{"id":64674,"date":"2020-11-25T09:07:41","date_gmt":"2020-11-25T12:07:41","guid":{"rendered":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/?p=64674"},"modified":"2020-11-25T15:09:46","modified_gmt":"2020-11-25T18:09:46","slug":"violencia-contra-as-mulheres-para-nao-esquecer-das-vitimas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/violencia-contra-as-mulheres-para-nao-esquecer-das-vitimas\/","title":{"rendered":"Viol\u00eancia contra as mulheres: para n\u00e3o esquecer das v\u00edtimas"},"content":{"rendered":"<figure class=\"article__image\"><span class=\"didascalia_img\">Manifesta\u00e7\u00e3o do Dia Internacional para a Elimina\u00e7\u00e3o da Viol\u00eancia contra as Mulheres.\u00a0 (ANSA)<\/span><\/figure>\n<div class=\"article__meta\">\n<div class=\"article__subTitle\" style=\"text-align: justify;\">Em 1999 a ONU decretou 25 de novembro como o dia para n\u00e3o esquecer as mulheres v\u00edtimas da viol\u00eancia. Houve progressos legislativos, mas sobre a prote\u00e7\u00e3o ainda h\u00e1 muito a ser feito, como recorda a Irm\u00e3 Rita Mboshu Kongo, te\u00f3loga congolesa.<\/div>\n<div class=\"title__separator\" style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div class=\"article__text \">\n<p style=\"text-align: justify;\"><b>Benedetta Capelli e Amedeo Lomonaco \u2013 Vatican News<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1999, por causa de um crime ocorrido na Rep\u00fablica Dominicana em 1960 no qual foram violentamente assassinadas tr\u00eas irm\u00e3s, a Assembleia das Na\u00e7\u00f5es Unidas declarou oficialmente 25 de novembro como o Dia Internacional para a Elimina\u00e7\u00e3o da Viol\u00eancia contra as Mulheres. \u201cLas Mariposas\u201d ou seja, \u201cas borboletas\u201d, assim eram chamadas as irm\u00e3s da fam\u00edlia Mirabal. Patria, Minerva e Maria Teresa foram mortas em 25 de novembro de 1960 na Rep\u00fablica Dominicana pelos homens do ditador Trujillo, que as perseguiram por muitos anos, antes de decretar sua morte violenta e desdenhosa, mas que tamb\u00e9m sancionou o fim de seu regime. O voo de um penhasco das tr\u00eas irm\u00e3s dentro de um jipe, depois de torturadas e violentadas, tornou-se o voo das borboletas livres, de mulheres que foram capazes de dizer n\u00e3o aos prepotentes. \u00c9 por isso que, com o tempo, se tornaram o s\u00edmbolo da emancipa\u00e7\u00e3o feminina.<\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"article__embed article__embed--unwrap article__embed--dark\">\n<div class=\"article__innerTitle\">Ou\u00e7a e compartilhe<\/div>\n<div>\n<audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-64674-1\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/mpeg\" src=\"https:\/\/media.vaticannews.va\/media\/audio\/s1\/2020\/11\/25\/11\/135797144_F135797144.mp3?_=1\" \/><a href=\"https:\/\/media.vaticannews.va\/media\/audio\/s1\/2020\/11\/25\/11\/135797144_F135797144.mp3\">https:\/\/media.vaticannews.va\/media\/audio\/s1\/2020\/11\/25\/11\/135797144_F135797144.mp3<\/a><\/audio>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><b>Viol\u00eancia e pandemia<\/b><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em junho passado, a ONU divulgou um relat\u00f3rio do Fundo das Na\u00e7\u00f5es Unidas para a Popula\u00e7\u00e3o, Avenir Health, da Universidade Johns Hopkins e Universidade Victoria da Austr\u00e1lia, que destacou o claro aumento dos casos de viol\u00eancia contra as mulheres durante a pandemia: mais de 15 milh\u00f5es de casos com um aumento de 20% de viol\u00eancia durante os primeiros 3 meses de isolamento em todos os 193 pa\u00edses membros da ONU. \u00c9 uma praga que percorre o mundo; nos EUA, em plena emerg\u00eancia sanit\u00e1ria, a cada minuto uma mulher \u00e9 abusada por seu parceiro; em Londres, nas primeiras seis semanas de lockdown, foram feitas 4.000 pris\u00f5es por abuso dom\u00e9stico.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><b>Um tr\u00e1gico aumento de casos em todo o mundo<\/b><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00fameros dram\u00e1ticos da Am\u00e9rica Latina. Quase 50 feminic\u00eddios (um termo mais correto que substituiu o &#8220;crime passional&#8221;) em apenas dois meses na Argentina. No M\u00e9xico, de fevereiro a abril foram assassinadas 367 mulheres, em El Salvador as autoridades haviam reportado 9 feminic\u00eddios no primeiro m\u00eas do isolamento, mas teme-se que o n\u00famero seja maior. No Brasil, houve um aumento de 56% de viol\u00eancias em mar\u00e7o, em seis estados. Com o lockdown, as chamadas para linhas de ajuda dobraram no L\u00edbano, Mal\u00e1sia e Austr\u00e1lia, as buscas no Google registraram o maior volume de pedidos de ajuda por viol\u00eancia dom\u00e9stica dos \u00faltimos 5 anos. O Secret\u00e1rio Geral das Na\u00e7\u00f5es Unidas, Antonio Guterres, exortou todos os pa\u00edses a tomar medidas contra este &#8220;aumento chocante&#8221; da viol\u00eancia.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><b>N\u00e3o n\u00fameros, mas pessoas<\/b><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Portanto, existe uma outra pandemia, uma &#8220;pandemia escura&#8221;, que afeta milh\u00f5es de pessoas, de mulheres. Neste v\u00eddeo das Na\u00e7\u00f5es Unidas, por ocasi\u00e3o do dia de hoje, lembra-se que, neste tempo marcado pela Covid-19, a viol\u00eancia dom\u00e9stica est\u00e1 em crescimento&#8230; Neste momento, muitas pessoas est\u00e3o bloqueadas em suas casas. As hist\u00f3rias de mulheres que sofrem viol\u00eancia todos os dias em todo o mundo n\u00e3o s\u00e3o dados estat\u00edsticos. S\u00e3o tamb\u00e9m rostos desfigurados, corpos cobertos por hematomas. Vidas vividas em jaulas de medo e de viol\u00eancia. &#8220;Os dados sobre a viol\u00eancia contra as mulheres \u2013 \u00e9 sublinhado no v\u00eddeo da ONU &#8211; n\u00e3o s\u00e3o apenas n\u00fameros, s\u00e3o pessoas que voc\u00ea poderia conhecer&#8221;.<\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"article__embed article__embed--unwrap article__embed--dark\">\n<div class=\"embed-container\"><iframe id=\"142562742\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/llNP__bW-o0?wmode=opaque&amp;rel=0&amp;autohide=1&amp;showinfo=0&amp;wmode=transparent&amp;modestbranding=1&amp;enablejsapi=1&amp;origin=https:\/\/www.vaticannews.va&amp;start=&amp;end=\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\" data-gtm-yt-inspected-7781034_9=\"true\"><\/iframe><\/div>\n<div class=\"article__innerTitle\">A Pandemia Escura<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<h2 style=\"text-align: justify;\"><b>Investir na educa\u00e7\u00e3o<\/b><\/h2>\n<p style=\"text-align: justify;\">Irm\u00e3 Rita Mboshu Kongo, te\u00f3loga congolesa e professora da Pontif\u00edcia Universidade Urbaniana de Roma, reitera que h\u00e1 um longo caminho a percorrer para combater o fen\u00f4meno da viol\u00eancia contra as mulheres. &#8220;\u00c9 preciso trabalhar, segundo a minha experi\u00eancia, na educa\u00e7\u00e3o e na forma\u00e7\u00e3o. Estas s\u00e3o as prioridades. \u00c9 necess\u00e1rio educar para conhecer uns aos outros &#8211; afirma &#8211; para dialogar, envolvendo a fam\u00edlia, a escola e a Igreja para assim recordar do \u2018Pacto educativo global&#8217; que o Papa Francisco promoveu&#8221;. \u00c9 fundamental, sugere Irm\u00e3 Rita, entender profundamente o sentido do relacionamento, sem esquecer que todo homem \u00e9 uma imagem de Deus e que a viol\u00eancia contra a mulher \u00e9 viol\u00eancia contra o Criador.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Falando da situa\u00e7\u00e3o em seu pa\u00eds, o Congo, a te\u00f3loga lembra que as mulheres sofrem viol\u00eancia, racismo e tamb\u00e9m o sexismo. &#8220;Humilhando as mulheres&#8221;, afirma Irm\u00e3 Rita, &#8220;humilha-se a fam\u00edlia. Humilhar a fam\u00edlia tamb\u00e9m humilha a sociedade, a cultura em que vivem, o cl\u00e3, a aldeia ou o pa\u00eds. A Igreja no Congo est\u00e1 tentando fazer um trabalho complexo de tentar desvincular preconceitos, n\u00e3o \u00e9 simples, mas tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 imposs\u00edvel&#8221;. A te\u00f3loga \u00e9 uma religiosa tamb\u00e9m comprometida em trazer \u00e0 tona o tema da viol\u00eancia contra as irm\u00e3s na Igreja. H\u00e1 cerca de um ano, o problema foi abordado em sua complexidade, &#8220;hoje &#8211; ela aponta &#8211; a Igreja est\u00e1 trabalhando, h\u00e1 mudan\u00e7as, \u00e9 um processo no qual a Igreja certamente n\u00e3o tem sido surda ao grito de sofrimento de muitas religiosas&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em conclus\u00e3o, o convite \u00e9 o de falar claramente. Falar muitas vezes n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, h\u00e1 obst\u00e1culos de v\u00e1rios tipos que levam as mulheres a escolher o caminho do sil\u00eancio como se isso apagasse o problema. \u00c9 necess\u00e1rio apoio, solidariedade, saber que n\u00e3o se est\u00e1 sozinho, somente assim ser\u00e1 poss\u00edvel sair da escurid\u00e3o e ter a for\u00e7a para lutar contra a injusti\u00e7a sofrida, muitas vezes gratuita e sem sentido.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Manifesta\u00e7\u00e3o do Dia Internacional para a Elimina\u00e7\u00e3o da Viol\u00eancia contra as Mulheres.\u00a0 (ANSA) Em 1999 a ONU decretou 25 de novembro como o dia para n\u00e3o esquecer as mulheres v\u00edtimas da viol\u00eancia. Houve progressos legislativos, mas sobre a prote\u00e7\u00e3o ainda h\u00e1 muito a ser feito, como recorda a Irm\u00e3 Rita Mboshu Kongo, te\u00f3loga congolesa. 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