se nos hospitais e n\u00f3s vel\u00f3rios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O sofrimento nos faz compassivos (sofrer juntos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As leituras deste domingo sugerem um outro problema existencial, carente de uma resposta racional: o PECADO. No velho filme &#8220;Lagoa Azul&#8221;, um casal de jovens n\u00e1ufragos s\u00e3o obrigados a viver juntos numa pequena ilha deserta, n\u00e3o isentos de brigas e desaven\u00e7as. Certo dia, a jovem diz ao seu namorado: &#8220;Por que n\u00e3o nos amamos?&#8221;. O que \u00e9 o Pecado e por que existe no mundo? Como o sofrimento \u00e9 um &#8220;problema limite&#8221; para nossa raz\u00e3o. Todo ser humano experimenta a vida de maneira culpada. O pecado e a culpa s\u00e3o nosso existencial ou maneira humana de ser. Um mist\u00e9rio para o qual nossa raz\u00e3o busca, entre muitas, uma explica\u00e7\u00e3o, nunca \u00faltima, nunca definitiva&#8230; Podemos elencar aqui algumas:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O PECADO \u00c9 NOSSO EXISTENCIAL, maneira de ser humana. N\u00e3o podemos ser ou existir neste mundo, nos diz S\u00e3o Jer\u00f4nimo (s\u00e9c.IV), sem pecado . &#8220;O homem \u00e9 um lenho torto do qual n\u00e3o podem sair t\u00e1buas retas&#8221;, afirmava Kant (s\u00e9c.XVIII). &#8220;N\u00e3o podemos ficar diante de Deus de maneira aut\u00eantica a n\u00e3o ser como pecadores.\u201d (K. Barth). S\u00e3o Paulo reconhece essa condi\u00e7\u00e3o humana: &#8220;O pecado est\u00e1 dentro de mim&#8221; (Rm.7,20). Seria mais apropriado chamar de pecado natural o &#8220;pecado original&#8221;, ao menos como o temos entendido, heran\u00e7a do pecado de Ad\u00e3o e Eva. Antes deles pecarem j\u00e1 eram pecadores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o somos pecadores porque pecamos, mas pecamos porque somos existencialmente pecadores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Da mesma maneira que um cego de nascen\u00e7a jamais pode ver porque os neur\u00f4nios pr\u00f3prios da vis\u00e3o est\u00e3o desconectados, tamb\u00e9m o pecado \u00e9 imposs\u00edvel de erradicar, como no filme &#8220;Laranja Mec\u00e1nica&#8221;, prop\u00f5e-se, atrav\u00e9s de uma lobotomia, para um delinquente compulsivo, corrigir o incorrig\u00edvel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nascer de Novo<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O pecado, como Jesus disse, exige &#8220;nascer de novo&#8221; (lJo.3), pois em pecado fomos concebidos (Sl.50)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O PECADO \u00c9 DIAB\u00d3LICO. A serpente (s\u00edmbolo do diabo) seduziu a Eva e a Ad\u00e3o para pecarem. \u00c9 esse misterioso Maligno que nos tenta pecar e at\u00e9 se incorpora na nossa exist\u00eancia, tornando-nos diab\u00f3licos ou possessos. Esta maneira de entender o pecado nos levaria a rezar o Pai-Nosso, dizendo livra-nos do mau ou maligno e n\u00e3o de &#8220;todo mal&#8221;. Os exorcismos feitos por Jesus e ao longo da hist\u00f3ria pela Igreja sintonizariam com essa explica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O PECADO \u00c9 VIOLA\u00c7\u00c3O DA LEI DEUS. O pecado \u00e9 um ato de desobedi\u00eancia contra a vontade de Deus, expressada na pr\u00f3pria natureza das coisas e de n\u00f3s mesmos. Esta maneira de interpretar o pecado, na sua dimens\u00e3o moral, prevalece infelizmente na educa\u00e7\u00e3o religiosa de todos os povos. Quantificamos nossos pecados pelas vezes que n\u00e3o cumprimos os Dez Mandamentos e derivados destes, por a\u00e7\u00e3o ou omiss\u00e3o. N\u00e3o haveria pecado, nos diz S\u00e3o Paulo, se n\u00e3o houvesse lei. O tr\u00e1gico da lei \u00e9 que n\u00e3o a podemos cumprir, criando em n\u00f3s um sentimento de culpa ou &#8220;consci\u00eancia desgra\u00e7ada&#8221;, como disse Freud, que ele qualifica de neurose.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jesus percebeu esta trag\u00e9dia na qual o povo de Israel vivia. A interpreta\u00e7\u00e3o legalista da salva\u00e7\u00e3o foi multiplicando o n\u00famero de normas de conduta at\u00e9 quantificar seus mestres 613 que, se dif\u00edcil de decorar, eram imposs\u00edveis de se cumprir. Kant quis simplificar este problema do pecado moral apelando ao que ele chamou &#8220;imperativo categ\u00f3rico&#8221; inato dentro de n\u00f3s, formulado assim: &#8220;Age de tal maneira que tua vontade possa ser considerada legisladora universal&#8221;. Seria uma outra vers\u00e3o da chamada regra de ouro da B\u00edblia: &#8220;Nao fa\u00e7as aos outros o que n\u00e3o queres que te fa\u00e7am a ti&#8221; ou tamb\u00e9m conforme o princ\u00edpio \u00e9tico universal : &#8220;Faz o bem e evita o mal&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H. Kung estudando a \u00e9tica das diversas culturas e povos, chegou a conclus\u00e3o de que n\u00e3o existe um consenso \u00e9tico universal. O pecado, legalmente entendido, seja por uma lei externa ao ser humano ou pelo imperativo da propria consci\u00eancia , carece de fundamento. Estes dias, na Espanha, o Governo estabeleceu n\u00e3o ser delito insultar, amea\u00e7ar, difamar uma pessoa, se esses atos s\u00e3o expressados pelos chamados artistas &#8220;raperos&#8221; cantando e n\u00e3o apenas proclamados verbalmente. Toda uma ironia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O PECADO \u00c9 UMA IDOLATRIA. Ao longo das p\u00e1ginas b\u00edblicas verificamos essa maneira de interpretar o pecado. Pecado \u00e9 fazer depender ou esperar o ser e a vida fora do Deus \u00fanico e verdadeiro, Senhor e Criador de tudo quanto existe. N\u00e3o \u00e9 a etica dos mandamentos que deve reger nossa vida mas a &#8220;etica da f\u00e9&#8221;, pela qual nos sentimos pecadores existencialmente e necessitados de Salva\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os Mandamentos de Deus em Ex.20, n\u00e3o come\u00e7am dizendo: &#8220;Amar\u00e1s a Deus&#8221;, seguido pelos outros nove mandatos, mas com a confiss\u00e3o da f\u00e9: &#8220;Escuta Israel: O Senhor \u00e9 teu Deus, o Senhor \u00e9 um&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A partir desse ato de f\u00e9 no \u00fanico Deus e Senhor, \u00e9 que toda moralidade tem sentido, pois por nosso esfor\u00e7o, nem podemos estar bem, nem sermos bons. &#8220;S\u00f3 Deus \u00e9 Santo&#8221; e s\u00f3 Ele nos far\u00e1 santos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Hegel (sec. XIX) na sua teoria \u201cEvolu\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito\u201d, afirma: &#8220;S\u00f3 existe um pecado, que \u00e9 parar no finito&#8221;. Essa \u00e9 a idolatria que nos priva da verdadeira vida e nos leva fatalmente \u00e0 morte. Jesus expressou esse pecado de idolatria dizendo, para esc\u00e2ndalo de toda raz\u00e3o humana: &#8220;Quem n\u00e3o odeia pai e m\u00e3e, irm\u00e3o ou irm\u00e3, filho ou filha e a sua pr\u00f3pria vida, n\u00e3o pode ser meu disc\u00edpulo&#8221; (Mt.10,37). Esse \u00f3dio n\u00e3o \u00e9 de rancor mas a exclus\u00e3o radical de esperar a vida fora de Deus, feito homem em Cristo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 a grande conclus\u00e3o de At.4,12: Porque n\u00e3o foi dado aos homens outro nome pelo qual possamos ser salvos a n\u00e3o ser Jesus Cristo&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Separados de mim n\u00e3o tendes vida&#8221; (Jo.15). Pela etica da f\u00e9 somos libertados do pecado e da morte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Deus confitendi est&#8221; (Deus tem de ser confessado). &#8221; Porque se confessares com tua boca e teu cora\u00e7\u00e3o que Cristo \u00e9 teu Senhor (Deus) ser\u00e1s salvo&#8221; (Rm.10,9).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Aquele que cr\u00ea em Cristo, &#8220;nasce de Deus&#8221; (Jo.1,13) &#8220;e quem nasce de Deus n\u00e3o peca, porque nele est\u00e1 a santidade de Deus&#8221; (1Jo.3,9).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 um princ\u00edpio teol\u00f3gico que nos pode ajudar a entender melhor o mist\u00e9rio do pecado: &#8220;A gra\u00e7a n\u00e3o suplanta a natureza&#8221;. Enquanto estamos neste mundo somos existencialmente pecadores. A sensa\u00e7\u00e3o de impot\u00eancia, culpa, vazio, d\u00edvida, de n\u00e3o realiza\u00e7\u00e3o, de n\u00e3o estar bem, nem sermos bons, nos acompanhar\u00e1 at\u00e9 o fim de nossos dias. Da mesma maneira que esperamos vencer a morte pela Ressurrei\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m, o pecado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nao seriamos felizes se o sentimento de culpa nos acompanhasse na outra vida. No cemit\u00e9rio deixaremos nossos restos morais e tamb\u00e9m nossas culpas e pecados. Como o sofrimento, o pecado \u00e9 catalisador da nossa pr\u00f3pria Salva\u00e7\u00e3o. &#8220;Deus nos encerrou a todos no pecado para mostrar-nos sua miseric\u00f3rdia&#8221; (Rm. 3). Seu amor paterno derramado na Cria\u00e7\u00e3o era insuficiente. Pelo pecado, tornou-se &#8220;entranh\u00e1vel&#8221; amor materno. &#8220;Deus nos fere para curar&#8221; (J\u00f3 5). Deus age sub-contr\u00e1rio. &#8220;Onde est\u00e1 o pecado, a\u00ed est\u00e1 a gra\u00e7a&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nunca teremos tempo nem capacidade para entender o que cantamos no Preg\u00e3o da Vig\u00edlia Pascal: &#8220;\u00d3 feliz culpa (pecado) que tanta gl\u00f3ria nos trouxe&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Lv.13,45-46: &#8220;O leproso viver\u00e1 fora do acampamento&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A lepra era considerada culturalmente no povo de Israel duplamente maldita: doen\u00e7a contagiosa e sinal dos pr\u00f3prios pecados. Todo leproso tinha de ser expulso (excomungado) da comunidade e condenado a morrer na solid\u00e3o fora da cidade, \u00e0 merc\u00ea da caridade de algu\u00e9m que, desde longe, lhe jogasse algum alimento ou agasalho. Ele mesmo, kafkianamente, reconhecia-se culpado do seu pr\u00f3prio mal, por isso, era obrigado a gritar &#8220;impuro&#8221; toda vez que algu\u00e9m passava perto dele, evitando seu cont\u00e1gio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na \u00cdndia, ainda hoje, existe a casta dos miser\u00e1veis, paradoxalmente chamada dos &#8220;santos ou intoc\u00e1veis&#8221;. Eles aceitam resignadamente sua maldi\u00e7\u00e3o por causa dos pecados cometidos na sua anterior reencarna\u00e7\u00e3o. Por isso se lhes pode dispensar a compaix\u00e3o, pois seu sofrimento lhe purifica para uma melhor vida na sua pr\u00f3xima reencarna\u00e7\u00e3o. Todas as religi\u00f5es, inclu\u00edda a professada pelo povo de Israel, interpretavam os males deste mundo como<br \/>\nconsequ\u00eancia dos pr\u00f3prios pecados ou de algum dos seus antepassados. Que al\u00edvio para todos os povos ter vindo Cristo tirar o pecado do mundo!&#8230; Mas s\u00f3 no dia da Ressurrei\u00e7\u00e3o experimentaremos essa gra\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como outrora os leprosos, hoje s\u00e3o milh\u00f5es e milh\u00f5es de pessoas &#8220;exclu\u00eddas&#8221;, excomungadas da<br \/>\nsociedade, condenadas a viver na coroa de espinhos de nossas cidades. Na interpreta\u00e7\u00e3o que o Talmud faz da Tor\u00e1 ( Lei), se diz que h\u00e1 quatro tipos de pessoas tidas como mortas: os cegos, os leprosos, as pessoas est\u00e9reis e os pobres. Todos eles est\u00e3o privados das b\u00ean\u00e7\u00e3os de Deus. N\u00f3s acrescentar\u00edamos os pecadores, &#8220;privados da gl\u00f3ria de Deus&#8221; (Rm.3). Categoria na qual estamos todos inclu\u00eddos. Da\u00ed a necessidade que todos temos de Salva\u00e7\u00e3o e, n\u00e3o por nossos m\u00e9ritos, mas pela gra\u00e7a de Deus. Infelizmente, nem sempre os crist\u00e3os &#8220;confessaram &#8221; essa Salva\u00e7\u00e3o. N\u00e3o s\u00f3 Dante, mas tamb\u00e9m Santa Teresa de \u00c1vila, contemplaram o inferno lotado de pecadores. Custa-nos acreditar que Cristo veio salvar o mundo. Inclusive, no rito da Consagra\u00e7\u00e3o, mantemos a f\u00f3rmula: &#8220;sangue derramada por muitos&#8221; e n\u00e3o por todos, questionando a Salva\u00e7\u00e3o universal e escurecendo a Gra\u00e7a e a Miseric\u00f3rdia de Deus, conforme Se nos revela no Sl.31: &#8220;Feliz o homem cujo pecado \u00e9 coberto&#8221;, nem sequer perdoado, pois Cristo o assumiu para si, eximindo nossa culpa deles.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1Cor. 10-11,1: Sede meus imitadores, como eu o sou de Cristo&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esta segunda leitura est\u00e1 inserida no contexto do pecado da idolatria. S\u00e3o Paulo afirma que tudo nos \u00e9 permitido, mas nem tudo nos conv\u00e9m. Por exemplo, podemos comer de todo tipo de carne, mesmo aquelas que a lei de Mois\u00e9s proibia, no entanto, n\u00e3o devemos comer das carnes sacrificadas aos \u00eddolos. A vida s\u00f3 nos vem de Deus, na pessoa de Jesus de Nazar\u00e9, a quem confessamos como Senhor e Salvador. A \u00e9tica da F\u00e9 \u00e9 que deve presidir sempre nossa exist\u00eancia. &#8220;Somos salvos pela F\u00e9 e n\u00e3o pelos m\u00e9ritos das obras&#8221; (Rm.5) \u00e9 a grande tese da \u00e9tica de Sao Paulo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mc. 1,40-45: &#8220;Movido de compaix\u00e3o, tocou um leproso e foi curado&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Violando a pr\u00f3pria lei de Mois\u00e9s que proibia tocar os leprosos, Jesus cura um leproso que lhe implorou de joelhos sua purifica\u00e7\u00e3o, mostrando assim o novo regime da Gra\u00e7a que nos salva a todos. N\u00e3o entrareis na Terra Prometida (Reino de Deus) porque sois santos, mas porque Eu, vosso Deus, sou santo (Dt.9). Esta passagem evang\u00e9lica da cura de um leproso mostra-nos a atitude que todos n\u00f3s temos de ter diante de Deus pelo fato de sermos pecadores: &#8211; \u00c9 preciso reconhecer que somos pecadores inatos. \u00c9 mais dif\u00edcil aceitar esta nossa condi\u00e7\u00e3o existencial do que sermos santos, por isso justificamos sempre nossos erros, assim como nos sentimos condenados por Deus.<br \/>\n&#8211; Como o leproso, temos de suplicar a Cristo sermos curados. Nenhuma ora\u00e7\u00e3o \u00e9 mais humana do que dizer constantemente: &#8220;Senhor, tende piedade&#8221;. A Igreja Cat\u00f3lica Ortodoxa faz dela o mantra de todas as horas. No seu rito eucar\u00edstico repetem essa ora\u00e7\u00e3o mais de cinquenta vezes. Tamb\u00e9m n\u00f3s a proclamamos v\u00e1rias vezes na nossa celebra\u00e7\u00e3o. No rito da Penit\u00eancia, a confiss\u00e3o, na Igreja Ortodoxa, consiste em dizer: &#8220;tende piedade de mim porque sou um pecador&#8221; e n\u00e3o em contar os pecados, pois estes, mesmo confessados, continuaram conosco logo que sa\u00edmos da Igreja. Porque somos onticamente pecadores \u00e9 que pecamos e n\u00e3o vice-versa. Pedir ou confessar o Perd\u00e3o e a Miseric\u00f3rdia de Deus \u00e9 a pr\u00f3pria Gra\u00e7a da Salva\u00e7\u00e3o.<br \/>\n-Confessamos a Deus, n\u00e3o nossos pecados, mas que Ele \u00e9 nosso Salvador. A Ele pertence todo poder e toda gl\u00f3ria para sempre. Por isso, Ele merece nosso amor louvor e adora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 interessante a recomenda\u00e7\u00e3o que Jesus faz ao leproso rec\u00e9m curado: &#8220;n\u00e3o contes nada a ningu\u00e9m, apenas vai e mostra-te ao sacerdote e oferece o sacrif\u00edcio prescrito por Mois\u00e9s&#8221;. Com essas palavras Jesus revelava que o pecado \u00e9 um mal maior do que a pr\u00f3pria lepra ou qualquer doen\u00e7a. Um mal do qual s\u00f3 Deus nos pode curar, e assim o far\u00e1 pela Ressurrei\u00e7\u00e3o. N\u00e3o por isso, somos dispensados de &#8220;cumprir a lei&#8221; que rege nossa conviv\u00eancia humana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A lei \u00e9 inerente ao pecado. Porque somos pecadores precisamos de normas para poder viver neste mundo na condi\u00e7\u00e3o de pecadores. A lei \u00e9 um mal necess\u00e1rio para nossa sociabilidade. Verificado pelo Sumo Sacerdote (o papa do povo de Israel) que estava limpo da lepra, o exleproso era reintegrado na comunidade de Israel de novo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma das coisas que o leproso tinha de levar ao templo ap\u00f3s sua cura eram dois passarinhos. Um deles era morto e desagregado diante do Sacerdote e, untando com esse sangue o outro, este era solto, levando assim seus pecados ocultos. Quando nos falta a \u00e9tica da F\u00e9, a pr\u00e1tica religiosa se torna confusa e complicada e nossa Salva\u00e7\u00e3o insegura e incerta.<\/p>\n<p>Padre Jesus Priante<br \/>\nEspanha<br \/>\nReservado os Direitos Autorais<br \/>\nReprodu\u00e7\u00e3o permitida, mediante cita\u00e7\u00e3o do nome do autor.<br \/>\n(Edi\u00e7\u00e3o e t\u00edtulo por Malcolm Forest. S\u00e3o Paulo.)<br \/>\nmalcolmforest@gmail.com<\/p>\n<p>Curta a p\u00e1gina do filme \u201cFrei Galv\u00e3o, o Arquiteto da Luz\u201d www.facebook.com\/arquitetodaluz.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Al\u00e9m da interpreta\u00e7\u00e3o legalista da Salva\u00e7\u00e3o \u201cEscuta Israel: O Senhor \u00e9 teu Deus, o Senhor \u00e9 Um.&#8221; Quando temos resposta para tudo n\u00e3o estamos no caminho da verdade, que transcende \u00e0 nossa raz\u00e3o. Uma maneira de praticar nossa F\u00e9 \u00e9 pensar permanentemente o que cremos, buscando seu melhor entendimento. &#8220;A F\u00e9 busca o entendimento e [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":65918,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4,13],"tags":[],"class_list":["post-65917","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cotidiano","category-featured"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/65917","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=65917"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/65917\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":65919,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/65917\/revisions\/65919"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/media\/65918"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=65917"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=65917"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=65917"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}