{"id":65009,"date":"2020-12-10T10:26:24","date_gmt":"2020-12-10T13:26:24","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=65009"},"modified":"2020-12-10T10:26:24","modified_gmt":"2020-12-10T13:26:24","slug":"pensar-e-gerar-um-mundo-aberto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/pensar-e-gerar-um-mundo-aberto\/","title":{"rendered":"\u201cPensar e gerar um mundo aberto\u201d"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><em>*Lino Rampazzo<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-65010 alignleft\" src=\"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-content\/uploads\/Prof.Lino-1-300x298.jpg\" alt=\"\" width=\"167\" height=\"166\" srcset=\"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-content\/uploads\/Prof.Lino-1-300x298.jpg 300w, https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-content\/uploads\/Prof.Lino-1-150x150.jpg 150w, https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-content\/uploads\/Prof.Lino-1-423x420.jpg 423w, https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-content\/uploads\/Prof.Lino-1.jpg 576w\" sizes=\"auto, (max-width: 167px) 100vw, 167px\" \/>H\u00e1 algumas semanas recebemos uma significativa mensagem de paz e de fraternidade. Trata-se da enc\u00edclica \u201cFratelli tutti\u2019 (todos irm\u00e3os), do Papa Francisco, \u201csobre a fraternidade e a amizade social\u201d. O documento est\u00e1 dividido em oito cap\u00edtulos, sendo o primeiro \u201cas sombras de um mundo fechado\u201d. Quais s\u00e3o essas sombras?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Eis uma triste \u201clista\u201d: o ego\u00edsmo, a\u00a0falta de interesse pelo bem comum; a preval\u00eancia de uma\u00a0l\u00f3gica de mercado baseada no lucro\u00a0e na\u00a0cultura do descarte; o desemprego, o\u00a0racismo, a pobreza; a desigualdade de direitos e as suas aberra\u00e7\u00f5es,\u00a0como a escravatura, o tr\u00e1fico de pessoas,\u00a0as mulheres subjugadas e depois for\u00e7adas a abortar, o tr\u00e1fico de \u00f3rg\u00e3os&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mais especificamente esse cap\u00edtulo fala de \u201csonhos desfeitos em peda\u00e7os\u201d. Quais foram os \u201csonhos\u201d? Durante d\u00e9cadas, pareceu que o mundo tinha aprendido com tantas guerras e fracassos e, lentamente, ia caminhando para variadas formas de integra\u00e7\u00e3o. Pense-se no sonho de uma Europa unida, capaz de reconhecer ra\u00edzes comuns e regozijar-se com a diversidade que a habita; ou no anseio duma integra\u00e7\u00e3o latino-americana (N. 10).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas no mundo atual, esmorecem os sentimentos de perten\u00e7a \u00e0 mesma humanidade. Reina uma indiferen\u00e7a acomodada, fria e globalizada, filha duma profunda desilus\u00e3o que se esconde por detr\u00e1s desta ilus\u00e3o enganadora: considerar que podemos ser onipotentes e esquecer que nos encontramos todos no mesmo barco (n. 30).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O livro do Eclesiastes afirma que \u201cnada h\u00e1 de novo debaixo do sol\u201d (1,9). Nesse sentido, podemos recorrer \u00e0 hist\u00f3ria, que nos ensina sobre a \u00e9poca em que viveu S\u00e3o Francisco de Assis (1181-1226). Similarmente havia muitas divis\u00f5es, inclusive uma guerra de crist\u00e3os contra isl\u00e2micos: a \u201cquinta cruzada\u201d (1217-1221). Mas o santo escolheu um caminho diferente. Eis como o Papa Francisco relata esse fato na enc\u00edclica citada:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cNa vida de S\u00e3o Francisco, h\u00e1 um epis\u00f3dio que nos mostra o seu cora\u00e7\u00e3o sem fronteiras, capaz de superar as dist\u00e2ncias de proveni\u00eancia, nacionalidade, cor ou religi\u00e3o: \u00e9 a sua visita ao Sult\u00e3o Malik-al-Kamil, no Egito. A mesma exigiu dele um grande esfor\u00e7o, devido \u00e0 sua pobreza, aos poucos recursos que possu\u00eda, \u00e0 dist\u00e2ncia e \u00e0s diferen\u00e7as de l\u00edngua, cultura e religi\u00e3o. Aquela viagem, num momento hist\u00f3rico marcado pelas Cruzadas, demonstrava ainda mais a grandeza do amor que queria viver, desejoso de abra\u00e7ar a todos&#8230;.Sem ignorar as dificuldades e perigos, S\u00e3o Francisco foi ao encontro do Sult\u00e3o com a mesma atitude que pedia aos seus disc\u00edpulos: sem negar a pr\u00f3pria identidade, quando estiverdes \u2018entre sarracenos e outros infi\u00e9is (&#8230;), n\u00e3o fa\u00e7ais lit\u00edgios nem contendas, mas sede submissos a toda a criatura humana por amor de Deus\u2019.\u00a0No contexto de ent\u00e3o, era um pedido extraordin\u00e1rio. \u00c9 impressionante que, h\u00e1 oitocentos anos, Francisco recomende evitar toda a forma de agress\u00e3o ou contenda e tamb\u00e9m viver uma \u2018submiss\u00e3o\u2019 humilde e fraterna, mesmo com quem n\u00e3o partilhasse a sua f\u00e9\u201d (N. 3).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com esse mesmo esp\u00edrito, num dos seus escritos, S\u00e3o Francisco criou a express\u00e3o \u201cFratelli tutti\u201d (todos irm\u00e3os) para propor uma forma de vida com \u201csabor a Evangelho\u201d. E o Papa Francisco intitulou a enc\u00edclica com essa express\u00e3o de S\u00e3o Francisco, dirigindo-se a todos os homens de boa vontade, para \u201cfazer renascer, entre todos, um anseio mundial de fraternidade\u201d (N. 8).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A partir da par\u00e1bola do Bom Samaritano, o Papa afirma que \u201co amor constr\u00f3i pontes e n\u00f3s somos feitos para o amor&#8221;. Por isso precisa \u201cpensar e gerar um mundo aberto&#8221;, promovendo a &#8220;cultura do encontro&#8221;, aberto ao mundo inteiro, inclusive aos migrantes, desenvolvendo uma \u201cpol\u00edtica melhor\u201d, que representa\u00a0uma das formas mais preciosas da caridade, porque\u00a0est\u00e1 a servi\u00e7o do bem comum e conhece a import\u00e2ncia do povo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Papa chega at\u00e9 a citar um brasileiro, o poeta e cantor Vin\u00edcius de Moraes quando, no \u201cSamba da B\u00ean\u00e7\u00e3o\u201d, afirma que &#8220;a\u00a0vida \u00e9 a arte do encontro, embora haja tanto desencontro na vida\u201d (N. 205). E nos percursos de um encontro, o Papa sublinha que\u00a0a paz \u00e9 &#8220;proativa&#8221; e visa formar uma sociedade baseada no servi\u00e7o aos outros e na busca da reconcilia\u00e7\u00e3o e do desenvolvimento m\u00fatuo, at\u00e9 valorizando o perd\u00e3o. Perd\u00e3o, ele esclarece, n\u00e3o significa\u00a0impunidade, mas justi\u00e7a e mem\u00f3ria, porque perdoar n\u00e3o significa esquecer, mas\u00a0renunciar \u00e0 for\u00e7a destrutiva do mal e da vingan\u00e7a. A enc\u00edclica termina mostrando que as Religi\u00f5es devem colocar-se a \u201cservi\u00e7o da fraternidade no mundo&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os crist\u00e3os, juntamente com todos os homens de boa vontade, s\u00e3o chamados a construir um mundo diferente, que supere as divis\u00f5es pol\u00edticas, sociais, econ\u00f4micas, religiosas e culturais. <strong><em>*Lino Rampazzo \u00e9 <\/em><\/strong>Doutor em Teologia e Coordenador do Curso de Teologia da Faculdade Can\u00e7\u00e3o Nova (Cachoeira Paulista-SP).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>*Lino Rampazzo H\u00e1 algumas semanas recebemos uma significativa mensagem de paz e de fraternidade. 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