{"id":65037,"date":"2020-12-14T09:35:24","date_gmt":"2020-12-14T12:35:24","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=65037"},"modified":"2020-12-14T10:37:10","modified_gmt":"2020-12-14T13:37:10","slug":"a-licao-dos-papas-sobre-a-nossa-presuncao-de-onipotencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/a-licao-dos-papas-sobre-a-nossa-presuncao-de-onipotencia\/","title":{"rendered":"A li\u00e7\u00e3o dos papas sobre a nossa presun\u00e7\u00e3o de onipot\u00eancia"},"content":{"rendered":"<figure class=\"article__image\" style=\"text-align: justify;\"><span class=\"didascalia_img\">Papa Jo\u00e3o XXIII\u00a0<\/span><\/figure>\n<div class=\"article__meta\">\n<div class=\"article__subTitle\" style=\"text-align: justify;\">O drama da pandemia nos colocou inesperadamente \u00e0 frente de nossa fragilidade. Mas reconhecer-nos limitados, nas m\u00e3os de algu\u00e9m que nos transcende e est\u00e1 sempre conosco, pode se tornar um passo importante no nosso caminho interior rumo a um redimensionamento decisivo de nossa pressuposta onipot\u00eancia. O tempo do Advento \u00e9 a melhor ocasi\u00e3o para isso. Os papas do passado nos recordam disso.<\/div>\n<div class=\"title__separator\" style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div class=\"article__text \">\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Laura De Luca \u2013 Vatican News<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O mecanismo j\u00e1 era muito claro para o\u00a0<b>Papa Pio XII<\/b>\u00a0que, em sua radiomensagem natalina de 1956, apontou a contradi\u00e7\u00e3o t\u00edpica do homem contempor\u00e2neo: por um lado, a f\u00e9 cega no progresso e na segunda revolu\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica e industrial, por outro, a persist\u00eancia de dramas, mis\u00e9ria, pobreza, que n\u00e3o podem ser eliminados. Para muitos, advertia o Papa, esta contradi\u00e7\u00e3o poderia ser removida pelo pr\u00f3prio homem em total autonomia&#8230;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><i>Mas o homem da &#8220;segunda revolu\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica&#8221; n\u00e3o pode rejeitar o chamado de Deus sem agravar a contradi\u00e7\u00e3o e suas consequ\u00eancias. O convite \u00e0 verdade e a promessa de &#8220;paz na terra&#8221; tamb\u00e9m se aplica a ele. Parando em adora\u00e7\u00e3o diante do ber\u00e7o do Homem-Deus, ele ver\u00e1 a verdade total, e portanto a harmonia de seu universo. No Filho de Deus feito homem, ele reconhecer\u00e1 a dignidade da natureza humana, mas tamb\u00e9m suas limita\u00e7\u00f5es; reconhecer\u00e1 que o sentido profundo da vida humana e do mundo n\u00e3o repousa sobre f\u00f3rmulas e leis calculadas, mas sobre o fato livre do Criador; ele estar\u00e1 convencido de que s\u00f3 ent\u00e3o possuir\u00e1 verdadeiramente &#8220;luz&#8221; e &#8220;vida&#8221;, quando se ligar \u00e0 verdade como algo absoluto, que resplandeceu pela primeira vez em sua plenitude em Bel\u00e9m.<\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O homem deve reconhecer seus pr\u00f3prios limites, recomendou Pio XII com grande previd\u00eancia. Verdade, as conquistas tecnol\u00f3gicas podem ser t\u00e3o emocionantes quanto as drogas. Na Mensagem da P\u00e1scoa de 1963 o\u00a0<b>Papa Jo\u00e3o XXIII<\/b>\u00a0\u00e9 testemunha de um progresso cada vez mais avassalador com resultados cada vez menos control\u00e1veis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que preocupa os pont\u00edfices diante do sentido de onipot\u00eancia e perda do sentido de limites do homem contempor\u00e2neo \u00e9 o distanciamento paralelo de Deus, que por sua vez agrava cada vez mais n\u00e3o apenas a presun\u00e7\u00e3o de onipot\u00eancia, mas tamb\u00e9m as tens\u00f5es e incompreens\u00f5es entre os homens, aumentando o risco de conflito e tornando a conquista de uma paz justa em toda a Terra cada vez mais remota. Na\u00a0Radiomensagem do Natal, 1958, afirma:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><i>Em muitas partes do mundo, n\u00e3o h\u00e1 ouvido para este convite. Onde as no\u00e7\u00f5es mais sagradas da civiliza\u00e7\u00e3o crist\u00e3 s\u00e3o abafadas ou extintas; onde a ordem espiritual e divina \u00e9 abalada e a concep\u00e7\u00e3o de vida sobrenatural \u00e9 enfraquecida, \u00e9 muito triste ter que notar o &#8220;initium malorum&#8221; cujos testemunhos s\u00e3o do conhecimento comum. Mesmo para ser cort\u00eas ao julgar, ao desculpar, ao ter pena da gravidade da situa\u00e7\u00e3o ate\u00edsta e materialista \u00e0 qual algumas na\u00e7\u00f5es foram e s\u00e3o submetidas e sob o peso da qual gemem, a escravid\u00e3o para os indiv\u00edduos e para as massas, a escravid\u00e3o do pensamento e a escravid\u00e3o do trabalho, \u00e9 ineg\u00e1vel.\u00a0 O Livro Sagrado nos fala de uma torre de Babel que foi constru\u00edda nos primeiros s\u00e9culos de hist\u00f3ria na plan\u00edcie de Sennaar; e acabou em confus\u00e3o. Em v\u00e1rias regi\u00f5es da terra, outras torres desse tipo est\u00e3o sendo constru\u00eddas mesmo agora: e certamente acabar\u00e3o como a primeira. Mas a ilus\u00e3o para muitos \u00e9 grande, e a ru\u00edna \u00e9 amea\u00e7adora. Somente a unidade e a unidade no fortalecimento do apostolado da verdade e da verdadeira fraternidade humana e crist\u00e3 ser\u00e3o capazes de deter os graves perigos iminente<\/i>s.<i>\u00a0<\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O\u00a0<b>Papa Paulo VI<\/b>\u00a0tamb\u00e9m n\u00e3o deixou de expressar v\u00e1rias vezes sua atitude cr\u00edtica em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 exalta\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica que, especialmente na segunda metade do s\u00e9culo 20, levou a atitudes exasperantes de abuso e falta de escr\u00fapulos no campo econ\u00f4mico e cient\u00edfico. Na Santa Missa pelo Dia Mundial da Paz de 1971 afirmava:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><i>Devemos nos educar, devemos nos formar, devemos repensar nossa mentalidade e nossa psicologia. Voc\u00eas est\u00e3o realmente disposto a abolir as rela\u00e7\u00f5es de luta, \u00f3dio e viol\u00eancia entre os homens? Voc\u00eas est\u00e3o realmente disposto a ser pessoas que promovem a paz e querem interesses diferentes, \u00e0s vezes contrastantes, a serem tratados nem com \u00f3dio, nem com luta, nem com a for\u00e7a da viol\u00eancia e dos n\u00fameros? Bem, devemos nos educar para pensar e querer desta maneira. E vejam, deste ponto de vista, ainda estamos no in\u00edcio. Por qu\u00ea? Porque durante muito tempo ficamos intoxicados pelo pensamento de que somente atrav\u00e9s do \u00f3dio, somente atrav\u00e9s da viol\u00eancia, somente atrav\u00e9s dos caminhos das a\u00e7\u00f5es \u00e9 poss\u00edvel alcan\u00e7ar qualquer coisa. Se n\u00e3o se vai a extremos, n\u00e3o se consegue nada. Esta \u00e9 uma mentalidade que deve ser superada.<\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Anos mais tarde, quando as amea\u00e7as nucleares pareciam estar desaparecendo,\u00a0<b>Jo\u00e3o Paulo II<\/b>\u00a0tentou levar a f\u00e9 e a ci\u00eancia ao di\u00e1logo. O autor da enc\u00edclica\u00a0<i>Fides et ratio<\/i>\u00a0convidou um grupo de cientistas a ler nas conquistas do conhecimento precisamente as pistas da pequenez humana.6 de julho de 1985:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><i>Atrav\u00e9s das ci\u00eancias naturais, e da cosmologia em particular, nos tornamos muito mais conscientes de nossa verdadeira posi\u00e7\u00e3o f\u00edsica no universo, na realidade f\u00edsica, no espa\u00e7o e no tempo. Somos muito afetados por nossa pequenez e aparente insignific\u00e2ncia, e ainda mais por nossa vulnerabilidade em um ambiente t\u00e3o vasto e aparentemente hostil. No entanto, este nosso universo, esta gal\u00e1xia na qual nosso sol est\u00e1 localizado e este planeta no qual vivemos, s\u00e3o nossa casa. E tudo isso de alguma forma serve para nos sustentar, para nos nutrir, para nos fascinar, para nos inspirar, para nos tirar de n\u00f3s mesmos e nos fazer olhar muito al\u00e9m dos limites de nossa vis\u00e3o.<\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><i>O que descobrimos atrav\u00e9s de nosso estudo da natureza e do universo, em toda sua imensid\u00e3o e rica variedade, serve, por um lado, para sublinhar nossa fr\u00e1gil condi\u00e7\u00e3o e pequenez e, por outro lado, para manifestar claramente nossa grandeza e superioridade em toda a cria\u00e7\u00e3o: a posi\u00e7\u00e3o profundamente elevada que desfrutamos ao sermos capazes de buscar, imaginar e descobrir tanto. Fomos feitos \u00e0 imagem e semelhan\u00e7a de Deus.<\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E da percep\u00e7\u00e3o de nossa grandeza leg\u00edtima, \u00e0 percep\u00e7\u00e3o da grandeza do criador. \u00c9 como um silogismo: sentir-se pequeno para se reconhecer como grande. T\u00e3o grandes a ponto de admitir algu\u00e9m maior.<b>\u00a0Bento XVI,<\/b>\u00a027 de fevereiro de 2006. Ele dirigia-se aos participantes da Assembleia geral da Pontif\u00edcia Academia para a Vida:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Melhoramos em grande medida os nossos conhecimentos e identificamos melhor os limites da nossa ignor\u00e2ncia; mas para a intelig\u00eancia humana parece ter-se tornado demasiado dif\u00edcil aperceber-se de que, olhando para a cria\u00e7\u00e3o, nos deparamos com a marca do Criador. Na realidade, quem ama a verdade, como v\u00f3s queridos estudiosos, deveria compreender que a pesquisa sobre temas t\u00e3o profundos nos coloca na condi\u00e7\u00e3o de ver e tamb\u00e9m quase de tocar a m\u00e3o de Deus.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Papa Jo\u00e3o XXIII\u00a0 O drama da pandemia nos colocou inesperadamente \u00e0 frente de nossa fragilidade. Mas reconhecer-nos limitados, nas m\u00e3os de algu\u00e9m que nos transcende e est\u00e1 sempre conosco, pode se tornar um passo importante no nosso caminho interior rumo a um redimensionamento decisivo de nossa pressuposta onipot\u00eancia. 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