{"id":6576,"date":"2015-08-28T12:21:30","date_gmt":"2015-08-28T15:21:30","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/sede-praticantes-da-palavra\/"},"modified":"2017-04-11T15:48:40","modified_gmt":"2017-04-11T18:48:40","slug":"sede-praticantes-da-palavra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/sede-praticantes-da-palavra\/","title":{"rendered":"Sede praticantes da palavra"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">A palavra de Deus deste XXII Domingo chama aten\u00e7\u00e3o para o modo como o crist\u00e3o \u00e9 chamado a viver sua pr\u00e1tica religiosa: com sinceridade diante de Deus, humildade e amor para com os outros, e n\u00e3o de forma legalista, fria e autossuficiente. Com efeito, Jesus critica duramente os escribas e fariseus que vieram de Jerusal\u00e9m para observ\u00e1-lo e question\u00e1-lo. Qual \u00e9 o problema deles? Certamente eram homens piedosos e queriam seguir a Lei de Deus. O problema era o esp\u00edrito com o qual faziam: extremamente legalista. Vejamos:<br \/> A lei de Deus (expressa na Torah) \u00e9 santa: \u201cAgora, Israel, ouve as leis e os decretos que eu vos ensino a cumprir&#8230; Nada acrescentareis, nada tirareis \u00e0 palavra que vos digo, mas guardai os mandamentos do Senhor vosso Deus&#8230;\u201d (1a. leitura). Ora, o zelo dos fariseus e dos escribas eram tais e com uma mentalidade de tanto apego \u00e0 letra pela letra, que se tornaram extremamente legalistas. Eles diziam: \u201cFa\u00e7amos uma cerca em torno da Lei\u201d, ou seja, criaram pouco a pouco um n\u00famero enorme de preceitos para evitar qualquer desobedi\u00eancia, ao menos remota, \u00e0 Lei. Preceitos humanos que foram obscurecendo a pureza da lei de Deus e sua caracter\u00edstica de ser sinal de amor.<br \/> Por exemplo: A Lei dizia que o castigo n\u00e3o poderia ultrapassar as quarenta varadas. Os fariseus permitiam somente trinta e nove, para evitar qualquer perigo de ultrapassar a conta da lei. A Lei proibia o trabalho no s\u00e1bado. Os escribas e fariseus insistiam que at\u00e9 carregar o instrumento de trabalho no s\u00e1bado era j\u00e1 um pecado: o alfaiate n\u00e3o poderia carregar sua agulha no s\u00e1bado. A Lei prescrevia ablu\u00e7\u00f5es (banhos rituais para o culto) s\u00f3 para os sacerdotes. Os fariseus queriam imp\u00f4-las a todo o povo. A inten\u00e7\u00e3o era boa&#8230;. Mas o resultado, n\u00e3o: tornava a religi\u00e3o algo pesado, legalista e apegado a tantos detalhes que fazia esquecer o essencial: o amor a Deus e ao irm\u00e3o! Os preceitos humanos obscureciam a inten\u00e7\u00e3o divina! <br \/> Jesus censura tamb\u00e9m os escribas e fariseus pela incapacidade de distinguir entre o essencial e o secund\u00e1rio; em discernir o que vem de Deus e o que \u00e9 meramente pr\u00e1tica e tradi\u00e7\u00e3o humanas, talvez boas e louv\u00e1veis, mas n\u00e3o essenciais. Em mat\u00e9ria de religi\u00e3o, nem tudo tem igual valor, nem tudo tem a mesma import\u00e2ncia. A medida de tudo \u00e9 o amor: o amor \u00e9 a plenitude da lei (Rm 13,10); s\u00f3 o amor d\u00e1 sentido a todas as coisas! <br \/> Outro motivo de cr\u00edtica \u00e9 que uma religi\u00e3o assim, apegada a preceitos exteriores, torna-se desatenta do cora\u00e7\u00e3o, sem olhar a inten\u00e7\u00e3o com que se faz e se vive. Cai-se na hipocrisia (a palavra hip\u00f3crita vem de hypokrit\u00e9s = ator teatral): uma religi\u00e3o meramente exterior, sem aquelas atitudes interiores, que s\u00e3o as que importam realmente: \u201cEste povo me honra com os l\u00e1bios, mas seu cora\u00e7\u00e3o est\u00e1 longe de mim. De nada adianta o culto que me prestam\u201d! (Evangelho). \u00c9 muito s\u00e9rio se a atitude exterior (l\u00e1bios) n\u00e3o combinar com o interior (cora\u00e7\u00e3o)! As pr\u00e1ticas externas valem quando s\u00e3o sinal de um compromisso interior de amor e convers\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o a Deus. \u00c9 importante observar que Jesus n\u00e3o condena as pr\u00e1ticas exteriores, mas a sua supervaloriza\u00e7\u00e3o e a sua atua\u00e7\u00e3o sem sinceridade: \u201cImportava praticar estas coisas, mas sem omitir aquelas\u201d. (Mt 23,23). <br \/> H\u00e1 tamb\u00e9m o perigo da autossufici\u00eancia: a pessoa sente-se segura de si mesma por causa de suas pr\u00e1ticas: \u201cEstou em dia com Deus\u201d! O homem nunca est\u00e1 em dia com Deus. Pensar assim \u00e9 deixar de perceber que tudo \u00e9 gra\u00e7a e que jamais mereceremos o amor que Deus nos tem gratuitamente. Sem contar que tal atitude nos leva, muitas vezes, a nos julgar melhores que os outros, desprezando os que julgamos mais fracos ou imperfeitos! Era exatamente o que ocorria com os fariseus: \u201cEste povo que n\u00e3o conhece a lei s\u00e3o uns malditos\u201d! (Jo 7,49); \u201cTu nasceste todo no pecado e nos ensinas\u201d? (Jo 9,34); \u201c\u00d3 Deus, eu te dou gra\u00e7as porque n\u00e3o sou como o resto dos homens, ladr\u00f5es, injustos, ad\u00falteros, nem como este publicano\u201d! (Lc 18,11). \u00c9 interessante comparar estas atitudes com as que S\u00e3o Paulo recomenda aos crist\u00e3os em Rm 12,3-13. <br \/> Jesus convida a ir ao essencial: vigiar as inten\u00e7\u00f5es e atitudes do nosso cora\u00e7\u00e3o, pois \u201co que torna impuro o homem n\u00e3o \u00e9 o que entra nele vindo de fora, mas o que sai do seu interior\u201d (Evangelho). Com um cora\u00e7\u00e3o puro, poderemos reconhecer que tudo de bom que temos \u00e9 dom de Deus (\u201cTodo dom precioso e toda d\u00e1diva perfeita vem do alto; descem do Pai das luzes!\u201d \u2013 2a. leitura) e que, diante dele, somos sempre pobres e pecadores, necessitados de sua miseric\u00f3rdia. Isto nos abre de verdade para o amor aos outros e para a compaix\u00e3o: somos todos pobres diante de Deus: \u201cA religi\u00e3o pura e sem mancha diante de Deus Pai \u00e9 esta: assistir os \u00f3rf\u00e3os e as vi\u00favas em suas tribula\u00e7\u00f5es e n\u00e3o se deixar contaminar pelo mundo\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A palavra de Deus deste XXII Domingo chama aten\u00e7\u00e3o para o modo como o crist\u00e3o \u00e9 chamado a viver sua pr\u00e1tica religiosa: com sinceridade diante de Deus, humildade e amor para com os outros, e n\u00e3o de forma legalista, fria e autossuficiente. 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