{"id":64790,"date":"2020-11-28T13:26:20","date_gmt":"2020-11-28T16:26:20","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=64790"},"modified":"2020-11-30T13:27:11","modified_gmt":"2020-11-30T16:27:11","slug":"espiritualidade-do-advento-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/espiritualidade-do-advento-2\/","title":{"rendered":"Espiritualidade do Advento"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0N\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio precisar a hist\u00f3ria e o primitivo significado do Advento; al\u00e9m disso, as not\u00edcias sobre suas verdadeiras origens s\u00e3o parcas. \u00c9 necess\u00e1rio distinguir elementos que dizem respeito a pr\u00e1ticas asc\u00e9ticas e a outras, de car\u00e1ter estritamente lit\u00fargico; um Advento que \u00e9 prepara\u00e7\u00e3o para o Natal e um Advento que celebra a vinda gloriosa de Cristo (Advento escatol\u00f3gico). No Oriente, permaneceu quase ignorado um per\u00edodo de prepara\u00e7\u00e3o ao Natal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Advento \u00e9 pr\u00f3prio do Ocidente. S\u00e3o descartadas totalmente as teorias que atribuem Advento a S\u00e3o Pedro e sua exist\u00eancia aos tempos de Tertuliano e S\u00e3o Cipriano. O testemunho mais antigo encontra-se em uma passagem de Santo Hil\u00e1rio (por volta de 366) que diz: \u201cSancta Mater Ecclesia Salvatoris adventos annuo recursu per trium septimanarum sacretum spatium sivi indicavit\u201d(CSEL,65,16) \u201cA santa m\u00e3e Igreja oferece um espa\u00e7o sagrado de tr\u00eas semanas por ano para a vinda do Salvador\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O duplo car\u00e1ter do Advento, que celebra a espera do Salvador na gl\u00f3ria e a sua vinda na carne, emerge das leituras b\u00edblicas festivas. O primeiro domingo orienta para parusia final. O segundo e o terceiro chamam a aten\u00e7\u00e3o para a vinda cotidiana do Senhor; o quarto domingo prepara-nos para a natividade de Cristo ao mesmo tempo fazendo dela a teologia e a hist\u00f3ria. Portanto, a liturgia contempla ambas as vindas de Cristo, em \u00edntima rela\u00e7\u00e3o entre si.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Toda a liturgia do Advento \u00e9 apelo para se viver alguns comportamentos essenciais do crist\u00e3o: a expectativa vigilante e alegre, a esperan\u00e7a, a convers\u00e3o, a pobreza. A expectativa vigilante e alegre caracteriza sempre o crist\u00e3o e a Igreja, porque o Deus da revela\u00e7\u00e3o \u00e9 o Deus da promessa, que manifestou em Cristo toda a sua fidelidade ao homem: \u201cTodas as promessas de Deus encontram nele seu sim\u201d (2 Cor 1,20). A esperan\u00e7a da Igreja \u00e9 a mesma esperan\u00e7a de Israel, mas j\u00e1 realizada em Cristo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Advento \u00e9 tempo de expectativa alegre porque aquilo que se espera certamente acontecer\u00e1. Deus \u00e9 fiel. A vinda do Salvador cria um clima de alegria que a liturgia do Advento n\u00e3o s\u00f3 relembra, mas quer que seja vivida. O Batista, diante de Cristo presente em Maria, salta de alegria no seio da m\u00e3e. O nascimento de Jesus \u00e9 uma festa alegre para os anjos e para os homens que ele vem salvar (Lc 1, 44.46-47; 2, 10.13-14).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No Advento, toda a Igreja vive a sua grande esperan\u00e7a. O Deus da revela\u00e7\u00e3o tem um nome: \u201cDeus da esperan\u00e7a\u201d(Rm 15,13). N\u00e3o \u00e9 o \u00fanico nome do Deus vivo, mas \u00e9 um nome que o identifica como \u201cDeus para conosco\u201d. O Advento \u00e9 o tempo da grande educa\u00e7\u00e3o \u00e0 esperan\u00e7a: uma esperan\u00e7a forte e paciente; uma esperan\u00e7a que aceita a hora da prova\u00e7\u00e3o, da persegui\u00e7\u00e3o e da lentid\u00e3o no desenvolvimento do Reino; uma esperan\u00e7a que confia no Senhor e liberta das impaci\u00eancias subjetivistas e do frenesi do futuro programado pelo homem. Na convoca\u00e7\u00e3o ao testemunho da esperan\u00e7a, a Igreja, no Advento, \u00e9 confortada pela figura de Maria, a m\u00e3e de Jesus. Ela que \u201cno c\u00e9u, glorificada em corpo e alma, \u00e9 a imagem e a prim\u00edcia da Igreja&#8230;brilha tamb\u00e9m na terra como sinal de segura esperan\u00e7a e de consola\u00e7\u00e3o para o povo de Deusa caminho, at\u00e9 que chegue dia do Senhor\u201d (2 Pd 3,10).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Advento, tempo de Convers\u00e3o. N\u00e3o existe possibilidade de esperan\u00e7a e de alegria sem retornar ao Senhor de todo cora\u00e7\u00e3o, na expectativa da sua volta. A vigil\u00e2ncia requer luta contra o torpor e a neglig\u00eancia; requer prontid\u00e3o e, portanto, desapego dos prazeres e bens terrenos. O crist\u00e3o, convertido a Deus, \u00e9 filho da luz e, por isso, permanecer\u00e1 acordado e resistir\u00e1 \u00e0s trevas, s\u00edmbolo do mal, pois do contr\u00e1rio corre o risco de ser surpreendido pela parusia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Dentro da teologia e espiritualidade do Advento, os textos b\u00edblicos falam da dupla vinda de Cristo: a primeira, no Natal, e a segunda, na Parusia, o fim dos tempos. A vinda de Cristo \u00e9 esperada pela Igreja com ora\u00e7\u00e3o e vigil\u00e2ncia: \u201cVem, Senhor Jesus\u201d, como S\u00e3o Paulo nos fala. A espera de Cristo \u00e9 uma das promessas messi\u00e2nicas j\u00e1 cumprida parcialmente. Nossos pais na f\u00e9 esperaram e n\u00e3o alcan\u00e7aram, mas ouviram por Isaias que um tempo novo de esperan\u00e7a e de paz chegaria. Todo o Antigo Testamento est\u00e1 voltado, pelo an\u00fancio dos profetas, para o mist\u00e9rio do Cristo que vir\u00e1. Para n\u00f3s hoje \u00e9 viver na Igreja toda esta centralidade de Cristo na hist\u00f3ria da salva\u00e7\u00e3o, celebrando o grande mist\u00e9rio: vem a n\u00f3s o esperado das na\u00e7\u00f5es, o anunciado pelos profetas, o revelado por seu Pai.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Nessa caminhada do Advento, al\u00e9m de Isa\u00edas e Jo\u00e3o Batista, a Liturgia apresenta outra figura importante: Maria. O Evangelho de Lucas narra a anuncia\u00e7\u00e3o, quando Maria diz sim ao convite de Deus e aceita ser m\u00e3e de Jesus que se encarna em seu seio e passa a \u201chabitar entre n\u00f3s\u201d. Maria \u00e9 celebrada no dia 8 de dezembro, na festa de sua imaculada concei\u00e7\u00e3o. A Virgem Imaculada diz sim e vive o seu silencio na escuta do pr\u00f3prio Deus que chega. Do dia 17 a 24 de dezembro, a Liturgia nos marca bem a figura de Maria, a \u201ccheia de gra\u00e7a\u201d, a \u201cbendita entre todas as mulheres\u201d, a \u201cnova Eva\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00a0 O Advento \u00e9 um tempo de espiritualidade que deve nos comprometer na tarefa pela constru\u00e7\u00e3o de \u201cnovos c\u00e9us e novas terras\u201d. A Igreja nos exorta a vivermos em vig\u00edlia e ora\u00e7\u00e3o, para que esse tempo da gra\u00e7a seja proveitoso para n\u00f3s, realizando-se o que reza a Liturgia: \u201c\u00d3 c\u00e9us, que chova sobre n\u00f3s, que suas nuvens derramem a justi\u00e7a. Abra-se a terra e brote para n\u00f3s a salva\u00e7\u00e3o.\u201d\u00a0 Entre a expectativa da vinda do Senhor no final dos tempos e a prepara\u00e7\u00e3o para a celebra\u00e7\u00e3o de sua vinda hist\u00f3rica, S\u00e3o Bernardo nos exorta a estarmos preparados para acolher o Senhor que vem hoje em nossas vidas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0N\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio precisar a hist\u00f3ria e o primitivo significado do Advento; al\u00e9m disso, as not\u00edcias sobre suas verdadeiras origens s\u00e3o parcas. \u00c9 necess\u00e1rio distinguir elementos que dizem respeito a pr\u00e1ticas asc\u00e9ticas e a outras, de car\u00e1ter estritamente lit\u00fargico; um Advento que \u00e9 prepara\u00e7\u00e3o para o Natal e um Advento que celebra a vinda gloriosa [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":55819,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-64790","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-artigos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/64790","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=64790"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/64790\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":64791,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/64790\/revisions\/64791"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/media\/55819"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=64790"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=64790"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=64790"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}