{"id":65697,"date":"2021-02-01T14:05:09","date_gmt":"2021-02-01T17:05:09","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=65697"},"modified":"2021-02-01T14:05:09","modified_gmt":"2021-02-01T17:05:09","slug":"como-sentir-a-presenca-de-deus-durante-a-oracao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/como-sentir-a-presenca-de-deus-durante-a-oracao\/","title":{"rendered":"Como sentir a presen\u00e7a de Deus durante a ora\u00e7\u00e3o?"},"content":{"rendered":"<h2 class=\"subtitle\" style=\"text-align: justify;\">A experi\u00eancia sens\u00edvel da presen\u00e7a de Deus \u00e9 uma gra\u00e7a a ser alcan\u00e7ada. Mas por que alguns se beneficiam dessa gra\u00e7a e outros n\u00e3o?<\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um calor que nos invade, l\u00e1grimas que caem, uma voz que fala ao cora\u00e7\u00e3o. Enquanto rezam, comungam, se confessam ou mesmo, como Paul Claudel, assistem sem convic\u00e7\u00e3o a um of\u00edcio lit\u00fargico, alguns sentem na pr\u00f3pria carne, \u00e0s vezes de forma muito palp\u00e1vel, a presen\u00e7a de Deus. \u201cEm um instante de segundo meu cora\u00e7\u00e3o foi tocado e eu acreditei. Eu acreditava tanto, tamanha a eleva\u00e7\u00e3o de meu ser, que desde ent\u00e3o nenhum racionalismo foi capaz de abalar minha f\u00e9\u201d, escreveu Paul Claudel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fascinantes, essas experi\u00eancias agitam o cora\u00e7\u00e3o de quem nunca as experimentou. \u201cDeus n\u00e3o se interessa por mim, ent\u00e3o?\u201d, \u201cEu n\u00e3o sei nem rezar, como posso ama-lo?\u201d, \u201cEstou no caminho errado?\u201d. N\u00e3o, tranquiliza o padre Matthieu Aine, autor de\u00a0<i>Ora\u00e7\u00e3o sem Inc\u00f4modo. Pequeno manual para conversar com Deus<\/i>\u00a0(em tradu\u00e7\u00e3o livre). \u201cA experi\u00eancia emocional n\u00e3o \u00e9 um caminho necess\u00e1rio para chegar a Deus. Podemos muito bem juntar-nos a ele atrav\u00e9s de uma experi\u00eancia de f\u00e9 mais intelectual ou mais difusa, como uma certeza que toca o fundo da nossa alma\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que s\u00e3o essas sensa\u00e7\u00f5es? S\u00e3o um dom, um presente de miseric\u00f3rdia enviado por Deus para nos ajudar a nos aproximar Dele. S\u00e3o Francisco de Sales fala de uma \u201camostra das del\u00edcias celestiais\u201d dada por Deus \u00e0queles que \u201centram no seu servi\u00e7o, para os encorajar na busca do amor divino\u201d. Santo Agostinho tamb\u00e9m viveu essa experi\u00eancia: \u201cNaqueles primeiros dias encontrei infinita do\u00e7ura ao considerar a profundidade de seus des\u00edgnios para a salva\u00e7\u00e3o dos homens, e n\u00e3o me cansava de gozar deles. Oh! Que emo\u00e7\u00e3o senti, quantas l\u00e1grimas derramei\u201d, diz ele nas Confiss\u00f5es (IX, 6). Por que ent\u00e3o alguns se beneficiam dessa gra\u00e7a e outros n\u00e3o?<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><b>Essas sensa\u00e7\u00f5es nos trazem um perigo<\/b><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cMeu Deus, digna-te dar-me este sentimento cont\u00ednuo da tua presen\u00e7a, da tua presen\u00e7a em mim e \u00e0 minha volta!\u201d, implorava Charles de Foucauld. \u201cN\u00e3o h\u00e1 explica\u00e7\u00e3o racional\u201d, disse o padre Matthieu Aine. \u00c9 uma gra\u00e7a sem rela\u00e7\u00e3o com nossa dignidade ou nossas a\u00e7\u00f5es. N\u00e3o devemos invejar quem a recebe porque isso nos impede de ver as gra\u00e7as que recebemos. \u00c9 sempre a partir dos seus dons que o Senhor quer que partamos\u201d. Devemos acolher a gra\u00e7a se ela se apresenta a n\u00f3s, porque sentir a presen\u00e7a de Deus facilita e estimula a nossa ora\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o \u00e9 bom busc\u00e1-la.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Especialmente porque esses sentimentos ou sensa\u00e7\u00f5es geram um perigo. O risco que corremos \u00e9 parar neles, n\u00e3o progredir na f\u00e9, ou desistir de tudo quando n\u00e3o sentirmos mais nada. \u201cO sentimento passa a ser a unidade de medida da a\u00e7\u00e3o de Deus, da sua presen\u00e7a e da sua proximidade. Tudo isso \u00e9 muito sincero, mas estamos olhando para o umbigo um do outro. [\u2026] No dia em que a emo\u00e7\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 mais presente, [\u2026] logo deduzimos que Deus nos abandonou\u201d, diz o padre Pierre-Herv\u00e9 Grosjean no livro\u00a0<i>Doando a sua vida<\/i>\u00a0(em tradu\u00e7\u00e3o livre). No entanto, \u201camor n\u00e3o \u00e9 o aquilo que sentimos. A dimens\u00e3o sens\u00edvel, se certamente junta-se ao amor, n\u00e3o \u00e9, por outro lado, um sinal inconfund\u00edvel de amor. O amor \u00e9 um ato da vontade. N\u00e3o \u00e9 a o sentimento que \u00e9 mede o nosso amor, mas sim a vontade. Devemos, portanto, proteger a gratuidade do amor\u201d, disse o padre Michel-Marie Zanotti-Sorkine.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><b>A aridez, um convite enviado por Deus<\/b><\/h3>\n<div class=\"nativo-inread\" style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dessa forma, percebemos que a experi\u00eancia sens\u00edvel da presen\u00e7a de Deus vem para ser superada. \u201cO que importa \u00e9 am\u00e1-lo n\u00e3o porque sentimos ou porque ele nos d\u00e1 algo, mas porque esse amor \u00e9 gratuito. Se sentimos algo, \u00f3timo, se n\u00e3o sentimos nada, \u00f3timo tamb\u00e9m, porque amamos a Deus n\u00e3o pelo que ganhamos, mas por quem ele \u00e9, e porque ele deu a vida por mim\u201d, completa o Pe. Matthieu Aine.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Funciona como no amor conjugal, onde os casais devem aprender a passar da paix\u00e3o ardente \u00e0 vontade amorosa. Manter-se firme na tempestade, dizer \u201cEu te amo\u201d independentemente do \u201cfogo interior\u201d. A Deus, devemos nos doar sem reservas, ordena o Padre Grosjean: \u201c\u00c0s vezes sentiremos a sua presen\u00e7a, muitas vezes ela ser\u00e1 mais \u00e1rida. Mas de qualquer forma, isso n\u00e3o \u00e9 o principal e, acima de tudo, n\u00e3o depende de n\u00f3s. O que cabe a n\u00f3s \u00e9 estar l\u00e1. [\u2026] O valor da nossa ora\u00e7\u00e3o n\u00e3o depende dos nossos sentimentos, mas da nossa fidelidade\u201d.<\/p>\n<div id=\"article-desk-content-p6-ad_cp1_2021_02_01_como-sentir-a-presenca-de-deus-durante-a-oracao\" class=\"css-y9mcup\" style=\"text-align: justify;\" data-google-query-id=\"CKTv4IqVye4CFRIN1Aod__wAUA\">\n<div id=\"google_ads_iframe_64500793\/PT_DESK_ARTICLE_WELCOME_1X1_0__container__\"><\/div>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se mal vivida, esta aridez, a menos que seja consequ\u00eancia da nossa mornid\u00e3o, \u00e9 na realidade um convite enviado por Deus para fortalecer a nossa f\u00e9. \u201cQuando passamos por experi\u00eancias desafiantes, algo maior nos \u00e9 dado\u201d, assegura o Padre Matthieu Aine. S\u00e3o Boaventura nos explicou muito bem. Privados das gra\u00e7as sens\u00edveis, devemos agir com uma vontade mais forte, \u201co amor ent\u00e3o se torna mais forte\u201d. E assim aprendemos a nos entregar nas m\u00e3os de Deus, a confiar nele completamente.<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\"><b>Descobrir a presen\u00e7a de Deus em si mesmo de uma forma mais interior do que o sentimento<\/b><\/h3>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os sentimentos, assim como a aus\u00eancia deles, n\u00e3o nos permite medir com precis\u00e3o nossa proximidade de Deus. O sentimento \u00e9 sempre inferior \u00e0 a\u00e7\u00e3o real de Deus em n\u00f3s. N\u00f3s apenas percebemos uma pequena parte dele. \u201c\u00c9 como uma onda no oceano\u201d, ilustra o padre Matthieu Aine, \u201cpodemos mergulhar numa profundidade de 20 metros, mas comparado com o tamanho do oceano, isso n\u00e3o \u00e9 nada\u201d. E s\u00f3 porque n\u00e3o sentimos nada, n\u00e3o significa que Deus n\u00e3o est\u00e1 perto de n\u00f3s. \u201c\u00c9 o dem\u00f4nio que nos d\u00e1 esta insinua\u00e7\u00e3o t\u00e3o falsa quanto sugestiva: Deus os deixa sozinhos\u201d, avisa o padre Matthieu Aine, que nos convida \u201ca descobrir a presen\u00e7a do Senhor em n\u00f3s de uma forma mais interior do que a dos sentimentos. Entre os jesu\u00edtas, este \u00e9 o objeto da releitura e da ora\u00e7\u00e3o da alian\u00e7a no final do dia: em que momento da minha vida hoje Deus esteve presente? \u00c9 um exerc\u00edcio muitas vezes dif\u00edcil, que um sacerdote pode nos ajudar a realizar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o podemos esquecer que Deus est\u00e1 presente, em n\u00f3s, o tempo todo, a cada momento, quer o sintamos fisicamente ou n\u00e3o. \u201cEis que estavas dentro, e eu n\u00e3o sabia!\u201d, escreveu Santo Agostinho.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A experi\u00eancia sens\u00edvel da presen\u00e7a de Deus \u00e9 uma gra\u00e7a a ser alcan\u00e7ada. Mas por que alguns se beneficiam dessa gra\u00e7a e outros n\u00e3o? Um calor que nos invade, l\u00e1grimas que caem, uma voz que fala ao cora\u00e7\u00e3o. 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