{"id":64698,"date":"2020-11-27T09:28:34","date_gmt":"2020-11-27T12:28:34","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=64698"},"modified":"2020-11-27T12:31:00","modified_gmt":"2020-11-27T15:31:00","slug":"o-punhal-a-poucos-centimetros-do-coracao-de-paulo-vi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/o-punhal-a-poucos-centimetros-do-coracao-de-paulo-vi\/","title":{"rendered":"O punhal a poucos cent\u00edmetros do cora\u00e7\u00e3o de Paulo VI"},"content":{"rendered":"<div class=\"article__subTitle\" style=\"text-align: justify;\">Cinquenta anos atr\u00e1s, em 27 de novembro de 1970, depois de descer do avi\u00e3o no qual chegou ao aeroporto de Manila (Filipinas), o Papa Paulo VI foi v\u00edtima de um atentado<\/div>\n<div class=\"title__separator\" style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div class=\"article__text \">\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>VATICAN NEWS<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um homem vestido de padre segurando um crucifixo com uma m\u00e3o e um punhal com a outra. Um Papa de setenta e tr\u00eas anos que enfrentava a mais longa viagem de seu pontificado. Um atentado descoberto gra\u00e7as \u00e0 pronta rea\u00e7\u00e3o dos colaboradores do Pont\u00edfice. O atentado ocorreu cinquenta anos atr\u00e1s em 27 de novembro de 1970, quando Paulo VI visitava a \u00c1sia e a Oceania.<\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"article__embed article__embed--unwrap article__embed--dark\">\n<div class=\"article__innerTitle\">Ou\u00e7a e compartilhe!<\/div>\n<div>\n<!--[if lt IE 9]><script>document.createElement('audio');<\/script><![endif]-->\n<audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-64698-1\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/mpeg\" src=\"https:\/\/media.vaticannews.va\/media\/audio\/s1\/2020\/11\/27\/10\/135803894_F135803894.mp3?_=1\" \/><a href=\"https:\/\/media.vaticannews.va\/media\/audio\/s1\/2020\/11\/27\/10\/135803894_F135803894.mp3\">https:\/\/media.vaticannews.va\/media\/audio\/s1\/2020\/11\/27\/10\/135803894_F135803894.mp3<\/a><\/audio>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><b>Itiner\u00e1rio da viagem na Audi\u00eancia Geral<\/b><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">A viagem fora motivada pela primeira confer\u00eancia dos bispos da \u00c1sia Oriental e durante toda a peregrina\u00e7\u00e3o o objetivo foi conhecer as pessoas que vivem do outro lado do globo, com uma mensagem que esclarecia o significado de incultura\u00e7\u00e3o da f\u00e9 e do enriquecimento para a comunh\u00e3o de toda a catolicidade. Foi o pr\u00f3prio Paulo VI que apresentou aos fi\u00e9is, durante uma audi\u00eancia geral, o itiner\u00e1rio da viagem, que tinha como primeira etapa tr\u00eas dias em Manila, nas Filipinas, depois uma parada em uma ilha da Polin\u00e9sia, tr\u00eas dias em Sidney na Austr\u00e1lia, em seguida Jacarta, a capital mu\u00e7ulmana da Indon\u00e9sia. De l\u00e1, um voo para Hong Kong, &#8220;por algumas horas, mas o suficiente, esperamos testemunhar indistintamente ao grande povo chin\u00eas a estima e o amor da Igreja Cat\u00f3lica, assim como nosso pessoal apre\u00e7o&#8221;. Por fim, a \u00faltima etapa seria Colombo, no Ceil\u00e3o (atual Sri Lanka). Uma longa e extenuante viagem, mas, explica o Papa Montini, &#8220;o poder e o dever superaram o querer&#8221;.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><b>In\u00edcio da viagem<\/b><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Paulo VI partiu em 26 de novembro e o avi\u00e3o fez uma escala t\u00e9cnica em Teer\u00e3, no Ir\u00e3, onde o Pont\u00edfice foi cordialmente recebido pelo X\u00e1 da P\u00e9rsia Reza Pahlavi. Tamb\u00e9m foi decidido fazer uma parada n\u00e3o programada em Daca, no ent\u00e3o Paquist\u00e3o Oriental, para um encontro com as v\u00edtimas de um furac\u00e3o. O Papa quis entregar uma soma significativa de dinheiro para os socorros que era uma coleta feita a bordo do avi\u00e3o entre os jornalistas que o acompanham na viagem. Na manh\u00e3 de 27 de novembro, logo que pousou no aeroporto de Manila, Paulo VI sofreu o atentado que poderia ter lhe custado a vida. &#8220;Antes de cada viagem&#8221;, lembrou o secret\u00e1rio particular Padre Pasquale Macchi em suas mem\u00f3rias, &#8220;o Papa era avisado de que poderia ser v\u00edtima de algum poss\u00edvel atentado, desde a sua viagem \u00e0 Terra Santa at\u00e9 o Extremo Oriente. O Servi\u00e7o Secreto sempre alertava a Secretaria de Estado. Mas o Papa enfrentava as viagens sem qualquer preocupa\u00e7\u00e3o, confiando em Deus&#8221;. Desta vez, por\u00e9m, o Papa foi atingido.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><b>O atentado<\/b><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Enquanto saudava as autoridades, os cardeais e bispos&#8221;, escreveu seu secret\u00e1rio, &#8220;o Papa foi atacado por um pintor boliviano, Benjamin Mendoza y Amor, de 35 anos, vestido de padre, que segurava um crucifixo dourado em uma m\u00e3o e na outra, escondida por um pano, um kriss (punhal malaio). Com um golpe ele feriu o Papa no pesco\u00e7o, felizmente protegido pelo colarinho r\u00edgido, e com outro no peito perto do cora\u00e7\u00e3o&#8221;. Em uma nota escrita pelo pr\u00f3prio Pont\u00edfice naquele dia lemos: &#8220;Se estou bem lembrado, depois das sauda\u00e7\u00f5es \u00e0s personalidades &#8230; vi de modo confuso um homem&#8230; que impetuosamente vinha na minha dire\u00e7\u00e3o. Pensei que era um dos muitos que queriam me cumprimentar ou beijar minha m\u00e3o, ou dizer algo&#8230; Assim que chegou em minha frente, ele me deu com as duas m\u00e3os, duas fortes punhaladas no peito, e logo depois mais duas, t\u00e3o forte que senti o violento golpe\u201d.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><b>Padre Macchi<\/b><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Padre Macchi, seu secret\u00e1rio, recorda assim aqueles momentos: &#8220;Pensando que era um fan\u00e1tico, me joguei sobre ele com uma certa viol\u00eancia para imobiliz\u00e1-lo, e o empurrei nos bra\u00e7os da pol\u00edcia, impedindo-o assim de dar mais golpes. O Depois de um primeiro momento de perplexidade, o Papa sorriu suavemente&#8230; E revejo seu olhar sobre mim, velado por uma leve censura \u00e0 minha impetuosidade. Depois o Papa prosseguiu at\u00e9 o palco para o primeiro discurso, sem mencionar o ataque: seu vestido branco, entretanto, estava marcado por uma mancha de sangue&#8221;. Tamb\u00e9m foi decisiva a interven\u00e7\u00e3o do bispo Paul Marcinkus, o organizador das viagens papais, que impediu o atentador de golpear novamente.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><b>Depois do atentado&#8230; compromissos<\/b><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi o pr\u00f3prio Paulo VI, na nota escrita no dia do ataque, que escreveu: &#8220;Entramos no carro. Foi ent\u00e3o que vi na minha manga (esquerda?) algumas pequenas gotas de sangue, e percebi que uma de minhas m\u00e3os devia ter tocado algo manchado de sangue, talvez a m\u00e3o do agressor. Eu continuava a sentir no peito o peso da agress\u00e3o, mas nada mais. Chegamos \u00e0 catedral. Quando fui vestir os paramentos, tentei lavar as manchas de sangue das m\u00e3os, sem me dar outra raz\u00e3o para o que realmente tinha acontecido\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s a cerim\u00f4nia, ao chegar \u00e0 nunciatura, o Papa finalmente recebeu ajuda m\u00e9dica. \u00c9 ele mesmo que conta: &#8220;Pude me despir, e ent\u00e3o percebi que a camiseta de baixo suada tinha uma grande mancha de sangue no peito, devido a uma pequena ferida, bem perto da regi\u00e3o do cora\u00e7\u00e3o, superficial e indolor: a camiseta tinha contido a hemorragia, que n\u00e3o era copiosa. Uma outra ferida, ainda menor, quase um arranh\u00e3o apareceu, \u00e0 direita, na base do pesco\u00e7o&#8221;. Logo fui medicado pelo atento e sempre pronto Doutor Mario Fontana&#8221;, continua Paulo VI, &#8220;as duas feridas foram fechadas e tratadas nos dias seguintes, e logo sararam. Uma pequena aventura de viagem, um pouco de barulho no mundo (soube que na It\u00e1lia, quando chegou a not\u00edcia, o Parlamento suspendeu a sess\u00e3o) e grande gratid\u00e3o aos que se interessaram por mim; mas sobretudo gra\u00e7as ao Senhor que me quis seguro e me permitiu a continua\u00e7\u00e3o da viagem&#8221;.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><b>Febre e continua\u00e7\u00e3o da viagem<\/b><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">O m\u00e9dico do Papa, depois de examinar as feridas, deu-lhe uma inje\u00e7\u00e3o antitet\u00e2nica, que causou um estado febril. E aconselhou a Paulo VI de suspender seus compromissos da tarde. Mas o Papa, no entanto, &#8220;decidiu que o programa deveria seguir como planejado para n\u00e3o decepcionar as expectativas das pessoas e para manter a reserva sobre o ocorrido&#8221;. Nestas condi\u00e7\u00f5es, o Papa foi ao encontro com o Presidente Marcos, com o Corpo Diplom\u00e1tico e com uma delega\u00e7\u00e3o de Formosa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na \u00e9poca, a not\u00edcia do atentado deu a volta ao mundo, mas a Santa S\u00e9 n\u00e3o confirmou que o Papa tinha sido atingido. Em uma declara\u00e7\u00e3o o agressor disse: &#8220;Sinto muito ter falhado, eu o faria novamente se tivesse a oportunidade&#8221;. Saiu da pris\u00e3o alguns anos depois, gra\u00e7as ao fato de que o Vaticano n\u00e3o tinha se constitu\u00eddo como parte civil.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cinquenta anos atr\u00e1s, em 27 de novembro de 1970, depois de descer do avi\u00e3o no qual chegou ao aeroporto de Manila (Filipinas), o Papa Paulo VI foi v\u00edtima de um atentado VATICAN NEWS Um homem vestido de padre segurando um crucifixo com uma m\u00e3o e um punhal com a outra. 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