{"id":6578,"date":"2015-08-28T12:31:50","date_gmt":"2015-08-28T15:31:50","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/ser-cristao\/"},"modified":"2017-04-11T16:59:48","modified_gmt":"2017-04-11T19:59:48","slug":"ser-cristao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/ser-cristao\/","title":{"rendered":"Ser crist\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Dizem que as sociedades ou grupos humanos criam tradi\u00e7\u00f5es quando se sentem felizes. As tradi\u00e7\u00f5es s\u00e3o precisamente uma forma de recordar e reviver esses momentos de felicidade, plenitude e comunh\u00e3o. Um pa\u00eds celebra todos os anos o anivers\u00e1rio de sua independ\u00eancia. Trata-se de celebrar a liberta\u00e7\u00e3o. A maioria das tradi\u00e7\u00f5es do povo judaico foi constru\u00edda a partir da mem\u00f3ria feliz da liberta\u00e7\u00e3o do Egito e da sua entrada na terra prometida. Essas s\u00e3o recorda\u00e7\u00f5es e celebra\u00e7\u00f5es de um passado feliz que, gra\u00e7as \u00e0s tradi\u00e7\u00f5es, passam de uma gera\u00e7\u00e3o a outra.<br \/>\nO inconveniente \u00e9 que, muitas vezes, as tradi\u00e7\u00f5es deixam de ser a recorda\u00e7\u00e3o de um passado feliz para converter-se em algo que se faz sem se dar conta do motivo. Isso significa que as tradi\u00e7\u00f5es, nesse caso, perderam seu significado. N\u00e3o s\u00e3o libertadoras. N\u00e3o nos ligam mais a nossa hist\u00f3ria, apenas nos oprimem e obrigam a praticar gestos dos quais desconhecemos o sentido e a raz\u00e3o.<br \/>\nNo Evangelho do vig\u00e9simo segundo domingo do Tempo Comum, Jesus censura os judeus exatamente por terem convertido as suas belas tradi\u00e7\u00f5es em uma lei que todos, sem exce\u00e7\u00e3o, eram obrigados a cumprir. \u00c9 quase certo que o lavar as m\u00e3os antes da refei\u00e7\u00e3o era uma forma do judeu expressar que a comida era, em certo sentido, um momento de comunh\u00e3o com o Deus que lhes havia dado de presente a terra que habitavam e os seus frutos. Mas, com o tempo, foi esquecido o significado e ficou apenas a regra, ou seja, a tradi\u00e7\u00e3o destitu\u00edda de sentido. Jesus recorda aos judeus que o ato de lavar as m\u00e3os n\u00e3o pode ser mais do que um sinal de uma pureza mais profunda: a pureza do cora\u00e7\u00e3o. Para entrar em comunh\u00e3o com Deus, precisamos purificar o cora\u00e7\u00e3o. As m\u00e3os s\u00e3o apenas um signo dessa outra pureza necess\u00e1ria.<br \/>\nCelebramos neste final de semana a voca\u00e7\u00e3o de todos os fi\u00e9is leigos batizados. Eles s\u00e3o fundamentais na vida da Igreja. Numa vis\u00e3o clericalizada, verticalizada e dominadora que muitas vezes assistimos perto de n\u00f3s os leigos n\u00e3o tem vez e nem voz. Mais n\u00e3o h\u00e1 bispo sem presbit\u00e9rio e sem povo santo de Deus. O Bispo n\u00e3o pode ser um \u201cpatr\u00e3o mon\u00e1rquico\u201d que s\u00f3 manda, que s\u00f3 determina e que os leigos \u201cengolem\u201d tudo como se fosse pronto e acabado. Os leigos devem lutar pelo seu lugar na Igreja. N\u00e3o um lugar acess\u00f3rio, mais de protagonistas da nova evangeliza\u00e7\u00e3o. Cumprimento todos os irm\u00e3os e irm\u00e3s batizadas, que fazem o rosto bonito e libertador da nossa Igreja. Quero saudar, de maneira particular, todos os catequistas que fazem um trabalho de forma\u00e7\u00e3o e transmiss\u00e3o da f\u00e9 muito bonito e generoso. N\u00e3o desanimem diante das dificuldades ou do indiferentismo. N\u00f3s anunciamos e pregamos \u00e9 Jesus Cristo a todos. N\u00e3o um Jesus de leis, persegui\u00e7\u00f5es e sil\u00eancios. Mais um Jesus que ensinou que a lei maior \u00e9 o amor, a compaix\u00e3o, a caridade, a alegria de servir generosamente, o di\u00e1logo, a aceita\u00e7\u00e3o do diferente e a acolhida.<br \/>\nN\u00f3s, crist\u00e3os, podemos pensar que estamos livres dessas tenta\u00e7\u00f5es que teve o mundo hebraico. N\u00e3o \u00e9 verdade. Para quantos de n\u00f3s a Missa dominical \u00e9 apenas uma obriga\u00e7\u00e3o que devemos cumprir? No entanto, em sua origem, a Missa foi a express\u00e3o da alegria vivida e sentida pela comunidade ao redor de Jesus ressuscitado. Como n\u00e3o expressar essa alegria na participa\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria da Eucaristia? Mas transformamos em obriga\u00e7\u00e3o aquilo que era uma alegre a\u00e7\u00e3o de gra\u00e7as em comunh\u00e3o com irm\u00e3os e irm\u00e3s. A Missa n\u00e3o \u00e9 mais do que um exemplo. Poder\u00edamos acrescentar muitos outros. Ser crist\u00e3o n\u00e3o significa cumprir uma s\u00e9rie de normas. Significa viver com satisfa\u00e7\u00e3o o amor que Deus colocou em nossos cora\u00e7\u00f5es.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dizem que as sociedades ou grupos humanos criam tradi\u00e7\u00f5es quando se sentem felizes. As tradi\u00e7\u00f5es s\u00e3o precisamente uma forma de recordar e reviver esses momentos de felicidade, plenitude e comunh\u00e3o. Um pa\u00eds celebra todos os anos o anivers\u00e1rio de sua independ\u00eancia. Trata-se de celebrar a liberta\u00e7\u00e3o. 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