{"id":64912,"date":"2020-12-08T09:10:48","date_gmt":"2020-12-08T12:10:48","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=64912"},"modified":"2020-12-08T10:11:47","modified_gmt":"2020-12-08T13:11:47","slug":"sao-jose-o-homem-em-quem-o-ceu-confia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/sao-jose-o-homem-em-quem-o-ceu-confia\/","title":{"rendered":"S\u00e3o Jos\u00e9, o homem em quem o C\u00e9u confia"},"content":{"rendered":"<div class=\"article__subTitle\" style=\"text-align: justify;\">A Carta Apost\u00f3lica &#8220;Patris corde&#8221; de Francisco enriquece o Magist\u00e9rio dos Papas sobre a figura de S\u00e3o Jos\u00e9. Entre o final do s\u00e9culo XIX e hoje, os Papas presentearam a Igreja com belas e profundas p\u00e1ginas que aprofundam o mist\u00e9rio do santo<\/div>\n<div class=\"title__separator\" style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div class=\"article__text \">\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Alessandro De Carolis \u2013 Vatican News<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O &#8220;desafio&#8221; tem sido relan\u00e7ado todos os dias h\u00e1 40 anos. A recita\u00e7\u00e3o das Laudes e, tamb\u00e9m, a de uma antiga ora\u00e7\u00e3o encontrada em um livro de devo\u00e7\u00e3o franc\u00eas do s\u00e9culo XIX. O destinat\u00e1rio desse &#8220;desafio&#8221; di\u00e1rio \u00e9 S\u00e3o Jos\u00e9 porque, depois de ter-lhe confiado tudo, &#8220;situa\u00e7\u00f5es graves e dificuldades&#8221;, aquela antiga ora\u00e7\u00e3o termina assim: &#8220;Que n\u00e3o se diga que eu Vos invoquei em v\u00e3o&#8221;. O Papa revela este costume em uma breve nota na metade da Carta\u00a0<i>Patris corde<\/i>, um texto que traz a mem\u00f3ria da Igreja de volta ao que Pio IX fez no dia da Imaculada Concei\u00e7\u00e3o em 1870, proclamando S\u00e3o Jos\u00e9 padroeiro da Igreja universal.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><b>Uma estreita liga\u00e7\u00e3o<\/b><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>\u00a0<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A fato confirma e enriquece a predile\u00e7\u00e3o de Francisco pela figura do esposo de Maria. Uma familiaridade j\u00e1 conhecida devido ao h\u00e1bito &#8211; contado durante a viagem a Manila &#8211; de colocar debaixo da estatueta de &#8220;Jos\u00e9 adormecido&#8221;, guardada em seu escrit\u00f3rio na Casa Santa Marta, um pequeno peda\u00e7o de papel com suas preocupa\u00e7\u00f5es escritas nele. O &#8220;homem inobservado&#8221;, que acolhe o mist\u00e9rio e se coloca a seu servi\u00e7o permanecendo &#8220;descentralizado&#8221;, \u00e9 tamb\u00e9m o solucionador das coisas imposs\u00edveis e no\u00a0<i>Patris corde<\/i>\u00a0o Papa descreve as muitas qualidades que fazem de Jos\u00e9 um verdadeiro pai e marido, o esposo que &#8220;acolhe Maria sem condi\u00e7\u00f5es pr\u00e9vias&#8221; e o homem no qual &#8220;Jesus viu a ternura de Deus&#8221;.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><b>Nomes para um Papa<\/b><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas o texto de Francisco \u00e9, por assim dizer, o \u00faltimo na ordem do tempo de uma s\u00e9rie de escritos de admira\u00e7\u00e3o que a Igreja construiu ao longo dos s\u00e9culos para tornar evidentes os m\u00e9ritos de uma grande alma esculpida\u00a0<i>no\u00a0<\/i>e\u00a0<i>pelo\u00a0<\/i>sil\u00eancio. A dar uma contribui\u00e7\u00e3o de p\u00e1ginas e cora\u00e7\u00e3o a esta narra\u00e7\u00e3o foram certamente os Papas, come\u00e7ando com Sisto V que no final do s\u00e9culo XV fixou a data da festa em 19 de mar\u00e7o. A partir de Pio IX, e especialmente durante os pontificados do s\u00e9culo XX, o Magist\u00e9rio acendeu novas luzes sobre o &#8220;homem na sombra&#8221;, cujo nome nunca foi escolhido por um Pont\u00edfice, mesmo se nas \u00faltimas d\u00e9cadas tornou-se quase constante nos nomes de Batismo dos que ascenderam ao trono, Pio X (Jos\u00e9 Melchiorre Sarto), Jo\u00e3o XXIII (Angelo Jos\u00e9 Roncalli), Jo\u00e3o Paulo II (Karol J\u00f3zef Wojtyla), Bento XVI (Joseph Ratzinger). Francisco n\u00e3o tem o nome de Jos\u00e9, mas celebrou a missa do in\u00edcio de seu minist\u00e9rio em 19 de mar\u00e7o, um v\u00ednculo diferente com a mesma proximidade.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><b>Papas por um nome<\/b><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Confirmando o desejo de Bento XVI, em 1\u00ba de maio de 2013 Francisco decretou a adi\u00e7\u00e3o do nome de S\u00e3o Jos\u00e9, Esposo da Sant\u00edssima Virgem Maria, nas Ora\u00e7\u00f5es Eucar\u00edsticas II, III e IV. Antes disso, em 13 de novembro de 1962, Jo\u00e3o XXIII tinha estabelecido sua inclus\u00e3o no antigo C\u00e2none Romano da Missa, ao lado do nome de Maria e antes do dos Ap\u00f3stolos. O pr\u00f3prio Jo\u00e3o XXIII, querendo confiar o Conc\u00edlio Vaticano II ao &#8220;pai&#8221; terreno de Jesus, escreveu em 1961 a Carta Apost\u00f3lica\u00a0<i>Le Voci<\/i>, na qual fez uma esp\u00e9cie de resumo da devo\u00e7\u00e3o a S\u00e3o Jos\u00e9 alimentada por seus predecessores. N\u00e3o s\u00e3o cinzentas opera\u00e7\u00f5es de \u201cburocracia\u201d lit\u00fargica. Por tr\u00e1s de cada novo decreto h\u00e1 um sentimento e uma consci\u00eancia eclesial cada vez mais enraizada e que, como acontece com Pio XII, tamb\u00e9m pode afetar tamb\u00e9m a vida civil.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><b>O Santo de quem trabalha<\/b><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">No dia primeiro de maio de 1955 era um domingo e uma multid\u00e3o de trabalhadores lotava a Pra\u00e7a S\u00e3o Pedro. Eram trabalhadores inscritos na A\u00e7\u00e3o Cat\u00f3lica Italiana (ACLI) e muitos deles lembram do encontro com Pio XII dez anos antes, em 13 de mar\u00e7o de 1945, um m\u00eas e meio antes do fim de uma guerra que tinha dilacerado profundamente a It\u00e1lia. Em 1955 a It\u00e1lia era um pa\u00eds que estava crescendo impetuosamente, o &#8220;boom&#8221; n\u00e3o estava longe, mas entre os cat\u00f3licos italianos o Papa Pio XII reconheceu os &#8220;desiludidos&#8221;, os que lamentavam da falta de incisividade da presen\u00e7a crist\u00e3 &#8220;na vida p\u00fablica&#8221;, enquanto a ideologia socialista parecia tomar conta. Pio XII faz um discurso en\u00e9rgico, lembra a identidade da ACLI para que se comprometam com a &#8220;paz social&#8221; e no final, inesperadamente, o &#8220;presente&#8221; que surpreende e entusiasma:<\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"article__embed article__embed--border embed_style\">\n<blockquote><p>\u201cPara que este significado esteja presente em todos voc\u00eas (&#8230;) com amor anunciamo-lhes Nossa determina\u00e7\u00e3o em estabelecer &#8211; como de fato estabelecemos &#8211; a festa lit\u00fargica de S\u00e3o Jos\u00e9 Oper\u00e1rio, atribuindo-lhe precisamente o dia 1\u00ba de maio. Voc\u00eas acolhem, queridos trabalhadores e trabalhadoras, este Nosso presente? Estamos certos de que sim, porque o humilde artes\u00e3o de Nazar\u00e9 n\u00e3o s\u00f3 personifica junto a Deus e \u00e0 Santa Igreja a dignidade do trabalhador bra\u00e7al, mas tamb\u00e9m \u00e9 sempre o seu guardi\u00e3o previdente e de suas fam\u00edlias\u201d<\/p><\/blockquote>\n<\/div>\n<\/div>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><b>\u201cPapa Jos\u00e9\u201d n\u00e3o se pode<\/b><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quatro anos mais tarde, a Igreja \u00e9 guiada por um homem que gostaria de ter se chamado &#8220;Papa Jos\u00e9&#8221;. Ele desistiu porque, conta, &#8220;isto n\u00e3o \u00e9 costume entre os Papas&#8221;, mas a explica\u00e7\u00e3o trai a nostalgia e revela o forte apego de Jo\u00e3o XXIII a S\u00e3o Jos\u00e9. A ocasi\u00e3o foi o encontro do Papa Roncalli em 19 de mar\u00e7o de 1959, com um grupo de respons\u00e1veis pela limpeza urbana. No ano seguinte, numa r\u00e1dio mensagem em 1\u00ba de maio de 1960, o &#8220;Papa bom&#8221; concluiu entoando uma ora\u00e7\u00e3o a S\u00e3o Jos\u00e9 Oper\u00e1rio:<\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"article__embed article__embed--border embed_style\">\n<blockquote><p>\u201cFa\u00e7a com que seus protegidos entendam que n\u00e3o est\u00e3o sozinhos em seu trabalho, mas que saibam descobrir Jesus ao lado deles mesmos, acolh\u00ea-lo com a gra\u00e7a, custodi\u00e1-lo fielmente, como o fizeste. E fa\u00e7a com que em cada fam\u00edlia, em cada f\u00e1brica, em cada escrit\u00f3rio, onde quer que um crist\u00e3o trabalhe, tudo seja santificado na caridade, na paci\u00eancia, na justi\u00e7a, na busca de boas obras, para que abundantes possam descer os dons da predile\u00e7\u00e3o celestial\u201d<\/p><\/blockquote>\n<\/div>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\"><i>\u00a0<\/i><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><i>\u00a0<\/i><\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><b>O esposo sublime<\/b><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos 26 anos de seu Pontificado, Jo\u00e3o Paulo II teve um n\u00famero infinito de ocasi\u00f5es para falar de S\u00e3o Jos\u00e9 para o qual rezava intensamente todos os dias. Esta devo\u00e7\u00e3o est\u00e1 resumida no documento que ele lhe dedicou em 15 de agosto de 1989, dia da publica\u00e7\u00e3o da Exorta\u00e7\u00e3o Apost\u00f3lica\u00a0<i>Redemptoris Custos<\/i>, escrita 100 anos ap\u00f3s a\u00a0<i>Pluries Quamquam<\/i>\u00a0de Le\u00e3o XIII. No documento, o Papa Wojtyla analisa a vida de Jos\u00e9 em cada seu ato e sens\u00edvel como sempre foi ao casamento crist\u00e3o, oferece uma leitura profunda da rela\u00e7\u00e3o entre os dois esposos de Nazar\u00e9. Ou seja, a &#8220;gra\u00e7a de viver juntos o carisma da virgindade e o dom do matrim\u00f4nio&#8221;, que ele retomou em uma audi\u00eancia geral em 1996, revertendo um falso mito:<\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"article__embed article__embed--border embed_style\">\n<blockquote><p>\u201cA dificuldade de abordar o sublime mist\u00e9rio de sua comunh\u00e3o nupcial levou alguns, desde o s\u00e9culo II, a atribuir a Jos\u00e9 uma idade avan\u00e7ada e a consider\u00e1-lo o guardi\u00e3o, em vez do esposo de Maria. \u00c9 apropriado supor, ao inv\u00e9s disso, que ele n\u00e3o era um homem idoso, mas que sua perfei\u00e7\u00e3o interior, fruto da gra\u00e7a, o levou a viver sua rela\u00e7\u00e3o esponsal com Maria com afei\u00e7\u00e3o virginal\u201d<\/p><\/blockquote>\n<\/div>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\"><i>\u00a0<\/i><\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><b>\u201cRobusta interioridade\u201d<\/b><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Do homem que Mateus chama de &#8220;justo&#8221; no Evangelho, o Padroeiro da Igreja universal, dos trabalhadores e de uma infinidade de cidades e lugares, n\u00e3o h\u00e1 palavras, mas apenas sil\u00eancios. O que, portanto, deve ser entendido como palavras e pensamentos. Nesta aparente aus\u00eancia Bento XVI tamb\u00e9m extrai a riqueza de uma vida completa, de um homem-n\u00e3o destacado que, diz ele em um\u00a0<i>Angelus<\/i>\u00a0de 2005, com seu exemplo sem proclama\u00e7\u00f5es afetar\u00e1 o crescimento de Jesus, o homem-Deus:<\/p>\n<div>\n<div class=\"article__embed article__embed--border embed_style\">\n<blockquote>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cUm sil\u00eancio gra\u00e7as ao qual Jos\u00e9, em un\u00edssono com Maria, conserva a Palavra de Deus (\u2026) um sil\u00eancio impregnado de ora\u00e7\u00e3o constante, de ora\u00e7\u00e3o de b\u00ean\u00e7\u00e3o do Senhor, de adora\u00e7\u00e3o da sua santa vontade e de confian\u00e7a sem reservas na sua provid\u00eancia. N\u00e3o se exagera, se se pensa que precisamente do &#8220;pai&#8221; Jos\u00e9, Jesus adquiriu no plano humano aquela vigorosa interioridade, que \u00e9 o pressuposto da justi\u00e7a aut\u00eantica, da &#8220;justi\u00e7a superior&#8221;, que um dia Ele ensinar\u00e1 aos seus disc\u00edpulos.\u201d<\/p>\n<\/blockquote>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Carta Apost\u00f3lica &#8220;Patris corde&#8221; de Francisco enriquece o Magist\u00e9rio dos Papas sobre a figura de S\u00e3o Jos\u00e9. 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