{"id":6587,"date":"2015-08-31T11:54:39","date_gmt":"2015-08-31T14:54:39","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/evangelizacao-nas-regioes-metropolitanas\/"},"modified":"2017-04-11T16:58:20","modified_gmt":"2017-04-11T19:58:20","slug":"evangelizacao-nas-regioes-metropolitanas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/evangelizacao-nas-regioes-metropolitanas\/","title":{"rendered":"Evangeliza\u00e7\u00e3o nas regi\u00f5es metropolitanas"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">\nA nossa Arquidiocese, na semana que passou, teve a oportunidade de se debru\u00e7ar sobre o trabalho da Pastoral nas Grandes Cidades, ou ainda, nas Regi\u00f5es metropolitanas. Foram v\u00e1rios encontros. Na segunda-feira, dia 24 de agosto, na Festa de S\u00e3o Bartolomeu, reuniram-se, no Centro de Estudos Superiores do Sumar\u00e9, os bispos de v\u00e1rias regi\u00f5es metropolitanas do Brasil, aos quais agrade\u00e7o pela presen\u00e7a e partilha. Tivemos a grata alegria da presen\u00e7a entre n\u00f3s, n\u00e3o s\u00f3 neste encontro, mas em visitas \u00e0s regi\u00f5es pastorais de nossa Arquidiocese, encontro com o clero, com os religiosos e com os seminaristas, do Eminent\u00edssimo Senhor Cardeal Llu\u00edz Mart\u00ednez Sistach, Arcebispo Metropolitano de Barcelona, que partilhou a sua experi\u00eancia pastoral. Ele preparou e realizou em sua arquidiocese, no ano passado, um grande congresso Internacional sobre o assunto em duas etapas: a primeira com especialistas e pastoralistas, e a segunda com os bispos e arcebispos dos quatro continentes para partilhar o assunto.<br \/>\nTemos atualmente dificuldades em acompanhar e interpretar as transforma\u00e7\u00f5es sociais, econ\u00f4micas e pol\u00edticas, o que tem ocasionado defici\u00eancias \u2013 plaus\u00edveis de corre\u00e7\u00e3o \u2013 na evangeliza\u00e7\u00e3o, principalmente no espa\u00e7o urbano caracterizado por aceleradas mudan\u00e7as.<br \/>\nO Plano de Pastoral de Conjunto, lan\u00e7ado \u00e0 luz do Conc\u00edlio Vaticano II (1966), com objetivo de refletir sobre a pastoral urbana, foi a porta de entrada para alguns avan\u00e7os frente ao dilema de ser Igreja em um contexto onde as mudan\u00e7as religiosas s\u00e3o tamb\u00e9m profundas. Da\u00ed em diante, os pr\u00f3ximos planos, as diretrizes pastorais e atualmente as diretrizes evangelizadoras foram se sucedendo. N\u00e3o h\u00e1 duvida de que houve muito progresso. Mas creio que nestes tempos atuais, temos necessidades de novas respostas a questionamentos que nos s\u00e3o colocados pela realidade presente. A estrutura social da cidade exige empenho dos que lideram a a\u00e7\u00e3o evangelizadora. \u00c9 fato que, na cidade, a vida foi e est\u00e1 sendo amea\u00e7ada, prioritariamente a dos pobres. A cultura do individualismo afeta em cheio a viv\u00eancia comunit\u00e1ria. Por outro lado, o empenho na a\u00e7\u00e3o evangelizadora no mundo urbano deve identificar e apontar para o \u201cbom\u201d que se expressa na cidade. Ela \u00e9 lugar da esperan\u00e7a, onde as pessoas buscam vida nova. Nela tamb\u00e9m habita o sagrado, buscado por distintas formas. Estes aspectos, se bem valorizados, podem tornar-se instrumentos eficazes na evangeliza\u00e7\u00e3o, tendo em vista o fortalecimento do ideal de Igreja Povo de Deus, \u201celevando todas as capacidades, riquezas e costumes dos povos no que t\u00eam de bom\u201d (LG 13b).<br \/>\nA vida na cidade \u00e9 tentadora para aqueles que v\u00e3o trocando as hist\u00f3rias em torno da matriarca e do patriarca pela caixinha m\u00e1gica (e hoje pelas m\u00eddias modernas), cujas ideias e programa\u00e7\u00f5es quebram valores importantes e mitificam a pseudo felicidade das grandes urbes. \u00c9 a floresta de cimento que acolhe em suas ruas uma leg\u00edtima aspira\u00e7\u00e3o de realiza\u00e7\u00e3o pessoal e dignidade de vida. A\u00ed, o relacionamento humano torna-se muitas vezes impessoal, distante, e assim se torna tamb\u00e9m o relacionamento com o sobrenatural. N\u00e3o havendo lugar para um Deus Provid\u00eancia, pr\u00f3ximo ao homem, Ele acaba por ocupar um pequeno e distante espa\u00e7o de mantenedor da felicidade, da riqueza e da sa\u00fade, coisa que n\u00f3s descobrimos que nem mesmo os grandes centros urbanos s\u00e3o totalmente eficazes em nos oferecer.<br \/>\n\u00c9 preciso, ao agente de pastoral, coragem e abertura para interpretar seus sentimentos, vontades, inseguran\u00e7as, posturas, limites, fugas e resist\u00eancias diante desta nova realidade pastoral que se modifica constantemente; assumir o que est\u00e1 no imagin\u00e1rio, n\u00e3o ter receio do novo, n\u00e3o se acomodar, procurar manter-se pr\u00f3ximo das fam\u00edlias, buscar autoridade sem autoritarismo, esquecer as autossufici\u00eancias, fazer a liturgia agrad\u00e1vel; ressignificar a pesada estrutura, sempre em comunh\u00e3o, aprendendo do Libertador: \u201cTodos sois um em Cristo Jesus\u201d (Gl 3,28).<br \/>\nA Igreja na cidade, naturalmente, tem de ser din\u00e2mica, precisa ser visualizada por meio de pr\u00e1ticas que geram coment\u00e1rios, debates, cr\u00edticas ou elogios, seja nas fam\u00edlias, bares, pra\u00e7as, lojas, escolas, empresas. O povo da cidade necessita de uma Igreja vis\u00edvel, que desperte sentimentos que assinalem a viabilidade da comunidade onde vale a pena estar para viver a f\u00e9 ao redor de Jesus Cristo (At 8, 5-8).<br \/>\nA Igreja, por\u00e9m, tem de se converter na totalidade (convers\u00e3o pastoral). Se ficar fechada, perde sua presen\u00e7a p\u00fablica. Temos que descobrir e nos colocarmos na sincera busca de um jeito adequado para viver o nosso minist\u00e9rio e evangelizar na cidade \u00e0 luz de Deus, animando e despertando o m\u00e1ximo as pessoas para servi\u00e7os e minist\u00e9rios.<br \/>\nPerante esta miss\u00e3o, \u00e9 importante traduzir em pr\u00e1ticas concretas os projetos sonhados \u00e0 evangeliza\u00e7\u00e3o na cidade. Continuar a amar e a crer (1Jo 4, 16; 1Jo 5, 2). Amar porque tudo vigora quando tem um toque de carinho; crer, pois a f\u00e9 em Jesus dar\u00e1 sentido \u00e0 exist\u00eancia da Igreja na cidade. Principalmente, manter a gratuidade, as amizades, as rela\u00e7\u00f5es fraternas, a espontaneidade, o carisma, os mesmos sentimentos do mestre Jesus (Jo 15, 13; Lc 15, 11s; Lc 10, 25s).<br \/>\nO evento de Barcelona, no ano passado, conclu\u00eddo com uma audi\u00eancia com o Papa Francisco, marcou um momento de aprofundamento importante para a Igreja. A vinda do Cardeal Arcebispo de Barcelona entre n\u00f3s, trazendo o resumo das discuss\u00f5es e partilhando suas experi\u00eancias, nos questiona profundamente sobre o nosso trabalho de proximidade de uma Igreja samaritana em sa\u00edda, proclamando a alegria do Evangelho at\u00e9 as periferias existenciais, comprometida com a nossa casa comum e com os pobres desamparados.<br \/>\nDiante de tantas situa\u00e7\u00f5es de mis\u00e9ria e complica\u00e7\u00f5es em que parece que a grande cidade se torna um local negativo, a Igreja, ao estar presente com esperan\u00e7a na metr\u00f3pole, vai anunciar e desvelar a todos anunciando que \u201cDeus habita na cidade\u201d. Cabe a n\u00f3s encontr\u00e1-Lo e anunci\u00e1-Lo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A nossa Arquidiocese, na semana que passou, teve a oportunidade de se debru\u00e7ar sobre o trabalho da Pastoral nas Grandes Cidades, ou ainda, nas Regi\u00f5es metropolitanas. Foram v\u00e1rios encontros. 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