{"id":65368,"date":"2020-12-27T11:25:47","date_gmt":"2020-12-27T14:25:47","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=65368"},"modified":"2020-12-29T11:26:53","modified_gmt":"2020-12-29T14:26:53","slug":"deus-lhe-pague","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/deus-lhe-pague\/","title":{"rendered":"DEUS LHE PAGUE"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Quando muitas recorda\u00e7\u00f5es se acumulam no decorrer de nossas exist\u00eancias, j\u00e1 \u00e9 longa a estrada percorrida. Ano ap\u00f3s ano, a experi\u00eancia do passado parece-nos um ba\u00fa de reminisc\u00eancias, boas ou ruins, que se abre em nossas mentes com o peso da saudade ou a alegria de um momento bem vivido. Lembran\u00e7as, quem n\u00e3o as t\u00eam?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ano novo sempre nos proporciona a magia dessas recorda\u00e7\u00f5es. Quando crian\u00e7a, juntava-me ao grupo de crian\u00e7as alegres e esperan\u00e7osas, para a coleta do simb\u00f3lico \u201cano bom\u201d, que poderia ser um doce, uma bala ou mirradas moedas. Content\u00e1vamos com pouco. Meu pai, dono de uma pequena f\u00e1brica de refrigerantes, abria as portas de sua ind\u00fastria e distribu\u00eda guaran\u00e1 \u00e0s levas de crian\u00e7as que se enfileiravam ordeiramente \u00e0 espera de sua vez. Um pipoqueiro abarrotava seu carrinho com vistosas pipocas coloridas e as distribu\u00eda feliz da vida. Assim tamb\u00e9m agia um sorveteiro, cujos picol\u00e9s de groselha, anis e abacaxi eram a festa da garotada. Depois, com sagrado respeito e sem excessos, retribu\u00edamos aos adultos desejando prosperidade naquele ano e agradecendo com um \u201cDeus lhe pague\u201d sem muita percep\u00e7\u00e3o do que diz\u00edamos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Tempos felizes, aqueles! Sem tra\u00e7ar qualquer paralelo, olho para as crian\u00e7as que hoje repetem essa tradi\u00e7\u00e3o. Os sonhos, a inoc\u00eancia, o desejo de seus cora\u00e7\u00f5es ing\u00eanuos continuam os mesmos. \u201cFeliz Ano Novo, tio\u201d! Quase n\u00e3o se percebe o desejo final: \u201cDeus lhe pague\u201d! Essa constata\u00e7\u00e3o \u00e9 o que mais me preocupa e assusta. Ser\u00e1 que nossas crian\u00e7as perderam o referencial divino, a m\u00edstica da gratid\u00e3o?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Creio que n\u00e3o. A inf\u00e2ncia pura e despretensiosa \u00e9 a mais inviol\u00e1vel guardi\u00e3 do sagrado, do misterioso dom da vida que procede de Deus. N\u00e3o a demonstram verbalmente, n\u00e3o por prop\u00f3sito, mas por falta de exemplos da parte dos adultos. A sociedade j\u00e1 n\u00e3o demonstra com clareza esse respeito m\u00edstico, esse desejo simples e belo de gratid\u00e3o \u00c0quele que nos possibilitou vencer mais um ano. Se o desejo de hoje \u00e9 apenas de prosperidade material, com esfor\u00e7o e m\u00e9rito pr\u00f3prios, \u00e9 fatal que se exclua Deus dessa hist\u00f3ria. A cada ano, o que vemos acontecer prepotentemente em nossa sociedade \u00e9 o distanciamento humano da provid\u00eancia divina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O pensamento t\u00edpico do materialismo em excesso trilha uma diretriz perigosa: \u201cSe eu n\u00e3o lutar, ningu\u00e9m lutar\u00e1 por mim; se n\u00e3o o fizer, ningu\u00e9m o far\u00e1; se n\u00e3o correr atr\u00e1s, outros chegar\u00e3o primeiro\u201d. E assim por diante&#8230; Nem aquela m\u00e1xima do \u201ccada um pra si e Deus pra todos\u201d vale mais. Por que ent\u00e3o incluir Deus no m\u00e9rito de nossas conquistas, quando o que conta \u00e9 o m\u00e9rito pessoal?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Lembro-me de fabula bem a prop\u00f3sito. Um pobre viajante atravessava um deserto. Em meio \u00e0 travessia, encontrou-se com a caravana de um rico pr\u00edncipe, dono de vasta fortuna, que naquela viajem se encontrava desprovido de alimentos. O pr\u00edncipe, humildemente, pediu ao viajante um peda\u00e7o do seu p\u00e3o. Mais por piedade, do que caridade, o pobre tirou pequena lasca do seu mirrado alimento e a estendeu ao pr\u00edncipe.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Mais adiante, \u00e0 sombra de um o\u00e1sis, o viajante parou para se alimentar. Ao retirar o p\u00e3o de sua sacola, com ele encontrou uma pequena pedra de ouro. Ouro puro! Percebeu ent\u00e3o que aquela j\u00f3ia tinha o exato tamanho da lasca de p\u00e3o dada ao pr\u00edncipe. Ent\u00e3o se lamentou por n\u00e3o lhe ter oferecido o p\u00e3o inteiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Eis nossa hist\u00f3ria. Ano vai, ano vem e muitos de n\u00f3s, viajantes nessa terra, n\u00e3o nos damos conta de que Deus cruza nosso caminho a todo instante. N\u00e3o s\u00f3 nos acompanha nessa travessia, como tamb\u00e9m nos pede um gesto de gratid\u00e3o, um sinal de confian\u00e7a em sua provid\u00eancia e amor. Ele que nos d\u00e1 todas as riquezas da vida, que n\u00e3o nos deixa faltar o essencial e nos colocou nessa terra para merecermos a paga de sua generosidade. Porque \u201cuma gera\u00e7\u00e3o passa, outra vem; mas a terra subsiste\u201d (Ecle 1,4). E Deus continua nos aben\u00e7oando em propor\u00e7\u00e3o de nossos m\u00e9ritos e boas a\u00e7\u00f5es.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando muitas recorda\u00e7\u00f5es se acumulam no decorrer de nossas exist\u00eancias, j\u00e1 \u00e9 longa a estrada percorrida. Ano ap\u00f3s ano, a experi\u00eancia do passado parece-nos um ba\u00fa de reminisc\u00eancias, boas ou ruins, que se abre em nossas mentes com o peso da saudade ou a alegria de um momento bem vivido. Lembran\u00e7as, quem n\u00e3o as t\u00eam? [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":17,"featured_media":55826,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-65368","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/65368","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/users\/17"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=65368"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/65368\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":65369,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/65368\/revisions\/65369"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/media\/55826"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=65368"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=65368"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=65368"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}