{"id":64946,"date":"2020-12-08T09:34:35","date_gmt":"2020-12-08T12:34:35","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=64946"},"modified":"2020-12-08T10:39:09","modified_gmt":"2020-12-08T13:39:09","slug":"dialogo-e-amizade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/dialogo-e-amizade\/","title":{"rendered":"DI\u00c1LOGO E AMIZADE"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">O sexto cap\u00edtulo de Fratelli Tutti desafia-nos a retomar o di\u00e1logo em todos os campos dos relacionamentos humanos. Seja na fam\u00edlia, na sociedade, no trabalho ou mesmo entre povos, ra\u00e7as e na\u00e7\u00f5es. \u201cO di\u00e1logo perseverante e corajoso n\u00e3o faz not\u00edcia com as desaven\u00e7as e os conflitos; e, contudo, de forma discreta mas muito mais do que possamos notar, ajuda o mundo a viver melhor. (198)\u201d. Teoricamente, bem conhecemos esse efeito da pr\u00e1tica do di\u00e1logo. Mas efetivamente, quanta confus\u00e3o!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Lembro-me de um movimento cat\u00f3lico para casais onde um dos baluartes que lhe atribu\u00edam sucesso chamava-se \u201cdever de sentar-se\u201d. Esse \u201cdever\u201d, diante do outro, \u00e9 que era o problema. Para mim, nada que fosse \u201cobrigat\u00f3rio\u201d \u00a0e n\u00e3o espont\u00e2neo, perdia efeito na pr\u00e1tica do di\u00e1logo. Ent\u00e3o me frustrava tal dever. \u201cMuitas vezes confunde-se o di\u00e1logo com algo muito diferente: uma troca febril de opini\u00f5es nas redes sociais, muitas vezes pilotada por uma informa\u00e7\u00e3o medi\u00e1tica nem sempre fi\u00e1vel. N\u00e3o passam de mon\u00f3logos que avan\u00e7am em paralelo (200)\u201d, diz o papa. Portanto, di\u00e1logo n\u00e3o se imp\u00f5e, mas nasce da espontaneidade presente numa rela\u00e7\u00e3o sadia. \u201cA falta de di\u00e1logo sup\u00f5e que ningu\u00e9m, nos diferentes setores, est\u00e1 preocupado com o bem comum, mas com obter as vantagens que o poder lhe proporciona (202)\u201d. Di\u00e1logo com pretens\u00f5es de vantagens e sem vis\u00e3o do bem comum est\u00e1 fadado ao fracasso. \u00c9 preciso construir juntos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O consenso \u00e9 a base do sucesso. \u201cTemos que nos exercitar em desmascarar as v\u00e1rias modalidades de manipula\u00e7\u00e3o, deforma\u00e7\u00e3o e ocultamento da verdade nas esferas p\u00fablica e privada (208)\u201d. A transpar\u00eancia dos ideais que se buscam numa atitude de di\u00e1logo deve estar \u00e0 frente de qualquer outro objetivo. Esse \u00e9 o primeiro passo: clareza no que se busca. \u201cNuma sociedade pluralista, o di\u00e1logo \u00e9 o caminho mais adequado para se chegar a reconhecer aquilo que sempre deve ser afirmado e respeitado e que ultrapassa o consenso ocasional (211)\u201d. Essa \u00e9 a nova cultura desejada e ansiosamente trabalhada pelos meios diplom\u00e1ticos da atualidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ent\u00e3o Francisco cita um brasileiro, Vin\u00edcius de Morais, que bem definiu essa busca humana: \u201cA vida \u00e9 a arte do encontro, embora haja tanto desencontro na vida\u201d. E acrescenta: \u201cIsto implica o h\u00e1bito de reconhecer, ao outro, o direito de ser ele pr\u00f3prio e de ser diferente (218)\u201d. Cita, ent\u00e3o as gritantes diferen\u00e7as existenciais, sociais e culturais presentes na realidade humana. A quest\u00e3o ind\u00edgena \u00e9 uma dessas. \u201cA intoler\u00e2ncia e o desprezo perante as culturas populares ind\u00edgenas s\u00e3o uma verdadeira forma de viol\u00eancia, pr\u00f3pria dos especialistas em \u00e9tica sem bondade que vivem julgando os outros. Mas nenhuma mudan\u00e7a aut\u00eantica, profunda e est\u00e1vel \u00e9 poss\u00edvel, se n\u00e3o se realizar a partir das v\u00e1rias culturas, principalmente dos pobres (220)\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Na realidade, o di\u00e1logo que o papa nos prop\u00f5e necessita de um r\u00f3tulo novo, al\u00e9m do consenso diplom\u00e1tico: a amabilidade. Essa \u00e9 a cor do di\u00e1logo aut\u00eantico, aquele que possui o rosto de Cristo oferecendo a \u00e1gua viva junto ao po\u00e7o da \u201chumanidade pecadora\u201d&#8230; \u201c\u00c9 um modo de tratar os outros, que se manifesta de diferentes formas: amabilidade no trato, cuidado para n\u00e3o magoar com as palavras ou os gestos, tentativa de aliviar o peso dos outros. Sup\u00f5e \u2018dizer palavras de incentivo, que reconfortam, consolam, fortalecem, estimulam\u2019 em vez de \u2018palavras que humilham, angustiam, irritam, desprezam\u201d (Exort Amoris Laetitia), diz Francisco ao final desse cap\u00edtulo (223). E conclui: \u201cA amabilidade \u00e9 uma liberta\u00e7\u00e3o da crueldade que \u00e0s vezes penetra nas rela\u00e7\u00f5es humanas, da ansiedade que n\u00e3o nos deixa pensar nos outros, da urg\u00eancia distra\u00edda que ignora que os outros tamb\u00e9m t\u00eam o direito de ser felizes (224)\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O sexto cap\u00edtulo de Fratelli Tutti desafia-nos a retomar o di\u00e1logo em todos os campos dos relacionamentos humanos. 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